Do We Have A Baby?
9 Coisinhas safadinhas
Notas iniciais
Ela é linda. Foi a primeira e única coisa que o Di Ângelo pensou quando abriu os olhos naquela manhã chuvosa de domingo. Em algum momento da noite, ambos tinham dormido no sofá.
Thalia estava com a cabeça apoiada em seu peitoral, dormindo tranquilamente no sofá cama. Nico tinha os braços envolta do corpo magro e pequeno da garota que possuía um sorriso bobo no rosto.
Ele se perguntou depois se ela sentiria incomodo ao saber que tinham se abraçado, afinal ela não era fã de contato físico – apesar de já ter feito alguns com ele -, nada comparado a passar a noite abraçado. Ela estava gelada, o que fez perceber que a casa estava fria.
Com esforço, Di Ângelo conseguiu arrumar a morena no sofá-cama sem acorda-la. Caminhando até Dylan, que por algum milagre tinha dormido a noite inteira sem chorar. Checou o filho que estava abraçado a uma manta azul e branca de nuvens, se mantendo aquecido.
Seu sono tinha se esvaído por completo, mesmo sendo apenas seis da manhã, horário que o moreno normalmente ia dormir, então decidiu fazer algo produtivo, já que passava boa parte do tempo na casa da Grace, por que não dar uma arrumada, fazer o café e coisas do tipo?
Thalia abriu os olhos, sentindo o peso do cobertor sobre seu corpo, se espreguiçando notando que tinha dormido no sofá. Lembrava de ter visto o pai de seu filho adormecer, lembrava de pensar que precisava levantar e ir para a sua cama, mas Nico passou o braço na sua cintura e ele parecia tão tranquilo dormindo que ficou com medo e pena de acorda-lo, já que ele era todo desregulado em relação a sono.
— Bom dia! – ouviu uma voz doce e calma, procurando de onde vinha, vendo que ele cozinhava com calma.
— Bom dia! – respondeu pensando em voltar a dormir, aquele sofá cama estava muito confortável. – Que horas são?
— Oito e meia – o menino olhou em seu celular que estava ao lado do fogão para responder o horário preciso.
— Temos alguma coisa para fazer hoje? – perguntou manhosa, sentindo seu corpo ficar mais leve aos poucos.
— Na verdade não – parou avaliando-a, vendo-a fechar os olhos azuis elétricos lentamente, como se eles estivessem pesados demais para mantê-los abertos, respirando pesado, como se tentasse se manter acordada. – Boa noite, Grace! – riu, ouvindo ela murmurar uma resposta e adormecer novamente.
Thalia sentiu um peso ao seu lado, e um barulho de desenho animado invadiu seu ouvido, a forçando abrir os olhos de novo, dando de cara com Nico segurando Dylan no colo enquanto comia pipoca.
Como o pote estava na metade imaginou que eles já estivessem ali a um tempinho. Esticou a mão, pegando um pouco do alimento, levando a boca, se obrigando a sentar.
— Qual o filme? – questionou, piscando algumas vezes.
— Estou mostrando um pouco de cultura a nosso filho, Os Incríveis – disse sorrindo, a vendo rir.
— Uma cultura de alta classe – falou levando a mão a boca e bocejando. – Eu devo estar com um hálito horrível. – Se arrastou para fora do sofá, decidida a fazer sua higiene e tentar acordar por definitivo.
Ao sair se deparou com a cena fofa, de Dylan imitando o pai, levando a pipoca a boa, de olho no filme, rindo contente com a cena que se passava. A Grace se sentou, entrando debaixo da coberta, abraçando seus joelhos, ora levando a mão até o pote de pipoca prestando atenção no filme.
Fazia bastante tempo que ela não assistia algo na televisão, ela normalmente passava seu tempo lendo ou fazendo coisas no computador, como resolver problemas e marcar trabalhos, mas desde que o pequeno Dylan entrou na vida da morena, sua rotina mudou bastante.
Nico olhava a Grace de canto de olho, tentando não encara-la, mas talvez fosse a primeira vez que ele a visse tão simples, a pele limpa sem qualquer vestígio de maquiagem, os olhos azuis elétricos calmos, acompanhando a televisão, suas roupas folgadas e confortáveis, até o óculos estava no rosto dela.
— Você fica muito linda com óculos – Di Ângelo comentou, vendo-a pegar pipoca.
— Por que o comentário? É um modo indireto de dizer que fico feia sem eles? – Thalia questionou levantando uma sobrancelha, curiosa, provocando-o.
— Não, não, de maneira alguma, você fica linda de qualquer jeito, você é linda! – Nico se apressou sem jeito, desviando o olhar para seu filho, que estava alheio a conversa dos dois.
Ela riu de leve, revirando os olhos.
— Relaxa Nico, estou brincando com você, sei que sou linda de qualquer forma – ela deu de ombros, fazendo ele rir e assentir.
