Do Singular Ao Plural
40 Criar filhos é uma aventura
Notas iniciais
Um ano depois
Quatro anos e alguns meses, Pepper nem podia acreditar no quanto seus bebês estavam grandes, suas personalidades estavam praticamente definidas, eles eram espertos, espevitados, hiperativos, como qualquer criança nessa faixa de idade. Já não dormiam mais no mesmo quarto, Olivia insistiu para ter um quarto da Tinker Bell, talvez por influência de Emma, mas o fato é que a decoração ficou incrível, as paredes eram de um verde-clarinho, com fadas desenhadas. Um abajur de borboletas ficava sobre a mesa de cabeceira. No começo, Benjamin ficou indeciso quanto à decoração de seu novo quarto, então, perguntou para Tony o que ele via quanto estava voando em sua armadura. Tony respondeu que via o céu, nuvens, à noite via estrelas. Pepper, Tony e a empresa de decoração contratada por eles, mostraram algumas sugestões, e Ben escolheu um quarto de astronauta, as paredes eram azuis com desenhos de planetas, sobre o móvel ao lado da cama um abajur de estrelas.
Os amigos do casal estavam na mansão sempre que podiam, as crianças adoravam, Emma sempre pedia para dormir lá, assim como Samuel e Cecilia, às vezes surgiam atritos entre eles, fossem por discordarem de algo a respeito das brincadeiras ou por ciúmes que sempre surgia, mas no final, tudo se ajeitava. Rhodes e Carol esperavam outro bebê, uma menina.
Era uma manhã de sexta-feira, Pepper se arrumava para ir trabalhar, escolhera uma saia-lápis creme e uma camisa azul, amarrou seus cabelos num coque, fez uma maquiagem simples, estava pronta.
—Você ainda vai demorar?— Pepper perguntou ao entrar no banheiro.
—Não.— Tony respondeu ao fechar o chuveiro —Onde é o incêndio?— perguntou irônico.
—Eu estou pronta, o Ben está pronto, e a Liv está pronta te esperando para arrumar os cabelos dela.— Pepper avisou ao entregar a toalha pra ele.
—Porque você não arruma? A babá, sei lá.— envolveu-se na toalha.
—Ela não deixa ninguém colocar a mão no cabelo dela, você inventou a presilha mágica, a responsabilidade é sua.— Pepper rebateu ao sair do banheiro.
—Se você não tivesse deixado a tesoura sobre a pia ela não teria cortado o cabelo.— contestou a seguindo —Eu só fiz o possível para acalmá-la, não sabia que daria nisso.
*****
Há duas semanas os gêmeos estavam com Tony na oficina, era final de tarde de sexta-feira, estavam com as malas prontas, passariam o fim de semana na Torre Stark. Era final de inverno e como sempre nevava em Nova York, uma matéria sobre a pista de patinação no gelo do Central Park aguçou a vontade dos pequenos de irem até lá. Além disso, eles nunca tinham ido à NY nessa época do ano, seria sua primeira experiência com a neve, estavam ansiosos. Os empregados foram dispensados, só aguardavam Pepper que estava prestes a chegar.
—Papai, quero fazer xixi.— Olivia disse trançando as pernas.
—Você sabe aonde ir, princesa.
—Mas o Ben, estragou o banheiro daqui.— ela replicou.
—Verdade.— Tony coçou a cabeça, Benjamin havia jogado um objeto ainda não identificado dentro da privada e desde então o banheiro da oficina estava interditado —Você terá de subir, pode fazer isso sozinha?— a garotinha assentiu e saiu correndo em direção ao elevador —Jarvis, olho nela.
—Sempre, Sr.
—Eu não deveria ir com ela?— Benjamin perguntou —Mamãe disse que eu sempre deveria cuidar dela.
—Isso é na escola, amigão, não em casa.— Tony bagunçou os cabelos dele.
—Quando é que você vai me buscar na escola de armadura, hein?
—Papai não pode buscar você de armadura e já explicou o motivo...
