Do Singular Ao Plural
3 Cotidiano
Notas iniciais
Obrigada pelos comentários no capítulo anterior.
Beijo pra Morgana pq só hoje me dei conta que foi ela quem postou o primeiro comentário da história, e para de tentar me arrancar spoiler, guria. Hahahaha.
Já trouxe eles de de volta pra realidade pq se eu fosse ficar narrando lua de mel, seria um saco eu acho.
Espero que vcs gostem.
Tony e Pepper estavam de volta a Malibu. Dormiam, dividiam a mesma cama, não era nenhuma novidade, faziam isso há meses, mas agora era diferente, estavam casados, estavam em casa. Pepper despertou e mexeu-se devagar, não queria acordá-lo, deitada com a cabeça sobre o peito dele o admirava, sua expressão era serena, durante todo o tempo de relacionamento sabia de cor as manhãs que o viu calmo e despreocupado, assistir uma pessoa tão inquieta em repouso era fascinante, ele era ainda mais bonito dormindo. Devagar, afastou o braço forte que envolvia a sua cintura, e escorregou para fora da cama. Tony abriu os olhos e a viu caminhar na ponta dos pés para o banheiro.
Pepper tomou um banho longo. Foi ao closet, escolheu uma calça branca, uma blusa de seda também branca com estampas geométricas, que seria sobreposta com um blazer da mesma cor da calça e sandálias altas, maquiou-se e arrumou os cabelos. Estava pronta para voltar ao trabalho, acreditava que Tony ainda dormia, chegou perto para dar-lhe um beijo antes de sair, ao debruçar sobre ele foi jogada contra a cama.
—Tony!— o repreendeu.
—Ia sair sem se despedir? Que coisa feia.
—Iria me despedir, faria isso se não estivesse debaixo de você agora. Vai amassar a minha roupa.— rebateu.
—Você precisa trabalhar mesmo?— encurralava-a mantendo as mãos espalmadas sobre o colchão, pairava sobre ela.
—Claro que preciso, conversamos sobre isso ontem, são quase três meses longe do trabalho, nós voltamos há uma semana, e eu não dei as caras na empresa, no entanto, o meu rosto já foi estampado em dezenas de jornais e revistas.
No dia seguinte a sua volta, decidiram jantar fora, na saída do restaurante, havia inúmeros jornalistas e paparazzi o questionamento deles era: Quando o Homem de Ferro retornará? Tony respondeu que não fazia ideia, queria aproveitar os primeiros meses de casamento. E então, como já era de se esperar, no dia seguinte eles estavam em todas as revistas. Todos os meios de comunicação especulavam sobre como e onde havia sido celebrada a união deles. Claro, eles não revelaram.
—Engraçado, você não ficou nervosinha por ser capa da Forbes meses atrás.— provocou beijando-lhe o pescoço.
—Eu não estou nervosinha.— rolou ficando por cima dele —Mas já que você tocou no assunto, fui capa da Forbes por causa do meu trabalho, pelos rumos que a empresa vem tendo durante a minha gestão, é uma publicação séria. Agora somos capa de revistas de fofoca, especulação da vida alheia, culpa disso.— moveu os dedos da mão esquerda diante dele.
—Bonita aliança, seu marido tem muito bom gosto.— ele brincou.
—Meu marido é um sacana que finge dormir pra me espiar trocar de roupa e quer que eu viva atrelada a ele sobre esta cama.— ela rebateu.
—Só mais hoje, amanhã voltamos ao trabalho, você volta para a empresa e eu para o meus projetos.— disse deslizando as mãos nas pernas dela.
—Que projetos?— afastou as mãos dele e sentou-se.
—Ideias que andei tendo. Nada com o que você deva se preocupar.— sentou-se ao lado dela.
—Já estou preocupada.
—À toa.— afastou os cabelos do pescoço dela e beijou a pele alva —Humm, esse perfume é novo? Francês, aposto.
—Detesto quando você tenta me distrair.— levantou da cama e sentou-se na poltrona.
—Não precisa ficar aflita, a gente conversa quando você voltar para casa.
—Você não está me escondendo nada, está?
