Notas iniciais
Pra minha maninha Tefany, Te adoro manaaaaaaa^^

Um grupo de exorcistas sentava-se no balcão do refeitório e conversava animadamente. Tirando talvez um moreno de cabelos longos que apenas ficava quieto enquanto a conversa rolava solta entre um certo encarregado da ordem, um ruivo de uma única íris verde e um garoto de cabelos brancos, apesar da tenra idade. O ruivo, animadíssimo puxava o assunto. Também falava de seu assunto favorito. Mulher. Dos dezoito (caso contrário, seria pedofilia) até os quarenta e tantos, dependendo da conservação da figura, pra ele estava valendo. Pena que ele não parecia “estar valendo” para muitas.

- Bom, e a Lenalee? Ela é bem bonita não é, Allen? — ele abriu um sorriso um tanto quanto PERVERTIDO para o mais novo, que apenas ergueu uma sobrancelha.

- É minha amiga, imbecil. — disse o mais novo, que com certeza já fora mais educado, porém já era de se esperar, devido a prole com que andava, que ele mudasse.

- E aquela novata... Vanessa o nome, não é?

- Deixe a Vava-chan longe disso!- protestou instantaneamente o pequeno.

- Va-va-chan?-Dividiu as sílabas o maior, feliz por ter acertado na mosca.

- Ora, mas é que, eu, ora-o pequeno corou e começou a gaguejar .

- E a Miranda?-Disse o Encarregado rindo da expressão do ruivo que mudara drasticamente.

- Por que fala dela? O seu negócio não é o Komui?- sorriu vingativamente o ruivo.

- Ah, ela é muito bonita de fato, não há como ne... O Quê??

- Vai dizer que o aguentou todo esse tempo por...Lealdade à Ordem? Mas que seja. E você Yuu, não disse nada, mas está ouvindo.

- Não. Me. Chame. De. Yuu.

- Está feliz por não termos falado ainda da outra novata?

Nessa hora chegou o pedido do japonês que pegou seu prato de sobá(será possível que ele só coma isso? Existem mais pratos na ordem) e se retirou, ignorando a pergunta do ruivo que riu NADA discretamente.

O samurai de longos cabelos apesar de não ter respondido a pergunta, seguiu com um ar de irritação maior do que o natural pelo corredor. Mas também tinha um quê de alívio. Ele nunca admitiria- e se admitisse as testemunhas deveriam aparecer misteriosamente mortas a golpes de katana pouco tempo após – que se sentira aliviado por não ter sido obrigado a ouvir o Baka Usagi falando da outra novata.

Entretanto o mais importante é que ele seguia sem prestar atenção rumo ao quarto da tal novata de cabelos morenos longos e de belo sorriso, sem nem se tocar que o fazia, e por isso não notava a Finder – que não era lá essas coisas, mas que era deveras simpática, — que o seguia com seu caderninho na mão e anotava suas ações, em uma forma de literatura — com licença estou escrevendo se quero chamar de literatura é problema meu- até que bem arranjada.

O oriental seguiu até o quarto da morena e só se deu por si quando estava em frente ao quarto e banhado por sobá. Balançou a cabeça e olhou para a moça a sua frente. Miranda Lotto. Ela começou a pedir desculpas intermináveis, o que ele não conseguia achar de todo chato, pois sabia que na maioria das vezes as pessoas não sentiam muito. E ela realmente sentia. Murmurou um “tsc” de costume e algo sobre qualquer dia ela pagar outro e a moça deu-se por satisfeita prometendo não esquecer.

O moreno ficou algum tempo fitando a porta. Mas se batesse o que ele poderia dizer? Tsc? Não era lá um bom início de conversa, e com certeza não era a fórmula do amor. Ela não cairia em seus braços, “ó meu amor”, por causa de um tsc. Alias para esse acho que vai ser difícil fazê-la cair com uma dúzia de palavras, com um ruído então? Impossível. Porém, a porta se abriu e a morena olhou de cima a baixo para o japonês demoradamente.

O japonês corou e emburrou-se rapidamente. Odiava o fato de travar quando via a novata. Estava acostumado a fatiar, a dar porrada, brigar e bufar. Mas corar, travar e sentir o ar escapando-lhe dos pulmões? Não eram coisas com as quais ele conseguia lidar. Um corte em algo enferrujado? Sem problemas. Um sentimento fazendo o coração bater mais forte? Será que poderia se consultar com um médico, exorcista, pai de santo, ou qualquer um que represente ações parecidas?

- O que está olhando? — reclamou o japonês, mais em reflexo do que nada.

