Notas iniciais
Espero que gostem?

O efeito do comprimido durava um pouco mais de oito horas, e o ultimo que eu tomei foi antes de sair de manhã, por volta das sete horas, então o efeito provavelmente passaria depois das três da tarde e já era 14:27 PM. Jhon não pareceu muito confortável com a ideia, me perguntando o tempo todo se eu tinha certeza, mas ele sabia que era necessário assim como eu. Apesar de ter concordado e me mostrar confiante, estava apavorada. Decidi que era melhor esperar o efeito passar enquanto dormia... seria menos angustiante. Era melhor acordar já na merda do que ficar vendo e sentindo a merda chegar e me cobrir por completo.

Eu estava numa clareira, sentada no chão encostada em uma árvore, relaxando. A vista era bonita! O céu estava limpo, as plantas bem verdinhas e as flores coloridas davam o toque final, enquanto eu ouvia os pássaros cantando e a brisa fresca soprando nos meus ouvidos, jogando cabelo no meu rosto. Eu gosto dessa tranquilidade.

Então senti um vento, dessa vez mais forte e gelado, me atingir por atrás arrepiando cada fio de cabelo do meu corpo. Estremeci, temendo por talvez saber o que havia me causado essa sensação e resolvi olhar para trás. Nada. Nenhum dos meus espectros estavam comigo. Suspirei aliviada. Era estranho e bom ao mesmo tempo saber que estou sozinha, apesar de ainda não ter aceitado como normal aquela brisa fria. Aquele vento continuou soprando na minha nuca, quase como um sussurro gelado no meu ouvido, e estava me incomodando... me chamando. Me levantei e resolvi seguir investigar, saber de onde vinha.

Sai andando pra dentro da mata, tomando cuidado para não tropeçar. O ambiente aos poucos ficava mais escuro, frio e silencioso, ao ponto que eu me abracei, tentando manter a temperatura dos meus braços. Eu tinha a sensação de estar sendo observada, com se meus espectros estivessem comigo, mas não conseguia vê-los ao meu redor, sem saber se isso era bom ou ruim. Conforme eu caminhava aos poucos a floresta me pareceu familiar... eu tenho quase certeza que conheço aquele ponto exatamente, mas não consigo me recordar de onde.

Então eu ouvi um choro. Era baixinho, controlado, mas era um choro. Segui a direção em que eu achava que ele vinha, até encontrar uma trilha de pegadas de sangue no chão juntamente com manchas vermelhas em alguns arbustos no caminho. Segui aquela trilha e aos poucos ouvi aquele choro parecer mais próximo, mais familiar... Até avistar uma criança, uma menina, sentada num canto achando que estava escondida embaixo de um arbusto médio, encolhida e abraçando seu corpo. De costas eu podia notar seu cabelo negro e longo em uma trança bem-feita chegando até a cintura, seu vestidinho roxo estava cheio de manchas escuros assim como sua pele.

—- Ei... Está tudo bem? – Diminui o passo, mantendo a voz da forma mais gentil que eu conseguia.

—- N-não... E-eu não sou ruim... – Sua voz trazia a doçura de uma criança e ao mesmo tempo um pesar enorme, misturado com medo... ela estava completamente desnorteada.

—- Eu sei que não... – Agora estava quase na frente dela, me abaixando para tentar ficar na sua altura. – Quero te ajudar... o que aconteceu?

—- E-eu sei... eles mereciam, mas... e-eu não queria... – Ela continuou falando. Estiquei a mão para pegar em seu ombro de forma pacifica, mas antes disso fui surpreendida.

—- O que é isso? O que aconteceu? – Uma voz masculina veio de trás de mim. Como não o ouvi chegar? Era um policial magrelo, pardo, cabelos e olhos negros. Me virei para ele, ainda abaixada.

—- Calma! Ela precisa de ajuda! – respondi, mas o rapaz parecia não olhar para mim.

—- Eu não queria... eu não queria... – O tom de voz da menina agora assumia um tom de choro genuíno, eu me virei pra ela novamente. Antes que eu pudesse tentar fazer qualquer coisa ou movimento, a menina se virou. Seus olhos estavam inchados de chorar e por algum motivo sua íris estava branca. Toda coberta de sangue, ela tinha uma faca em mãos. – EU NÃO QUERIA!!

Abri os olhos, me sentando as pressas, mas me arrependendo em seguida, sentido minha cabeça doer. Eu não estava mais na floresta, e sim no hotel. Aquilo havia sido um pesadelo, Ok. Eu agora estava acordada, Ok. Mas porque eu ainda sentia o mesmo peso no corpo como se ainda estivesse dormindo? Era como se eu apenas tivesse sido teleportada de um lugar para o outro. Levei uma das mãos as minhas têmporas, esfregando para tentar aliviar a dor voltando a fechar os olhos. O peso, a sensação, o friozinho na nuca, a escuridão na minha alma... O efeito do comprimido havia passado. Droga... o que eu faço agora, exatamente?

