Do We Have A Baby?
5 O namorado
Notas iniciais
Nico saiu do banho, tentando se apressar. Ele tinha que ir para o apartamento de Thalia pegar o Dylan, ela tinha se disposto a passar o dia inteiro com o bebê para que ele pudesse focar no roteiro do novo comercial, que havia saído finalmente, mas a noite ele teria que ir buscar o pequeno, pois a menina tinha marcado uma reunião de família para contar que tinha um filho e achou que seria melhor não chegar logo com ele lá.
Saiu em passos rápidos, abrindo a porta da casa da Grace, que sabia que estaria destrancada, dando de cara com o loiro que morava com ela a algum tempo atrás. O homem estava no celular, digitando distraído, seus pés em cima da mesa e o corpo largado no sofá o faziam parecer que ele era dono da casa.
O desconhecido levantou o olhar, vendo o Di Ângelo a porta.
— Oi, você deve ser o Nico, né? – perguntou animado.
— Huhum— respondeu contragosto, mesmo ele parecendo ser uma boa pessoa, ainda tinha uma implicância com ele.
— A Lia já deve estar terminando de se arrumar, o Dylan tá com ela no quarto. – Ele deu de ombros com o olhar estranho do moreno.
Como que para pontuar a frase, Thalia adentrou a sala com o bebê no colo, ela estava maravilhosa, um vestido preto justo ao corpo, assim como um batom vinho e uma maquiagem escura faziam parte do look da morena.
— Ai, que bom que veio – Thals suspirou aliviada entregando o Dylan a Nico, que o pegou no colo. – Vou tentar não chegar tarde, toma, eu mandei fazer para você – a Grace esticou uma cópia da chave de seu apartamento para ele. – As coisas dele estão organizadas em cima da poltrona e da cômoda do quarto, o leite dele é o azul, o vermelho é da Destiny, se não quiser ficar aqui pode levar ele para seu apartamento que eu passo lá quando chegar – ela falou rápido, estava atrasada para o jantar em família.
— Tudo bem, eu sei cuidar dele – Nico disse, mas já havia chamado Bianca que chegaria em alguns minutos.
— Ok, só verificando – a menina sorriu minimamente, segurando as mãozinhas do filho, que sorria para ela. – a mamãe volta logo, cuida do seu pai viu – ela disse beijando o narizinho da criança o sujando de batom – tchau Nico, qualquer coisa me manda mensagem que eu venho correndo.
— Pode deixa Thalia, ele vai ficar bem – Di Ângelo sorriu compreensivo, limpando o nariz da criança com o polegar.
— OK! Vamos Jay – a morena chamou o loiro – Nico, esse é o Jason, Jay, esse é o Nico — Thalia se lembrou de apresentar os dois, apontando respectivamente para cada um enquanto falava seus nomes.
— Prazer – Di Ângelo cumprimentou vendo o loiro sorrir e levar a mão na cintura da garota para a fazer andar porta a fora.
— Prazer cara – Jay respondeu, saindo com ela.
Nico revirou os olhos, indo para seu apartamento, trancando a porta da casa da Grace quando saiu, tinha combinado de encontrar sua irmã na sua casa. Bianca não demorou a chegar, ficando sentada no chão com o bebê, enquanto Nico e Leo cozinhavam algo para eles comerem.
— Que cara emburrada é essa? – Valdez questionou vendo o moreno dar de ombros.
— Foi um dia cansativo de trabalho – mentiu, não tinha justificativa para ele ficar com raiva por conta do namorado da Grace estar na casa dela, eles não tinham nada.
Bom, eles tinham um filho juntos, mas ele não possuía direito algum de dizer que ela não pode namorar e que tem que se dedicar cem por cento ao bebê.
— Conta outra Di Ângelo, trabalho nunca te deixou com cara de enciumado, o que houve? – Nico revirou os olhos, é claro que ele sabia.
— Deixa eu adivinhar, viu eles saindo do elevador? – perguntou, fazendo o cunhado rir.
— Desculpa, mas foi – admitiu achando graça, passando as cebolas picadas ao moreno. – Na minha opinião eles não formam um bonito casal.
— Não me importa – Nico fez pouco caso, dando de ombros. – Nem tenho o porquê me importar, mas não precisa mentir Leo, os dois são lindos pra caralho, é impossível não serem um casal bonito.
— Tudo bem então deixa essa cara emburrada e vai cuidar do seu filho que eu fico aqui e termino isso – Leo dispensou o amigo, sabia que ele ficaria mais alegre com o garotinho.
