Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem com vocês? Para quem está se perguntando, mas Semideusadorock é terça, o que faz aqui? Bom, eu deixei uma enquete no Instagram na última sexta feira explicando o como eu estava embolada com algumas coisas e pedi que vocês escolhessem o que queriam, e vocês escolheram maratona de "Do We Have A Baby?" Agora boa leitura!

De acordo com o Doutor Apolo, a melhor coisa para Dylan era estimular o seu jovem cérebro da melhor maneira que eles puderem e sempre que puderem. Por este motivo Nico estava sentado no chão de frente para seu filho e Destiny, ambos sentados concentrados no que o moreno de olhos negros dizia. O Di Ângelo basicamente levantava uma carta com o desenho de um objeto e lia em voz alta três vezes o que aquilo era e passava para outra carta.

Por incrível que pareça aquilo estava sendo interessante para os dois lindos e pequenos bebês da casa, fazendo Thalia achar uma graça e tirar algumas fotos, até que o micro-ondas apitou e ela pegou seu chocolate quente e um notebook se sentando no sofá em busca de roteiros de viagem, talvez montar possíveis roteiros ajudassem ela a convencer o Di Ângelo aceitar tirar umas férias.

— Que tal dar uma folga para seus alunos? — Thalia indagou começando a digitar os lugares que ela estava meramente interessada em ir, para assim saber por onde começar a procurar e avaliar possibilidades de melhores escolhas.

— Por quê? Eles não parecem cansados — Nico foi sincero olhando Dylan que parecia bem contente em estar ali.

— Mas você sim, trabalhou na sexta, dirigiu até a casa da sua irmã, voltou, festa, serviu de motorista hoje também, teve um encontro, depois fomos ver o médico e chegamos, você deu banho no Dylan e está o ensinando desde então, aprecio seu ritmo, mas não é saudável e eu sei que vai trabalhar quando for ao quarto, então relaxe um pouco.

Nico suspirou, sabia que ela estava certa, fez um bolo de cartas dando a aula encerada por hoje e ligando a televisão para as crianças. Destiny miou insatisfeita, mas cedeu ao filme Pets sentando ao lado de Dylan para assistir.

— Mas então, como foi seu encontro? — Thalia decidiu perguntar, puxar assunto.

— Não foi grande coisa, acho que eu e ela vamos ser apenas amigos, nada mais — decidiu ser sincero, não tinha motivos para não ser.

— Entendo, que pena — deu de ombros, tinha perguntado apenas por educação.

O silêncio dominou a sala, ficando apenas o som da televisão e de Thalia digitando freneticamente possibilidades de viagem, pensando em qual começaria pesquisar primeiro, para avaliar os pontos, então como Nico tinha se dado uma pausa a pedido dela, sua curiosidade foi aguçada sobre o que ela fazia, então decidiu perguntar:

— O que está fazendo? — indagou, chamando a atenção dela.

— Criando uma lista de possibilidades aonde eu posso ter uma base para uma pesquisa de roteiros de viagens interessantes e que não custem tanto, estava pensando que preciso de férias e acho que seria bom, eu, você e Dylan tirarmos uma — contou e isso chamou a atenção dele.

Realmente poderia ser interessante uma viagem. O Di Ângelo se levantou do chão e se sentando ao lado da Grace para analisar suas pesquisas no computador, ela tinha alguns lugares digitados no Word como lista de pesquisa.

— Itália? — Nico questionou ao ver o nome como o quarto da lista.

— É — ela riu fraco — eu nunca fui lá e acho que seria interessante inserir o nosso pequeno em algo que é da cultura dele, afinal você é italiano e com certeza lá não precisaríamos nos preocupar com guia turístico, nem talvez com hospedagem, mas entendo se não quiser.

Ele a tinha contado a história da sua mãe, voltar para o lugar poderia ser complicado, mas com certeza era uma opção barata, já que ele tinha família e casa lá.

