Notas iniciais
ESSE CAPITULO VAI SER DIVIDIDO EM DUAS PARTES :)

[Joe]

Passaram-se duas semanas, desde o episódio do prédio. Aquela garota não saía da minha mente. Era Loucura. Ela estava presente em todos os meus pensamentos.

Depois que ela foi embora, voltei para casa e refleti sobre o que ela disse. Não tinha pensado nos detalhes. Ela estava certa, e nem ao menos sabia da minha vida. Eu fugia dos problemas, e não tinha coragem de enfrentá-los.

E, nesse meio tempo, tentei mudar. Consertar os meus erros. Enfrentar meus problemas. Primeiramente, pedi umas férias para esfriar minha cabeça. Meus irmãos gostaram da idéia, já que também estavam cansados. Eles entenderam minha opção e isso ajudou bastante. Mas, meu grande problema eram as câmeras e a falta de privacidade. Yoga. Porque não controlar a raiva?

- Idéia idiota, Joseph! – disse a mim mesmo.

- Se você ta dizendo que é uma idéia é idiota, eu nem quero imaginar o que você pensou... – Kevin interrompeu meus pensamentos enquanto eu mexia no computador.

- Não tenho paciência para Yoga...

- Joe? Yoga? – ele gargalhava na cama.

Nick entrou no quarto, descontraído.

- Hey, quem ta a fim de dar uma volta comigo e com o Elvis?

- Nem dá, vou sair com a Dani – Kevin disse.

- Eu vou com você, Nick. Preciso pensar em algumas coisas e relaxar.

- ‘Ce anda pensando demais ultimamente, Joe...

- Parece que temos alguém apaixonado por aqui – zombou Nick, enquanto batia em meu ombro.

- Quê? Estou pensando na vida. Só isso. Nada de mulheres – menti.

- Aham, sei. – ambos os irmãos disseram em coro.

- Ok. Vamos Nick?

- Vamos. Vou pegar o Elvis. Encontre-me na sala.

Desliguei o computador e desci para sala. Em poucos minutos Nicholas apareceu com o cachorro que abanava o rabo alegremente. Tentamos sair o mais disfarçado possível. Eu, com óculos escuros, boné e um moletom com capuz. Nick estava como eu, porém sem o boné, já que não lhe agradava.

Isso ainda era incomodo para mim. Eu gostaria de ir passear com o cachorro da família sem tudo isso. Sinto falta de ser apenas mais um na multidão. Mas esse era o preço da fama. Eu deveria estar acostumado...

- Nick, pra que parque nós vamos?

- No de sempre...? É o mais calmo nessa hora, e as pessoas já estão acostumadas com nossa presença.

- Claro... Eu esqueci completamente...

- Como sempre... Joe, que está rolando com você nessas ultimas semanas?

- Nada... É que eu estou cansado por causa dessa turnê...

- Eu e o Kevin também estamos, mas você ta agindo estranho. Não quer mesmo desabafar?

- É uma longa história... – respondi — É que faz umas duas semanas que eu conheci uma garota, e ela não sabe quem sou eu e me ajudou quando eu mais precisava...

- Então nós estávamos certos... Tinha uma garota na história...

- Tem e eu não consigo parar de pensar nela. De dez pensamentos, onze é são sobre ela...

- Man! Isso parece loucura... Vai com calma, cara. Você só a viu uma vez...

- E esse é que é o problema! Eu preciso vê-la novamente.

Nick nada respondeu. Continuamos nosso caminho até chegarmos a uma grande área arborizada. No centro, havia uma extensa área aberta. Era magnífica e Elvis adorava brincar lá. Para minha sorte, não havia muitas pessoas. Ficamos brincando com ele de jogar a bolinha para ele pegar. O Sol nem era tão quente, ele invadia o ambiente junto com um vento calmo e leve. Estava tímido e ora se escondia nas nuvens, ora saía irradiando a manhã.

Tudo estava correndo como normalmente. Eu jogava a bolinha vermelha para o Elvis, e ele a entregava para Nick. Algumas vezes sentia olhares voltando-se para mim. Olhares e cochichos. Tentei ao máximo ignorar e continuar concentrado na brincadeira, mas foi uma tentativa fracassada e inútil, em vão. Em questão de segundos, já estava vagando com minha mente pelos meus pensamentos...

