Do amor ao oceano
12 A noite de natal
Notas iniciais
Aquela nova semana se passou muito rapidamente,tão veloz quanto o próprio vento. Adrien progredira ainda mais em seus esforços após a sexta feira,sendo até mesmo capaz agora de se levantar do chão sem qualquer ajuda.
Marinette não podia se sentir mais orgulhosa.
A oceanógrafa o observava andar na lateral da praia,enquanto tremia um pouco no vento gelado de inverno,que havia acabado de começar.
— Como você não sente frio,Adrien? — Disse,caminhando ao seu lado,as mãos protegendo o peito num abraço ao próprio corpo. Pra ela,era impossível ele estar inteiramente bem,pois estava vestido só com uma bermuda que ela lhe dera, deixando todo o peitoral trabalhado á mostra no frio,enquanto ela estava inteira vestida com roupas próprias para a neve. — Eu tô quase congelando com essa ventania e você aí,tranquilo.
— Não sei,Mari. Acho que o meu corpo se autorregula sozinho. — Ele a olhou de soslaio. — Já viajei para regiões frias, onde vocês chamam de Antártica, e nunca me aconteceu nada.
— Antártida? E foi fazer o que lá,virar picolé? — Riu baixo, descontraída.
— Missão diplomática… — Ela parou de rir,perplexa. Ao notar, ele decidiu não prosseguir no assunto. — Mas o que importa é que eu sou imune a isso,já você não… — Se aproximou,começando a fazer-lhe cócegas. E pensar que ela mesmo havia ensinado aquilo,para ser usado contra quando menos esperasse.
— Ah, n-não faz isso! — Disse,se encolhendo e rindo,tentando fugir da astúcia do outro. — E-eu não aguento! Para,por favor!
Gargalhando,ele liberou a mestiça. — A sua cara estava engraçada demais! Você é muito fofa, Marinette!
—Ahn,valeu… — Ela corou levemente,coçando a nuca. — E então,vai me dizer que tipo de missão diplomática era aquela?…
Ele parou de caminhar. — Ah,bem… A ideia de algo assim é manter boas relações com os reinos vizinhos. Mesmo com as limitações de distância,é sempre bom ter aliados,em caso de problemas...
— Reinos vizinhos?… — Ela coçou a têmpora com a ponta do dedo. — Achei que o seu fosse o único...
— Não,pelo contrário! Há sete deles,espalhados pelo mundo,nas regiões continentais: Antártida e Ártico,formando um único e o maior do planeta,América do Sul,América do Norte,Oceania,África,Ásia e aqui,na Europa. Cada um com os seus governantes,originários de dinastias tão antigas quanto você pode imaginar.
A surpresa era visível. — Nossa… Então imagino que você deva ter um alto cargo nesse governo pra fazer viagens assim. — Ele sorriu amarelo,receoso de responder. — E você já viu a família real do seu reino alguma vez?
"Todos os dias,se você imaginasse…" — Já... Não é grande coisa,se quer saber. Eu tenho pena do príncipe,que vive preso naquele lugar,por conta da autoridade excessiva do rei... — Ele suspirou baixo. — Liberdade não é o tipo de palavra que ele gosta de ouvir,ainda mais vindo do próprio filho…
— Mas que coisa horrível… Ele não pensa na felicidade dele?
Deu um sorriso de canto pela complacência demonstrada. — Aparentemente não... Mas,até onde eu sei, ele dá um jeito de viver,apesar dessas restrições… — O som do anel se tornou audível. Salvo pelo gongo de perguntas que remexiam a sua origem infeliz. — Preciso ir nessa, Mari! Nos vemos amanhã ?…
Ela segurou a mão dele,impedindo que saísse — Na verdade,queria te ver hoje á noite... Hoje é véspera de Natal e eu queria que você estivesse junto comigo. Será que… Você conseguiria ?
A pergunta lhe pegou desprevinido. — Natal? O que seria isso?
— É um feriado festivo,onde comemoramos uma tradição de amor e paz… É uma época que mobiliza toda a cidade e eu gostaria que você visse.
— Olha,eu não sei…
— Por favor! Você me disse que queria conhecer o mundo aqui em cima,e nessa época as coisas ficam diferentes. Além disso… — Ela fez uma pausa para olhar diretamente nos olhos verdes. — … É algo que só acontece uma vez ao ano...
