Do You Remember Me?
8 I'm not perfect
Notas iniciais
Aproveitem a leitura.
:D
{...}
Eu tinha me vestido, relativamente rápido, e feito uma maquiagem básica, o de sempre. Mas Justin não saía da minha cabeça.
Saí sem dizer nada pro meu pai. Acho que se ele não me deu satisfação do porquê de ele não ter dormido em casa, eu também não tinha que dar satisfação do porquê e com quem eu estava saindo. Não, eu não estava sendo grossa. Era apenas uma regra de viver controlada por mim.
Saí de casa e Chaz estava lá, encostado no seu carro de braços cruzados, que por sinal, estava me esperando pra sair.
- Oi. – eu disse meio tímida, dando-lhe um abraço.
Eu me sentia estranha. Quero dizer, só havia nós dois. Não estava nem Justin e nem Ryan. E é claro, muito menos Selena. Não sei se Chaz queria algo a mais, como ele tentou no dia anterior no cinema, mas se eu precisasse, iria repreendê-lo. Nós somos amigos, certo?
- Jess, oi! – ele disse animado, retribuindo o abraço e me dando um beijo na bochecha.
Chaz abriu a porta do co-piloto do carro e eu me sentei, agradecendo. Depois, ele foi até a porta do motorista, abriu, e sentou-se no banco de couro.
- E... Pra onde vamos? – eu disse pousando minhas mãos no meu colo.
- Você vai descobrir. – Chaz disse com um sorriso no rosto, ligando o carro.
- Não acredito que você vai me deixar na ansiedade. – eu disse brincando.
- Vai ser divertido, eu prometo. – Chaz disse voltando os olhos pros meus.
Me encolhi no banco, abraçando a minha bolsa. E assim permanecemos durante o caminho inteiro: em silêncio. Chaz parecia assustado, mas, ao mesmo tempo, de alguma forma, feliz.
Chegamos em um shopping. Fiquei confusa. Chaz saiu do carro, e me ajudou a sair também.
- Antes que você me pergunte, a gente não vai no shopping. Quer dizer... – ele pensou um pouco e eu olhei-o confusa. – Ah, você vai ver. – ele disse pegando na minha mão, e me levando para dentro do shopping.
Subimos um andar e meus olhos quase ofuscaram-se de tantas coisas piscando, com luzes fortes e coloridas. Coloquei a mão na frente. Quando meus olhos se acostumaram, pude ver o que era: patinação no gelo.
- Não acredito que você vai me levar aí. – eu disse apontando pro gelo.
- Por que? Você não gosta? – ele perguntou parecendo um pouco decepcionado.
- Não. – eu disse rindo. – Não é isso. É que eu não sei andar no gelo de patins, não sei se você sabe. – eu ri.
- Eu te ensino. – ele piscou, e entramos.
Tivemos que calçar aqueles patins terrívelmente pesados, mal consegui andar até chegar no gelo.
- Segura minha mão. Vem, eu te guio. – ele pegou minha mão, e eu andei pesadamente até o gelo.
Quase caí de bunda no chão, mas Chaz me segurou, atrás de mim, pela cintura.
- Uau. – ele disse rindo de mim, e mostrei a língua. – Belo tombo que você ia tomar em, Jess. – ele riu de mim.
Dessa vez, ele foi na frente segurando a minha mão, e até que me dei bem naquelas coisas. Soltei de sua mão, e eu já estava me acostumando com os patins. Estava sendo bem legal, eu tinha que admitir. Chaz era um cara realmente legal. Ele ficou na minha frente, e eu fui atrás, o seguindo. Aqueles patins iam escorregando involuntariamente e Chaz ia me guiando. Mas estava ficando cada vez mais fácil. Ou só parecia.