Quando o filme acabou, a morena olhou o bebê rindo.
— Olha quem está todo gorduroso de pipoca – ela disse falando com o filho, que olhou para ela sorrindo. – Vamos tomar um bainho quente? – perguntou e ele pulou animado no colo do pai, esticando os bracinhos para ser pego. – Vou dar banho nele.
— Vai querer ajuda? – perguntou tentando ser prestativo e ela negou, indo dar banho no pequeno.
Nico se esticou no sofá, levantando-se logo em seguida, para limpar a bagunça que o pequeno havia feito jogando pipoca para tudo que lado as vezes.
O moreno decidiu dar uma passada no seu apartamento, para ele mesmo tomar um banho, já que precisava de um. Então avisou a menina, que deu de ombros e o dispensou e foi em direção ao apartamento ao lado.
Di Ângelo se despiu, mas foi interrompido de seu banho pela campainha, imaginando que Thalia estava precisando de ajuda, enrolou a toalha envolto de sua cintura e correu para atender.
— Tá tud... – Nico se cortou, vendo que não era Thalia na porta, mas sua ex ficante, que morava no apartamento 910, um andar acima do seu. – Drew? — a surpresa ficou evidente em sua voz.
Ambos se conheceram em uma reunião do prédio, saíram juntos inúmeras vezes e até mesmo quase namoraram, mas ela simplesmente um dia parou de responder as mensagens dele e de frequentar seu apartamento.
— Senti sua falta – comentou olhando o corpo do moreno exposto. – Senti muito sua falta — sua voz tomou um tom pervertido, enquanto ela adentrava o apartamento sem pedir autorização, fechando a porta atrás de si com brutalidade forçando Nico recuar alguns passos para trás.
Em menos de um segundo, a morena estavas em seu colo o beijando, sua toalha evaporou basicamente. Drew arrancou sua própria blusa, separando o beijo por alguns segundos.
— Dre....- começou, mas foi cortado com um dedo indicando que ele ficasse quieto em sua boca.
— Não precisa falar nada, Nico – a menina disse com a voz sexy.
O homem virou Drew tirando ela de cima dele, ficando por cima, a prendendo no sofá, fazendo com que ela sorrisse safada.
— Você não pode simplesmente entrar no meu apartamento depois de sei lá quanto tempo, arrancar minha toalha e vir para cima de mim do nada.
— Vai dizer que não quer transar comigo? – Drew questionou levantando uma sobrancelha, indagando-o.
— Não, eu não quero transar com você – sua voz saiu convicta, enquanto ele se levantava para caçar sua toalha, que não demorou a achar e enrolar em sua cintura novamente. — Você de um dia para o outro simplesmente sumiu da minha vida, não trocou mais nenhuma palavra comigo e acha que pode chegar depois de meses na minha casa e tentar fingir que nada aconteceu?
Nico não conseguia nem fingir a surpresa que o dominava com a atitude dela. Normalmente ele não recusaria, mas no momento atual ele tinha um milhão de coisas para pensar e nenhuma delas envolvia sexo. Seu emprego consumia metade de seu dia útil, sem falar que agora a outra metade era basicamente sugada por ter um filho pequeno.
A menina se levantou do sofá, caminhando, cortando a distância entre os dois novamente, sua mão foi até o abdômen definido do moreno, que não a impediu, apenas observou para ver qual seria o próximo passo da mulher.
— Nico... – ela chamou suave, como se a poucos segundos não tivesse lhe tacado contra o sofá — eu sei que sumi sem nenhuma explicação plausível, na verdade, não tenho nenhuma até hoje – um sorriso tímido tomou conta de seu rosto, o que era óbvio forçado, porque se uma coisa que Drew Tanaka não era, era tímida. – Mas, preciso que entenda, que eu achei que seria melhor para nós dois quebrarmos um pouco de nosso vicio, quantas noites passamos juntos, agora creio...
— Olha, eu realmente não me importo, quero que saia daqui, tenho coisas para fazer e voc...- a porta se abriu, interrompendo completamente a fala do garoto.
Thalia arregalou os olhos azul elétrico, ela estava de biquíni, com Dylan no colo envolto em uma toalha branquinha, levemente molhada do banho que tinha dado no garoto.
— Eu só vim pegar o perfume dele – anunciou, fechando a porta e passando direto pelo casal, tentando ignorar.
Nico abaixou a cabeça fechando os olhos, negando e respirando fundo.
— Pode se retirar, por favor – Di Ângelo pediu calmo e a menina assentiu.
— Entendi, desculpa por isso – Tanaka falou, saindo do apartamento fechando a porta atrás de si.
— Não precisava mandar ela embora por minha causa – a Grace apareceu novamente com o perfume do filho em mãos.
— Não é o que está pensando, el... — o menino começou, mas a modelo o cortou.