"Talvez seja a minha última chance... Meu pai espera um pouco mais! " . Suspirou,concordando. — Certo,eu dou um jeito… Que horas te encontro?
Os olhos dela brilharam. — Assim que escurecer,me encontre no cais,atrás da minha casa. — Beijou-lhe a bochecha,soltando a sua mão. — E obrigada por reconsiderar…
Sorriu de canto para a oceanógrafa,que o observava se distanciar da areia. Com certeza ia fazer valer toda a encrenca que arranjaria com o pai no dia seguinte.
Quando o sol começou a se pôr,Marinette já estava á espera, segurando uma pequena sacola em mãos. A ansiedade fomentava a cada minuto,pensando nos lugares onde podia levá-lo. Quando a luz do sol sumiu por completo do céu,Adrien reapareceu próximo do lugar onde sempre se viam,se aproximando na sequência. Transformou-se com rapidez,subindo logo que conseguiu impulso. Ainda um pouco constrangida,Marinette tentava olhar apenas no rosto dele,se esquecendo do restante do corpo,totalmente descoberto.
— Aqui,você precisa vestir isso… O clima não tá quente o suficiente pra você andar só de roupa de baixo sem todo mundo estranhar. — Entregou a sacola para o loiro,virando de costas na sequência. — Eu tô te esperando…
Deu de ombros,vestindo as roupas que ela trouxe: Uma calça,botas para a neve,um moletom sem capuz e um cachecol azul. Assim que terminou,cutucou o ombro dela,para que se virasse.
— Caiu bem em você! Vem,agora é a minha vez de te mostrar algo inesquecível!
Puxou-lhe pela mão,segurando a mão do maior com os dedos entrelaçados,guiando pelo trajeto que almejava. Assim que passaram pelo interior da casa,cruzando-a com rapidez,Adrien tentou olhar o máximo que conseguiu. Havia gostado do lugar onde ela morava. Logo que possível,estavam na rua,completamente vazia,seguindo para o centro de Nice que,a cada passo que se aproximavam,mostrava uma iluminação ainda mais resplandecente e colorida. Ao chegarem em um grande espaço,rodeado de prédios alaranjados em um estilo que ele nunca vira igual,que abrigava também estátuas e fontes em meio ao grande espaço livre para circulação e a cafeterias,ele soltou um suspiro de encanto: Tudo,desde os pontos mais altos das construções até as iluminações nas esculturas,estava iluminado,dando um ar suntuoso e único em meio á neve,que começara a cair a pouco.
— Essa é a Place Massena. — A mestiça disse,apontando para as redondezas. — É um lugar onde muita gente costuma frequentar pra se encontrar ou mesmo para passear durante a noite. Agora com as luzes do Natal,parece que fica ainda mais bonito...
Adrien parecia focado na estonteante beleza dos arredores, que apenas perdia para a própria Marinette,cuja iluminação realçava o encanto de seus cabelos,dando-lhes uma mistura de cores inusitadas em meio á pele alva da jovem e aos flocos de neve que descansavam sob sua cabeça. — Concordo... — Ele observava Marinette andando ao seu lado, ocasionalmente indo mais á frente, balançando os pés em meio ao chão gélido e colorido de branco,até que viu a mesma pegar um pouco da neve e moldar com as mãos.
— Bomba! — Lançou a esfera gelada,atingindo o peito dele,deleitando-se em risadas e preparando uma próxima. — Vamos,Adrien,é divertido! — Ele pegou um pouco de neve,tentando repetir os passos da mestiça, sendo atingido na cabeça enquanto fazia sua primeira. — Você é muito lerdo!
Assim que ela se virou para pegar mais para a próxima,foi atingida nas costas pelo rapaz,sendo alvejada novamente quando se voltou na direção dele,que ria da cara emburrada da mesma. — E você não conhece estratégia de guerra, Milady!
— Você que pensa! — Disse,lançando uma nova,da qual ele conseguiu desviar de raspão. — Da próxima não tem escape!
E assim começaram uma divertida batalha,jogando bolas de neve um no outro sempre que outras pessoas não estavam muito perto,a qual somente se encerrou após Marinette ser atingida por uma no rosto e,enquanto limpava com a manga da blusa,foi suspensa nos braços de Adrien,que a abraçava no ar,girando devagar. O tempo parecia não correr para os dois,pois,mesmo quando a pousou no chão,seus olhares não se perdiam mais nas luzes,que pareciam iluminar o mundo apenas para eles.