—Não, amor.— levantou da cama e caminhou até onde ela estava sentada, Tony vestia apenas a calça do pijama —São ideias, divagações, antes que eu tome qualquer posição você saberá do que se trata.— afirmou a tomando pela mão. Pepper se levantou, ele serpenteou os braços ao redor dela e beijou-lhe os cabelos.
—Olha você me distraindo novamente.— disse ao se desvencilhar —Nos vemos no final da tarde.— deu-lhe um beijo suave nos lábios.
—Pep, fica em casa só hoje, à tarde podemos ver como estão as obras da mansão e...
—Nós fomos lá semana passada, o que pode ter mudado em uma semana? Qual é o problema, Tony?
—Eu acho estranho ficar aqui no seu apartamento sozinho.— enfim ele confessou.
—Então é isso, você não se sente a vontade aqui? Falta quase um mês pra obra da mansão ser concluída, eu não posso ficar todo esse tempo fora da empresa, Tony.— ela franziu o cenho —Se você não queria vir morar aqui devia ter me contado, e não ficado esticando a nossa viagem com o intuito de que quando chegássemos a sua casa estivesse pronta e mobiliada a sua espera.— nervosa caminhava a passos largos para fora do quarto.
—Nossa casa.— falou indo no encalço dela —E, quanto ao esticar a viagem,...aposto que dezenas de mulheres achariam muito romântico comemorar o primeiro mês de casamento em Paris, mas eu casei com uma workaholic.— soou crítico.
—Você está distorcendo os fatos. Eu amei passar o nosso primeiro mês longe da rotina, cada semana num país diferente, mas agora que eu sei o motivo disso acho patético.
—Se querer ficar ao lado da minha esposa sem me preocupar com problemas coorporativos é patético, então eu sou patético.— deu de ombros —Eu só queria voltar pra casa, nossa casa.
—Mas nós não podemos nos mudar durante as obras.— replicou.
—Amadorismo dizer o nosso endereço em rede nacional, não fosse isso...
—Sinceramente, você acredita mesmo que o ataque à mansão aconteceu por você ter dado o endereço durante aquela entrevista intempestiva? Ora, por favor, você é Tony Stark, o Homem de Ferro, sua casa já foi mais frequentada do que a Disney.— ironizou —O fato de o ataque ter ocorrido depois da entrevista foi mera coincidência a meu ver.
—Talvez.— observou, não debateu sobre a critica velada que ela fez, sabia que Pepper se referia as inúmeras festas promovidas nos tempos de farra.
—Se você fazia questão de que quando voltássemos nos instalássemos num lugar grande e cheio de pompa devia ter alugado uma mansão, comprado outra, sei lá. Você sabia onde eu morava quando eu sugeri que ficássemos aqui.
—Eu não queria que você achasse que eu estava desdenhando do seu apartamento.
—Nossa, não estou achando isso agora.— mais uma vez usou de sarcasmo. Pepper estava na cozinha, programava a cafeteira, estava decidida a sair sem tomar café, para evitar fazer qualquer barulho e acordá-lo, mas agora ele estava em pé, resolveu comer algo antes de deixar o apartamento. Livrou-se do blazer e o colocou no encosto de uma banqueta. —Aliás, você teria outras propriedades se não as tivesse doado tudo quando achou que morreria envenenado por paládio.
—Filantropia, eu não precisava daquelas casas— ele disse —Amor, olha pra mim.— a contragosto ela maneou a cabeça na direção dele —Eu não disse que não gosto do seu apartamento, não reclamei do tamanho dele ou da simplicidade, já fiquei aqui com você várias vezes, já estive com você num apartamento menor que esse. Eu só não estou acostumado com o ambiente e quando você está comigo não me sinto deslocado.— ele foi até o armário e pegou as canecas, colocou-as ao lado da cafeteira —Você entende o que eu quero dizer?
—Entendo...
—Que ótimo.— ele disse.