—Não daria para voar da escola até aqui comigo e minha irmã em segurança.— Benjamin repetiu o discurso de Tony.
—E sua mãe me mataria também.— ele murmurou —Por falar na Cherry...ela está demorando, Jarvis?— Tony chamou preocupado.
—A pequena Stark encontra-se no banheiro da suíte, Sr.
—Porque ela foi tão longe?— perguntou-se —Vamos verificar sua irmã. Jarvis, salve as modificações no projeto e guarde no servidor.
—Salvo, Sr.— Jarvis avisou, Ben desceu da cadeira e seguiu Tony em direção ao elevador.
Ao chegarem à suíte depararam-se com Olivia chorando sentada ao chão do banheiro.
—Hey, o que houve?— Tony perguntou preocupado.
—Mamãe vai ficar furiosa, Liv cortou o cabelo.
—Ela...o quê? Você o quê?!— Tony perguntou perplexo.
—Eu só queria ver se conseguia, mas não quero que ela brigue, sei que ela vai brigar.— Olivia dizia chorosa.
Tony olhou para o cacho de cabelo ruivo que Benjamin encontrou no chão, e ele era relativamente volumoso. —Onde você achou essa tesoura?— perguntou ao ver o objeto sobre a pia.
—Estava aqui, não fui eu. Quando fui lavar as mãos ela estava aqui, eu só queria ver se cortava.— a pequena dizia aflita.
—Você conseguiu, irmã.
—Mamãe vai brigar comigo, Ben, meu cabelo era igual ao dela e agora não é mais.
—Ah, é verdade, não é mesmo.— disse o pequeno.
—Benjamin, você não está ajudando.
—Mas é verdade, papai, não é.— Olivia disse entre soluços.
—Deixe-me ver, vamos, Sweet Cherry, levante a cabeça.— Tony pediu, Olivia levantou a cabeça, seus olhos estavam vermelhos de chorar e ela soluçava.
—Eu disse que tinha que cuidar dela.— Benjamin comentou.
—Agora não é hora, Ben.— Tony o repreendeu, sabia que se ele estivesse lá talvez Olivia estivesse quase careca.
—Mamãe vai...
—Shiii.— Tony a calou —Papai vai dar um jeito.— a tirou do chão e a colocou sentada sobre a pia.
Os cabelos de Olivia eram lisos na raíz, formando cachos nas pontas, estavam um pouco abaixo dos ombros e a menina havia cortado uma mecha frontal na altura do nariz.
—Você sabe fazer crescer cabelo, papai?— Liv perguntou enxugando o rosto.
—Não, mas sei fazer mágica, mamãe não vai nem perceber que está faltando cabelo aqui.— respondeu ao vasculhar a gaveta do balcão da pia até encontrar uma presilha amarela, juntou a mecha de cabelo curto a uma comprida e prendeu no topo da cabeça da pequena —Pronto!
—Mas se a mamãe perguntar por que o cabelo dela está assim?— Benjamin questionou.
—Ela não vai perguntar, confie em mim. Esse é um segredo nosso.
—Obrigada, papai, te amo.— Olivia o abraçou assim que parou de encarar-se no espelho.
—Papai também te ama, doce. Mas nunca mais mexa com uma tesoura grande. Você também ouviu, Ben?
—Ouvi.
—Reunião no banheiro?— Pepper surpreendeu-os —O que está acontecendo aqui?
—Nada.— Ben respondeu colocando o cacho de cabelo cortado na mão de Tony.
—Vocês estão bastante estranhos.— Pepper comentou.
—Não aconteceu nada.— Tony reiterou ao colocar Olivia no chão, ela pegou na mão de Benjamin e correu para fora do banheiro sem olhar para trás.
—Eu nem ganhei beijo.— Pepper disse ao vê-los sair do quarto.
—Ela está com medo que você note o cabelo dela.— Tony comentou ao mostrar o cacho ruivo em sua mão.