Era mágico,como no dia que viram a estufa da Criação florescer e inundar tudo com cores e luzes.
Acordaram do momento apenas quando uma mulher jovem passou ao lado deles,carregando uma cesta cheia de algo que Marinette acabou por não notar,mas que atraiu a atenção de Adrien,somado á pequena placa que ele conseguiu ler colada á cesta, e o fez se afastar alguns metros. Retornou após alguns minutos,depois de uma curta conversa,colocando algo no bolso de sua calça antes que Marinette visse o que era.
Continuaram caminhando lado a lado,desta vez de mãos soltas,até um local mais arborizado,no qual residia um enorme casarão e,mais á frente deste,um enorme coro estava reunido,cantando sob um palco de madeira,com um grande público apreciando o espetáculo. As vozes entremeavam-se em belas canções,formando um novo e encantador som,que preenchia os ouvidos de maneira agradável.
— O mundo humano é mesmo fantástico... — A oceanógrafa voltou a olhar para o rapaz,entretido em tudo que acontecia ao seu redor, transparecendo uma alegria genuína. Em certo momento,ele apontou para um grande pinheiro,mais atrás de onde todos cantavam,se aproximando de Marinette para perguntar. — É costume de vocês decorar as árvores com luzes?
— Nessa época do ano,sim. — Ela começou a caminhar em direção á árvore,com Adrien em seu encalço,explicando durante o trajeto. — É uma tradição que se manteve durante os séculos e remonta ás comemorações que povos antigos faziam na chegada do solstício de inverno. Por coincidência,ele começa nesta data que estamos comemorando hoje. — Ao chegarem perto,ele pode notar o tamanho da grandiosidade á sua frente,deixando o queixo pender,fazendo-a rir. — E acredito que vai gostar de saber que elas são consideradas a ligação entre a Terra e o Céu, símbolo da fertilidade e da continuidade da vida...
Sem tirar os olhos do brilho da árvore,ele respondeu. — É uma outra simbologia para a Criação... Temos uma concordância até mesmo nos costumes. — Virou o rosto,fitando-a. — Parece que,mesmo vivendo em lugares diferentes,a essência da origem nunca morre,para nenhum de nós.
Ela coçou a nuca,concordando. Quando estava prestes a falar algo,uma grito em tom grave a interrompeu. — Marinette!
— Pai?!
O homem de porte grande se aproximou dos dois,com diversas sacolas de ingredientes nos braços,recebendo um abraço carinhoso da mestiça. — Ah,pai! Que bom vê-lo por aqui! Eu ia para a casa de vocês mais tarde! — Soltou-se,dando alguns passos para trás,tocando o ombro do loiro. — Estou mostrando a cidade para um… amigo…
— Muito prazer,rapaz. Como se chama? — Tom estendeu a mão,que foi apertada em cumprimento pelo rapaz.
— Adrien,senhor. Adrien Agreste. É um prazer conhecê-lo.
— Pois bem,já que eu os encontrei por aqui,acho que podemos ir mais cedo comemorar. Sua mãe está ansiosa para revê-la! E o seu amigo será muito bem vindo!
Os dois trocaram de olhares cúmplices,Adrien aguardando silenciosamente a decisão da de olhos azuis. Marinette se pronunciou. — Ele virá conosco,sim,papai! Será nosso convidado hoje!
O mais velho concordou com empolgação. Os três seguiram para uma rua movimentada,mais á frente do parque,com Marinette e Tom conversando sobre coisas triviais,enquanto Adrien ouvia tudo com atenção e, ocasionalmente,dava risada de alguma história contada. Ao chegarem na casa,com a entrada localizada ao lado de uma padaria que emanava um cheiro delicioso de algo que ele não sabia precisar o que era,subiram as escadas até a entrada da sala. Ao adentrarem o ambiente,Marinette chamou pela mãe,que logo respondeu e veio em sua direção. A semelhança de sua Lady com os pais era notável, especialmente com a mãe,de onde a jovem tinha herdado alguns traços predominantes.