—Entendo que isso deve ser saudade do Jarvis.— ela riu enquanto colocava as fatias de pão na torradeira —Saudade daquela atmosfera tecnológica. Um mês, amor, e quando você se der conta estará novamente na sua oficina fazendo sabe-se lá o quê.— soou compreensiva. Pepper despejou o café nas canecas e deu um gole no líquido fumegante, depois pegou as torradas e lambuzou-as com geleia de damasco. Sentou-se à bancada e tomou o café ao lado de Tony, o compreendia, mas ele também deveria entendê-la. —Você podia vir comigo, dar uma olhada no setor de desenvolvimento, talvez você possa dar início a esse seu projeto na empresa.
—Por isso agora?— ele perguntou limpando a boca.
—Estou me sentindo culpada em deixar você sozinho.
—Não ficarei em casa, já que você vai sair eu vou ligar para o Rhodes, talvez eu vá até a base.
—Isso tem a ver com as suas ideias secretas?
—Em parte, mas você saberá.
—Depois do Rhodes, pelo jeito.— ela disse e Tony sorriu sem graça —Bem, passa das oito.— disse olhando ao relógio em seu pulso —Deixe-me ir encarar os acionistas que me amam tanto, com certeza eles me lançarão aquele olhar de “Você conseguiu o que queria”.— fez uma voz gutural, Pepper brincava com a situação, pois sabia que para alguns acionistas sua ascensão na empresa ainda era mal vista, por mais que já tivesse dado inúmeras provas de sua competência.
—Não sabia que você ainda vivia em guerra com os acionistas.
—Não vivemos.— ela garantiu —Mas alguns deles ainda gostam de ser do contra, sabe como é?— foi ao escritório, voltando depois de algum tempo com sua bolsa —E eu não quero agradar todo mundo, quando você agrada a todos alguma coisa está fazendo de errado. Ninguém bem sucedido é unanimidade.
—Essa sua postura séria e seu ar inteligente são tão excitantes.
Pepper fingiu ignorar o comentário dele, colocou sua bolsa sobre a bancada, pegou seu blazer, o vestiu, lentamente passou as mãos pelo corpo alinhando a roupa —O que foi?— perguntou.
—Estava prestando atenção, não sei se gosto disso de usar terninhos, gosto das suas pernas expostas.— soou lascivo.
—Acostume-se, trouxe alguns da viagem.— ela disse —Achei que fosse a minha inteligência que te excitasse, não as minhas pernas.
—É o conjunto da obra.— deu um sorriso travesso.
—Até mais tarde.— segurou o rosto dele entre as mãos e deu-lhe um beijo —Não dá pra viver disso que com certeza você está pensando agora. Alguém precisa trabalhar pra garantir o leite das crianças.— ela gracejou.
—Crianças?— ele empalideceu.
—Se continuarmos nesse ritmo elas não demorarão muito.— provocou e ele ainda permanecia sem reação —Você devia ver a sua cara agora.— ela riu —Não há criança alguma, não haverá tão cedo.— disse para acalmá-lo, e então Pepper percebeu que por mais que, eventualmente, tocassem nesse assunto, Tony jamais estaria preparado para ser pai. —Era brincadeira, Tony, pílula, método contraceptivo, já ouviu falar?— impaciente estalava os dedos diante dele.
—E aquilo de esperar dois anos?— ele perguntou como quem acorda de um transe.
—Eu disse isso há quase um ano.— ela caminhou em direção à porta.
Pepper saiu descontente e deixou Tony sozinho, ele percebeu que a conversa matinal foi um tanto desagradável, mas teria o dia todo para pensar no assunto e ela também, no entanto, sabia que precisavam entrar num consenso. Ele logo ligou para Rhodes para combinar a sua ida a base, depois de desligar o telefone seguiu para o banheiro, precisava de um banho, pensar na vida e acordar de fato.
(...)
Pepper não demorou a chegar à empresa, ao passar pelo saguão percebeu os olhares curiosos, o burburinho entre os funcionários era notório, então teve a certeza de que todos estavam em dia com a leitura dos tabloides, era mesma reação de quando o romance dela com Tony foi revelado. Entrou no elevador e seguiu para o andar da presidência, ao sair no hall logo foi vista pela secretária que caminhou em sua direção.
—Bom dia, Srta...desculpe, Sra Stark.— Miranda sorriu.
