Do outro lado da linha
201 Atendimento #201: O poderoso gestor
Notas iniciais
Atendimento #201: O poderoso gestor
Ter poder é uma coisa para poucas pessoas nesse mundo, não estou dizendo que uma determinada pessoa não possa chegar a cargos elevados, não é isso. O fato é se você que subir de cargo, antes é necessário que você tenha um nível de conhecimento para tal, do contrário você pode acabar como Kauã.
— Olha, isso aqui foi o que eu consegui arrumar para você depois do que aconteceu.
A mafiosa trazia consigo uma série de folhas encadernadas com diversos dizeres formais gravados nelas.
— Aqui têm uma série de desculpas formais e pedidos de privacidade por parte do presidente, mas em resumo...Você foi promovido a gestor geral das operações. — Catherine falava com certo orgulho e medo do supervisor.
Ezequiel encarou a folha com estranheza, por um momento que o encarasse e não visse as folhas poderia pensar que ele estava encarando uma couve flor estragada.
— Que? Mas não têm nem um mês que eu virei supervisor, como assim o japa quer me promover? — Ezequiel se recordou que mesmo falando para o presidente deixa o consolo este sorrateiramente o levou consigo. — Ah ele sabe que só eu notei aquela brincadeira dele. Enfim. — O supervisor empurrou a folha para Catherine. — Eu passo.
— Mas porque?
— Senhor Ezequiel. — O supervisor do setor de trocas se aproximou de nosso herói e deixou com ele um relatório dos produtos passados do seus setor para o dele nos últimos quinze dias.
— Senhor? — A mafiosa se surpreendeu com o tratamento que ele recebeu de uma pessoa cujo o grau de hierarquia era o mesmo.
Ezequiel passara a ser visto como uma figura superior por todos os supervisores, todos o respeitavam por ter batido de frente com o presidente da empresa pelos seus subordinados.
— Eu não tenho capacidade de assumir esse cargo ainda, Dona Catherine. além do mais.
— Senhora, senhora. — Amanda tentava falar com a cliente que não parava de reclamar de seu produto. — Senhora.
Ezequiel apontou para a esposa que estava estressada com a chamada.
— Eu preciso ficar por aqui para cuidar de todos vocês.— Falou Ezequiel se levantando de sua cadeira.
Enquanto isso a cliente, louca de pedra que era atendida por Amanda continuava a esbravejar suas indgnações.
— Vocês não têm vergonha de fazer isso com uma mãe de família? Meu produto se quebrou sozinho.
— Senhora, então eu-
— Meu relógio digital não pode ter se quebrado por minha culpa ou de qualquer outro, ninguém aqui alcança
— Senhora, senhora — Amanda não conseguia falar com a cliente sem que essa infeliz a interrompesse com uma nova informação. A mulher era pior que carnê, só falava em prestações.
— Fia eu preciso de-
— Chega. — Amanda largou o headset na P.A e ameaçou erguer o braço para o supervisor, entretanto este já estava às suas costas apertando os ombros. — Que rápido, têm que fazer isso em casa…
— Diga. — Falou ele brandindo o jaleco branco como se fosse um super herói chegando para resgatar a mocinha.
— A cliente não me deixa falar o que eu quero, sempre que eu começo ela vai e me interrompe. Eu fico aqui que nem uma retardada só falando senhora, senhora.
Ezequiel já tinha visto casos semelhantes a este e já sabia exatamente o que fazer para resolver isso, mas para tal precisaria de ajuda.
— Tenta mais uma vez, se ela interferir segue o fluxo da pista.— Ezequiel estalou os dedos várias vezes chamando a atenção de alguns subordinados.
— Senhora, o que acontece é o seguinte. — Amanda retirou do mute enquanto observava um grupo de mais de oito pessoas se formando no entorno de sua mesa. Ela gesticulou com o indicador fazendo o sinal de interrogação no ar. — Nós aqui não temos como.
— Como assim não têm?— Interferiu a cliente.
— Senhora?— Amanda novamente queria continuar e a cliente não deixava.
No mesmo instante começou uma espécia de canção em forma de coral ao fundo.
Senhora, cala a boca
Senhora, fica quietinha
Se não vamos te matar…
Essa é a grande realidade sim.
Amanda meneou a cabeça ao perceber que o grupo havia ensaiado uma espécie resposta aos clientes ao som de Bohemian Rhapsody.
— Tá ouvindo senhora? — Não houve resposta. — Ou a senhora me deixa terminar ou eles vão continuar cantando a canção do cliente que nossa empresa preparou para senhora.
A cliente, sem mais argumentos para impedir a atendente de falar, apenas encerrou o contato antes que os atendentes chegassem ao refrão da música.
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