Do outro lado da linha
228 Atendimento #228: Raiva
Notas iniciais
Atendimento #228: Raiva
A fúria de um um homem gentil é mais destrutiva que o veneno mais mortal existente em toda a face da terra. E Luly descobriu isso do pior modo possível, perdendo uma barra de chocolate cujo o valor passava facilmente dos dois dígitos.
Ela ainda estava “de castigo” com Ancelmo e mesmo não estando mais amarrada tinha de trabalhar com ele até o fim do dia.
— Duzentos e trinta, eu poderia ter usado para comer a barra ou uma pessoa! Que inferno, porque eu ainda tento agradar os outros?
— Foi mal cara eu pago a barra, não fica assim só porque ela curte menina, você não tinha como saber.
— Eu tô nem aí para ela! Se ela nem sabe que eu comprei o troço para ela do que adiantou perdeu aquele chocolate maravilhoso? Eu poderia ter comprado vários actions figures baratinhos ou mesmo uma katana!
Kleber ficou de longe apenas a encarar a situação.
Ezequiel tinha sua atenção dividida entre a tela branca em que digitava palavras que ninguém deveria ler e a mensagem que sua esposa enviou para seu celular após ir ao banheiro.
“Acho melhor ir ficar em casa mesmo, eu venho só amanhã e depois eu fico em casa com a minha mãe e a Catherine.”
— Chefe. — A voz do subordinado imediatamente atrás fez com que nosso heroi pressionasse vários botões no teclado para alterar o conteúdo da tela. — Tá vendo pornografia no trabalho?
— CLaro que não sua besta. — Ezequiel viru-se suando frio respondendo para a subordinada de cabelos desgrenhados
— E por que não? — Perguntou Lully, mas sem dar um tempo para responder emendou o que queria dizer. — Vou avisar que seja la o que for que o cliente fazer para o Ancelmo a culpa não vai ser minha ein.
— Pois é… eu já vi ele furioso antes…
— Vai fazer algumas coisa? — Ela estava preocupada com o que poderia acontecer com o colega.
— Eu? Tá louca? É um puta espetáculo ver ele mostrando tudo o que sabe contra o cliente.
Na hora que nosso herói dizia aquilo o subordinado e amigo começava a falar com um cliente que era tudo exceto tranquilo.
— Um produto que eleva a conta de energia a níveis estratosféricos não deveria ser colocado a venda, não têm cabimento um negócio desses. Como vocês colocam uma máquina de lavar que gasta tanto? Aliás como é que vocês conseguem manter infelizes miseráveis atendendo seus produtos são tão ruins?
— O problema é seu que não sabe se organizar.
Ezequiel sacou da mochila um refrigerante no melhor estilo refil de fast food e começou a beber, enquanto isso o susto de seus colegas os fizeram pedir um momento para ver as palavras do colega.
— Dizem por aqui que aqueles que não organizam nem a roupa de lavar são bem ruins de outras coisas.
— Do que você está falando rapaz?
— Nada senhor, vou fazer o seguinte o reparo do senhor pode ser feito só que existe uma promoção especial que eu pude fazer para o senhor. O senhor pode adquirir um reparo ou comprar um pacote de quatro e ganhar uma montada de brinde.
Ezequiel começou engasgando.
— O que você disse?
— O senhor está esquecido? Pois é dizem mesmo que os cornos possuem memória ruim mesmo.
— Eu não estou acreditando o que você disse.
— Pois é bem que falam que corno é incrédulo com o próprio chifre, agora vejo que é com o resto das coisas.
— Olha aqui rapaz eu quero falar com seu supervisor.— Ancelmo virou-se para Ezequiel que apenas devolveu com um aceno de aprovação, além , é claro, do pescoço todo molhado do refrigerante.
— Ele disse que eu posso fazer o que eu quiser na chamada.
— Eu vou ligar denovo você não pode ser um atendente de verdade! Eu me recuso a acreditar.
— Pois é senhor, como eu disse anteriormente, negação. Na realidade existem vários estágios de corno bem como tudo na vida, mas aparentemente o senhor já têm experiência com isso, quando foi a primeira vez que você foi chifrado?
— Olha isso, que criminoso!
— Senhor, a culpa não é nossa de o senhor ser burro de não perceber que seu produto está na função alto desempenho, altere para a básica ou para económica que tá tudo certo!— Desligou a chamada. — Se aparecer o babaca da máquina de ligar me transfere que eu vou ficar falando na orelha dele até o fim do dia!
Como ele não era a autoridade máxima ali todos os olhares e voltaram para Ezequiel.
— Ouviram ele...— Falou nosso herói fazendo o ruído de sucção de líquido. — Adoro ver esse maninho puto da cara.
Fale com o autor