Sabine,então,percebeu sua presença ao lado da filha. — Você é amigo da Marinette. Adrien,não é? — Ele reforçou a sentença,recebendo um abraço caloroso da chinesa. — Então seja muito bem vindo! Passará a ceia de natal conosco,fique á vontade!
Após alguns minutos de conversa com a filha,Tom e Sabine voltaram para a cozinha, para terminar a receita com os ingredientes que haviam acabado de chegar. Afim de não atrapalhar os pais, Marinette indicou para que Adrien a seguisse. Subiram a escada que dava acesso ao sótão da residência.
— Esse era o meu quarto,da época que morava aqui… — Disse,tateando uma das paredes.
— Você sente falta ? — Tocou a parede,colocando a própria mão ao lado da onde estava a da mestiça. — Digo,deve ter memórias da época que viveu aqui... E não faz muito tempo,se me lembro bem.
— Com certeza tenho. Mas as coisas mudaram muito rápido. O tempo tem sido cruel e, simultaneamente,muito gentil comigo... — Fechou os olhos,deixando um sorriso brotar. — Talvez agora você entenda por que eu sempre gostei tanto de estrelas e do céu... — Com uma destreza incomparável,subiu pela escada que dava acesso á clarabóia acima, fazendo um sinal com a mão para que Adrien a acompanhasse. Assim que o loiro ultrapassou,fechando a passagem atrás de si, pôde perceber a vista privilegiada daquela sacada: Contemplando a cidade quase por inteiro,inclusive com o vislumbre do coro perfeitamente audível quase de frente com o local onde estavam,podia ainda ter uma visão única do céu ricamente desenhado com estrelas solitárias e constelações,em meio ao céu límpido.
— Você deve ter passado anos observando isso... Não tiro sua razão em gostar tanto,eu ficaria a noite inteira admirando,se vivesse aqui também!
Um sorriso gentil ganhou vida no rosto da oceanógrafa. — Passei boa parte da minha vida estudando sobre elas. Ver assim é bonito,mas depois que conheci os porquês,eu resignifiquei tudo... Acho que isso é o que importa,afinal. Dar um novo significado a algo que já pensamos conhecer. — Soltou um suspiro,olhando de canto para o rapaz.
— Quer saber o que eu resignificaria nesse momento? — Ele virou o corpo em sua direção,apoiando uma das mãos na grade. Ela meneoou,assentindo,e ele respondeu. — Meu último mês.
— Por quê?
Inspirou fundo,tomando coragem. — Porque foi o mês mais importante de toda a minha existência. Se eu não tivesse me arriscado a ir para a superfície,se eu não tivesse quase sido pescado e morto por gente impiedosa,eu nunca teria conhecido você... — Ela se mantinha estática,atenta a tudo que ele dizia,enquanto o via se aproximar, entrelaçando suas mãos com leveza. — Você me deu uma nova chance de resignificar a vida, Marinette. E o melhor de tudo,me deu essa chance para me fazer viver de verdade…
Ela se aproximou,quase colando seu peito no dele. — O que é viver de verdade pra você,Adrien?
— É ter a liberdade que eu sempre desejei. É poder experimentar a alegria,o medo,a tristeza,sem ter alguém para me impedir de provar,por mim mesmo,cada um desses sentimentos. É não ter que fingir algo que eu não tenho ou não sou. E,não menos importante,é amar alguém que entende tudo isso... — Tocou o queixo da mestiça com leveza,levantando-o. — … E que parece retribuir tanto quanto eu desejo que seja verdade. Ter liberdade pra amar alguém como eu amo você,Mari. Isso é começar a viver de verdade para mim!
Marinette o encarou profundamente. Estava pasmem com a declaração inesperada. — Ah Adrien,eu posso te garantir que é verdade… — Fez uma pequena pausa dramática. — Naquele dia que eu saí correndo,me sentindo confusa… Achei que estava errada em meu juízo,mas não... Você é especial de verdade pra mim.
Ele sorriu,passando um dos braços por sua cintura e colando seus corpos,enquanto o outro remexia no bolso. — Hoje eu ouvi uma história bem legal quando estávamos na praça. Aquela moça com a cesta estava distribuindo isso. — Mostrou um galho de folhas espinhosas,com pequenos frutos vermelhos pendurados na ponta. — Ela me contou que essa planta se chama Visco e me perguntou se a mulher bonita que estava comigo era minha namorada.