— Se formos vai ter que fingir ser minha esposa em todo o período — lembrou do pequeno detalhe.

— Eu sei, é apenas uma ideia, mas eu não vejo problema nisso, só preciso urgentemente de férias, sair destas bandas — gesticulou para o apartamento, mas ele sabia que ela se referia a New York.

— Já que você não conhece a Itália e temos um filho com dupla nacionalidade, podemos sim ir para lá, vou ligar para meu pai e conversar com ele uma data que seria boa para isto — não queria seu filho afastado da sua família e aquela parecia uma ótima ideia de junta-los.

Thalia sorriu, fechando o computador e se apoiando no roteirista que a olhou e ela sorriu travessa.

— O que quer? — ele achou graça da atitude dela.

— Você podia me ensinar algumas coisas em italiano para eu não chegar perdida lá — explicou, o fazendo rir e pegar as cartas que usava para ensinar algumas coisas a seu filho.

— Tudo bem, vamos lá — riu, pegando a primeira carta, tinha o desenho de uma garrafa d’água, assim como tinha escrito em baixo em inglês.

Bottiglia di acqua— Nico falou calmo, deixando todo o seu sotaque italiano imperar ali e Thalia nunca pensou que tal palavra pudesse ser tão sexy, mas ali estava ele.

A Grace teve que disfarçar um arrepio que lhe percorreu pelo corpo em ouvir tais palavras saírem da boca dele.

— Tenta — pediu, vendo-a assentir.

Bo..botiquia di aqua?— Thalia riu, assim como ele.

Bottiglia di acqua— repetiu, tentando dizer mais devagar, o que apenas a fez rir.

— Calma — ela pediu tentando parar de rir de sua tentativa ridícula de falar.

Botiqlia di acqua — Nico fez uma careta, mesmo achando fofo ela tentando falar italiano. — Não faz essa cara — deu um tapa leve no braço dele, apenas o fazendo rir mais.

— Ok, tenta puxar mais o sotaque — pediu, vendo-a se inclinar para frente com um biquinho nos lábios.

— Eu não sei fazer sotaque italiano — retrucou manhosa, ainda deixando um biquinho nos lábios. — Fala mais pra mim, para eu vê se consigo imitar.

— Ok, deixa eu pensar em algo — Nico ficou um tempo em silêncio a encarando, agora tão próximo a si. — ok, vamos lá!

Ela assentiu devagar, deixando suas feições calmas e concentradas no que ele falaria.

Probabilmente non sarò mai disposto a parlare con te, specialmente in una lingua che capisci, ma amo i tuoi occhi e mentre trasferiscono tutta la tua personalità, lo amo quando si lascia andare e lasciare che le barriere si crearla se rompono, specialmente quando so che non fai spesso questo genere di cose, mi piace quando ti senti così a mio agio con me che mi appoghi — ele soltou uma risada leve, ela estava tão concentrada em seu olhos que ele poderia jurar que ela entendia o que ele falava, mas ele continuou —...non avrei voluto fermarmi, mi sono fermato perché era la cosa giusta da fare, ma non sai come fosse difficile mantenere la razionalità in quel momento, perché la cosa più importante non è che abbiamo qualcosa di fisico, se è Voglio che tu sia sobrio e cento per cento certo che non ti pentirai più tardi, perché non voglio che ti pentiti ...

Thalia entreabriu o lábio, cada palavra tinha a impactado, mesmo que ela não tivesse entendido, ela conseguia sentir a emoção enquanto ele dizia, a centímetros de distância de seu rosto, olhando no fundo de seus olhos.

— O que você disse? — ela perguntou como um sussurro.

— Espero que um dia eu tenha coragem de te dizer em um idioma que você entenda — foi sincero, fazendo-a corar e assentir.

— Seu sotaque é incrível, poderia ficar horas ouvido — admitiu, sem se afastar dele — por que não fala mais?