—Eu deixei a tesou aqui!— Pepper levou as mãos à boca —A etiqueta do meu vestido estava incomodando, eu a cortei, estava atrasada e...
—Esqueceu de colocar a tesoura no lugar.— disse Tony —Agora a presilha mágica vai ficar no cabelo dela até a mecha crescer.
*****
—Eu já pedi pra você me deixar conversar com ela sobre isso, a levo ao cabeleireiro e tudo se resolve.
—Não acredito que ela deixe alguém cortar mais o cabelo dela, a sua filha é geniosa demais, não sei a quem ela puxou.— ele disse e beijou os lábios de Pepper antes que ela tivesse tempo de replicar.
—Papai, a Liv...Uuuh, beijo.— Benjamin disse ao adentrar o quarto.
—O que eu já disse sobre bater antes de entrar?— Pepper perguntou enérgica.
—Desculpe.— ele bateu na porta algumas vezes.
—Engraçadinho.— Pepper estreitou os olhos —Qual é o problema com a sua irmã?
—Ela disse que não vai mais pra escola enquanto o cabelo dela não cres...— Benjamin parou de falar.
—A mamãe sabe, Ben.— Tony avisou ao seguir para o closet.
—Não era segredo?
—Era, mas a mamãe é muito esperta e descobriu o nosso segredo.— Tony disse —Vou me vestir e conversar com ela.
—Eu vou.— Pepper falou —Deixe o Ben na escola que nós duas vamos ao cabeleireiro.
—E a empresa?
—Estará lá quando eu voltar na segunda-feira.— Pepper disse ao deixar o quarto.
—Porque Olivia não vai pra escola e eu tenho que ir? Isso é injusto.— Benjamin fechou a cara e cruzou os braços ao ver Tony sair do closet fechando o zíper do jeans que escolhera.
—O mundo nem sempre é justo, amigo.— Tony disse ao vestir uma camiseta cinza sem estampa.
Quando Pepper adentrou o quarto de Olivia a pequena estava ajoelhada à poltrona olhando pela janela.
—Mamãe pode entrar?— Pepper perguntou —Precisamos conversar, mocinha.
—O Ben faz tudo errado eu pedi pra ele chamar o papai.— ela disse ao sentar.
—Ele chamou, mas o papai está ocupado agora ele vai levar o Ben pra escola.
—Eu vou poder falar na escola até...?
—Mamãe vai te mostrar uma coisa, depois nós vamos a um lugar. Vem comigo?— Pepper chamou.
—Não preciso tirar o uniforme antes?— a pequena perguntou, usava uma saia xadrez azul e uma camisa branca.
—Vamos só trocar essa camisa formal por uma camiseta.— Pepper abriu uma gaveta —Essa da Cinderela?
—É linda.— ela disse. Pepper ajudou Olivia a trocar a camiseta depois a levou para a suíte, ao chegar a colocou sentada em sua cama e foi ao closet, voltou alguns minutos depois com uma pequena caixinha preta bem antiga em sua mão —O que tem nessas caixinha?— Pepper não respondeu, sentou diante de Olivia e abriu o objeto revelando um cacho de cabelo ruivo preso a um laço branco —Papai mentiu pra mim, ele disse que não diria nada pra você, ele...Eu não queria cortar, mamãe, eu...
—Seu pai não me disse nada, e esse cabelo não é seu.— Pepper a interrompeu.
—Então de quem é?
—Meu.— Pepper respondeu —Quando a mamãe tinha uns seis anos, a sua avó...
—Vovó Emily?— Olivia perguntou, Emily e Richard Gilmore eram a única referência viva de avós que Benjamin e Olivia tinham.
—Não, vovó Abby, mãe da mamãe, lembra de quando contei a história dos pais da mamãe?
—Lembro.
—Então, a vovó Abby deixou uma tesoura sobre a mesa da cozinha e eu fui lá, peguei a tesoura e cortei o cabelo, um cacho bem aqui na frente.— Pepper falou.
—Eu achei a tesoura em cima da pia.— Olivia disse —Eu não queria cortar.
