Do Quê Eu Me Esqueci?
1 Do quê eu me esqueci?
Notas iniciais
É sempre assim...
Toda vez que passo pela sala de música do primeiro andar, ele está lá, geralmente sozinho, tocando o velho piano da escola. É incrível como consegue tirar uma melodia tão bonita de um instrumento tão velho e acabado.
Eu o vejo através da grande janela de vidro às suas costas, e sem entender bem o motivo, não me revelo.
Suas costas...
Percebo que estou sempre atrás dele, afinal, até na classe ele se senta na carteira diante da minha. Passando tanto tempo vendo-o assim, posso notar o quão suas costas são largas, como o volumoso cabelo castanho cai leve acima dos ombros...
Quando o vejo desta maneira sinto uma vontade estranha de estar com ele, de protegê-lo sem razão alguma. É como se, de alguma forma, estivéssemos estado sempre juntos, mesmo que só nos vejamos durantes as aulas e nada mais.
Ele não passa os intervalos entre as aulas com todo mundo, provavelmente vai direto para o clube de música e senta-se ao piano.
É estranho. Tudo que sei sobre ele é relacionado aos assuntos da classe, mas...
Tem algo mais nisso...
Algo que eu...
Não consigo me lembrar.
Quem exatamente é Shindou Takuto para mim?
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De uns dias pra cá comecei a pensar muito sobre isso, sobre um garoto da minha classe que se senta na carteira após a minha.
Tenho a sensação de que ele está sempre a me observar, de que ele está sempre atrás de mim. Não como um perseguidor, mas sim como um guarda-costas. Não me sinto mal por tê-lo tão próximo, pelo contrário, é estranhamente agradável.
Quando chego à escola, ele costuma chegar um pouco depois de mim. Seu ritmo de caminhada é o mesmo que o meu e assim é como se caminhássemos juntos, comigo há poucos passos na dianteira.
Não sei praticamente nada sobre ele, só seu nome, suas notas e que ele gosta muito de ler.
Não tenho o costume de ir à biblioteca da escola, mas sempre que o faço, ele está lá. Percebo que ele gosta bastante de literatura clássica, a maioria dos livros em suas mãos tem as capas meio gastas. Até mesmo na classe, quando há intervalos no meio das aulas, ele saca um livro e abre-o.
Mas eu sei de uma coisa: eu sei que muitas vezes seus olhos claros e brilhantes desviam-se para mim, e não me incomodo como isso.
Por que eu sinto que não somos apenas estranhos colegas de classe? De onde vem o sentimento de vazio quando me aproximo dele? Aonde falta alguma coisa?
Do que eu não me lembro sobre Kirino Ranmaru?
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Pra onde foram as memórias?
Pra onde foram os sorrisos, as lágrimas, os gritos frustrados que compartilhamos?
Os toques... Os abraços... Os beijos... Os momentos só nossos...
Tudo isso se perdeu, de verdade, para sempre?
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É doloroso ver esta pessoa tão perto e me sentir tão distante. Por que me sinto assim?
Shindou Takuto não é só mais um cara que se senta na minha frente, que passa grande parte do tempo diante de um piano. Quem é ele?
Droga, eu não consigo...
Não consigo me lembrar...
Continuo observando secretamente o pianista. A melodia, que nunca ouvi, antes chega a um ponto estranhamente tocante.
Sem que eu perceba, meus olhos umedecem-se, as lágrimas me fogem e eu soluço uma vez.
Eu então fujo, atormentado pelo fato de não me lembrar dele, não me lembrar daquela música que me soava tão familiar.
E o pior e mais doloroso de tudo isso
Não me lembro do por que de amá-lo tanto...
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Nos momentos em que a sala de música da escola está vazia, eu vou ao piano e toco sempre o mesmo soneto.
Não sei onde o ouvi antes ou se fui eu quem compôs, só sei que ele me lembra de mais Kirino Ranmaru.
Cada nota da tal canção me vem com um pensamento sobre ele, pensamentos efêmeros que somem rápido de mais para que eu sequer me lembre depois.
Nunca completei aquela música. Quando chego à parte principal dela me peito dói, meus olhos ardem e eu paro.
Abaixo a cabeça e choro discretamente, me culpando por não ser capaz de me lembrar.
Culpo-me por não ser capaz de lembrar de onde vem o imenso amor que sinto por ele...
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Do quê eu me esqueci sobre essa pessoa por quem me apaixonei?
Notas finais
Eu gosto muito dela, então a amem também pelo bem da sanidade da autora
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