—Bom dia, Miranda.— Pepper sorriu em retorno —Acredite, é estranho para mim também.
—Fiquei muito feliz ao saber, eu tenho um carinho enorme pelo Sr Stark, o conheço há anos, e é gratificante saber que ele seguirá a vida ao lado de uma mulher como a Sra.— as palavras sinceras da secretária fizeram Pepper sorrir, Miranda estava na empresa há muito tempo, era uma das poucas funcionárias que nutriam um sentimento genuíno por Tony.
—Obrigada, Miranda, tudo aconteceu tão de repente. Mas saiba que se nós tivéssemos nos casado aqui faríamos questão da sua presença.— respondeu com sinceridade. Pepper adentrou a sua sala, estranhou o fato dela estar desocupada, afinal, havia deixado Richard Gilmore como presidente interino durante as suas longas férias. —Onde está o Sr Gilmore?— Pepper perguntou.
—O Sr Gilmore está no andar dos acionistas, e Lorelai está o assessorando.— disse a mulher —Ele esteve todos esses meses dirigindo a empresa de sua mesma sala.— informou a secretária.
—Por favor, avise-o de que eu estou na empresa, peça que ele venha até aqui.— disse Pepper, Miranda aquiesceu e deixou a sala.
Pepper se surpreendeu com a postura de Richard Gilmore. Se fosse qualquer outro acionista faria questão de ocupar a sala da presidência mesmo que fossem por alguns dias, mas Richard não agiu dessa forma. O homem não demorou a adentrar a sala de Pepper, trajado de maneira sóbria como sempre, era um homem alto e grisalho, no auge dos seus 56 anos.
—Que saudade da minha chefe favorita.— Lorelai disse antes que Richard dissesse qualquer coisa.
Pepper também estava com saudade da vivacidade de sua assistente, Lorelai vestia tailleurs sóbrios, era dedicada a sua função, mas nunca deixou de ser a garota impetuosa que conhecera num jantar de negócios há alguns anos. A garota foi até Pepper a abraçou demoradamente.
—Você não pode dizer que prefere a mim na frente do seu pai, ele pode ficar chateado.— Pepper brincou.
—Eu já disse isso a ele, não via a hora de você voltar. Ele exige demais de mim.— disse a garota.
—Eu pego leve com você então?— Pepper arqueou uma sobrancelha.
—Não é isso, é que ele...— apontou para Gilmore —...é meu pai, as coisas são diferentes.— explicou a moça —Sabe o que é chegar em casa na sexta-feira achando que terá o final de semana livre e no dia seguinte seu chefe te pedir pra fazer algo fora do seu horário de trabalho?— Lorelai perguntou, claro que Pepper sabia, afinal, ela foi assistente de Tony Stark. —Mas então, casamento?— mudou de assunto —Uau! Quero ver as fotos— a moça mostrou-se empolgada.
—Srta Gilmore, conversamos sobre isso depois das 17h.— Pepper disse seriamente.
—Ok, depois do expediente. Entendi, chefe.— Lorelai respondeu —Estarei em minha mesa lá fora, podem me solicitar caso seja necessário, Sra Stark— sorriu —Sr Gilmore.— acenou com seriedade e deixou a sala.
—Eu não sei como você a aguenta.— disse Richard —Não fique acanhada em demiti-la por ela ser minha filha.
—Ela é adorável e muito prestativa, pode não parecer, mas ela sabe a hora de falar sério e a hora de descontrair. Eu também estava com saudades, dela, de você, de tudo isso, aliás.— Pepper sentou-se e fez sinal para que Richard sentasse na cadeira a sua frente.
—Vocês precisavam mesmo espairecer depois de tudo, mas...casamento...uau.— usou a mesma expressão da filha.
—Uau!— Pepper exclamou —Fui pega de surpresa também, a diferença é que eu estava lá.
—Mas vocês fizeram bem em não expor esse momento, já é difícil manter a relação longe dos holofotes...e...bem...Parabéns pelo casamento, estou assuntando tanto quanto a Lorelai.— Pepper sorriu da observação —Mas antes de falarmos sobre trabalho já a deixarei de sobreaviso, com certeza, Emily quererá oferecer um jantar para vocês.