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Assim que Thalia abriu a porta, viu sua irmã mais nova correndo em sua direção, pulando no colo da menina, que só não caiu porque Jason a segurou por trás.
— Você está ficando grandinha demais para isso Mackenzie – a Grace mais velha dos três irmãos repreendeu.
— Eu estava com saudades, Lia, você quase nunca vem aqui – a menina resmungou, puxando a irmã pela mão, em direção a sala.
— Maravilhoso Mackie você não se importando comigo – Jay implicou com a pequena fechando a porta, vendo a irmãzinha ir para longe.
— Eu te vejo sempre Jay-jay – a pequena falou sorrindo travesa, o fazendo rir revirando os olhos.
— Que bom que veio, Thalia – Hera cumprimentou-a vendo a menina adentrar a sala de jantar.
A Grace mais velha sempre tinha uma desculpa para faltar as reuniões em família, não que ela não goste de sua família, mas para sua pessoa é muito irritante ter que ouvir seu pai falando de negócios sempre.
— É, eu tenho uma grande notícia e queria compartilhar com vocês — a menina falou se sentando no seu lugar de sempre ao lado de sua irmã.
— Essa é realmente uma novidade, Thalia Grace querendo compartilhar algo com sua família – Zeus falou entrando no cômodo, fazendo a garota revirar seus olhos azuis elétricos com tédio.
O homem era um diretor de cinema famoso, conhecido em todos os cantos, isso explicava a grande mansão que eles tinham e como sempre conhecia suas mulheres na carreira artística, em sua maioria atrizes.
— Por esse motivo eu evito jantar aqui – Lia cantarolou, referindo-se a atitude do pai, que estava em uma extremidade da mesa.
— Continue a falar da notícia querida, parecia animada com ela – Hera tentou quebrar o clima, ela era muito gentil e sempre tentava ser simpática com todos.
Thalia respirou fundo, vendo os empregados colocarem o prato a sua frente, iniciando o jantar. Odiava essa vida de riqueza do pai, empregados para todo o lado, câmeras e outras milhões de coisas que cercavam a família Grace, por sorte seu pai tinha tido o bom senso de manter os filhos longe dos holofotes, então mesmo tendo fama, nada vinha do seu pai e não era nada comparado ao se descobrissem que ela é filha de um dos maiores diretores de cinema dos últimos tempos.
— Em um resumo, acabou ocorrendo um erro e eu recebi uma criança do serviço das cegonhas, agora tem mais um Grace a família, um menininho lindo, meu filho – ela contou, fazendo Zeus se engasgar com o fato de ser avô.
— Oi? Como assim um erro? – o homem indagou tomando um gole de seu vinho, tentando se acalmar.
— A irmã do meu vizinho escreveu uma carta, mas ela parecia meio perdida e escreveu demais, a carta foi interpretada errada e eu e meu vizinho ganhamos um bebê – Thalia disse animada – sei que isso parece estranho, acredite eu sei, já surtei muito com isso, mas estou muito feliz de tê-lo, e não quero que ele fique longe da família.
Todos ficaram em silêncio, Jason continuou comendo tranquilamente, já sabia do bebê, já que sua irmã havia pedido que ele visse o apartamento para ela e o pai, além de ter passado o dia ajudando a garota a cuidar do pequeno Dylan enquanto ele trabalha.
— Onde ele está? – Zeus perguntou, parecendo mais calmo, mas com uma cara reflexiva.
— Com o pai, achei que seria melhor contar a vocês sem ele aqui, do que chegar com uma criança no colo falando que era meu filho – explicou pensando que talvez não devesse ter contado ao pai, mas não podia manter uma criança escondida de todos.
— E você vai ficar com ele? Mesmo sendo um erro? – o pai da garota perguntou, recebendo um revirar de olhos em resposta.
— Se não fosse ficar com ele, não perderia meu tempo contando essa história – disse irritada, começando a comer.
— Thalia, entenda seu pai, você é meio nova para ter um filho, ainda mais com um estranho – Hera tentou novamente apaziguar a situação, olhando a menina com um olhar esperançoso, como se estivesse tentando evitar uma briga.
— Eu sei, mas eu tenho, e vou cuidar, ninguém brigou com o Jason quando ele ficou noivo com dezenove anos e saiu de casa para morar com a namorada, por que tem que brigar comigo por estar assumindo uma responsabilidade? Esperavam que eu largasse a criança em um prédio qualquer para alguém cuidar? Ele é um bebê, não sabe se defender sozinho, eu tenho vinte e três anos e vou fazer o possível para cuidar dele da melhor forma possível.
