Notas iniciais
Olá pessoal ... Todos bem e se cuidando? Espero que sim. Segue com mais um capitulo. Novamente desculpas os erros de escrita. Boa leitura!!!

Acordei um pouco tarde na manhã seguinte....

Meu pescoço ainda doía, mas as horas de descanso com a mente tranquila fizeram maravilhas. Estiquei-me na cama e por um momento fiquei observando a paisagem na janela mostrando um sol sereno sobre a cidade tranquila...

Coloquei minhas mãos sobre minha barriga onde comecei a acariciar, já estava um pouco maior mas não tão perceptível para perceber que havia um serzinho habitando nela. Não tive tempo de processar direito que havia uma vida sendo gerada no meu ventre... Mas apesar do processamento ser lento, essa criança já meu deu uma força inimaginável, adquiri força através dela.

E agora, olhando assim para minha barriga e imaginando meu filho nela, é inexplicável a sensação de amor incondicional que sinto sem ao menos conhece-lo. A sensação que tenho é que vim ao mundo só pra conhecer meu filho.

— Estamos seguros meu bebê e eu vou te proteger a todo custo — sorri.

Levantei-me, fiz minha higiene pessoal e coloquei uma das roupas que meu primo tinha me entregado na noite anterior. Uma saia e uma blusa de gola alta branca que escondia bem os hematomas no meu pescoço e fiquei grata por eles. Calcei os sapatos e saí em busca de Joseph.

Não parecia haver ninguém na casa, então simplesmente tentei as portas até encontrar o caminho para a cozinha. Encontrei Joseph em frente ao fogão fervendo leite.

— Bom dia, Esme! Passou bem a noite?

— Bom dia, Joseph ... Sim, Graças a Deus e a você. Não sei nem como agradecer.

— Pare com isso, você é da família, é nosso dever cuidar e proteger. — Observei ele trazendo um copo de leite para mim e sorri agradecida, quando fui tomar ... Senti o cheiro e observei aquela nata e de repente no minuto que o cheiro atingiu minhas narinas, fui dominada por uma onda de náusea incontrolável e acabei de chegar à pia antes de vomitar.

— Jesus! Precisa de ajuda, Esme? — Joseph estava assustado.

— Joseph, não! Por favor, saia. Isso é nojento — Eu disse cansada.

Ele se afastou um pouco mas pude ainda sentir seu olhar sobre mim... Lavei a pia rapidamente e abri a porta dos fundos, desci os degraus aos tropeções e entrei no pequeno quintal, sentando-me nas bordas de madeira de uma horta. Respirando fundo o ar livre. Eu podia sentir o cheiro das ervas, reconheci como Hortelã e estendi a mão para esmagar algumas folhas de hortelã-pimenta em meus dedos, o cheiro forte acalmando meu estômago um pouco.

Joseph saiu e sentou-se ao meu lado, trazendo uma xícara de chá e um prato com uma torrada simples. “Experimente isso,” ele sugeriu, e eu com gratidão peguei a xícara de chá, aquecendo minhas mãos na porcelana.

— Obrigada — eu disse, depois de tomar um gole de chá.

— E desculpe, Joseph. Por tudo isso. — Eu disse realmente sentindo muito e Joseph riu.

— Tenho certeza de que você não pode evitar! Você vai ter um bebê, Esme. Essa notícia é linda. — Eu ri

— Eu nem sei se acredito. Quer dizer, acordei com a ficha caindo ...

Suspirei e dei uma mordida na torrada, me sentindo melhor enquanto mastigava e engolia, apesar da dor na garganta.

— Eu e meu bebê ficaremos muito melhor sem Charles — Abaixei a cabeça.

— Você é muito corajosa, Esme.

— corajosa ou inconsequente, não tenho certeza! — Demos risada do meu comentário.

Mas eu sabia que estava fazendo a coisa certa. A ideia de expor uma criança inocente à imprevisibilidade de Charles era horrível... Eu não duvido dele, ele poderia agir com meu bebê igual fazia comigo. E mesmo se isso não acontecesse, sei quão prejudicial poderia ser para meu filho crescer num ambiente opressivo com a atmosfera de tensão e medo que impregnava em nossa casa.

Sei que nossa vida, não será fácil ... Vou precisar trabalhar muito para nos sustentar mas sei darei todo meu amor. Melhor crescer com apenas uma mãe, do que junto de um pai de quem ele precisaria ter medo.