—Eu sei, meu amor.— Pepper disse ao afagar o rosto da pequena —Só que você não vai poder faltar na escola até seu cabelo crescer.
—Vai crescer logo, papai colocou uma presilha mágica.
—Papai sempre resolve tudo, mas você precisa ir pra escola pra cuidar do seu irmão, né?— Olivia assentiu —Então nós vamos ao cabeleireiro fazer franjas.
—Não sei se quero fazer isso.
—Mamãe já teve franja e é lindo.— Pepper pegou um tablet sobre a cômoda e buscou uma foto antiga dela —Olha.— mostrou a foto de alguns meses antes de casar-se com Tony —Vamos cortar o cabelo assim, nós duas?
—Nós duas?— Olivia pensou —Vamos!
—Você vai ficar linda de franja.— Pepper beijou o rosto dela, pegou sua mecha de cabelo e guardou na caixinha novamente.
—Queria guardar meu cabelo cortado numa caixinha também.— ela fez bico.
—O papai guardou.— Pepper disse ao mostrar uma caixinha preta nova que escondia, na verdade ela havia guardado —Que cor de laço você vai querer prender seu cabelo pra guardar pra sempre?
—Amarelo como a presilha mágica do papai.— Liv respondeu.
—Ok, então quando sairmos compraremos um laço amarelo.— Pepper sorriu —Agora vamos tomar café depois vamos cortar nossas franjas.
—Te amo, mamãe.— Olivia disse ao abraçar Pepper.
—Mamãe também te ama, princesa, muito.
Por volta das 11:30h Pepper e Olivia já tinha saído do cabeleireiro, almoçaram juntas e, como ambas não tinham nada o que fazer, decidiram partilhar de uma dia típico de meninas, foram à algumas lojas compraram roupas, sapatos e a fita amarela.
—Mamãe, posso falar com o Ben?— Olivia perguntou quando Pepper guardava as sacolas no carro, era a terceira vez que ela pedia.
—Seu irmão não vai poder falar com você, ele está na escola, esqueceu?
—Então me leva pra escola.— Olivia disse ao sentar-se ao assento de elevação no banco de trás.
—Meu amor, é quase uma da tarde, não dá mais tempo de ir para a escola, daqui a pouco seu irmão estará em casa.— Pepper disse ao certificar-se de que o cinto da garota estava preso.
—Nós vamos pra casa agora?
—Vamos...— Pepper respondeu ao vasculhar sua bolsa atrás de suas chaves, seu celular começou na bolsa ao pegá-lo viu que era Tony —É o papai—avisou —Oi, amor?
—Anjo, ligaram da escola do Ben, estão o levando pro centro clínico...
—O que aconteceu com ele, Tony, me diz que nada de grave aconteceu?— Pepper perguntou aflita.
—Mamãe me leva pra ver meu irmão...
—Não é nada grave, ele caiu do balanço, estou indo encontrá-lo...
—Encontro você em 15min.— Pepper disse antes de desligar.
Pepper sabia que poderia chegar ao centro clínico em menos tempo, mas Olivia estava no carro com ela, então não dirigiria tão rápido para não assustá-la. Ao chegar foi direto para o pronto-socorro infantil e logo encontrou Tony.
—Meu irmão está bem?— Olivia perguntou.
—Está, meu amor.— Tony disse ao pegá-la no colo.
—Como assim caiu do balanço, onde estava a recreadora a gente paga uma fortuna e ninguém cuida do meu filho?— Pepper dizia exaltada.
—Anjo, é um recreador para cada 4 crianças nem em casa nós temos uma babá pra cada um deles.— Tony a acalmava —Ele podia ter caído em casa.
—Absurdo. Nós não temos um balanço em casa.— ela rebateu.
—Podia ter acontecido no Rhodey, na Lauren, na escada de casa.
—Tá!— disse impaciente —Como ele está?
—Bem, medicado, ele caiu sobre o braço sofreu uma luxação. Talvez precise imobilizar.— ele informou.