— Thalia não precisa levantar a voz, estamos falando com você normalmente, tentando entender que de um dia para o outro você ganhou um filho, entenda nossa dificuldade em assimilar, não estamos te julgando, muito menos mandando você largar seu filho em uma caixa na rua, estamos querendo saber o que você vai fazer – Zeus disse suspirando, vendo a pequena de seis anos olhando confusa, tentando entender o que acontecia. – Mackenzie vá terminar de comer assistindo televisão – o pai mandou, fazendo a pequena entender que aquilo ficaria sério. – Hera vá com ela, por favor! – pediu o marido, quando se tratava da primeira geração de seus filhos era sempre complicado e não gostava que suas esposas se intrometessem, muito menos que a nova geração pegasse como exemplo.
Pedir para Jason sair era inútil, era tão grudado na irmã mais velha, que era pedir uma briga tentar discutir com ela sem ele por perto. Todos os empregados saíram, deixando fechado as duas possíveis entradas para a sala de jantar da grande mansão.
— Quando esse bebê chegou? – Zeus questionou, o homem tinha uma breve noção de como o serviço das cegonhas funcionava, já que era um serviço consideravelmente antigo, mas todos os seus filhos foram do modo convencional.
— Quinta-feira de manhã – a menina respondeu, se recostando na cadeira.
— E o pai, como ele é? Quando vamos conhece-lo? – Zeus questionou, curioso, queria saber tudo do novo membro da família.
— Eu não tenho nada com ele, mas semana que vem eu venho a reunião de família e trago os dois para conhecer a todos – Thalia tinha calma, viu seu irmão terminar sua refeição, ela sabia que se precisasse ele a defenderia e que mesmo aparentando estar alheio ao que acontecia, não estava, Zeus também estava cinte disso.
— O que pretendem fazer? Criar um filho não é uma tarefa fácil, vai ter que fazer algo, mudar sua rotina de vida, é uma grande responsabilidade – o pai da garota disse preocupado com ela.
— Estamos vendo um apartamento maior, ou uma casa, algo que tenha condições de três pessoas viverem, sendo um desses um bebê completamente dependente, por esses dias estamos nos virando bem, mas já sabemos que não vamos poder ficar assim para sempre.
— Thalia – Zeus chamou carinhoso, fazendo a menina olhar nos olhos do pai. – Por favor, se precisar de qualquer coisa me peça, não deixe que seu orgulho faça faltar algo para essa criança.
Os olhos da morena lacrimejaram de leve, mas ela era forte, nunca choraria na frente de alguém, principalmente de seu pai.
— Não vou – disse sorrindo agradecida.
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Thalia abriu a porta de seu apartamento, arregalando os olhos ao ver o estado da sua sala. Sua poltrona estava encostada ao lado do reque aonde ficava a televisão, sua mesa de centro não estava no centro o que deu um TOC muito grande, e Leo e Nico montavam um berço preto encostado na parede, perto da porta da varanda.
— O que é isso? – a Grace questionou chamando a atenção dos dois ali.
— AH, Thalia! – Nico exclamou ficando em pé, deixando Leo montando sozinho o berço. – Então eu comentei que o Dylan estava dormindo em uma poltrona cercada por travesseiros, ai entramos em uma briga e acabou que eles estavam certos, precisamos de um berço, e eu e o Leo fomos comprar um, já que vamos nos mudar mesmo, pensei que não teria problema nos entulharmos um pouco por uns dias e como eu basicamente to morando aqui achei que seria o melhor lugar para por a cama do nosso filho.
Thalia analisou o berço, combinava bem com sua casa, que era toda em tons de preto e branco, apenas com poucas decorações coloridas.
— Tudo bem, a segurança dele vem em primeiro lugar – concordou cedendo a zona que estava sua sala de estar, poderia organizar depois que eles terminassem tudo. – Cadê o Dylan?
— Com Bianca no meu apartamento, como imaginamos que iriamos fazer bagunça e barulho não queríamos traze-lo para esse ambiente – o Di Ângelo explicou, voltando a ajudar o cunhado.
Thalia assentiu caminhando em direção ao seu quarto, jogando suas coisas ali e pensando que precisava comer algo, sempre voltava com fome dos jantares em família, porque eles raramente comiam, eram mais brigas do que qualquer outra coisa.