—- Saphyra? – A voz de Jhon era como uma luz no fim do túnel. Abri os olhos e percebi que minha comparação tinha sido literal demais. A áurea de preocupação que ele emanava me deixava cega enquanto tudo parecia escurecido pra mim.

—- Porra... – Foi tudo o que consegui dizer, voltando a fechar os olhos, sentindo meu corpo inteiro se arrepiar.

—- Calma... eu estou aqui. – Eu assenti em silencio. Abri os olhos mais devagar dessa vez deixando se acostumarem com a áurea do homem ao meu lado, tentando focar nele e manter um pouco de lado tudo o que me pesava sobre os ombros. Impossível. Estava começando a ficar com náuseas. – Olhe pra mim, foca em mim, Saphy.

—- Caralho... – Tudo de ruim e de sombrio que eu sempre afastei de mim me invadia com toda a força. Mesmo focando em Jhon eu ainda via de relance alguns dos espectros e toda aquela situação estava me apavorando. Meu estômago estava cada vez mais embrulhado enquanto meus olhos se enchiam d’agua.

Segurei a mão de Jhon com força. Ele havia treinado como me ajudar em situações como essa e assim desenvolvemos sinais específicos para certas situações, e ele entendeu imediatamente aquele. Sem nenhum tipo de cerimonia ele me pegou no braço, onde tentei me arrumar confortavelmente deitando a cabeça em seu ombro mesmo sabendo que duraria apenas alguns segundos, e me carregou até o banheiro me deixando de joelhos em frente ao vaso sanitário, rapidamente levantou as duas tampas e se ajoelhou ao meu lado, levantou um pouco meu corpo, segurando meu cabelo e me dando apoio o suficiente para que, quase automaticamente, eu começasse a vomitar.

Meu corpo parecia querer colocar minhas entranhas para fora graças a pressão de toda a energia presa a mim, e mesmo depois de expulsar tudo que havia em meu estomago eu ainda sentia a ânsia e o impulso involuntário do vomito, mas nada saia. Jhon me levantou devagar enquanto minha cabeça girava e agora estava chorando incansavelmente. Meu corpo doía, tudo era forte de mais, assustador de mais, sombrio de mais, pesado demais... Minha cabeça estava girando.

—- Olha pra mim Saphyra! Foca em mim! – O chamado de Jhon agora era mais urgente e eu fiz força para tentar olhar pra ele, mesmo chorando como uma criança desesperada.

—- É pesado... e-eu n-não aguento! – Disse entre soluços, me deixando abraça-lo e esconder meu rosto em seu peito. Eu já tinha vislumbrado os meus espectros e não queria ter de encara-los.

—- Você aguenta sim querida... – Ele me abraçou, sua voz era tranquilizadora enquanto ele fazia carinho gentilmente no meu cabelo – Vamos... se acalme...

—- F-faz parar! Por favor! – Eu estava implorando, ainda escondendo o rosto no peito dele aos prantos.

—- Farei, mas antes você precisa fazer algo, lembra? – Agora eu me lembrava. Todo aquele desespero e sensação de escuridão profunda havia me tirado do foco completamente. Sem dizer nada, apenas balancei a cabeça positivamente no seu peito, ainda chorando. Jhon entendeu o segundo sinal.

Ainda abraçado comigo, acariciando meu cabelo, ele caminhou comigo gentilmente, passo a passo devagar até alcançarmos o chuveiro. Ele me apoiou na parede onde eu escorreguei e me sentei no chão. Enquanto Jhon alcançava uma toalha e fechava a porta do box o mais rápido que podia, eu encarei o lado de fora por um momento pelo vidro... por que fiz isso em? Dei de cara com pelo menos cinco dos meus vários espectros no minúsculo banheiro, me encarando, com um sorriso no rosto.

Eu gritei. Podia ouvir as vozes e sentir o hálito gelado de cada um deles mesmo com o vidro entre nós. “vadia”, “matar”, “morrer”, “inútil”, “vagabunda” ... Acho que essas foram as coisas mais leves que eu podia ouvir naquele momento. Me encolhi mais, me encostando na quina do box enquanto levava as mãos ao ouvido.

—- PARAAA! SAAAAI!

—- Ei, ei! – Jhon se abaixou ao meu lado as pressas, segurando minhas mãos, ele tentava manter a calma, mas estava tão desesperado quanto eu. – Calma! Olha pra mim Saphy! Sou eu!

—- CALEM A BOCA! PARAA! – Continuei gritando, tentando me soltar dos braços do meu parceiro, ao mesmo tempo que começava a bater a cabeça na parede atrás de mim com força, eu queria me machucar... Eu devia me machucar... Eu precisava me machucar.

—- Para com isso! – A voz dele agora era mais do que urgente. Ele estava com medo, aquilo estava saindo do controle.