Nico riu leve com o pedido e assentiu, se levantando e pegando um livro em seu quarto, escolhendo um que já estivesse em italiano. Se sentou no sofá e a puxou para seu colo e ela não reclamou, começando ouvir a leitura, era engraçado que ela não entendia uma palavra que ele falava, mas enquanto lia ela sentia cada emoção que ela achava que deveria sentir com a leitura, o sotaque dele tão natural como se não tivesse anos convivendo com americanos e longe de seu pais de origem. As mãos dele afagavam de leve seu cabelo a deixando mais relaxada a cada segundo, assim como seu perfume entrava em seu nariz com calma, cada vez que inspirava.

— Nico, tem certeza que sua irmã não vai implicar de ficar com o Dylan novamente? — perguntou Thalia, sendo puxada com delicadeza pela mão, descendo um morro de grama.

— Tenho sim, agora vamos — ele insistiu, a fazendo revirar os olhos e apressar-se a andar com ele.

— Que lugar é esse? — questionou, observando seu redor, mas não parecia ter nada além de uma extensa e curta grama, perfeitamente aparada e verde, vivida.

— Apenas um lugar que eu ouvi falar — ele disse sorrindo, a trazendo para perto de si, ainda andando.

— Um lugar que você ouvi falar? — mordeu o lábio inferior de leve, sorrindo.

— Sim, achei que poderia ser interessante — ele retrucou, selando seus lábios em um delicado beijo.

Thalia deixou que seus olhos se fechassem com calma, aproveitando o contato.

— E o que pretende fazer aqui? — perguntou quando eles se separaram, abrindo os olhos sem pressa.

— Apenas aproveitar meu tempo com você — ele a pegou no colo em um movimento rápido arrancando uma risada gostosa de seus lábios carnudos.

Nico correu com ela mais fundo no gramado, a girando em seu colo, aproximando-a, deixando que seu perfume se misturasse com o cheiro de grama fresca e entrassem em seu nariz. Então ele a deitou com cuidado na grama, deixando que suas costas sentissem o úmido de um sereno noturno infiltrando em sua roupa.

— Eu confio em você Nico, não digo isso frequentemente — ela admitiu e ele sorriu, depositando um beijo com cuidado no topo de sua cabeça e se levantando, saindo.

Thalia se sentou, olhando-o se afastar e aquilo lhe deu uma agonia, até que ele sumiu de vista, se misturando ao céu claro e a luz, seus olhos se encheram de lágrima e ela olhou ao redor, a grama verde começava a atingir uma tonalidade morta e um céu tempestuoso a tomar conta do local, o cheiro suave dele sumindo lentamente.

— Você quebrou sua barreira, agora está sozinha novamente — uma voz sussurrou em seu ouvido, parecia sua própria voz.

As lágrimas desabavam, ela queria se mexer, mas não conseguia, gritava em desespero em busca de ajuda, de alguém.

Nico entrou no quarto, segurando os braços de Thalia a balançando, vendo-a abrir os olhos assustada, ela desabou em lágrimas e abraçou o Di Ângelo em desespero, sentia seu corpo inteiro tremer.

— Eu to aqui, tá tudo bem, nada vai te acontecer — ele sussurrava baixo em seu ouvido, acariciando seu cabelo com clama, sentindo-a tremer e soluçar contra seus braços.

— Não...me deixa — ela pediu entre soluços.

— Eu não vou a lugar nenhum, Thalia — ele repetiu, tentando-a acalmar.

— Me promete? — perguntou baixo, ela precisava que ele prometesse.

— Prometo, prometo Thalia, eu não vou a lugar nenhum — ele repetiu, beijando sua testa, a fazendo assentir e se encolher mais.

Aquela confusão de sentimentos estava acabando com ela querendo ou não, ela sentia que estava se aproximando do Nico e agora tinha medo dele a deixar, como todos tinham feito.

Ela fechou os olhos e se deixou chorar. O roteirista apenas ficou ali, abraçando-a em silêncio, deixando-a que ela tivesse o tempo que precisasse ter.