—Imobilizar o Benjamin?— ela riu nervosa —Quero ver como.
—Se precisar imobilizar não vai ter outro jeito, oras. — Tony falou.
—Posso ver o Ben?— Olivia perguntou.
—Daqui a pouco, meu amor, o médico está com ele agora.— Tony informou.
—O Robert?
—E uma ortopedista.— os três se sentaram num banco e aguardaram por notícias, até que Robert surgiu —E então, Dr Chase?
—Ele sofreu uma fissura no osso um pouco acima do punho. Duas semanas de imobilização.— Chase informou.
—Duas semanas?— Pepper perguntou.
—Se não fosse o Benjamin, seria uma só, mas a gente sabe que ele não para. Duas semanas pra garantir.— disse Chase.
—Posso ver o meu irmão agora?
—Pode.— Robert autorizou —Vocês também.— disse para Tony e Pepper.
—Ei, irmã, seu cabelo está lindo.— Benjamin sorriu para Olivia, ele estava sentado na maca, com um sorriso enorme no rosto, nem parecia abalado.
—E o seu braço está quebrado.— Liv replicou —Seu mão-mole. Bem que a mamãe falou que eu precisava ir pra escola pra cuidar de você. Está doendo?— perguntou ao subir numa cadeira ao lado da maca e sentar-se ao lado do irmão.
—Onde ela aprendeu o termo mão-mole?— Pepper perguntou para Tony.
—Como eu vou saber?— Tony defendeu-se, certo de que precisava maneira seu linguajar ao lidar com os robôs na oficina.
—Não está doendo.— Benjamin respondeu.
—Você será o responsável por todos os cabelos brancos que nascerão na minha cabeça, Benjamin Anthony, semanas atrás foi o joelho esfolado...
—Amor, o joelho foi a Liv, lembra, ela não queria que ninguém a segurasse durante a patinação no gelo.— Tony lembrou.
—Minha sanidade se esvaindo e meus cabelos ficando brancos.— Pepper comentou.
—Seu cabelo não é branco, mamãe, é lindo.— Olivia disse.
—Já posso ir pra casa?— Benjamin perguntou para o Dr Chase.
—Pode, mas lembre-se do que nós conversamos sobre manter o braço na tipoia.— quem falou com Benjamin foi a ortopedista, Dra Chloe Hathaway, ela era negra, jovem, tinha os cabelos cacheados e olhos castanhos.
—Lembro.— ele revirou os olhos.
—Quer ajuda pra descer?— a médica perguntou, Benjamin assentiu, ela colocou-o no chão —O Dr Chase vai receitar um remédio pra dor, pra ajudar nas primeiras noites, até ele se acostumar com a tala.— a Dra informou para Tony e Pepper.
—O bom de se machucar nessa idade é que aos 15 será como se ele nunca tivesse se machucado.— Robert comentou —É isso, ele está de alta. Pode ir pra casa, Ben.
—Não vou ganhar um doce, Dra bonita?— sempre após as consultas pediátricas Benjamin ganhava um pirulito.
—Não sou eu quem dá doces, Benjamin, converse com o Dr Robert. Mas obrigada pelo bonita.— a Dra sorriu.
—Não me machuquei, mas também quero.
—Tem para os dois.— Chase disse ao tirar os doces do bolso do jaleco.
—Os dentistas o amam.— a Dra Hathaway ironizou.
Os quatro deixavam o hospital, ao chegarem ao estacionamento o carro de Tony não estava lá.
—Vim de armadura.— ele esclareceu —Precisava chegar rápido.— encolheu os ombros.
—Quero voltar pra casa voando.— Benjamin animou-se.
—Eu também!
—Papai já mandou a armadura embora, vamos todos de carona com a mamãe.
—Que chato.— Benjamin reclamou.
As crianças embarcaram no carro, Pepper assumiu a direção e Tony sentou-se ao banco do carona. Quando saíam da farmácia após comprar o remédio para Benjamin, Olivia se encantou com um cachorro para doação, era o único dentro de uma caixa de papelão esquecida no estacionamento.
