Do You Remember?
11 Sebastian
Notas iniciais
Kurt acordou lá pelas 11:20. Se espreguiçou na cama e olhou para seu celular. Havia duas mensagens. Abriu a primeira.
10:57 — “Bom dia, amor! Quer sair hoje à noite? – S”
Sebastian. Kurt sorriu levemente. Não era sempre que Sebastian o chamava para sair, normalmente só iam na casa um do outro.
11:19 — “Claro. O que tem em mente? – K”
11:21 – “Abriu um restaurante perto de casa, quer ir? Depois podemos ficar aqui em casa.. – S”
11:22 – “Pode ser, que hora? – K”
11:22 – “Umas 20:00, 21:00? – S”
11:22 – “20:30 então. – K”
11:23 – “Ok, eu te busco aí. – S”
11:23 – “Vou estar esperando ;) – K”
Deixou o celular ao seu lado e ficou deitado na cama mais um pouco. Ia sair com o Blaine só mais tarde, ainda tinha tempo. Até que seu celular tocou mais uma vez.
11:25 – “Aliás, vai almoçar com a Quinn hoje? – S”
Ah. Havia esquecido de avisar Sebastian sobre Blaine. Seria um tanto complicado, Sebastian era muito ciumento.
11:26 – “Hoje não. Um amigo meu de infância está em New York, vou almoçar com ele. Faz tempo que não nos vemos. – K”
11:27 – “Que amigo? – S”
11:27 – “Blaine. – K”
11:28 – “Como vocês se encontraram? – S”
Ugh. Estava muito cedo para um questionário.
11:29 – “Ele é modelo, eu fui tirar foto dele sem saber que era ele, nos encontramos e ele me reconheceu, nada de mais. E a Quinn sabia que ele estava na cidade. Ela só quis fazer uma surpresa. – K”
11:30 – “Ah. Ok. – S”
Kurt suspirou e não respondeu mais nada. Olhou a segunda mensagem que havia recebido: Era de Blaine.
10:34 – “Então Kurt, eu me dei conta de que eu não faço ideia de onde é o lugar que vamos almoçar? – B”
Kurt ficou olhando para a mensagem e pensou em como era burro.
11:31 – “Desculpa Blaine! Eu posso ir te buscar? Acho que é melhor, sou péssimo pra explicar onde ficam os lugares. – K”
11:33 – “Claro, pode ser. – B”
Blaine passou seu endereço e disse para Kurt ligar quando chegasse.
Kurt se levantou e foi tomar banho. Quando ficou pronto era 12:10. Ainda tinha tempo. Foi até a sala e Quinn estava lá com uma xícara de café sentada no sofá.
– Oi Kurt. Vai sair? – Ela perguntou sorrindo levemente para o amigo.
– Vou. Vou almoçar com o Blaine. – Respondeu se sentando ao seu lado.
– Com o Blaine? Onde? – Virando a atenção para Kurt.
– Lá perto da empresa.
– Entendi... E o Sebastian, como vai? De lado como sempre? – A loira perguntou segurando a risada.
– Cala a boca, Quinn. O Blaine é meu amigo. O Sebastian é meu namorado. Aprende a diferença.
– Claro. – Disse sem convencimento algum.
Ficaram vendo televisão até que Quinn se lembrou de que ia sair com Santana e foi correndo para o banheiro.
Kurt continuou vendo o filme que estava passando até o fim. Quando acabou, viu as horas: 13:10.
– Quinn to indo ta? Beijo. – Gritou para a loira que ainda estava no quarto.
Pegou as chaves e foi para o elevador. Dentro do elevador, olhou para o espelho e deu uma ajeitada pela ultima vez. Estava com uma camisa azul e uma calça jeans um tanto justa demais, mas era uma das favoritas de Kurt. O elevador chegou à garagem e foi para o carro.
Pegou seu celular e olhou o endereço de Blaine. Com um pouco de dificuldade, chegou lá e ligou para Blaine.
– Kurt?
– Oi Blaine, estou aqui embaixo.
– Ok, já estou indo.
E desligou. Esperou Blaine descer.
Enquanto esperava, se deu conta de que agora sabia onde ficava a casa de Blaine. E por algum motivo, sorriu.
Blaine desceu e Kurt abriu a porta para ele. Foram até a lanchonete conversando, e na lanchonete conversaram mais ainda.
– De noite eu costumo jantar com a Santana, a não ser que ela tenha um encontro com alguma garota. – Blaine disse. Estavam falando sobre o que faziam normalmente com Santana ou Quinn, no caso de Kurt.
– Eu costumo jantar com a Quinn também, mas de vez em quando eu janto com o meu namorado. – Disse sem olhar para Blaine, que engasgou tomando seu suco.
– Tudo bem? – Kurt perguntou preocupado.