Quem sabe, se eu voltar a tentar me jogar, ela não apareça novamente? Cala boca, Joseph. Pense. Ela disse que nos veríamos por aí... Mas já faz tanto tempo... Ó Céus! O que ela fez comigo? Nunca, nenhuma garota causou isso em mim em tão pouco tempo... Só pode ser loucura. É loucura! Ela nem deve mais se lembrar de mim...

- Joe? – uma voz me chamava – Joe!

Balancei a cabeça em busca da voz. Era Nick. Droga... Desliguei de novo...

- Ce viu onde você jogou a bola? Ela deve ter parado no outro lado do parque!

- Desculpa... Eu... Desliguei de novo.

Olhei para Elvis que abanava o rabo. Já estava vendo aquele cachorro voar de tanto que ele balançava o membro. Ele queria sua bolinha vermelha e a procurava por todos os cantos. Nick disse alguma coisa e depois saiu em busca do objeto.

- É garoto... – fui impedido de terminar a frase. O animal já corria atrás do seu dono – Hey! Pára garoto!

Saí correndo atrás dele. Para minha sorte Nick não estava tão longe, então Elvis não correu muito. Mas vi que meu irmão conversar com uma pessoa. Não pode ser...

[Demi]

Duas semanas. Haviam se passado um pouco mais de quatorze dias e aquele sorriso perfeito não saía da minha cabeça. Sua voz tomava conta de mim e eu ainda sentia seu perfume em meu corpo, como no dia em nos abraçamos. Seu cheiro forte e masculino, mas desde ontem já não conseguia mais lembrar-me e, de algum modo, sentia falta. Era uma droga... Na verdade tornou-se uma droga para meu ser, e como tal precisa de mais. Mais e mais até que chegue uma hora em que se torne indispensável para sua existência. Preciso saciar aquele desejo de encontrá-lo mais uma vez.

Acordei cedo e tomei um café da manhã leve. Como o parque não era muito longe do meu prédio, fui andando até lá. Coloquei meu Ipod para tocar e fui.

Durante todo o percurso mergulhei em meus pensamentos e em poucos minutos, encontrava-me perdida neles. Era Loucura! O vi uma vez e ele já não saía da minha memória. Como? Como ele tinha o poder de me dominar e me controlar com apenas um sorriso?

Enquanto isso percebi que passei pelo lugar onde tudo começou. E cm com uma ação, digamos que involuntária, olhei para o alto do edifício. Não havia ninguém. Que estupidez de minha parte pensar que ele estaria lá!

E assim, depois de alguns minutos cheguei ao local. Era calmo e tranqüilo, transmitia paz. Sentei no banco mais próximo e organizei minha câmera. Montei-a e fui atrás de algo de devesse ser gravado. As pessoas sorriam, e era isso o que eu tinha que demonstrar à tantas outras. Talvez eu quisesse passar o que eu nunca senti; Talvez eu tivesse um pouco de inveja dessas pessoas, mas no fundo eu só estivesse com medo de sair do mundinho que construí, e ver como são as coisas lá fora.

Mais a frente havia uma senhora com sua cachorrinha. Elas brincavam e aquele momento merecia ser gravado. Aproximei-me de ambas e pedi permissão para tirar algumas fotos. Fotografei e segui para outro local. Estava próxima de um campo aberto onde havia algumas pessoas passeando com seus cachorros; outras deitadas curtindo o Sol, e ainda outras que estavam sentadas lendo um livro ou ouvindo música.

Ao meu lado, estava uma garota com seu Lhasa. Fui até lá para fazer carinhoque estavam sentadas lendo um livro ou ouvindo mpusicau tivessenas um sorriso?. O cachorro chama-se Bob.

- Bob! Vem cá, garoto! – chamei-o e passei a mão em seu pêlo.

Senti algo bater em mim e me assustei um pouco. Olhei para os lados e notei do lado da minha perna, uma bolinha vermelha. Peguei-a e procurei qual era o dono... Um garoto se aproximava de mim. Ele vinha correndo e eu acabei rindo um pouco. Ele era bonito, muito bonito, muito mesmo. Tinha cabelo cacheado. Parecia ser um pouco maior que eu e usava um ray-ban marrom.

Parou na minha frente, com a respiração ofegante e com um sorisso tímido tentou me dizer algo, mas não conseguir entender uma palavra se quer.

- Erg, acho que é sua... – disse. Mostrei a bolinha e ele pegou.