Uma pedra de gelo estava no meio da pista, onde estávamos passando. Chaz passou com facilidade, já eu... Bem... Eu empurrei Chaz, quando eu tropecei, e os patins começaram a ficar pesados, não aguentei, fazendo Chaz cair, e eu cair por cima dele também. Exceto todos aqueles olhos focados em nós, Chaz começou a rir que nem um idiota. Comecei a corar. Não porque todo mundo estava olhando pra nós, ou porque Chaz estava rindo. Quero dizer, eu tinha caído em cima dele!
- Qual é o seu problema? – eu disse me agachando no gelo, saindo de cima dele, esperando que ele se levantasse.
- É o segundo heim Jess. – ele disse se levantando, tirando o gelo de sua camisa com alguns tapinhas e estendendo a mão pra mim ainda rindo.
O ignorei e me levantei sozinha, também dando alguns tapinhas na minha blusa.
- Segundo o quê? Cala boca. – eu disse deixando escapar um risinho e tirando toda a seriedade e ironia da minha fala.
Andei até as barras, que limitavam a pista, e me apoiei lá. Senti as mãos de Chaz me abraçando pela cintura.
- Ah – ele disse – você não vai ficar assim só porque eu ri daquilo né Jess. – ele sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar.
Me virei de frente pra ele.
- É claro. Você é um babaca nato. – eu disse gargalhando, mas dessa vez nem irônica, e nem séria.
Eu queria me divertir, e acho que se eu quisesse apagar, ou pelo menos esquecer um pouco do que tinha acontecido mais cedo com Justin, eu tinha que me distrair. Não parecia mas, tudo que eu fazia, eu lembrava de alguma coisa, o que me deixava com sensações estranhas. Chaz era meu amigo mas... Eu precisava ir pra casa.
{...}
Chaz acabou me deixando em casa, depois de mais uma meia hora naquela patinação. Foi divertido, mas constrangedor ao mesmo tempo. Agradeci, dei-lhe um abraço e entrei em casa.
Meu pai me esperava lendo um livro na sala. Clichê, pensei. Já me preparei bufando, vendo ele me encarar. Eram só 23:00. Não era nada demais. E além disso, não fui eu quem passou a noite fora.
- Onde você estava? – meu pai perguntou abaixando o livro no seu colo, permanecendo na mesma posição.
- Eu saí com Chaz. – dei de ombros, colocando minha bolsa sob a mesa de jantar.
- E por que você não me avisou? – ele disse sem emoção nenhuma. Não era uma expressão de raiva, tristeza, felicidade, nada. Ele só estava com a cara do... Jack.
- Porque, me desculpa, mas se você não vai me dizer onde você passou a noite ontem, não tenho que dar satisfações. – eu disse caminhando para meu quarto.
- Jessie. Volta aqui. – ele disse pausadamente.
Recuei, bufando mais alto ainda. Parei na frente dele, cruzando os braços.
- Você é minha filha, e enquanto viver comigo, você vai me dar claras satisfações. – ele pareceu bravo de verdade. Mas ao invés de ficar com medo, tive vontade de gargalhar na cara dele. – E eu sou seu pai. Não tenho que te dizer nada.
- É. Eu percebi isso faz tempo. — cruzei os braços, enquanto meu pai me olhava indignado. – Eu amo você, pai, e você sabe disso. E odeio brigar com você. Mas ás vezes você me trata como se eu fosse uma criancinha de sete anos, e que qualquer erro que você cometesse, você poderia me pagar com um brinquedo. Não é bem assim. Eu tenho 16 anos. – pausei olhando pro chão cruzando os braços. Ele parecia estar sem palavras, mas tudo que eu dizia, era a verdade que eu sentia realmente. – Eu sei que já falamos sobre isso, mas você nunca parece entender.
- Jessie, eu sei que você não é mais aquela garotinha. Mas não sou só eu que preciso te entender. – ele me encarou.
- Eu sei que eu não sou perfeita, pai, nem você. Mas eu tento, tá legal? – saí e me tranquei no meu quarto.
Por que meu pai tinha que forçar tudo?
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