– Sim, claro. – Blaine limpou a garganta e continuou. – Então você namora?
– Sim, faz um tempo. O nome dele é Sebastian. – Kurt disse sem se importar de mencionar que era gay. Não achou que seria necessário. Mas esperava que Blaine não se importasse.
– Ah. Que legal. Onde vocês se conheceram?
– No ensino médio, quando eu estudei na Dalton Academy. Fica em Ohio.
– Entendi. – Blaine disse e ficaram quietos por um tempo, ouvindo apenas os sons da mastigação.
– Mas e você? Ta namorando ou vendo alguém? – Kurt perguntou. Não era um assunto que realmente queria falar, mas estava curioso. E tinha falado de Sebastian, nada mais justo do que perguntar para Blaine também.
– Ah, não. Eu não quero nada com ninguém, eu acho. E não é como se alguém estivesse interessado, de qualquer modo.
– Ninguém interessado em você? Fala sério Blaine. Mulher que nos atendeu agora não parava de olhar pra você. Só falta ela te dar o número dela.
– Com alguém eu quis dizer algum homem. – Blaine disse rindo.
– Ah, entendi. – Kurt disse rindo um pouco também. Não disse nada, mas ainda assim achou que seria muito fácil achar alguém que estivesse interessado em Blaine.
Ficaram em silêncio por um tempo, até terminarem de comer.
Depois de um tempo, se levantaram para ir embora. Mas nenhum dos dois realmente queria ir embora. Então resolveram dar uma volta no Central Park.
– E aí, como seu pai está? – Blaine perguntou depois de andarem por um tempo.
– Ah, ele está ótimo. Semana passada eu fiquei em Lima com ele por uns dias. Não sei se você lembra, mas tinha um garoto que estudava com a gente, o nome dele era Finn. Ele era super apaixonado pela Rachel, você lembra?
– Acho que lembro, era um que era meio alto demais?
– Isso. Então, meu pai está namorando a mãe dele. Isso é bom, ele está mais feliz.
– Então isso é ótimo. – Blaine sorriu.
– Aham. E os seus pais e o Cooper? – Kurt perguntou. Blaine ficou feliz por Kurt se lembrar de Cooper.
– Bom, Cooper e minha mãe estão bem. O Cooper mora em Los Angeles agora, está trabalhando em alguns filmes ou seriados. Coisas pequenas por enquanto. Minha mãe continua em Lima, ela tem um namorado agora. E eu não falo mais com o meu pai.
Kurt assentiu em silêncio e alguns segundos depois, disse:
– Sabia que eu senti falta de ver você e o Cooper brigando? Era divertido.
– Tenho certeza de que ele sentiu falta de ouvir você rir enquanto brigávamos.
Kurt riu.
– Não senti falta só do Cooper. Senti falta de você também. Bastante.
Blaine sorriu e respondeu:
– Eu também senti sua falta.
–-
Kurt levou Blaine até a casa dele. Já era mais ou menos 16:00. Se despediu de Kurt e subiu para o apartamento. Santana estava lá.
– E aí, Blainers, como foi o encontro? – Santana disse sorrindo do sofá.
– Não foi um encontro, Santana. Somos só amigos. E outra, ele namora. – Ele respondeu, se sentando ao lado de Santana.
– Ah. Sinto muito. Queria tanto ser madrinha do casamento. – Ela disse se levantando do sofá e indo para a cozinha.
– Cala a boca, Santana. – Blaine disse, e aproveitando o espaço livre, se deitou no sofá.
A latina voltou com um pote cheio de frutas cortadas e dois garfos. Blaine se sentou e pegou um dos garfos, enquanto Santana continuava:
– Mas vai que ele se apaixona perdidamente por você e deixa o outro cara. Pode acontecer.
Blaine parou o garfo na metade do caminho até sua boca e pensou em tudo que havia falado por um momento.
– Santana.
– Sim?
– Eu não te falei que o Kurt tinha um namorado. Eu só disse que ele namora. – E levantou os olhos para olhar para a morena, que estava com uma expressão de alguém que disse algo que não devia.
– Ah, eu só imaginei, sei lá. – Ela disse, obviamente improvisando algo.
– A Quinn te contou né.
– Contou.
– Por que não estou surpreso. – Disse e pegou uma fruta.
Enquanto isso, no apartamento de Kurt, Quinn estava gritando com o mais alto.
– Eu não acredito que você falou do Sebastian pra ele! – E jogava uma almofada no amigo.
– E por que eu não iria? Ele é meu namorado! – E jogou uma almofada de volta nela.
– Ai, ta. Mas não foi necessário falar. Ou ele te perguntou?
– Não, a gente só estava falando de coisas que fazemos normalmente.
– E aí você resolveu falar que costuma fazer seu namorado?
