Do outro lado da linha
222 Atendimento #222: Tabulação
Notas iniciais
Atendimento #222: Tabulação
Você acha que os atendentes possuem um sistema intuitivo? Não! Não existe razão nenhuma para que seus chefes disponibilizam um sistema destes. O funcionário têm mais é que desenvolver habilidades psíquicas para usar as ferramentas, não atoa, na realidade em quase todos os casos, a empresa precisa de um mês para ensinar como os funcionários devem usar o sistema que vão trabalhar.
Ai você vai, estuda mais que vestibular de faculdade federal, decora o sistema de cabo a rabo começa a trabalhar o primeiro mês e do nada…
— Aê galera mudou a tabulação. — Ezequiel anunciou a má noticia se abaixando para não ser atingido por mouses e teclados voadores.
O fato de mudar a “tabulação” significa que os sistema tão consagradamente horrível iria mudar. Mas se o sistema é tão ruim porque você acha que os atendentes estavam perseguindo Ezequiel com tochas, foices e cães de caça? Simples, o que é pior para você? Um sistema ruim que você já aprendeu as manias? Ou um sistema ruim lento que você não faz ideia das manias?
— Vem aqui. — Amanda chamou nosso herói pois o sistema já estava com modificações e ela não sabia como proceder.— Que tipo de opções são essas?
— Resolvido, em procedimento, cliente largou a chamada, cliente insultou o atendente, cliente...— Ezequiel franziu o cenho. — Que? “Cliente faleceu em linha?”— O encarregado passou de mesa em mesa verificando os sistemas de seus subordinados e logo ele constatou que todos eles estavam com as mesmas opções na tela.— O que esses asnos pensam? Eles acham mesmo que um cliente vai…
— Doutor!— Laurence erguia a mão chamando Ezequiel. — Têm um cliente aqui estrebuchando, ajudo ele ou não?
Por mais impossível que possa parecer, se um supervisor toma conhecimento de uma situação perigosa envolvendo o funcionário ou o cliente que ele eventualmente atende é responsabilidade sua prestar o devido suporte ou socorro.
— Sai, sai. — Nosso herói correu como o vento de um ventilador daqueles vendidos em canais de televisão até sentar-se no lugar de Laurence.— Senhor? Senhor?
— Soc-
O cliente parecia está com alguma coisa entalada na garganta. A situação ficava mais tensa a medida que Ezequiel tentava passar os movimentos da manobra heimlich para a esposa do cliente. Ao ouvir o som da respiração aliviada do cliente acalmou-se.
— Senhor, senhor? Consegue me ouvir?
— Oi Atendente ele está tossindo ali no canto.
Ezequiel, mais aliviado por saber que a vida do cliente estava fora de risco, e consequente sua resposabilidade da morte dele também, começou a tabular.
— Mas como assim? — O supervisor se espantou ao ver uma opção do sistema que continha os seguintes dizeres: “Caso o cliente sufoque” Colocou no mute.— Essa parte do sistema têm mais de dez opções! Como assim alguém pensou nisso? — Seus olhos passeavam pelas opções. — Caso o cliente sufoque após descobrir o valor real da fatura clique aqui, caso ele sufoque ao perceber que teve seu produto roubado, clique aqui…
Nosso herói reparou que laurence estava em sua mesa, para chamá-lo ele sinalizou para sua esposa que estava próxima a ele.
— Vossa persona perdeu as faculdades menta — O atendente parou ao perceber que falava com um estilo extremamente formal.— O que houve? — Percebeu que Ezequiel o chamava. — O que é que aconteceu?
— Você falou alguma coisa para esse cliente aqui? Tipo alguma coisa relacionada a fatura dele?
— Claro que falei, ele pediu para saber qual era o valor exato da conta do cartão sem limites dele. — Ezequiel tomava um pouco de água da garrafa do funcionário. — Ai eu abri aqui a conta dele, e falei o valor…
Ezequiel começou a engasgar ao ver a conta do cliente. A água que ele tinha na boca foi derramada e sua respiração se interrompeu, mas também pudera afinal a conta do cliente já batia os cinco dígitos!
— Tá explicado o engasgo. — Ezequiel batia no próprio peito para livrar-se do engasgo. — Mas como é possível que ele tenha gastado tanto sendo que o mês virou a dois dias?
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