- É sim. Muito obrigado... Pera aí, você não é a garota da lanchonete que toda segunda vai tomar café?

Ri baixo. Ele lembrava de mim e a gente nem conversava todos os dias... Assenti com a cabeça e o cumprimentei com um beijo na bochecha.

- Você não aparece mais lá... – disse-me.

- To cheia de trabalho esse mês... Mas na próxima segunda eu to lá...

[Joe]

- Vem cá, Elvis! – gritava.

Elvis pulou em Nick, todo brincalhão. Eu queria rir, mas algo me impediu. Não, alguém.

Nick conversava com uma garota. Parecia que eles se conheciam algum tempo... Aproximei-me mais um pouco e me senti estranho. Era a mesma sensação que senti quando estava no terraço do prédio. Meu coração disparou a ponto de meu peito ficar sem ar.

Era... ela?

PLAY NA MÚSICA: A primeira vez – Small Shifthttp://www.4shared.com/file/112102522/230d7f8f/small_shift_-_primeira_vez__na_na_na_.html?s=1

Meu irmão olhou para trás, assustado com o pulo do cachorro. A garota olhava feliz, rindo da cena. E eu, paralisei espontaneamente. Não movia. Não pensava, não respirava. Algo, que não consegui decifrar, subiu pela minha espinha e me fez ficar gelado.

Eu tinha total e absoluta certeza que era ela. Aquela energia que ela transmitia era única; apenas ela tinha o poder de deixar calma a pessoa mais estressada. Parecia mágica ou uma garota que eu estava idealizando, mas meus olhos não conseguiam se desgrudar de seu rosto, nem que por um segundo fosse. Assim como o céu é azul, eu sabia que aquela era a garota que salvara a minha vida naquela noite.

Quando te vi pela primeira vez
Não sabia, que seria, tão forte assim
E até agora tento entender, o porque, de não conseguir te esquecer

Se foi por pouco tempo,
será que existe eu e você?
contrariando qualquer sentimento,
eu sigo em frente com ou sem você

- Joe, eu não pedi pra você segurar o Elvis

- É, mas seu cachorro fica descontrolado longe de você...

- Jo... Joe? – perguntou Demi.

- Demi?

Mais não sei, se sem você
conseguirei outra vez sorrir
já tentei ser melhor mais não consegui ser,
mais do que eu sempre fui.

Ficamos entreolhando por longos minutos. Senti o mundo parar. Notei Nick nos olhando, ora pra mim, ora pra Demi. Provavelmente estava pensando de onde nós nos conhecíamos. Ambos balançamos a cabeça no mesmo segundo e isso fez com que soltássemos um riso tímido de nossas bocas.

- Vocês se conhecem? – perguntou Nick.

Balancei a cabeça, positivamente. Pensava no que dizer a ela, no quanto ela se tornou importante para mim ou como ela me fez mudar, tanto na forma de pensar, como de agir. Pensava em como eu senti falta daquele sorriso ou daquele olhar meigo e tímido.

Mesmo estando perto eu não sei
o que dizer ao certo

Por um instante fiquei a observar,
e percebi o quanto é importante
ter o seu sorriso e seu olhar

- Mas vocês também se conhecem, certo? – indaguei.

- Ela vai quase toda segunda na lanchonete que eu vou para tomar café...

- Ele é uma boa companhia de manhã... – disse a garota ainda me olhando. Seu cabelo balançava um pouco por causa do vento que batia e seus olhos brilhavam, como no primeiro dia em que nos conhecemos.

Mais não sei, se sem você
conseguirei outra vez sorrir
já tentei, ser melhor
mais não consegui ser
mais do que eu sempre fui.

Mais não sei
Já tentei
Ser melhor mais não consegui ser
mais do que eu sempre fui

- Bem garoto, acho que a gente ta sobrando aqui... – disse Nick – Que tal dar uma volta?

Elvis entendeu o que ele disse e soltou um latido. Rimos e logo depois, Nick se despediu de Demi com um beijo na bochecha. Agora havia só eu e ela e ninguém mais.

- Então, vamos? – manifestei.

Ela assentiu com a cabeça e começamos a andar sem rumo. Nos primeiros minutos, eu não sabia o que dizer a ela. Havia tanta coisa a contar e nem sabia por onde começar. Mas ela não aprecia se incomodar com o silêncio, pelo contrário, ela passava confiança e calma.