Do Outro Lado Da Porta
10 🌧Capítulo 9 - Só Mais Uma Noite
01.01.00 — São Paulo/SP
(Nothing's Gona Hurt You Baby — Cigarrets After Sex)
(The Night We Met — Lord Huron)
Empurro com toda a força que tenho a portinha.
Caio com força no chão do quarto.
Meu peito dói mais.
Caio está na cama e se assusta comigo.
Olho pra ele e meus olhos marejam.
-Que foi, princesa?
Ele se aproxima rapidamente, se ajoelha na minha frente e segura meu queixo.
-Deixa eu me vestir.
Ele me solta, eu levanto do chão, tremendo, e visto uma roupa simples, sem acessórios, sem maquiagem.
Apenas uma camisa preta colada.
Uma calça baggy jeans.
Um tênis esportivo.
E o relógio.
Puxo ele para a janela.
⋆⋆⋆
Chegamos.
Na árvore da praça.
Onde tudo começou.
Começo a chorar.
-Princesa, me fala! O que aconteceu?
Ele segura meu rosto entre suas mãos.
-Hoje é meu último dia aqui.
Ele congela, seus olhos marejam.
-Não, não, não. Você não pode ir embora!
-Meu amor...
-Não vai, Lena. Por favor.
-Eu tenho que ficar com a minha mãe.
-Traz ela também, sei lá, vamos tentar fazer alguma coisa!
-Não, amor... Eu tenho que ir...
Ele ajoelha aos meus pés e chora.
Me ajoelho e abraço ele.
-Ei, vamos aproveitar essa noite...
-Ok...
A gente levanta do chão e se beija.
-O que você acha de irmos para alguma festa?
Eu falo e ele sorri.
-Vamos.
⋆⋆⋆
Estava tocando uma música lenta.
Ele me puxou para a pista e abraçou minha cintura.
Abracei seu pescoço e apoiei minha cabeça em seu peito.
A gente se balança lentamente, no ritmo da música.
Lágrimas voltam a correr por minhas bochechas.
Ele sente minhas lágrimas molharem sua camisa e me abraça mais forte.
Após horas dançando, começamos a nos beijar.
Começa a esquentar.
Fomos para um canto escuro da festa e nos agarramos.
Me entreguei totalmente.
Eu não tinha certeza se eu acharia alguém melhor que ele.
Provavelmente não.
Nunca amei tanto um garoto como eu amo ele.
Nos afastamos ofegantes.
-O que acha de irmos pra minha casa, princesa?
Eu entendi a intenção dele.
Eu me senti pronta, eu queria fazer aquilo com ele.
-Ok, vamos.
Ele sorrio, segurou minha mão e corremos pra casa dele.
Assim que chegamos, ele abriu a porta e me puxou pra dentro.
Ele fechou a porta e trancou.
Me puxou pela cintura e voltou a me beijar.
Pulei e envolvi minhas pernas em seu quadril.
Ele me segurou nas coxas.
Ele começou a andar em direção ao quarto, sem parar de me beijar.
Ele abriu a porta do quarto dele e fechou com o pé.
Me colocou delicadamente na cama e começou a beijar meu pescoço.
-Você já fez isso antes, princesa?
-Não...
Falo com insegurança, medo de ele me rejeitar por eu ser virgem.
-Eu também não, vamos descobrir juntos.
Eu sorri e ele voltou a me beijar.
Foi tudo bem lento.
Ele tirava minha roupa com carinho.
Beijava cada centímetro de pele exposta.
Minha pele arrepiava e suspiros escapavam dos meus lábios.
Tirei a roupa dele também e finalmente vi aquele corpo sarado sem barreiras.
Seus dedos já estavam penetrando minha intimidade.
Eu suspirava, tremia, gemia baixinho.
Cheguei no clímax rápido.
Ele me beijou e sussurrou.
-Eu vou entrar bem devagar, me avisa se doer.
-Ok.
Senti a ponta do seu membro em minha entrada, ele foi empurrando lentamente.
-Princesa, respira fundo.
Respiro fundo e ele entra mais, eu sentia uma leve dor, mas também um prazer imenso.
Quando ele já estava totalmente dentro de mim, ele parou e esperou eu me acostumar com seu tamanho.
Nos beijamos e eu fiquei bem relaxada.
Então ele começou a se mover, lentamente e carinhosamente.
Eu senti ele me esticando, uma dorzinha gostosa.
Eu gemia baixinho, suspirava e acariciava seu cabelo.
Ele suspirava em meu ouvido e me elogiava, dizendo o quão bem eu estava indo.
Quando os dois já estavam confortáveis, ele começo a ir mais rápido.
Meus gemidos aumentaram, os dele também.
Nossos gritinhos, urros e gemidos ecoavam no quarto.
Em pouco tempo já tínhamos chegado no limite.
Ele tinha se retirado e despejou seu sêmen em minha barriga.
Eu tremia levemente e sorria satisfeita e realizada.
Ele deitou ao meu lado e me puxou para seu peito.
Peguei no sono.
⋆⋆⋆
Sinto beijos em meu rosto.
-Bom dia, princesa.
Sorrio.
-Bom dia, meu amor.
— Já são quatro horas...
A voz dele sai baixa.
Triste.
Abro os olhos devagar.
E lembro de tudo.
Ele me abraça imediatamente.
— Não vai...
Sinto ele chorar contra meu ombro.
E isso dói mais do que qualquer coisa.
Nos vestimos em silêncio e vamos até minha casa.
Quando chegamos no quarto, nós dois já estamos destruídos.
Nos abraçamos forte.
— Promete que nunca vai esquecer de mim?
— Só se você prometer também.
Ele sorri entre lágrimas.
— Eu prometo, princesa.
— Eu também prometo.
Ele segura meu rosto.
— Um dia eu vou escrever músicas sobre você.
Meu coração aperta.
— Então eu já sou sua primeira fã.
Nós dois rimos fraquinho.
Mesmo chorando.
O beijo final vem cheio de saudade antes mesmo da despedida acontecer.
Ele me ajuda a abrir a porta.
Agora ela está absurdamente pesada.
Antes de eu entrar no túnel, ele segura minha mão pela última vez.
— Eu te amo.
As lágrimas escorrem pelo meu rosto.
— Eu também te amo.
E então...
eu vou embora.
⋆⋆⋆
01.01.26 — São Paulo/SP
Quase não consigo abrir a porta do outro lado.
Caio no chão do meu quarto.
Tudo está silencioso de novo.
Sem ele.
Sem aquela versão de mim.
Me jogo na cama e choro até não conseguir mais pensar.
⋆⋆⋆
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