Notas iniciais
Ta ai um capítulo novinho pra vcs, espero que gostem. Obrigada a quem leu, a quem comentou, quem esta acompanhando e a quem favorito. Boa leitura

Charles havia partido para a guerra e no momento que ele saiu surpreendentemente tudo se tornou mais leve desde das minhas emoções até mesmo o clima da cidade.

Todos os dias o sol amanhece mais forte, as flores mais abertas e coloridas acompanhadas do frescor do vento, da brisa calma, e ao anoitecer mais bela ainda, com o sossego do meu descanso e sem nenhuma preocupação. Não consigo lembrar quando tinha sido a ultima vez que minha vida havia sido tão tranquila, provavelmente antes do meu casamento infeliz!

Voltar a experimentar essa calma e estabilidade era tudo o que eu queria e precisava nesse momento. Independente do motivo dessa súbita paz, que eu sei que é por causa da guerra. Entretanto devo a ela minha gratidão... Tenho dimensão do quão devastadora é essa guerra, no entanto no meu caso as coisas parecem ter se arrumado, como se a guerra tivesse o efeito contrario me trazendo paz.

Estou me sentindo muito melhor e faz apenas uma semana da partida de Charles, já consegui fazer inúmeras coisas, até recebi uma visita de minha mãe que admito que me faz falta, só que a visita não foi tão agradável como eu esperava. Mostrei meus hematomas e fui sincera sobre meu casamento mas minha mãe aconselhou eu perdoar meu marido a qualquer custo e parar de ser sonhadora, como ela mesmo disse :

— Eu sei querida e eu lamento ter que lhe dizer isso, mas esse é nosso mundo. Aceite pro seu próprio bem. Você precisa deixar os seus sonhos românticos de lado, Esme, e contentar-se com o que você pode ter. Você casou-se com um homem muito rico e que chama atenção de muitas mulheres então se sinta privilegiada. Seja uma esposa comportada e faça o que ele quer, desse jeito duvido que repita essas violências... Abra mão de seus sonhos românticos, Esme, e seja o mais feliz que você puder com aquilo que você tem.

As palavras de minha mãe, eram completamente duras de aceitar. Me desmotivou completamente da ideia que havia me surgido em pedir pra eles conversarem com Charles e eu voltar a morar com eles. Isso com certeza não aconteceria, queria ter tido a sorte de Elizabeth em casar com alguém que o amor fosse real, na verdade queria apenas ter realizado meu sonho de viver fora da cidade dando aulas e aprendendo cada dia mais. Infelizmente não foi possível.

— Eu sei disso, mas ainda assim, me sinto tão... humilhada, abalada. Tudo o que eu queria era sumir daqui, ir embora ... Eu gostaria de... de voltar pra casa — Minha mãe negou com a cabeça e quando ia se pronunciar novamente a interrompi.

— Tá bom mãe! É só que, é tão difícil, mas é realmente o melhor caminho para mim e eu vou tentar. — Ela assentiu e sorriu fraco.

É triste me lembrar dessa conversa, não cheguei a falar disso com minha irmã mas imagino que ela iria repetir as mesmas palavras de mamãe, além que nem posso mandar cartas, afinal, nem sei onde está a localização nova de Elizabeth. Enfim! resta aproveitar esse tempo com a ausência de Charles.

Embora uma pequena parte de mim ainda se perguntasse quanto tempo essa precária tranquilidade iria durar eu preferia enganar a mim mesma e desfrutar do que era possível ao invés de continuar buscando o impossível. De qualquer modo, eu sei que meus problemas e preocupações ainda existiam, mas ao invés de continuar lutando contra o inevitável eu decidi fechar os olhos e ignorá-los. Quem sabe aconteça algo que faça meu marido não voltar desta guerra ou melhor que ele retorne com a mente mais empática e sensível.

Neste momento percebi uma leve batida na porta de meu quarto, me tirando dos meus pensamentos e pedi que entrasse. E Mary entrou por ali.

— Senhora Everson — a interrompi.

— Mary, por favor! Você é muito formal, me chame de Esme.

— Desculpa senhora ever... Esme! Eu vim lhe perguntar se posso me ausentar por hora? — Ela me olhou e nem esperou minha resposta e deu um suspiro enorme.

— Desculpe, eu não deveria ter pedido isso. Deve estar imaginando que estou me aproveitando da ausência do senhor Everson. — Ela se virou rapidamente querendo sair do quarto e eu a chamei.

— Mary, que isso! Espere. Você nem permitiu que eu te desse uma resposta. — suspirei

— Desculpa senhora Everson!

— Pode sair sim, você sempre fica aqui o tempo inteiro. Tem que passear um pouco.

— Vou num bazar beneficente aqui próximo. Tudo que vender vai ser revertida para ajudar as crianças e mulheres vitimas da guerra.

— Nossa Mary, isso é maravilhoso. Eu gostaria de acompanha-la. Me permite? – eu falei com sinceridade e empolgação, sorrindo para ela, que me retribuiu.

