Do We Have A Baby?
11 Falso casamento
Notas iniciais
O moreno andava de um lado para o outro na sua nova sala, a casa estava basicamente toda arrumada e decorada de acordo com o que a Grace tinha montado, com exceção dos quartos de ambos, que ainda estavam bem bagunçados.
Thalia estava sentada com Dylan no colo, olhando o nervosismo do colega de apartamento, que aparentava estar à beira de um colapso, acabou que por insistência da menina, eles comeriam todos na casa nova. Então a cozinha exalava um cheiro gostoso de comida quase pronta.
Nico tinha feito sua irmã decorar a falsa história que eles tinham bolado, assim como Leo, para em uma tentativa insistente de conseguir enganar sua família. A campainha tocou, fazendo o Di Ângelo parar estático sem saber o que fazer.
— Atende – a Grace cochichou apontando para a porta.
Assentiu contragosto, indo em passos lentos até a porta, abrindo-a.
— NICO! – Hazel gritou pulando em cima do irmão, que deu um passo para trás cambaleante, já que estava tão nervoso que suas pernas não pareciam estar firmes.
Thalia levantou, arrumando a saia de seu vestido e ajeitando Dylan em seu colo, caminhando até a porta, apoiando a mão com delicadeza no ombro do seu falso marido, como se fosse um comercial de família perfeita.
— Sua irmã é realmente linda, amor – disse doce, sentindo a mão do moreno ir incerta a sua cintura. – Thalia Grace – esticou a mão que tinha usado de apoio em Nico para cumprimentar a menina, se auto apresentando, já que Nico não parecia raciocinar que deveria fazer isso.
A irmã do Di Ângelo endireitou a postura e esticou a mão para cumprimentá-la.
— Hazel Levesque – a morena respondeu tão polida quanto Thalia, se sentindo intimidada com a morena, como se aquele rostinho e sorriso perfeito pudessem lhe dar uma facada pelas costas a qualquer segundo.
A menina se apressou a ir para a segurança dos braços do namorado, que esticou a mão para cumprimentar os dois, dando a atenção primeiro para a menina assustadora.
— Frank Zhang – o moreno disse sorrindo educado, recebendo espaço para adentrar a casa.
— Enquanto vocês se conhecem, me dá esse lindo – Bia pediu pegando Dylan que sorriu animado passando para o colo da tia.
— Então é a esposa do meu filho? – Hades questionou, levantando uma sobrancelha curioso.
— É isso que os documentos dizem – respondeu à altura, surpreendendo todos que conheciam o patriarca da família.
O homem era naturalmente intimidador, mas para Thalia ele era apenas uma versão certinha de seu pai, o que a fazia questionar do porquê Nico ficar tão temeroso com a situação.
— Entrem por favor – pediu, educada, conhecendo um por um.
— Mas então como vocês se conheceram? – quem questionou foi Hazel, que olhava o bebê que aparentava ter quase um aninho, brincando no colo do casal Lianca.
— Morávamos lado a lado no antigo prédio, eu sempre via Nico me olhando de longe, mas quando vi que ele não tomaria iniciativa nunca para chegar em mim, eu fui falar com ele e o chamei para sair, acreditem que ele achava que eu namorava meu irmão? – a morena disse desacreditada, se sentando cruzando as pernas esguias, exibindo-as.
O moreno arregalou os olhos e corou, não imaginava que ela tivesse notado sequer uma vez. Leo, foi menos discreto, assim que ouviu a declaração da garota, começou a rir o mais silencioso possível, o que o fez parecer que estava tendo uma convulsão.
Thalia sorriu para o pai de seu filho, levantando rapidamente a sobrancelha como se lhe dissesse “eu não sou cega, eu notei”, voltando seus olhos azuis para a que tinha perguntado, que sorriu com medo da encarada.
— Eu adoraria saber o porquê de meu filho não me ligar para avisar que iria se casar – Hades se pronunciou, parecendo irritado, vendo o moreno se sentar ao lado da falsa esposa.
— Me desculpa pai, mas foi tanta correria, mas a Lia queria tanto conhece-lo pessoalmente, mas veio o pequeno Dylan, trabalho...
— Trabalho, uma boa questão, trabalha com o que Thalia? – perguntou curioso, cortando o filho sem se importar com as falsas desculpas dele, olhando a menina que deu de ombros.