—Vem aqui, vem?— ela estalou os dedos e o cachorro ficou em pé, ao apoiar as patas na beirada da caixa ela virou sobre ele, fazendo a menina gargalhar, então ela ajudou o cachorrinho —Podemos ficar com ele?
—Não.— Tony respondeu —É um cachorro de rua.
—Vamos dar uma casa pra ele. Por favorzinho, papai.
—Nem pensar, Olivia Grace.— Tony disse duramente —A gente nem sabe se ele vai crescer e quanto. E se ele tiver alguma doença? Ele está sujo...
—A gente dá banho nele, dá remédio, por favor, papai. A Emma tem a Tink você me prometeu, um cachorro.
—Eu não sabia de promessa alguma, mas se você prometeu.— Pepper intrometeu-se.
—Não me lembro de ter prometido nada.— Tony defendeu-se.
—Eu lembro.— Benjamin manifestou-se —Se ele não for menina eu quero.
—Se for menino eu não quero mais.— Olivia cruzou os braços —Mamãe, é menino ou menina?
—Não sei, amor, mamãe não entende nada disso, precisamos levá-lo a um veterinário.— Pepper respondeu.
—Pep, se nós sairmos daqui com esse vira-latas dificilmente conseguiremos nos livrar dele.
—Quem disse que eu quero me livrar dele? Ele é bonitinho.— Pepper agachou ao lado da caixa e começou a brincar com o cachorro também.
—Vocês querem um cachorro?— Tony perguntou —A gente compra um, vacinado, com pedigree. Não de rua.
—Ele não é de rua é de caixa.— Benjamin replicou.
Os três Stark pró-cachorro passaram alguns minutos tentado convencer Tony e, no fim, a maioria venceu. Levaram o cachorro a um veterinário e descobriram que se tratava de um menino, já não fazia mais diferença para Olivia, ele tomou algumas vacinas por precaução e finalmente foi adotado. Passaram num pet-shop o cachorro tomou banho, ganhou brinquedos, comida e uma cama. Enfim, retomaram o caminho de casa novamente.
—Você ficou linda com essa franja, estou pra te dizer isso desde o hospital.— quando as crianças deixaram a sala Tony serviu-se de uma dose de uísque bebida num gole só.
—Obrigada.— agradeceu ao sentar-se ao sofá.
—Mas não é porque você está linda que eu vou pegar leve, você vai ajudá-los a cuidar desse bicho.— Tony disse ao sentar-se também.
—Você também.— Pepper contrapôs —Eu jamais os privaria disso, Tony, eles vivem em meio essa tecnologia toda, conversam com um sistema de inteligência artificial como se fosse a coisa mais normal do mundo.
—É normal...
—Mas eles são crianças, e precisam ter experiências como essa também, cuidar de um animal de estimação já confere a primeira responsabilidade da vida deles. Vai fazer bem pro desenvolvimento deles.
—A gente já colocou a cama do cachorro na área de serviço.— Benjamin avisou.
Pepper levantou uma sobrancelha ao encarar Tony como quem diz “Vê, eles já estão tomando as rédeas da situação”—Com uma mão só?— perguntou vendo as crianças voltarem para sala sendo seguidas pelo cachorro.
—Jud, ajudou. E a Martha disse que a gente vai ter que ensinar ele a fazer xixi lá fora.— ele respondeu.
—Xixi e cocô.— Olivia reiterou —E a gente vai passear com ele também, Jud disse que leva.
—Ótimo, quando a Jud não estiver mamãe leva— disse Pepper —Precisamos escolher um nome pra ele, que tal Totó, como o cachorro da Dorothy?
—Não. Cachorro de caixa Stark— Benjamin disse.
—Muito grande.— Pepper deu risada, Tony torceu o nariz.
