Do You Remember?
5 Capítulo 5
Papai parecia morrer de felicidade por me ter em sua casinha linda no interior e minha madrasta, minha querida tia Emma, o mesmo, apesar da expressão cansada. Com a retirada do útero, o repouso deveria ser absoluto por no minimo, dois meses.
Os filhos de tia Emma também estavam lá. Joshua, com a minha idade, e Patricia, com 12, ambos filhos de outro casamento. Eu os adorava. Tinham os olhos escuros e a pele bem clarinha, como bonecos. Eu dividiria o quarto com eles. Mais com Joshua, porque Patricia gostava de dormir junto de tia Emma, numa caminha improvisada pra ela no quarto do meu pai.
Nas primeiras semanas foi dificil me adaptar a tanto sossego, mas eu estava gostando. As vezes eu saía pra andar na cidade com Patricia, a levava pra tomar sorvete ou comprar algumas "coisinhas de menina", como dizia meu pai.
Trocava sms praticamente todo dia com Alice e Anna, conversávamos as vezes por msn e nos falamos por telefone também.
"Sam, o Danny terminou com a Camille de novo. A má notícia é que ele pega a primeira que vê pela frente, como fazia antigamente. Achei que gostaria de saber, apesar de tudo xx"
Li aquela mensagem de Anna umas duzentas vezes e mal dormi naquela noite. Acabei chorando, sem conseguir engolir os soluços, com a sensação de que saber daquilo fez com que a cicatriz abrisse e a feridinha jorrasse sangue. Ciumes. Me largara por uma lombriga e agora largara dela por várias?!
Torci pra que Joshua me ignorasse mas ele simplesmente pendurou a cabeça na beliche e disse
-Se quiser, a gente pode andar. Quem sabe você não se acalma?
Assenti, levantando e prendendo o cabelo. Não me importei com o pijama, asism como ele. Abrimos devagarzinho a porta e começamos a andar em direção ao pequeno laguinho onde meu pai gostava de pescar. Sentei na grama e ele me acompanhou.
-Coração partido, Sam? — Ele parecia se preocupar comigo.
-Unhum. — Choraminguei.
-Não chore. Se ele fez por mal, ele é um animal e não merece sequer seus pensamentos. E se ele não fez por mal, ele só é muito burro e logo logo vai perceber que é contigo que ele tem de ficar. — Dizendo isso, ele me abraçou e aconchegou meu rosto em seu peito. — Não fique assim.
-Só odeio a maneira como isso tudo parece uma novela mexicana, Josh. — E eu realmente odiava. — Parece que quando tudo vai dar certo, acontece alguma coisa e dá tudo errado.
Ele levantou minha cabeça, beijou o caminho de minhas lagrimas e me deu um selinho
-E talvez dos finais errados, bons começos apareçam.
Ele se levantou, entrou em casa e voltou trazendo duas cervejas.
-Quer me contar? Eu prometo guardar segredo. — Sorriu docemente, me entregando uma garrafinha.
Contei pra ele e ele parecia absorver cada pequeno detalhe que eu falava. E entender, o que era mais incrível.
-Esse idiota, ele te ama, Sam. Vai deixar um macarrão de hospital tirar ele de você?
-Eu não sei, não teria tanta certeza. E ele escolheu dar uma nova chance a ela e não deu certo. Agora ele procura nas outras? Talvez falte alguma coisa em mim.
-Ou talvez ele queira que falte, por medo de te perder. — Ele parecia tão certo do que dizia que até me assustava, e acabou me convencendo.
Faltavam só alguns dias pra eu voltar pra casa e eu aproveitei pra o procurar, através de sms mesmo
"Espero que nao tenha me esquecido de novo.. que saudades de você. Sam xx"
A resposta chegou dois dias depois, diminuindo a angustia que tomou conta de mim
"Algumas coisas são simplesmente impossíveis de acontecer. Te esquecer, deixar de te amar ou querer ficar com outra, por exemplo. Volta logo pra mim."
Isso fez com que eu adiantasse minha volta. Tia Emma parecia bem melhor, já conseguia fazer algumas coisas sozinha ou com a ajuda dedicada de Patricia e papai percebeu que seria melhor que eu voltasse. Eu só precisava de uns dias em casa e, se ele quisesse, eu ficaria com eles de novo. Mas eu precisava voltar.
Liguei pra Tom e ele foi me pegar na rodoviária, com Anna. Fui recebida com muitos abraços apertados e ao contar o que eu havia decidido, eles me incentivaram. Tom me deixou em casa e tratou de convencer Danny a ir no Dom aquela noite.
Eu mal conseguia respirar de tanta ansiedade, ele estaria lá.
Sequer pensei no que vestir, arrumei a primeira combinação decente que me apareceu e fui. Casa cheia, pra não perder o costume. Nosso cantinho estava lá Um pufezinho sobrando.
Vi Danny de longe, tomando uma cerveja, com o olhar perdido. Dei a volta e cheguei por trás dele, colocando as mãos em seus olhos e me segurando pra não voar nos meus amigos. Que saudade deles. Mas eu tinha algo importante a fazer, eles sabiam.
Danny escorregou as mãos nas minhas, as apertando, e eu o senti sorrir. Ainda de olhos fechados, virou o rosto pra perto do meu e disse: "Desde aquele dia em que nós dançamos, eu gravei o contorno dos seus dedos, a maciez de suas mãos. E nem que eu segurasse mais mil pares de mãos, eu me esqueceria de como são as suas. As da minha Sam... que eu não pretendo deixar nunca mais."
Notas finais
Acabei mudando tudo e mais um pouco, mas ainda assim... Eu gostei. Se fosse fazer minha vontade, daria voltas e mais voltas até chegar no final. E como eu não aguento esperar...
Bem, obrigada as meninas que leram e me incentivaram a continuar *_* De verdade!
xx
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