— Trabalho como assistente técnica de mecânica avançada de câmeras e modelos de filmagem para os roteiros do meu pai, acredite apesar do que as pessoas acham, trabalho bem melhor atrás das câmeras do que na frente – ela disse dando de ombros, fazendo pouco caso. – Afinal é bem mais trabalhoso mexer com a engenharia de câmeras de filmagens e tecnologias de edições do que ser um rostinho bonito na frente de uma lente, apesar que por dinheiro, quanto mais melhor, não concorda?
Nico tentou evitar ficar boquiaberto, afinal ele deveria saber disso, mas todos na sala estavam surpresos.
— Claro, vocês têm que encontrar a melhor maneira de sustentar o filho de vocês e se isso inclui coisas fúteis como modelar. Por que não? – disse dando de ombros e ela riu.
— Desculpe-me, mas terei que ser grosseira agora, futilidade é não aproveitar um dom que você tem e ser forçado a fazer algo que a sociedade impõe em vez do que te agrada e faz melhor para você, então eu agradeceria que o senhor não insultasse o meio artístico, pois eu nasci dentro dele e sei muito bem ver todos os lados da coisa – rebateu com o tom mais educado que pode, fazendo Hades engolir em seco com a patada que havia levado.
O apito do forno indicando que a comida havia ficado pronto, interrompeu o clima tenso que se estendia entre eles, quase tão real que poderia sentir ele contra a pele.
— Com licença – pediu, se levantando e indo ver a comida, deixando que a conversa pudesse rolar sobre a menina.
— Mal-educada ela – Perséfone comentou, ninguém falava com Hades Di Ângelo daquela forma.
— Não, se as pessoas falassem mais o que pensam o mundo seria bem melhor – o marido da que tinha começado a fofoca cortou, surpreendendo todos na sala. – Gostei da garota Nico, fico feliz que tenha a encontrado.
— Obrigado – agradeceu sem jeito, olhando o filho.
— Mas deixe-me ver esse meu neto – pediu o homem, vendo a filha lhe entregar o pequeno.
— A comida está pronta – a Grace anunciou colocando a tigela na mesa que já tinha sido arrumada.
Todos foram até a grande mesa, se sentando em seus devidos lugares, Hades colocando o bebê no cadeirão que estava posicionado estrategicamente entre Nico e Thalia, para que eles pudessem cuidar da alimentação de seu pequeno.
— Eu não bebo refrigerante – Perséfone comentou arrumando-se na cadeira.
— Tem água na geladeira, só levantar e pegar – Thalia apontou para a cozinha, que de onde eles estavam tinha visão.
Bianca segurou a risada no fundo da garganta da cara que a madrasta fez.
— Sério? – Perséfone perguntou não gostando da menina.
— Sério – disse levantando o rosto, olhando a garota. – Você sabe andar não sabe? É só ir até ali acredito que suas pernas não vão se degradar até lá, mesmo com sua idade.
— Eu sou sua convidada, não deveria falar assim comigo – a mulher rebateu claramente irritada, vendo todos segurarem a risada, já que ela poderia ser o capeta quando queria.
— E eu não sou sua empregada, você falou que não bebe refrigerante e eu te dei a solução para isso, se você tem um mínimo de inteligência que eu agora estou pensando que você não tem, pode resolver sozinha, senão consegue pegar água para si própria sem precisar de alguém não deveria estar aqui e sim na escola primaria – Thalia retorquiu começando a se irritar.
A mulher entreabriu os lábios surpresa com a ousadia da falsa esposa de seu enteado, que na verdade estava falando muito o que todos ali queriam dizer, mas não tinham coragem.
— Olha aqui garota... – Perséfone começou, mas foi cortada por uma risada.
— Minha querida, eu tomaria cuidado com o que você vai falar, porque você não pode fazer NADA contra mim, mas você não vai me querer como sua inimiga, então porque apenas não se levanta e vai pegar sua água em silêncio porque é isso que pessoas com pequena capacidade metal devem fazer, assentir, sorrir e fazer o que mandam sem falar, para ninguém ter que ficar ouvindo besteira, sabe como é? Não sabe? – a Grace disse fazendo a mulher levantar e sair da casa batendo a porta da casa com força.