—Eu adoraria, direi ao Tony, aguardaremos o convite formal.
—Agora, deixe-me colocá-la a par de tudo o que ocorreu na sua ausência, Pepper assentiu, sabendo que o seu dia seria longo.
(...)
Passava das 16h, Tony ainda estava na base da Força Aérea, chegou no meio de um treinamento que Rhodes dava aos novos oficiais, por isso teve que aguardar, infiltrou-se e participou do treinamento. Ouviu informações importantíssimas, atitudes que os oficias devem desempenhar durante o combate, para garantir o sucesso nas missões e manterem-se seguros ao mesmo tempo.
—Por hoje é tudo.— Rhodes disse aos oficiais que bateram continência e deixaram o local —E então, o que me conta?— Rhodes perguntou a Tony.
—Nada de novo.— Tony respondeu.
—Você não viria aqui por nada.— Rhodes replicou, o conhecia bem —Voltou das férias, está revigorado, já começou a projetar novas armaduras? Ainda não acredito que você destruiu todas elas. Quando você retomará as missões?
—Ei, ei, ei, uma coisa de cada vez. Não posso fazer nada enquanto não tiver a minha oficina montada novamente.— sentou-se numa cadeira.
—E o seu laboratório na empresa?
—Eu prefiro trabalhar em casa, mas não sei quando retomo os projetos de armaduras, se retomar...
—Se retomar?— Rhodes perguntou perplexo —Tony você é o homem de ferro, não pode sair de cena assim.
—Eu sei o que eu sou Rhodey, e sei o que eu posso...
—Tá, e o que você fará agora? O que você fará quando voltar para a mansão, sentará numa espreguiçadeira e ficará olhando o mar? Você é muito novo pra se aposentar.
—Eu não vou me aposentar, só mudarei o meu campo de trabalho.— respondeu vagamente.
—E qual será esse campo de trabalho?
—Biotecnologia,...o extremis...
—Não diga mais nada, eu vi o que esse vírus faz quando o corpo de alguém o rejeita...
—Eu estabilizei o vírus ao extraí-lo do corpo da Pepper, não é mais nocivo, pode ser usado para o bem.
—Como assim?
—É um vírus de regeneração celular, Rhodey, acelera o processo de cura, potencializa as capacidades físicas e motoras do indivíduo, foi aplicado em mim durante a cirurgia de retirada do reator, lembra?
—O que eu,...o que o exército tem a ver com isso?
—Você é o Patriota de Ferro, a minha ponte com as forças armadas, eu quero usar o extremis a favor de vocês, não em soldados saudáveis, mas naqueles que retornam dos campos de batalha feridos, inválidos...
—Você diz reconstrução de membros?
—Não, isso seria exagero, mas não é algo que eu possa descartar. Porém, a princípio estou pensando nos soldados lesionados que precisam recorrer à fisioterapia depois de traumas. Quantos soldados você já viu retornar sem conseguir mexer as pernas, que tinham todos os membros, mas não conseguiam mais movê-los?
—Vários nesses anos todos.— disse Rhodes.
—São esses que eu quero ajudar. Esses homens sem perspectiva, que ficam amargurados e acabam descontando as suas frustrações nas suas famílias.
—Isso é tudo muito interessante, mas se as pessoas souberem o que o extremis fez com você...
—Ninguém conseguirá controlar tecnologia como eu, Rhodey, como eu disse ele potencializa as funções do indivíduo que recebe o soro. Eu sou capaz de controlar qualquer aparelho eletrônico porque havia implantado os microchips para interagir com as armaduras.
—Mas é bom que ninguém desconfie das suas capacidades.— disse Rhodes.
—Serão doses homeopáticas, ninguém se transformará num super soldado.— Tony explicou.
—Caso eu apoie você, disse caso, é necessário elaborar uma apresentação para o alto escalão das Forças Armadas e do governo. Talvez você tenha que ir a Washington...
—Adoro Washington.— disse animado.
—Posso ajudar você.— Rhodes sorriu —Pensou nisso tudo durante a sua lua de mel? Não deve ter sido muito animada.— Rhodes zombou.