— Como foi o jantar? – o pai do seu filho indagou, vendo a Grace passar para a cozinha descalça, notando que ela era bem baixinha, tendo tirado o salto.
— Melhor do que eu esperava, semana que vem você e Dylan estarão presentes, então se prepare, a família Grace é meio problemática – respondeu a menina, pegando um pacote de biscoito em seu armário, indo ver os meninos.
— Sempre que eu escuto Grace eu lembro do cineasta – Valdez comentou, fazendo Nico assentir.
O nome Grace era comum, mas inevitável de não pensar em Zeus Grace.
— Ah sim, ele é meu pai – Thalia comentou, eles conheceriam ele de qualquer forma, era melhor ela contar antes do que eles serem pegos de surpresa.
Os dois pararam o que faziam e olharam a menina com cara pasmadas, como se ela tivesse dito que pretendia se mudar para China, com seu filho e mudar seu nome para Maria e o do bebê para José e nunca mais falar com eles.
— O que foi? – perguntou achando graça daquilo e deixando até mesmo que uma risada saísse de seus lábios.
— Seu pai é Zeus Grace? – Nico perguntou, ele era fã de cinema, e o homem era um gênio, descobriu mais isso na faculdade de publicidade, aonde viu muito sobre ele no cinema atual.
— Sim.
— Tá – Os dois falaram em uníssono como se não acreditassem, mas não questionaram nada, muito menos discutiram, nem Thalia se deu ao trabalho de o fazer.
A porta se abriu, e Bianca entrou com Dylan no colo, ele tinha uma garrafinha de água na mão, mas em vez de água ela estava até a metade de arroz o que parecia entretê-lo.
— Oi, Thalia – Bia cumprimentou sorrindo. – Vão demorar meninos? – Perguntou a garota.
— Não, quase lá – Leo respondeu a esposa, que assentiu.
— Vem cá, meu bebê – a Grace chamou o filho que pulou animado querendo o colo da mãe.
— Espero que o Nico consiga se comportar nesse jantar com sua família Thalia, ele tem mania de fazer besteira – Valdez comentou se afastando do berço e pegando o colchão dele, colocando dentro.
— Tudo bem, na verdade é bem normal ter merda nos meus jantares em família, hoje até que foi calmo.
— Falando nisso, seu namorado parece uma pessoa legal – Nico soltou, se arrependendo segundos depois, mas ele não conseguia parar de pensar no loiro que encontrara na sala dela hoje.
Ele conseguiu ver Leo prender a risada com todas as forças, ele parecia rezar para todos os deuses que Dylan fizesse uma gracinha para ele poder rir, Bianca ficou claramente sem jeito, se sentando ao lado de Thalia no sofá.
— Namorado? Que namorado? – a morena perguntou tirando os olhos do filho, meio surpresa com a frase.
— O loiro que estava aqui hoje cedo, ele é seu namorado, não é? – Nico perguntou surpreso, se não fosse namorado com certeza eles tinham muita intimidade.
— Quem? Jason? – ela perguntou rindo leve.
— É. Qual a graça? – Ele não conseguir não sentir um incomodo com a atitude dela.
— Nada, é que o Jay não é meu namorado, é meu irmão mais novo, que está nos ajudando a achar a casa e veio me ajudar a cuidar do Dylan para você trabalhar – Thalia explicou achando graça, fazendo Nico arregalar os olhos e corar constrangido.
Leo não aguentou e começou a rir, por anos ele viu Nico não se aproximar da vizinha por conta do tal namorado misterioso, até que ele se fez parar de ter interesse nela, por coincidência um tempo depois o homem saiu do prédio e raramente era visto e agora ele descobre que esse tempo todo ele era irmão mais novo dela, era sensacional como Nico havia sido trouxa.
— Vocês não se parecem – concluiu como se aquilo fosse a melhor desculpa do mundo.
— Eu sei, ele puxou mais meu pai e eu minha mãe, ele é um ano mais novo do que eu – Thalia compreendia o pensamento dele, não era a primeira pessoa que pensava que ela e o Jason eram namorados, mas era o primeiro que falava com tanta convicção. – Eu vou dá um banho no Dylan, terminem o que estão fazendo aí.
A Grace se levantou e saiu, fazendo Bianca rir da cara de tacho do irmão.
— Espero que não tenha sido babaca com o cara, pois seu ciúme foi ralo abaixo com o irmão dela – Leo zoou o amigo que revirou os olhos, batendo no braço do cunhado.
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