— Hum, Esme?

— O quê?

— Lembro que você costumava dizer que queria se tornar professora, é você acha que ainda estaria interessado nisso? — sorri por ele se lembrar.

— eu acho que sim, principalmente agora que preciso de sustento.

Joseph sorriu e prosseguiu sua fala.

— Não pense, que estou te expulsando de casa. Por favor — Joseph sorriu e abaixou a cabeça.

— Eu sei que não, diga-me.

— Uns dias atrás, tinha um anúncio no jornal que dizia que Ashland estava precisando de uma professora de classe infantil. O que acha de escrever para eles hoje?

Fiquei empolgada, pude enxergar um futuro numa classe de meninos e meninas e eu dando aulas ... Explicando a matéria e escrevendo no quadro-negro. Fiquei surpresa com o salto repentino em meu coração ao pensar em minhas ambições de adolescência finalmente sendo realizadas mas logo meu ânimo caiu ao imaginar que jamais permitirão que uma mãe solteira seja professora em sua escola.

— Eu gostaria muito, seria um sonho! Mas acho que isso não vai acontecer. Sou uma mãe solteira, eles jamais permitirão. — Joseph franziu a testa e disse.

— Sei que você não gosta de mentiras e eu também não! Mas neste caso, seria bom você começar a inventar umas histórias ... Que justificam sua gravidez.

— Como?

— Finja que é viúva. É bastante respeitável que uma viúva precise ganhar a vida.

— Eu sou casada — Eu disse desanimada.

— Esme, ninguém precisa saber! Estamos num período pós guerra ... É completamente normal que ele tenha falecido na guerra — ele disse como se fosse obvio.

Voltei a imaginar, eu como professora ... com crianças me chamando de Srta. Platt e me animei novamente.

— Ainda bem que não joguei fora isso — Apontei para meu dedo anelar e ele sorriu.

— Serviu pra alguma coisa, afinal. — rimos um pouco.

Escrevemos juntos minha carta de inscrição, Joseph me ajudou na partes que eu precisava criar uma história de vida trágica sobre a morte do meu marido ... A história que ele contou era muito boa. E até desejei que fosse real, pode parecer cruel mas enquanto eu escondia meus hematomas lembrei do quanto Charles era mau.

E eu preciso encontrar trabalho para cuidar do bebê. Nada era mais importante do que isso. E se precisava mentir para que isso acontecesse, eu faria sem nenhum problema.

Tentei mostrar também meu lado profissional, explicar meu bom entendimento na minha língua nativa e também em matemática! Olhando para o céus, orei pedindo que conselho escolar me desse uma chance! Eu estava tão ansiosa que para não perder tempo, peguei minha carta e fui até o correio para enviá-la imediatamente.

Entreguei a carta sem nenhum problema e voltei pra casa de Joseph, absorta com a ideia de tornar professora e conseguir uma vida mais fácil junto com meu bebê.

Me aproximando de casa, eu escutei aquela horripilante que conheço de longe e só de escutar, fiquei apavorada. Me abaixei no quintal do vizinho de Joseph e me escondi atrás de um arbusto, minha respiração saindo curta, ofegante. O que ele estava fazendo aqui?

— Eu sei que ela está aqui! — Charles mantinha a voz equilibrada mas era perceptível seu estresse.

— Não, você está enganado. Esme não apareceu aqui! — Joseph estava com a voz firme.

— Esme é minha esposa, e ela deve ficar em casa comigo. Eu exijo que me dê passagem.

— O senhor não exige nada, essa é a minha casa e quem manda nela sou eu! Sr. Evenson, francamente eu não sei o que aconteceu entre você e minha prima, mas ela não está em minha casa.

— Eu não confio em você! Ela tem responsabilidades em casa e é onde deveria estar. — Disse Charles com raiva e Joseph respondeu com a voz gelada.

— Sr. Evenson, saia de minha propriedade antes que eu chame a polícia.

— Se eu souber que ela esteve aqui... Eu voltarei e saiba você se tornará um homem morto. — Joseph manteve a pose séria.

Eu me encolhi nas folhas enquanto Charles saia pela estrada, esperei até ter a certeza de que ele tinha ido embora! Corri mais rápido que pude de volta para a casa de Joseph.

Notas finais
E ai, gostaram? espero que sim. Até logo, gente!