— Relaxa, não temos nada um com o outro, nossa relação, se é que podemos chamar desse modo, é restrita ao Dylan, pode fazer sexo com quem quiser, namorar quem quiser, eu não tenho nada a ver com isso, somos livres Nico, não precisa se explicar para mim. — Fez seu caminho até a porta com calma. – Estarei cuidando do nosso filho, sabe aonde nos achar.
De novo o homem ficou sozinho, respirando fundo, caminhou até o banheiro, decidido a fazer o que a princípio foi fazer, tomar seu banho em paz. Era estranho ele se sentir culpado pela Grace ter visto o que viu, tudo bem que não era sua culpa e eles não tinham nada como ela mesmo tinha feito questão de dizer muito claramente.
Thalia colocou o pequeno na cama, passando a colônia nele de leve, apenas para dar um cheirinho, nada muito forte, além do mais ele é um bebê, não tinha que ficar cheirando perfume e começou a por a roupa já separada nele.
A gata pulou na cama, olhando a dona vestindo o filho, miando e foi como um incentivo da menina desembestar a falar:
— Eu realmente não me importo Destiny, tá claro me pegou de surpresa, mas como eu disse a ele, somos apenas responsáveis pelo Dylan, nada além disso, mas o que me irrita é que ele falou, vou rapidinho tomar um banho e já volto, mas não ele foi foder uma vadia qualquer...
O felino repreendeu, devido aos palavrões exagerados na frente do menino, que brincava com um bonequinho enquanto a mãe colocava a roupa de frio na criança.
— Desculpa a mamãe — pediu para o menino que nem se deu ao trabalho de tirar os olhos do boneco, apenas continuou a brincar, mas isso não impediu que a menina continuasse a tagarelar. – Mas, sabe? Seu pai não tinha que ter ido pegar uma...uma você sabe o que sem me avisar antes, ora, se ele queria sexo falava, vou ir... rapidinho, já volto, cuida do Dylan por enquanto – ela falou tentando censurar as palavras feias para o filho.
Pegou o pequeno, colocando ele mais no meio da cama, para poder se trocar e colocar uma roupa quentinha novamente, já que estava muito frio para ela ficar exibindo seu corpo – mesmo que dentro de casa – por aí.
Os olhos azuis da menina vagavam de vez em quando para o menino, para verificar se ele não corria nenhum perigo, mas a gata parecia se dedicar inteiramente a ele, já que ficava o cercando para caso tenha algum movimento brusco ela pudesse impedir.
Nico abriu a porta do quarto, desviando o olhar da morena que terminava de por a blusa, mas que deu a mínima para ele, até porque estava de costas e basicamente vestida.
— Pensei que iria terminar o que eu atrapalhei – disse, indo até o filho o pegando.
— Eu não tinha intensão alguma de começar algo, muito menos de terminar, estava a mandando embora quando você entrou concluindo coisas – Nico disse acompanhando a mãe de seu filho até a sala.
— Ela é bonita, por que não terminar? – perguntou dando de ombros se sentando. – Eu terminaria.
— Porque não Thalia e você deveria parar de concluir coisas – falou enquanto se sentava ao lado dela.
— Concluir coisas? Nico você estava apenas de toalha no seu apartamento que basicamente você não está em nenhum momento e ela estava com a mão em cima de você, quer que eu acredite que ela por coincidência acertou a hora que você estaria seminu, sozinho, sem você avisa-la? – olhou incrédula, arrumando os óculos no rosto.
— Quero.
— Por quê? – questionou achando graça.
— Porque é a verdade, eu gosto que as pessoas saibam a verdade.
— Vai dizer que nunca fez coisinhas safadinhas com a Tanaka? – perguntou levantando uma sobrancelha em curiosidade.
— Coisinhas safadinhas? – perguntou também levantando uma sobrancelha, curioso.
— Temos um bebê aqui, não podemos falar explanado e você sabe muito bem o que são coisinhas safadinhas – ela resmungou e ele assentiu.
— Eu nunca disse que não fiz “coisinhas safadinhas” com ela, apenas disse que não estava com intensão nenhuma de fazer agora – Nico falou fazendo aspas no ar ao usar o termo que a Grace havia utilizado.
— Por quê? Eu faria – disse novamente.
— Então vai lá, apartamento 910, deixa que eu cuido do Dylan, divirtam-se, usem camisinha e me conta como foi depois – Di Ângelo falou pegando o filho do colo da mãe, apontando para a porta do apartamento.
Ela riu revirando os olhos, vendo que ele estava irritado.
— Só estou dizendo que se eu fosse você teria feito, como disse Nico, não tem que me provar nada, muito menos tem que ficar aqui tentando me dar explicações sobre algo que eu não estou nem minimamente interessada – ela falou se levantando e indo para cozinha, pensando em fazer algo para comer.
— Tá – bufou, colocando outro filme na Netflix para o filho, já que não queria discutir com a mulher.
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