— Claro, vamos sim! — acompanhei Mary até o tal bazar que era muito bonito. Tinha lindas peças de roupas... Observei de longe várias crianças brincando.

— É uma escola? — apontei com a cabeça pra Mary.

— Não, é as crianças do orfanato senhora. Eles também vão ser ajudados com as compras do bazar. — Fiquei ali olhando as crianças de longe, pareciam tão alegres.

— Mary, vá se divertir pelo bazar. Eu quero conhecer esse orfanato. — Caminhei em direção as crianças e me aproximei delas. Fiquei apenas as olhando e notando cada uma brincando. Fixei numa menininha sozinha brincando com sua bonequinha, deveria ter 4 ou 5 anos.

— Oi — ela falou baixinho mas sem me olhar, continuou brincando com a bonequinha.

— Oi florzinha, como você se chama? — questionei sorrindo, ela me olhou timidamente e respondeu

— Sou a Amy — ela sorriu e então fez uma careta e falou novamente
— você é minha mãe? — fiquei surpresa com sua pergunta.

— Não Amy, mas quero ser sua amiga. Posso brincar com você? — eu sorri e acariciei seus cabelos. Ela acenou e me deu sua bonequinha, começamos a brincar até uma senhora nos interromper.

— Amy, eu já disse para você ficar perto dos outros coleguinhas não disse? — Ela se levantou timidamente e deu tchau pra mim e saiu correndo. Me levantei também e resolvi me apresentar a senhora.

— Boa tarde, desculpe pela Amy! Encontrei com ela brincando quietinha e resolvi ficar um pouco com ela. Sou Esme. Éh, Esme Everson! — estendi minha mão e ela pegou me cumprimentando.

— Arlene Rodwell, prazer em conhece-la!

— Eu gosto de crianças e as vi e fiquei encantada.

— A senhora tem vontade de adotar? — ela sorriu.

— Eu ainda não tenho filhos, não sei o que meu marido iria achar. Mas por mim, viveria rodeada de crianças.

— Entendo, já que não pretende adotar e gosta de crianças já pensou em apadrinhamento? — franzi o cenho levemente confusa e ela percebeu e resolveu continuar.

— Você iria contribuir para um fundo coletivo do orfanato, ajudando assim as crianças. Mas caso não tenha dinheiro, a senhora pode participar da vida das crianças por meio de cartas,e até visitas supervisionadas. — Me animei e acenei positivamente.

— Eu gostaria de ajudar de alguma maneira, posso fazer visitas e trazer algumas coisinhas de casa. Eu gosto muito de livros. Se puder, posso vir ler histórias as crianças e até mesmo ensinar um pouco sobre a pratica da leitura. — falei entusiasmada.

— Isso seria muito bom! Uma grande ajuda, Se puder venha amanhã podemos fazer uma roda de leitura com as crianças. — Sorri e então confirmei minha visita para amanhã. Parti de volta pra casa.

— Mary, você já chegou? — Ela apareceu apressada até a sala

— sim senhora! Pensei que voltaríamos juntas mas a senhora acabou sumindo do bazar.

— Verdade, eu fui no orfanato que você mencionou. E conversei com uma freira, se chamava Arlene Rodwell. Ela permitiu que eu fosse visitar as crianças as vezes. E vou amanhã mesmo. — Eu disse contente.

— Você pretende adotar?

— Não, quer dizer quem sabe não é? — falei sorrindo e imaginado algumas crianças correndo pela casa.

— Não sei, a senhora ainda nem teve os seus pra pensar em filhos dos outros — Ela disse de um jeito um pouco perplexo.

— Não é necessário ter filhos biológicos pra pensar em adoção. De qualquer modo, isso seria um sonho. Mas duvido muito que Charles permita. — Ela confirmou me olhando mas nada disse.

— Mary, hoje a cozinha é minha tá bom? não precisa fazer nada. — Eu disse já indo para a cozinha.

— como assim senhora?

— Isso que ouviu! Estou pensando em preparar um bolo de chocolate para animar as crianças. Você sabe né? doces e crianças é uma combinação perfeita.

Eu senti um afago ótimo no coração naquele orfanato. As crianças que eu vi brincar, são tão puras. Me faz esquecer da maldade que existe no mundo, ou pior dentro da minha própria casa.

Não precisam se achar bonitas, ricas ou terem grandes feitos na vida para serem felizes... Na verdade precisam apenas de atenção e carinho e a retribuição por isso é a melhor de todas: sorrisos sinceros, inocência e paz. Elas me fizeram até sentir saudade de voltar a ser aquela criança que um dia fui e me ajudou a suprir um pouco do meu antigo sonho de me tornar professora e viver livre.

Notas finais
Já acabaram de ler? Então comentem. São os comentários, suas opiniões que fazem a fic andar, quem estimulam os autores a continuar! até o próximo.