Do Outro Lado Da Lua
2 Prólogo
✝️
Sangue.
Era isso que a jovem Aurora Turner via em todo lugar para o qual olhasse. Mesmo fechando os olhos era possível sentir o cheiro de podre que emanava do local.
Aurora não lembrava do motivo de estar ali, nem mesmo lembrava- se de ter chegado aonde estava. As lembranças das últimas horas, ou dias, ou seja lá quanto tempo já haviam se passado já não estavam mais ali. O que ela estaria fazendo ali? Que lugar era aquele? Porque não lembrava de nada?
Parecia que uma eternidade havia se passado sem que a menina soubesse como sair dali. As únicas janelas que haviam ficavam no alto e impossíveis de serem alcançadas sem o devido uso de uma escada, não havia maçaneta na única porta que existia e é claro o cheiro ficava mais forte.
Sem coragem de procurar pelo animal que dava início ao terrível cheiro, com as pernas começando a doer e quase sem voz de tanto gritar sem sucesso a jovem desaba ao chão bem em frente a um pequeno espelho empoeirado que havia por ali.
O reflexo que viu fez com que a pobre moça arregala- se por completo seus negros olhos. Havia sangue nela. Com medo começou a olhar para si mesma, viu sangue em seus braços, pernas, no vestido branco que estava usando, seus cabelos tão negros quanto a noite contrastavam com o vermelho do sangue que neles estava. Ficou procurando por cortes que pudessem ter feito sujar sua roupa, mas nada encontrou. O sangue não era dela.
Um raio ecoou do lado de fora fazendo com que a jovem Turner saltasse com o susto tomado, a chuva começava a cair alagando e destruindo tudo o que encontrava em seu caminho. Aurora ficou sentada, as mãos abraçadas aos joelhos e algumas gotas solitárias de lágrimas que insistiam em correr de seu rosto.
No meio de tanta confusão mental e do medo que sentia, junto ao caos que se instalava em sua mente e enquanto a garota lutava para tentar controlar os pensamentos uma única pergunta insistia em atormenta- la.
De quem diabos era todo aquele sangue?
⊱⋅ ──────────── ⋅⊰
A sala de espera em que a jovem Aurora estava era escura e claustrófobica, na verdade o lugar não era tão pequeno assim, mas na mente da pobre moça tudo parecia pequeno fruto das incontáveis horas que passou naquele galpão.
— Senhorita Turner? — chamou um homem não muito alto, aparentando ter por volta de uns vinte e poucos anos. — entre por favor.
Sem demora, contudo sem o mínimo de vontade a garota passou pelo homem que fechou a porta atrás de si. Tudo na sala lembrava ao escritório de um delegado, mas o homem não parecia de fato um, ele lembrava mais um doutor, psiquiatra talvez.
— Você sabe o motivo de estar aqui? — perguntava ele olhando diretamente nos olhos da jovem. Seus olhos azuis como o céu chamavam a atenção e davam a impressão de que poderiam mandavar embora todas as coisas ruins que a jovem havia sentido desde então. Se os olhos eram a janela da alma, então a alma desse homem parado a sua frente deveria transmitir a paz da qual o mundo tanto precisa, enquanto os da pobre moça despertariam a escuridão que habita em cada ser vivo desse mefasto planeta.
A garota balançou a cabeça em negativa após ouvir o que o médico pedira.
— Certo. Você tem certeza?
Realmente não lembra de nada que aconteceu?
Outro balançar de cabeça.
— Ok. Você se lembra que dia é hoje? — o homem pediu sem demora.
— Seis de setembro. — a jovem falara sem muita certeza de suas palavras.
Os minutos que se seguiram pareceram uma eternidade até que finalmente ele quebrou o silêncio.
— Não querida, seis de setembro foi o dia em que você assassinou a todos da clínica em que estava, fugindo em seguida. — ele olhava para ela com compaixão. — Estamos em dezembro e finalmente lhe encontramos, bem não eu de fato você chegou a mim muito tempo depois enviada por um delegado amigo meu. Graças a uma denúncia de alguém que ouviu gritos vindos do velho galpão onde estava puderam encontrar você. — o médico desviou o olhar para a janela e então voltou a falar. — Aurora você lembra o que foi fazer lá?
A jovem Turner sentia seu peito bater mais forte e o medo tomar conta de si. Balançou a cabeça em negativa mais uma vez.
— Eu não lembro de nada.— as lágrimas rolavam de seu rosto. — nem sei como cheguei lá.
O desespero tomava conta da pobre moça que sentia o lugar em que estava cada vez menor.
— Certo. Aurora eu preciso que você seja totalmente franca comigo. — o homem a encarava sem piscar — quando a polícia chegou lá encontrou você completamente suja de sangue e um cadáver no chão em um canto. Suas digitais estavam por toda a parte e inclusive na arma do crime. Agora me responda o que significa essas palavras?
Nesse momento o médico retira do bolso de seu casaco um celular e entrega a jovem Turner. Na imagem que havia ali podiasse ver o cadáver de um homem e em seu peito os dizeres:
" A escuridão se aproxima e ela engolirá vocês, todos vocês."
⊱⋅ ──────────── ⋅⊰
Fale com o autor