—Bob!— Olivia sugeriu —Bob, late! Dá a mão! Bob, late! Deita!— dava ordens para o cachorro e ele nem se mexia, o único comando obedecido foi o de deitar.
—Uau, esse cachorro sabe tanta coisa.— Tony ironizou —Tão esperto que o nome dele deveria ser Google.
—Eu gosto.— disse Pepper.
—Eu também.— Benjamin disse —Google, em pé! Late! Deita!— o cachorro curiosamente obedeceu.
—Ele gostou também, não é?— Liv segurou o rosto do cachorro entre as mãos —Não é, Google fofinho. Tão fofinho e cheiroso.
—Pelo menos ele é dócil.— Pepper observou, Google ainda era um filhote, seu pelo era amarelado, segundo o veterinário era mistura de várias raças, e por isso talvez não crescesse tanto —Parabéns, amor, você batizou o cachorro.
—Mamãe quero falar com a Emma e dizer que agora eu tenho um cachorro.— Olivia disse animada enquanto brincava com Google.
—Preciso avisar pra minha dinda que eu machuquei o braço.— disse Ben —E depois quero contar pro Samy que nós temos um cachorro.
—Mamãe vai ligar pras dindas e convidá-las pra jantar. Então vocês contam todas as novidades.— Pepper avisou e as crianças comemoraram.
As sete da noite a mansão Stark estava cheia, Benjamin era paparicado por Lauren enquanto as crianças brincavam com o cachorro no jardim sob a supervisão de Tony, Rhodes e Paolo.
—...Então, na saída da farmácia encontramos o Google.— ele contava sentado ao colo da madrinha.
—E o braço, príncipe, dói?— Lauren perguntou.
—Já disse que não, dinda, posso ir agora?— Benjamin não via a hora que Lauren o soltasse para que ela também pudesse ir brincar, então ela o soltou.
—Tudo foi comentado, menos os cortes de cabelo novos.— Carol assuntou.
—Isso é uma longa história...— Pepper começou —...E a solução que eu encontrei foi essa.
—Boa solução a sua, mas a do Tony era tão fofa.— Lauren comentou.
—A Liv está linda de franjinha, estava muito ruim antes?— Carol quis saber.
—Eu só consegui ver o estrago quando tirei a presilha no cabeleireiro, estava estranho, eu diria.— Pepper respondeu —Mas mudando de assunto, sabe aquela história e que gêmeos tem uma conexão estranha, que eles pressentem quando algo acontece?— as mulheres aquiesceram —Pouco antes de o Tony me ligar falando sobre o acidente do Ben, a Liv ficou inquieta querendo vê-lo e falar com ele, fui surreal.
Pepper ficou conversando com as amigas por muito tempo, até que o jantar foi servido. Google ficou sentado todo o tempo num cantinho na sala de jantar até que as atenções fossem dedicadas a ele novamente. Após a refeição as crianças queriam brincar mais, mas suas mães as convenceram de que já era tarde.
—Mamãe posso voltar pra brincar?— Samuel perguntou para Carol.
—Se a dinda e o padrinho deixarem.
—Deixa dinda?— Pepper assentiu —Deixa padrinho?— Tony também concordou —Oba!— Samy comemorou.
—Quero também, posso?— Emma perguntou.
—Todo mundo pode.— Tony disse.
—Só que antes de vocês virem pra cá, não esqueçam que tem um cachorro pra ser cuidado em casa também.— Paolo disse para as filhas.
—A gente pode trazer a Tink?— Cecilia perguntou.
—Nem...
—Outro dia, meu doce.— Pepper cortou Tony antes que ele fosse indelicado —O Google acabou de chegar e ele precisa se acostumar com a casa antes de receber amigos.
—Amor, vamos, preciso deitar pra ver se sua filha para de me chutar.— Carol disse apoiando as mãos na barriga.
—Vamos, Sam, sua mãe precisa descansar.— Rhodes disse.
—Quanto tempo ainda falta?— Lauren perguntou.
—Oito semanas.— Carol respondeu —E ela não para.
