Do outro lado da linha
152 Atendimento #152: Eterna caçada
Notas iniciais
Atendimento #152: Eterna caçada
Dizem por aí que quem acredita sempre alcança não é mesmo? Bom, o cliente Regis sabia que precisava acreditar que sua saga um dia teria um fim. O pobre infeliz cruzara pontes de madeira, estradas de terra com animais violentos e exitados na pista, viajara a noite no frio, chuva e vento até pegara ônibus de viagens na promoção. É ele sofreu mesmo. Mas depois disso finalmente chegara a cidade onde encontraria seu notebook.
— Alo? Ezequiel? — O cliente já ligara tantas vezes para a central que já acreditava que sempre acabaria por cair com nosso herói.
— Não parceiro, o Ezequiel tá estudando pra tentar tomar meu lugar, — Igor respondeu o cliente sem nem se quer saber com quem falava.— Não que ele vá conseguir fácil, mas ele faz o que pode.
Correndo que nem um desembestado pelas ruas movimentadas de São Paulo, Regis procurava por um endereço em especial.
— Olha meu nome é Regis e eu já rodei o país inteiro atrás desse notebook, pelo amor de Deus me diz que ele tá na autorizada.
— Régis meu colega! Chefia tu sabia que sua saga virou lenda aqui dentro da empresa? Do Acre a Minas Gerais
— Como é?
— É verdade cara, desde que eu era supervisor eu tenho ouvido que você têm corrido atrás desse notebook. — Igor escutou a respiração ofegante do cliente. — Se tá correndo mesmo?
O cliente parou por um momento, passou em uma banca.
— Obrigado. — Agradeceu ao vendedor a garrafa de agua que acabara de comprar. — Parece que eu to correndo?
— Acho que sim, ou você pode estar dando a...
— EU TO CORRENDO MESMO!
— Atá... — Igor se ajeitou na cadeira. — Chefe hoje essa e minha ultima ligação do dia então vamos direto ao ponto.
O cliente apertou a garrafa de água bebendo de uma vez cada gota das quinhentas e dez ml que sua garrafa comportava.
— O notebook está na autorizada?
— Chefia primeiro diz pra mim o que aconteceu com ele, assim fica mais tranquilo pra sacar. — Igor queria manter o cliente falando enquanto ele comia um lanchinho.
— Foi liquido, já falei isso mil vezes para o Ezequiel! Vocês ficam me tratando como se eu fosse um papagaio ou um loro de estimação.
— Que é isso cara, nunca que vamos fazer um negocio desse com cliente nenhum. — Esperou um pouco. — Quer um biscoito?
Régis quase teve o impulso de se jogar na frente de um caminhão para findar aquela tortura.
— Como é? Tá me tirando mesmo? Olha aqui cara eu já cansei dessa porcaria, eu só corri atrás desse produto por que...
— Valeu tava com fome mesmo.— Respondeu Ezequiel. Com toda sua concentração voltada para apostilas de administração ele esquecera completamente de comer algo. Sentado na mesa ao lado de Igor
— Ah! Não era comigo...— Regis se conteve.
O cliente virou uma esquina, desviou-se das pessoas que saiam do teatro próximo.
— Então amigo, sobre teu notebook... — Igor bebeu um gole de café. — Eu fui na autorizada que ele tá hoje de manhã. Você pode ir lá buscar se quiser.
Regis não podia se conter de alegria, seus pés que já caminhavam durante horas e pareciam que escapariam do corpo. Como Igor leu a ultima frase uma dúvida lhe surgiu na cabeça.
— Regis tu falou que tá correndo, mas porque não pegou um carro para chegar na autorizada? Eu sou taxista sabe...poderia ter ido te buscar e pá.
O cliente realmente não havia parado pra pensar nisso, só mente naquele momento ele concebeu o esforço desnecessário que seu desespero o fez ter. Como não tinha mais justificativas apenas disse.
— Por que eu sou BURRO! — Regis virou mais duas ruas até finalmente ver a autorizada. — É isso que eu sou, eu sou BURRO! — Não senhor...— Regis abriu as portas da autorizada. — Na verdade o senhor é pai.
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