Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem com vocês? Espero que sim! Mais um capítulo para vocês, espero que gostem! Boa leitura!

Nico se apoiou no carro, fazendo carinho na cabeça de Cérbero que havia sentado aos seus pés, esperando Thalia. Era claro que agora, quase na hora do encontro, ele estava nervoso com a ideia.

Era até ridículo pensar que estava nervoso com o fato de ter um encontro com a Grace, ela além de ser mãe de seu filho (um acidente, mas ainda assim era), eles moravam juntos, ambos tinham uma história, mesmo que curta, estar nervoso parecia cada vez mais ridículo.

Mas ele não era o único. Thalia mordeu o lábio inferior pintado de vermelho vinho, fechando os olhos, tendo terminado a maquiagem a certa de uns dez minutos, mas continuava estática parada na frente do espelho.

— É só um jantar normal, vocês jantam juntos todos os dias! — repetiu para si própria em um tom baixo, com medo de que alguém ouvisse, respirando fundo e soltando o ar devagar saindo do banheiro.

Caminhou até o andar debaixo, se despedindo de Hades e de Dylan, já que apenas os viu quando estava indo para o lado de fora e sorriu ao ver Nico encostado no carro distraído.

Ele era tão incrível, sua pose estava relaxada enquanto acariciava o cachorro que tinha a cabeça inclinada e a língua para fora claramente gostando do carinho, um sorriso descontraído estava nos lábios do garoto, os olhos negros tinham um pingo de nervosismo, mas ainda brilhavam, dando a ideia de infinito que ela tanto adorava naquela imensidão negra.

Seu estômago se revirou quando ele a notou, seu sorriso aumentou, mas uma mistura de culpado e felicidade, com um dar de ombros simples. Ele estava simples, uma blusa preta de botões, uma calça jeans igualmente preta, um sapato um pouco mais social, mas igualmente bonito.

Nico prendeu a respiração por alguns segundos quando a viu. Um vestido vinho colado, botas de salto que iam até seu joelho negras como seu cabelo, que estava preso em um coque complexo e ao mesmo tempo desleixado, a maquiagem escura ressaltando os olhos elétricos da menina, que sorriu mais ainda quando o viu, mesmo em um ato involuntário que havia passado despercebido por ela.

— Vamos? — questionou calmo, depois de alguns segundos em um silêncio confortável, um admirando o outro.

— Claro — sorriu suave, vendo-o dar a volta no carro e abrir a porta do carona para ela.

Thalia não desviou os olhos dele enquanto entrava no carro e claro que ele sustentou o olhar. Negro no azul, uma mistura repleta de sentimentos que os dois não sabiam direito como lidar, que eles não sabiam o que significava, mas os dois amavam essa conexão, mesmo que assustasse, ela também admirava.

O Di Ângelo deu a volta no carro novamente, entrando no bando do motorista, vendo-a tirar o casaco preto e colocar no banco detrás do carro, sorrindo pegando o cinto para colocá-lo.

— Você é maravilhosa — ele soltou depois de alguns minutos dirigindo, vendo de canto de olho ela corar e sorrir tímida.

— Obrigada! — respondeu baixo, suspirando — Você também é!

Ela não o olhou, pois sabia que ele a olharia, e sorriu de canto quando o sentiu analisar, os olhos negros delineando seu rosto, sabendo que ele via cada pequeno movimento, mas manteve-se virada para a janela, analisando a paisagem que passava a sua volta, mordendo o lábio inferior quando ele virou para frente.

— Obrigado! — sua voz saiu rouca, como se estivesse tímida e surpresa, e ela amou ouvir aquilo daquela maneira, sentindo seu corpo inteiro se arrepiar.

Eles não conversaram muito, não precisavam. Logo estavam no restaurante e mesa reservada por Hades, que tinha usufruído de seus contatos para conseguir tal coisa. O jantar foi calmo, apenas algumas conversas paralelas.

