Do início até o para sempre
2 Quanto maior a árvore, maior o tombo.
Notas iniciais
Na manhã de janeiro de 1911...
Esme escutava todos os ensinamentos de sua mãe que era uma espécie de guia de comportamento moral em sua vida de casada e um exemplo a ser seguido para a época.
A mesma explicava a respeito de "todos os seus deveres", a ideia de criar os filhos frutos de obrigações parecia um caminho natural a ser seguido. Sendo assim não havia muitos questionamentos da parte de Esme, além de compreender aquilo que é já é tradicional a ser seguido por todas as mulheres, então apenas se pôs a ouvir tudo a respeito.
Apesar da boa compreensão, Esme tinha um pensamento a frente do seu tempo. Encorajada pelos livros, era tomada frequentemente pela ideia de mudar-se para o Oeste pra ser tornar professora.
Esme
Sinto que a vida tem se precipitado sobre mim numa velocidade maior do que minha capacidade de processá-la.
São tantos deveres! No alto dos meus 16 anos, posso afirmar que já tive que desmontar todas as minhas ideias a respeito de me torna alguém que não seja aquilo que se esforça incessantemente para agradar os outros.
Eu particularmente estou um pouco cansada, sim, cansada de ser condenada ao analfabetismo e impedida de trabalhar...
— Mamãe. Eu posso compreender tudo que me diz. Só que ainda assim, penso na possibilidade de poder conciliar os desempenhos dos meus deveres com a felicidade. O que há de mal nisso?
— Esme, que felicidade? A felicidade vem com o casamento e filhos, isso é imprescindível para uma mulher. Veja meu exemplo, de sua irmã e tantas outras mulheres que seguem o caminho certo.
— Eu entendo mas também existe outras mulheres que não seguiram este caminho e estão muito bem também. Veja só o exemplo de Marie Curie.
— Quem é essa?
— Como assim mamãe? Ela descobriu o Rádio. E li nos jornais que recentemente ganhou um prêmio pelos estudos. Inclusive leciona também.
— Esme, não vou repetir. Eu já disse, esqueça essas idéias. É inapropriado!
Definitivamente é tudo proibido!
Minha mãe jamais vai entender o pensamento de uma mulher que não queira casar ou ter filhos! Porém não a condeno, afinal sua religiosidade não permite questionamentos, precisamos enxergar apenas aquilo que é permitido e visível. No caso nós mulheres nascemos de uma costela com único propósito divino que é a de ser uma “auxiliadora idônea” para o homem. Ou então a história de Gênesis que Eva ao morder a maçã nos fez sermos arduamente responsabilizadas pela inserção do pecado no mundo.
No entanto não penso desta maneira. Eu acredito em Deus mas não penso que o senhor tenha uma visão tão limitada assim. Cristo não cabe nessas categorias humanas. Ele ultrapassa.
De qualquer modo, sei que um dia irei me casar e ter lindos filhos. Mas enquanto eu puder adiar essa obrigação, farei. Quem sabe meu futuro marido seja alguém que tenha a mente mais aberta e me autorize a trabalhar e estudar... Seria um sonho.
Em momentos conflituosos como este, me retiro para sonhar com uma nova vida em contato com a natureza.
Gosto de subir nas árvores, é uma maneira que encontrei para desenvolver coragem e de enfrentar algumas das muitas limitações que me impõe... É reobter a energia que me tiram toda vez que me vem com regras sobre ser uma "mulher respeitada"
Aqui é a onde todos os conflitos humanos se desenrolam em lindas metáforas, é a onde podemos no inspirar em exemplos simples que nos encorajam a viver e fazer aquilo que desejamos...
— ESME ANNE, CADÊ VOCÊ???
Após o grito ensurdecedor de minha mãe, foi inevitável não expulsar os pensamentos para longe e me desequilibrar, questões de segundos eu já estava no chão.
Dor! Uma dor terrível... No momento em que caí no chão senti uma dor tão grande que minha mente ficou toda escura (quase desmaiei) e não tive forças para chamar ninguém naquele primeiro minuto do choque.
Respira Esme! Calma. Tentei levantar a perna e vi que uma parte da perna subia e o resto ficava no chão, me dei conta que realmente tinha fraturado. Então, comecei a chorar e gritar desesperadamente.
— ME AJUDEM. SOCORRO!!!
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