—Não que interesse a você, mas a minha lua de mel foi muito animada.— ele respondeu —Pensei nisso tudo nas últimas 24h, quando tive certeza de que não conseguiria mais manter a Pepper longe da empresa. Por falar nisso, vou buscá-la.
—Tony, são quase 18h, a Pepper já deve estar em casa.
—Você não conhece a minha esposa, meu amigo. Se eu não for buscá-la não a verei tão cedo.
—Já não estranho mais ouvir você dizer ‘minha esposa’, daqui a algum tempo você estará dizendo ‘meu filho’.— Rhodes provocou.
—Até você? Casamento é sinônimo de crianças? Sexo depois do casamento não é só para procriação não.— mostrou-se irritado.
—Pelo jeito o assunto é tabu, mas eu estava só brincando.
—Vocês estão sempre brincando quando tocam nesse assunto. Não estou dizendo que eu não quero, mas é cedo, acabamos de casar, temos que curtir um ao outro antes de adicionar alguém.— mostrava-se inquieto.
—Tenho certeza que a Pepper concorda com você, mas se você reagir da maneira que reagiu agora quando ela tocar no assunto, ela ficará magoada.— disse Rhodes.
—Ok, Rhodey, obrigada pelos conselhos, pela conversa. Eu vou preparar a apresentação e depois mostro para você.— apertou a mão do amigo.
—Vou aguardar.— Rhodes respondeu antes que Tony sumisse de seu campo de visão.
(...)
Tony saiu do elevador no andar da presidência nas Indústrias Stark, o hall estava vazio, o corredor estava apagado, no entanto a região próxima à sala de Pepper estava iluminada, sinal de que ela ainda estava lá. Ao parar na porta a viu concentrada, bateu na porta.
—Já estou de saída, Sr Lopez.— disse sem tirar os olhos de sua mesa.
—Sr Lopez seria...?
—O moço da limpeza, ele já veio aqui algumas vezes.— ao reconhecer a voz de Tony, Pepper voltou a sua atenção para a porta —Eu só estava vendo esses últimos documentos, e...acabei.— levantou de sua cadeira.
—Como foi o seu dia?— perguntou a caminho da mesa dela.
—Cansativo, confuso, pessoas me chamando de Srta Potts e depois se corrigindo.— ela riu —Já são 19h?— mostrou-se surpresa ao olhar no relógio.
—Pois é.— Tony disse simplesmente —Gostei da decoração nova.— disse ao ver um porta-retratos com uma foto deles sobre a mesa —Vamos pra casa?— ela sorriu —Por que o sorriso?
—Por você ter vindo me buscar no trabalho, pelo simples fato de ter dito vamos pra casa.— respondeu —Sou uma histérica, eu sei. Desculpa por hoje cedo, fiz uma tempestade num cop...— a interrompeu colocando os dedos nos lábios dela.
—Eu também não fui muito legal. Eu disse que te daria motivos pra reclamar, não disse?— a abraçou —Retomamos a nossa tensão habitual.— constatou.
—Se não houver tensão não somos nós, amor.— Pepper deu um beijo suave nos lábios dele. —Qual carro ficará aqui, o meu ou o seu?— ela perguntou enquanto caminhavam para fora da sala.
—Deixe o seu, amanhã eu trago você.
—Já disse que te amo?— Pepper perguntou enquanto aguardavam o elevador.
—Hoje acho que ainda não.— sorriu, o elevador abriu e eles entraram.
—Eu amo você.— ela disse —Amarei mais se você cozinhar pra mim hoje— envolvia os braços ao redor do pescoço dele.
—Não sei se estou com vontade.— murmurou contra os lábios dela.
—Estou com saudade do seu prato especial, por favor?— pediu manhosa, ele fingiu não dar bola — Prometo te recompensar.— soou maliciosa.
—Você vai comer o melhor macarrão com queijo da sua vida.— ele disse ao saírem do elevador.
—Mal posso esperar para retribuir esse mimo.— ela disse. Logo chegaram ao carro de Tony, acomodaram-se no veículo e seguiram para casa.
Notas finais
Acho que isso é tudo por hoje.
Beijos.
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