Hades que estava estático até o momento, observando as duas mulheres discutirem, foi arrancado de seu choque por Thalia que se levantou para pegar a tigela no meio da mesa.
— Servidos? – perguntou de forma gentil e com um sorriso travesso nos lábios.
— Claro – Leo disse animado, como se nada tivesse acontecido a poucos segundos.
— Vou tentar traze-la de volta, com licença – o senhor Di Ângelo comunicou se levantando, após receber uma confirmação de Nico, que via a Grace por a comida no prato de todos.
— Você escutou? Não escutou? – o moreno questionou baixo apenas para Thalia ouvir.
— Ela não queria alguém mal-educada, eu dei esse alguém a ela – a menina usou o mesmo tom que ele, piscando com um sorriso travesso nos lábios.
Nico negou rindo, mordendo o lábio inferior focando na comida que a garota tinha feito para aquele almoço.
❤❤❤
Thalia sentou no colo do Di Ângelo após colocar o filme que eles haviam escolhido assistir, ela conseguia senti-lo tenso abaixo de si, como se tivesse medo de se mexer.
— Não precisa ficar com vergonha de sua família amor, temos um filho, eles sabem o que a gente faz quando estamos sozinhos – a morena falou passando os braços envolta do pescoço do garoto, que negou.
Afinal, eles não faziam nada quando estavam sozinhos.
Hazel corou, já que estava ao lado do casal, chegando um pouco mais para perto do seu próprio namorado, pois não queria atrapalhar o casal.
— Lia, querida, tenho certeza de que eles não precisam ver isso – disse arrumando a menina de modo que ela ficasse confortável e ele também e ainda ambos pudessem assistir um o filme.
A Grace riu leve, assentindo e olhando a televisão com tédio, já havia assistido O esquadrão suicida pelo menos seis vezes e não estava afim de ver a sétima. Dylan estava dormindo no seu quarto e toda hora Leo, que não parecia confortável em momento algum, ia ver como o bebê estava para fugir da família da sua esposa.
— O que foi? – Nico questionou, falando no ouvido da Thalia, a arrepiando.
— Não quero ver esse filme – disse manhosa o fazendo rir.
Por algum motivo ele beijou a bochecha dela, como se falasse sinto muito o que a fez revirar os olhos e se mexer no colo dele, tentando mudar para outra posição, mas já estava cansada de ter aquela postura perfeita, mesmo ainda sentada nele.
Após alguns segundos um sorriso travesso surgiu no rosto da morena, que se ajeitou, para falar no ouvido de Nico, apenas para ele.
— Quer fazer eles irem embora? – perguntou, e ele assentiu. – Tudo bem então.
Thalia segurou o rosto do moreno, selando seus lábios ao dele, envolvendo-o em um beijo, deixando que suas mãos explorassem com sabedoria o corpo que tinha abaixo de si, se arrumando para ter todo acesso possível e o Di Ângelo também.
Ele tinha as mãos em sua cintura, mas depois de receber um tapa, desceu para a bunda da menina, apertando ali com força, a fazendo suspirar alto e com isso chamar a atenção das pessoas que até então estavam distraídas com o cômodo escuro e o filme passando na televisão.
Nico não fez cerimonia em pôr a mão dentro do vestido da morena, sentindo ela se arrepiar com o contato direto com sua pele. Por falta de ar, ambos romperam o beijo, fazendo ela descer por seu pescoço, mordicando e chupando ali, soltando gemidos baixos como se realmente ele estivesse fazendo algo com ela com a mão por dentro do pano.
— Acho que está na nossa hora – Bianca disse, se levantando, chamando a atenção do casal que se pegava.
— Já? – Perguntou inocentemente a morena, olhando a falsa cunhada que sorriu.
— Já sim – disse vendo-a sair do colo de Nico, que acabou ficando bem animado com a brincadeira.
Di Ângelo a puxou de volta, fazendo-a ficar ali e claro que ela já tinha tido plena consciência da situação do garoto.
— Eles sabem aonde é a porta amor – abraçou a menina que riu e assentiu.
Todos se despediram e se retiraram, fazendo Thalia rir assim que a porta bateu e se levantar, dessa vez não sendo impedida.
— Acho que deveria tomar um banho, Nico, para apagar esse fogo – comentou o deixando sozinho na sala com o filme passando.
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