– Ai Quinn, dá um tempo. – Disse e foi para a sala. Estava irritado com ela, não entendia porque Quinn odiava tanto Sebastian.
Depois de um tempo, Quinn foi para a sala e se sentou ao lado de Kurt, mas não disse nada. Kurt olhou para a loira com o canto do olho, e viu que ela estava com um bico enorme, com os braços cruzados. Suspirou e voltou a prestar atenção na televisão.
– Desculpa. – Ela disse baixinho, mas ainda estava com os braços cruzados.
– Ta. – Kurt sabia o que estava fazendo. Em pouco tempo, a loira iria se desculpar de um jeito mais sincero. Não estava bravo de verdade com ela.
– Kurt.
Ele ficou quieto.
– Desculpa.
– Ok.
– Kurt! É sério, desculpa, eu sei que tenho que parar de implicar com o Sebastian. Mas não dá. Mas eu vou tentar, sério! – Ela finalmente disse, descruzando os braços e abraçando Kurt.
– Tudo bem, Quinn. Eu não estou bravo. – Disse abraçando a amiga de volta.
– Ótimo. Então conta mais sobre seu encontro com o Blaine.
Ela recebeu uma almofadada.
–-
Lá pelas 19:00, Santana estava com fome. Blaine não entendia como alguém podia comer tanto e não engordar nada.
– Não quero ficar em casa hoje, vamos jantar em algum lugar? – Ela disse, quase se jogando em cima de Blaine.
– Pode ser. Comida japonesa?
– Não, a gente já comeu isso.
– Ah, abriu um restaurante aqui perto, de comida italiana. Quer dar uma olhada lá?
– Dar uma olhada não, meu pequeno amigo, comer. Vai, levanta desse sofá e vai tomar um banho. Ou melhor, fica aí, eu vou antes. – Santana disse e foi ao banheiro.
Quando era 20:15, saíram do apartamento e foram para o restaurante. Blaine foi dirigindo, pois sabia o caminho.
Chegando lá, se sentaram em uma das mesas e esperaram o garçom. Era um restaurante um tanto chique, como Blaine havia dito a Santana.
A comida chegou, então começaram a comer. Enquanto Santana falava de uma das mulheres que havia ficado, Blaine olhou para o lado. Era um lugar bonito. Olhou para seu outro lado e arregalou os olhos e engasgou.
Kurt estava lá.
Com um cara.
Kurt estava do seu lado jantando com o namorado.
– Blaine? Você ta bem? – Santana perguntou e seguiu o olhar de Blaine. – Ah! Olha o Hummel! Por que você ta assim?
Blaine olhou para Santana indignado, com um olhar que dizia ‘por que você acha?’, mas Santana não pareceu entender o recado.
– Você é estranho. Quem é aquele? É o namorado dele?
– Deve ser, como que eu vou saber? – Blaine disse, desviando o olhar e voltando a comer.
– Eu acho que deveríamos falar oi.
– Vai você, eu não saio daqui. – Blaine disse sem nem olhar para Santana.
– Antissocial. E quer saber, dá pra falar daqui.
– Não! Santana não.
– To só brincando, cabeção. Não vou fazer isso.
– Você me dá tanta raiva de vez em quando. Sério.
– Também te amo. – Santana disse rindo, e voltou a comer. – Mas ainda vou falar oi para ele mais tarde.
– Tudo bem. Vou te esperar no carro.
– Nada disso, você vai comigo.
– E quem vai me obrigar? – Blaine disse, finalmente olhando para Santana.
Por um momento ela não disse nada, apenas olhou Blaine nos olhos e sorriu.
– Ninguém.
E simplesmente voltou a comer.
Blaine suspirou e fez o mesmo.
–-
Era a vez de Blaine pagar o jantar, então enquanto ele estava no caixa Santana estava esperando na saída. Estava frio e ela queria entrar, mas não entrou pois Blaine a fez prometer que ficaria o esperando na saída. Sempre que era a vez dele pagar, ela sumia e ele tinha que a esperar.
Tirou o celular da bolsa e se ocupou com ele, enquanto Blaine não aparecia.
– Santana?
Ela tirou sua atenção do celular e olhou para o lado. E sorriu.
– Kurt! Que bom te ver! Não tinha te visto aqui! – Disse sorrindo, e deu um abraço no amigo.
– Eu também não tinha te visto, só agora. Você vai ficar nesse frio? Vem pra dentro, a gente conversa lá.
Ela pensou um pouco, olhou para Blaine, que estava na fila do caixa, e concordou.
– Claro. Vamos entrar.
Ficou conversando com Kurt por um tempo, até que olhou para a fila e viu que Blaine não estava mais lá. Olhou para a saída e viu um Blaine irritado olhando para os lados.