— Me desculpa — ela se afastou lentamente, limpando o rosto.

— Tá tudo bem, só foi um pesadelo Thalia — ele respondeu, sorrindo levemente, levando a mão ao rosto dela.

— Isso já aconteceu tantas vezes, não quero que aconteça de novo — seus olhos se encheram de lágrimas novamente, mas ela não queria voltar a chorar.

— Não é a primeira vez que tem esse pesadelo? — ele indagou com calma, tentando entender o que ela temia.

— Não estou falando do pesadelo, estou falando da vida real — disse, com medo, deixando que seus olhos se fechasse por alguns segundos, tentando respirar fundo.

— Nada vai te acontecer, Thalia — ele repetiu, vendo-a assentir.

Thalia puxou a mão dele a segurando, entrelaçando na sua, de involuntário ele começou a acariciar ali, ainda a olhando, para ter certeza que ela estava bem.

— Quer que eu durma aqui com você? — ele perguntou, e rapidamente ela assentiu em resposta. — Vou colocar Dylan no berço e já venho, pode ser?

— Pode — ela respondeu baixo, hesitando em soltar a mão dele, mas por fim ela o fez.

Nico esperou um tempo para levantar da cama e ir atrás de seu filho, que ainda estava distraído brincando com Destiny, apenas o pegou e foi cuidar para ele dormir. Enquanto isso Thalia se encolheu contra cama, o sonho parecia tão real que ela ainda sentia seu corpo tremer abalada.

Ela não queria se decepcionar novamente, seus olhos se fecharam e ela deixou que mais algumas lágrimas escorressem. Sua mãe morreu, foi a primeira a deixar, depois seu pai, ficou tão afundado na culpa e no luto que ignorou os próprios filhos e começou a procurar uma substituta, trazendo mulheres e mais mulheres para sua casa, em busca de um relacionamento, traindo-as, em casamentos e namoros rápidos, até que ele achou uma adequada e criou uma família falsa para substituir a quebrada. E depois Jason, mesmo que ainda presente, ele tinha crescido, não era mais a criança que ela escondia para não ver o que o pai fazia, ele escolhia a própria vida e ela não estava presente nas escolhas frequentes dele.

Teve Luke, seu único melhor amigo, mesmo que agora tivessem feito as pazes, eles nunca seriam como antes, Dylan era um bebê que agora era dependente dela, ela não podia se apoiar em um bebê, fechou os muros anos atrás, seu único laço era sua gata, mas agora tem o Nico e o que ela pode fazer, torcer para que ele não a decepcione, torcer para ele não passar para outra, torcer para que ele fique tempo o suficiente ali para ela, mas o quanto seria suficiente?

— Está chorando de novo? — ele perguntou calmo, adentrando o quarto e fechando a porta atrás de si.

— É inevitável — ela respondeu com dificuldade, mesmo com a voz um pouco estável.

Nico sentou ao seu lado a puxando para um abraço novamente, tentando-a manter estável, confortável, segura.

— Eu não quero perder mais ninguém — confidenciou baixo, quase um sussurro.

— Eu te prometi que não vou te deixar, italianos nunca quebram uma promessa — Nico falou, afagando seu braço.

— Estou contando com isso — deixou que seu corpo começasse a relaxar, ele a tranquilizava.

— Eu prometo, Thalia — repetiu — eu vou estar aqui e o Dylan também.

Ela estava quase adormecendo novamente e ele sabia disto.

— Eu preciso de vocês — murmurou, adormecendo novamente nos braços de Nico.

— Eu também — ele sussurrou, se acomodando com ela ali.

Notas finais
- O que acharam? — O próximo capítulo sai na sexta e o outro no domingo, como prometido três capítulos na semana. — Links importantes: Insta: https://www.instagram.com/inspiracao_nerd/ Grupo do face: https://www.facebook.com/groups/semideusadorockfanfic/ YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC4mUN1cGsKrRfcDTwvsDEFg Beijo e até!