—Alicia, para de chutar minha dinda ou você não vai brincar com o Google quando sair daí.— Olivia falou segurando dos lados da barriga de Carol.
—Nem sempre ela chuta, meu amor, às vezes ela só se mexe.— Carol disse —Mas a dinda precisa mesmo ir descansar agora. Vou ganhar um beijo de boa noite?
—Boa noite, dinda.— Olivia beijou o rosto de Carol e aproveitou para despedir-se de todos os outros.
—Boa noite, campeão, toma cuidado com esse braço, hein?— Paolo disse para Benjamin.
—Vou tomar, padrinho.— Bem respondeu —Boa noite, dinda.
—Amanhã posso vir também?— Lauren perguntou.
—Até você quer brincar com o cachorro?— Tony brincou.
—É que eu não tenho nada pra fazer em casa amanhã, e talvez não fazer nada aqui seja mais divertido.— ela respondeu.
—Você está intimada a vir.— disse Pepper —A babá não fica aos finais de semana, esqueceu?
—Pedindo assim com jeitinho.— a morena sorriu.
As visitas foram embora, ficaram os Stark e o cachorro —São quase dez horas, banho e cama.— Pepper disse para os pequenos —Mamãe está exausta, papai está cansado, é hora de dormir.
—O Google vai dormir no meu quarto.— Benjamin disse.
—O Google vai dormir onde vocês colocaram a cama dele.— Pepper replicou.
—Na área de serviço, sozinho? Mas ele é só um bebezinho. Deixa ele dormir no meu quarto?— Olivia pediu.
—No meu!
—No me...
—Vamos colocar a cama dele no corredor, tá? Entre um quarto e outro.— Tony disse impaciente.
—Bem que a mamãe disse que você resolve tudo.— Olivia disse ao abraçar Tony pela cintura.
As crianças tomaram banho, e enquanto Tony estava no quarto de Benjamin, Pepper estava com Olivia, eles haviam acabado de trocar.
—Boa noite, amigão.— disse ao beijar a testa do pequeno e levantar da cama.
—Papai?— Ben chamou antes que Tony deixasse o quarto —A gente pode pintar a minha luva de vermelho e colocar uma luzinha?— luva foi o nome que Benjamin deu para a tala em seu braço. Tony riu.
—Amanhã o papai vê o que pode ser feito, tudo bem? Agora durma.— ele respondeu antes de sair do quarto deixando a porta entreaberta.
—Boa noite, mamãe, você ficou linda de franja.— Olivia disse para Pepper.
—Você também ficou, princesa, boa noite.— Pepper beijou-a na testa.
—Beijo de esquimó, mamãe, papai me deu beijo de esquimó.— Olivia pediu e Pepper roçou seu nariz ao dela.
—Que dia.— Pepper disse ao sair do quarto de Olivia e encontrar Tony parado ao lado da porta —Às vezes eu entendo o fato da Sarah ter abandonado a carreira pra viver em função dos meninos, ter filhos é uma aventura.
—E é rotina.— Tony comentou.
—Realmente, a gente pode se desdobrar durante o dia, mas as noites e a maioria das manhãs são iguais.
—Saldo do dia: cabelo cortado, braço quebrado e um pulguento.
—Ele é fofinho, certeza que você logo gostará dele.— Pepper disse —Vamos dormir, o dia vai ser longo amanhã.— ela entrelaçou seu dedos ao dele.
—Dormir?— perguntou desconsolado.
—Amor, estou cansada.— deu-lhe um beijo suave —Muito cansada, querendo colo eu diria.
—Se eu te levar no colo até o quarto você me dedica 20min?
—40— ela respondeu e ele a pegou nos braços, Pepper envolveu seus braços ao redor do pescoço dele e deu-lhe um beijo.
—Adoro barganhar com você.—Tony disse e ela sorriu.
Tony seguiu com Pepper em seus braços em direção à suíte, ao passar por Google constatou que ele já dormia. —Cachorro preguiçoso— Pepper pensou.
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