– Só um segundinho, Kurt. – Ela disse para o mais alto, e se virou. – Blaine! Vem cá!
Ele olhou para ela, ainda irritado, e começou a andar na direção dela. Até que olhou para o lado dela e viu Kurt. Ele olhou para ela novamente mais irritado ainda, e continuou andando.
– Oi Blaine! Então, Kurt, eu vim com o Blaine.
– Oi Blaine. Então nos vimos mais uma vez. – Kurt disse sorrindo.
– Pois é. – Blaine respondeu sorrindo de volta. – Vamos Santana? – Ele disse, virando para a latina. Ele queria ir embora o mais rápido possível, pois realmente não queria falar com o namorado de Kurt.
– Ah, mas agora que estávamos prestes a conhecer o acompanhante de Kurt? – Santana disse sorrindo para Blaine.
– Sim, agora, infelizmente. Você estava falando até agora que estava cansada, lembra?
– Não estou mais.
– Eu estou.
– Kurt? Quem são esses? – Blaine ouviu alguém perguntar, e suspirou. Olhou para o lado e viu o cara que Kurt estava jantando.
– Ah, oi Sebastian, esse é o Blaine, que eu falei hoje, e a Santana. Ela era minha amiga de infância também. Eles estavam jantando aqui também. Blaine e Santana, esse é o Sebastian. Meu namorado. – Kurt respondeu. Blaine percebeu que ao ouvir “Blaine”, seu sorriso diminuiu um pouco.
– Ah. Blaine. Bom te conhecer. Você também Santana. – E sorriu. Ele tinha um sorriso muito bonito. Ele era muito bonito, Blaine pensou. Mas mesmo assim, não gostou dele. – Vamos Kurt?
– Estamos de saída também, vamos Santana. Tchau Kurt, tchau Sebastian. – Blaine disse empurrando Santana, que estava sorrindo para Sebastian.
– Tudo bem. Tchau Kurt, tchau Sebastian! – Santana disse enquanto era empurrada por Blaine.
–Am, tchau. – Escutaram Kurt dizer.
Ao chegarem no carro, Blaine logo começou a dar a partida, e Santana logo começou a reclamar.
– Por que você fez isso? Foi um grosso! Eu gostei do namorado do Kurt, não sei por que você não gostou dele também.
– Porque não Santana. Porque não.
– ‘Porque não’ não é resposta.
– Porque eu não queria falar com o namorado dele! Eu sei lá por que!
– Então ta.
Ficaram em silêncio por um bom tempo, até que Santana disse:
– Você ta com ciúmes?
– Não.
– Tem certeza?
– Sim.
– Eu acho que você ta com ciúmes, porque é a única explicação pra você ter feito aquilo.
– E por que eu estaria com ciúmes?
– Porque você não gostaria de ter encontrado o seu melhor amigo de infância, que você tinha uma paixão gigante e óbvia,e que agora está um gato, namorando.
Blaine não respondeu mais nada. Não ia se dar ao trabalho de fazer isso.
Quando chegaram ao apartamento (dessa vez a chave estava com Blaine) entraram, e Blaine estava cansado e só queria dormir um pouco.
Foi para o banheiro e escovou os dentes. Foi para o quarto e tirou as roupas que estava e colocou a primeira calça que achou, e se deitou.
Estava quase dormindo quando ouviu a porta abrir.
– Blaine?
– Que foi Santana. – Não saiu exatamente como uma pergunta, mas ele estava irritado com ela.
Não escutou a latina responder, mas escutou passos.
– Você sabe que eu não fui grossa de propósito né? — A voz estava mais perto agora, mas Blaine não conseguia ver onde Santana estava no escuro.
– Claro.
– É sério. Eu sabia o que eu estava fazendo. Só pra você saber.
– Ta tudo bem, Santana.
– Não, não está tudo bem, você está irritado.
– Não estou irritado.
– Então ta... Mas eu só precisava ter certeza de que era ciúme.
– Não é ciúme Santana! – Blaine disse, se sentando na cama tentando ter uma visão melhor de Santana.
– Então o que é?
– Eu... Eu não sei, eu só senti falta dele, e é estranho ele ter alguém mais especial na vida dele. Eu estava acostumado a ser essa pessoa. Não sei Santana. Eu só senti falta dele. – E se deitou novamente.
Santana não disse nada por um tempo. Mas ela sabia exatamente o que Blaine estava sentindo.
– Tudo bem. Boa noite. Te amo. – Ela disse dando um beijo na testa de Blaine. Ela não queria irritar o melhor amigo, que era praticamente um irmão pra ela. Então foi apenas o que disse.
– Boa noite, também te amo. – Blaine respondeu e fechou os olhos novamente após a porta de seu quarto se fechar.
Dormiu praticamente no mesmo segundo.
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