Não se pode negar que era estranho o fato deles mal conversarem, eles se conheciam, conheciam perfeitamente um ao outro, sabiam de suas manias, rotinas, costumes e tudo mais que eles poderiam querer saber, então naquele jantar nenhuma conversa durava muito, todavia nada era desconfortável, ou ruim, a presença deles apenas bastava e isso parecia ser mais do que suficiente para sustentar o encontro durante a noite toda.

Eles tentaram saltar até o carro, a chuva batendo contra o corpo deles, arruinando o tempo gasto para se arrumar, Thalia agradeceu por ter escolhido uma maquiagem aprova d’água, afinal estaria parecendo um panda naquele momento se não tivesse escolhido.

Ela riu, tentando abrir a porta do carro, mas Nico não havia destravado.

— Nico... — se virou para pedir que ele destrancasse, ele estava a centímetros de distância dela, inexpressivo, sua mão foi até seu pescoço, acariciou a bochecha dela com calma.

A Grace entreabriu os lábios surpresa, seus olhos encararam o do di Angelo, descendo até a boca dele e novamente voltando aos seus olhos e essa foi a deixa para ele cortar a distância.

Seus lábios se selaram em um beijo calmo, rapidamente correspondido. A morena subiu a mão para os ombros dele, sentindo seu corpo ser pressionado contra a porta do carro, seu coração acelerando e ela definitivamente tinha se entregado.

Seu corpo parecia uma explosão de sentimentos, tudo, tudo que ela tinha descoberto desde que haviam se beijado no natal estava vindo à tona, todos os sentimentos que ela guardou para si, que tentou evitar, que tentou fingir que não existiam estavam explodindo naquele exato momento. O puxou mais para si, aprofundando o beijo, deixando que tudo fosse extravasado.

Tudo que ela queria falar, tudo que ela queria sentir, ela deixou que ele soubesse, mesmo que de uma maneira silenciosa, ela sabia que depois daquele beijo ele entenderia, entenderia que o sentimento é reciproco, ele tinha deixado a muito tempo de ser apenas o pai do seu filho, apenas o colega de apartamento, ela gostava dele, talvez até o amasse.

Nico separou o beijo, mas a distância continuou diminuta, suas testas se encostaram e a Grace manteve seus olhos fechados, respirando fundo algumas vezes antes de desabafar:

— Eu tenho medo — admitiu, puxando mais uma lufada de ar — todo mundo que eu um dia me importei se afastou de mim, mesmo que inconscientemente, não quero me entregar a esse sentimento e perder você também, mas a cada dia que passa é mais difícil, eu gosto de você Di Ângelo.

Ela abriu seus olhos o encarando, um sorriso suave surgiu nos lábios dele, a fazendo repetir.

— Eu gosto de você!

— Eu já prometi uma vez, Thalia, e vou prometer de novo, eu não vou te deixar se você não quiser isso — sua voz era baixa, tranquila, mas ele tinha plena consciência que ela o ouvia perfeitamente, os olhos elétricos dela fixos no seu, prestando atenção em cada palavra dita.

A Grace sorriu, assentindo, sentindo seu corpo quente, mesmo com a água gelada batendo contra a sua pele. O italiano não pode deixar de sorriu e selar seus lábios novamente em um beijo calmo.

Nada mais era preciso ser dito, então quando ambos deitaram lado a lado naquela noite, tudo simplesmente parecia se encaixar. Nico selou os lábios com o de Thalia, calmo, a coberta sobre eles, o aquecedor e o calor humano ajudando eles a sobreviver naquele dia frio do inverno italiano.

A morena se aconchegou nos braços dele, sentindo um conforto que não sentia a muito tempo, suas inseguranças haviam sido postas para fora, um peso enorme parecia ter sido tirado de seus ombros, deixou que seus olhos se fechassem e sua respiração acalmasse lentamente, adormecendo nos braços de Nico, enquanto ele a observava, com um medo daquilo não passar de um sonho muito realista.

Notas finais
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