- O idiota que parou na frente do meu quarto — a morena fechou a cara e começou a discutir com o oriental. Aproveitando-se da situação, a simpaticíssima Finder se esgueirou pela porta, entrando no quarto da morena e agradecendo a Deus de que esta fosse roqueira, pois não aguentaria ficar num quarto com outro pôster de bandinha mega colorida. A Finder segurou seus cabelos loiros pedindo aos céus para que não fosse vista e escalpelada por certo japonês que andava armado — provavelmente de forma ilegal- com uma katana pelas ruas nacionais.

Logo a Finder começou a mexer nos CD’s da novata, tentando não se dispersar de seu objetivo quando avistava um ou outro CD do simple plan. Tomava cuidado, porém, desastrada que era- a verdade dói, principalmente quando o CD cai de quina no seu pé-derrubou um dos CD’s da pilha.

- Que barulho é esse? — o samurai arregalou os olhos e a Finder agarrou seus próprios cabelos loiros, despedindo-se deles enquanto prendia a respiração.

- Ora — a Morena se pôs entre Kanda e a porta — Você não vai entrar no meu quarto, mas nem ferrando!

-Chata!

-Esquisito!

-Chata!

-Esquisito! — Ora será que eles não têm um gravador de voz? A Finder correu e colocou um CD para tocar, rezando para que a decisão da morena de não deixar o samurai entrar fosse realmente séria.

Faz muito tempo, mas eu me lembro você implicava comigo.
Mas hoje eu vejo que tanto tempo me deixou muito mais calmo.

O meu comportamento egoísta, seu temperamento difícil.
Você me achava meio esquisito, e eu te achava tão chata.
Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino,
Viver é uma arte um oficio, só que precisa cuidado, pra perceber que olhar só pra dentro é o maior desperdício, o seu amor pode estar do seu lado.

Os dois se entreolharam intensamente, e quase como se tivessem combinado berraram ao mesmo tempo”MAS NEM PENSAAAR”. Não queriam aceitar que o amor podia estar realmente ao lado. A Finder carismática já coçava a cabeça desolada. O que eu vou fazer? Porém, os dois se entreolharam novamente. O japonês corou e virou o rosto, mas deu a deixa perfeita. O rosto da morena se iluminou e ela adquiriu um sorriso meio brincalhão. O japonês já não sabia se ficava emburrado, se corria, se corava ou se atirava a si mesmo do oitavo andar da ordem. Decidiu por fim respirar o que já estava sendo meio difícil.

- Por acaso você gosta de mim made in nipon? — a morena sorria

- Ahn, o que? Da onde tirou isso? — O japonês bateu contra a parede.

- Bom — a morena se cortou e começou a rir — Você ta cheio de sobá na cabeça.

Literalmente, ou foi uma figura de linguagem? A Finder deu uma olhada pelo buraco da fechadura. Realmente o japonês estava com camadas generosas de sobá na cabeça. A morena se aproximou tirando um pouco da comida do topo da cabeça do japonês com um peteleco. E o japa? Vermelho, vermelho, vermelho e eu já disse que ele estava vermelho? A garota deu outra risada vendo o japonês vermelho.

- Sim, você gosta de mim.

- Se eu disser sim, eu disse se, o que você vai fazer — o japonês não sabia entregar os pontos mesmo.

- Bom... — a morena deu um beijo no japonês, que primeiro se assustou, corou e por fim pareceu entender a situação- e depois eu que sou loira- e correspondeu o beijo da morena. Na verdade, já que ele a puxou mais para perto acho que foi um pouco mais do que corresponder. A Finder saiu graciosamente- tropeçando nos cabos do chão, ô lasqueira- do quarto e saiu andando terminando de anotar no seu caderno. Decidiu não ficar para ver o pedido de namoro que foi feito pelo japonês e depois divulgado numa musiquinha de “Tefany e Kanda tão namorando, tão namorando” pelo ruivo de uma única orbe verde.

Ela se sentou num dos bancos e ficou observando os amigos receberem o casal com gosto. Feliz da vida. Logo um velho senhor, apelidado de Panda, sentou-se ao seu lado.

- Ora, menina, quer tirar o lugar do meu aprendiz? — riu o senhor

- Não, senhor — ela sorriu de volta — há coisas que servem para serem escritas e guardadas, como algo mais do que um registro... — ela saiu andando enquanto o senhor ria e dizia algo como “ Essa juventude” e enquanto ela mesma complementava mentalmente sua própria frase, “Outras coisas são para serem betadas, revisadas e postadas em sites de fanfic online” e saiu pulando feliz da vida com suas anotações, enquanto se perguntava sobre a classificação etária de sua nova fic.

-L-chan! — berrou-lhe Lavi — Onde está o Panda Velho?

- Atrás de você — a Finder riu e observou o senhor dando uma voadora — não é que ele era bem ágil para sua idade? — no mais novo. Notou também que seus respectivos golems pareciam brigar e perguntou-se como ficariam seus golems se um dia eles bebessem. Reprimiu um sorriso e olhou para suas anotações. Mas esta seria uma outra estória.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!