Ela riu breve. — E o que você respondeu?
— Que ainda não... — Marinette sentiu sua bochecha arder com o calor repentino. — E então ela me contou que,quando um casal está embaixo de um galho de Visco,eles devem se beijar pra trazer alegria e boa sorte. — Rapidamente enganchou o galho sob um ramo de outra planta,que crescia em um dos vasos na parede,deixando-o acima dos dois. — Oh,veja que coincidência,estamos debaixo de um… — Ele soltou a mão da jovem,apoiando uma sob as costas dela,enquanto a outra segurava seu rosto. — Você aceita seguir essa tradição comigo,Mari?
Rapidamente enlaçou os braços na nuca do rapaz,aproximando o rosto até que seus narizes se tocassem de leve. — É claro que aceito,Adrien! — Finalmente romperam a distância mínima,acalentando o chamado de suas almas por união,selando um beijo desejoso. O canto de alegria do coral pontuava os ritmos suave e intenso do momento,ora se aprofundando e ora deixando o carinho predominar. Suas línguas batalhavam por espaço,enquanto o ar se fazia durar no peito dos amantes. Seus lábios encaixavam-se perfeitamente, causando uma leve quentura durante o beijo. Ela deixou a mão escapar,afundando esta sob os fios loiros de Adrien,trazendo o rapaz mais para perto de si,se isto era possível,enquanto ele apertava com delicadeza sua cintura,em busca de contato com a amada,enquanto deslizava uma das mãos por suas costas. Interromperam o momento quando sentiram o ar faltar, obrigando-os a se separar,com as bochechas rosadas e os sorrisos mais belos que poderiam ostentar naquele momento: Felicidade que extravasava o tamanho do coração.
Marinette abraçou-o,encostando a orelha em seu peito,onde podia ouvir o dispare de seu coração,agitado e descompassado. — Seu coração... Bate tão bonitinho...
Sorriu bobo, abraçando-a de volta,enquanto beijava o topo de sua cabeça. — Ele é seu, Marinette. Por isso está no seu ritmo...
Ela levantou o rosto para responder,quando ouviu um som de toque vindo do andar inferior. Era o pai dela outra vez. — Marinette,Adrien! A ceia está servida!
Ambos suspiraram,sem querer se separar. — A gente precisa descer... Não vamos contar nada pra eles por enquanto,combinado?
— Como quiser,My Lady. — Beijou-lhe as costas da mão,segurando ambas de uma maneira cordial. — Conte quando achar que for a hora. — Ela sorriu em resposta, puxando-o para descer antes que um dos dois viesse ao seu encontro.
Estaria mentindo se não dissesse que foi o melhor dia de toda a sua vida: Pela primeira vez em sua vida,desde que sua mãe desapareceu, sentiu-se parte de uma família novamente.
Coisa que seu pai nem sequer se esforçava para tentar.
Comeram,contaram histórias,riram de momentos inesperados,cantarolaram músicas de Natal que Adrien não conhecia,mas mesmo assim acompanhava o ritmo. E,quando badalou meia noite, sentiu-se ainda mais acolhido em meio aos abraços recebidos,deixando o de Marinette pro final.
— Feliz Natal,Adrien! — Ela abraçou seu pescoço,colando o corpo no dele,num ato aconchegante. Não queria que ela o soltasse nunca mais.
— Feliz Natal, milady! — Desencostou o rosto da curva de seu pescoço,olhando ao redor. Quando percebeu que estavam sozinhos na sala naquele momento, beijou-lhe com calma e certa intromissão,o que a pegou de surpresa. Se afastou quando ouviu passos subindo em direção ao cômodo,voltando a acomodar a cabeça em seu pescoço. — Eu te amo …
Marinette, definitivamente,não esperava aquilo. Mas havia decidido não reprimir,nunca mais,o que sentia. Fez um pequeno afago no loiro,encostando a cabeça na dele. — Eu também te amo,Adrien…
E assim o Natal daqueles dois se transformou. Dançando em ressonância com a bela música de coral lá fora,acompanhada pelo carinho da família no lado de dentro,o amor foi, então,a expressão máxima de algo que ainda não tinham dado um nome,mas já compreendiam perfeitamente.
E de uma maneira que não se comparava a nada do que já haviam sentido antes,em qualquer outra ocasião.
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