Jhonathan colocou a mão atrás da minha cabeça para evitar a pancada na parede, enquanto se esticava para abrir o chuveiro. Quando a água gelada começou a cair, ele se encostou na parede bem embaixo da água e me puxou para si, me forçando a se acomodar no seu peito sem levantar o rosto para olhar o ambiente. Eu relutei aquela atitude, as vozes dos espectros queriam que eu lutasse, mas não tinha força o suficiente. Senti a água fria no meu corpo e aquilo me arrepiou, sentindo minha pele quase doer de reclamação, mas ao mesmo tempo havia sido um tanto quanto relaxante.

Depois de alguns minutos me debatendo contra Jhon, gritando e chorando, meu corpo protestava doendo, cansado... Exausto para ser mais exata. Eu não lutava mais, apenas sentia a água fria correndo a minha pele com roupas acharcadas e pesadas. Minha respiração estava voltando ao normal e minha mente estava começando a se organizar. Eu ainda sentia toda a presença ruim, todos os efeitos das energias, mais aos poucos parecia ficar cada vez mais fácil de lidar com tudo aquilo.

Meu parceiro arriscou afrouxar um pouco os braços, testando minha reação, me mexi um pouco, me arrumando no seu colo. Ele pareceu hesitar, mas não demorou a começar a acariciar meu cabelo novamente, ele estava calmo e eu sentia aquilo, me acalmando também.

—- Saphyra? – Não respondi, mas ele parecia saber que eu estava ouvindo. – Foca em mim, ta? Assunta o controle. – Eu balancei a cabeça positivamente. – Me deixe cuidar de você, tudo bem?

Devagar, ele levantou meu corpo do seu peito e aquilo quase que doeu, em seguida ele me ajudou a tirar a regata que eu usava de forma gentil, sem nenhum tipo de malicia ou segundas intenções, soltando a peça de roupa no outro lado do box. Em seguida ele me encostou na parede, parando e me olhando nos olhos por alguns segundos, hesitando... provavelmente pensando se eu não voltaria a bater a cabeça na parede, e com calma começou a abrir o botão e o zíper do meu short, puxando a peça de roupa e jogando próxima a camiseta.

Aquilo tinha sido maravilhoso... Eu estava de calcinha e sutiã pretos e rendados, e agora sem a pesada roupa sentia meu corpo mais leve, que me ajudava a relaxar. Jhon também estava encharcado, mas parecia não se importar com isso, apenas sentando novamente no mesmo lugar e me encarando, compreensivo, abrindo os braços e oferecendo o mesmo colo de antes. Aceitei prontamente.

Ficamos assim em silencio por alguns minutos, talvez horas, eu não sei, perdi completamente a noção do tempo, mas tudo estava melhor. O mundo ainda estava pesado, escurecido, tenso, os sussurros ainda estavam em meus ouvidos porem agora de forma mais suave, Jhon havia conseguido parar o tempo ao meu redor e me fazer respirar mesmo no meio de tanta escuridão.

—- Saphyra? – A voz dele estava tranquila, era quase musica para os meus ouvidos.

—- Sim? – Minha voz estava controlada.

—- Está bem?

—- Estou...

—- Ótimo – Ouvi ele suspirar aliviado. Levantei o corpo lentamente, ainda mole e dolorido.

—- Obrigada. – Ele sorriu. Tive a impressão de que seus olhos estavam cheios d’agua.

Meu parceiro se levantou e desligou o chuveiro, me levantando e me apoiando até me colocar sentada no vaso, apenas para não me deixar no chão enquanto iria buscar roupas para mim na minha mala e um roupão do hotel para ele no armário. Ele foi depressa e voltando quase voando no banheiro e me entregou uma calcinha e uma camisola.

—- Consegue se vestir só? – Perguntei ele, de pé ao meu lado.

—- Acho que sim... – respondi e ele assentiu, caminhando para fora do banheiro. – Jhon!

—- sim?

—- Não sai... só... – Parei para pensar por um momento. – Só vira de costas. – Ele assentiu.

Meio sem jeito, me mantive sentada enquanto tirava minha calcinha e sutiã encharcados e joguei junto ao restante da roupa. Puxei a toalha do gancho na parede, e por um momento acho que assustei Jhon que olhou rapidamente para mim por canto de olho, apenas verificando, e comecei a me enxugar da melhor forma que conseguia. Ele aproveitou o momento e se cobriu com o roupão enquanto também tirava sua roupa e colocava sobre a pia, amarrando aquela toalha e me esperando. Eu tentava evitar olhar pra fora do banheiro, onde eu já tinha notado a presença dos espectros me encarando e sorrindo, esperando a próxima oportunidade, mesmo que não conseguisse completamente, o que me fazia me vestir o mais rápido possível. Coloquei a calcinha, e vesti a camisola por cima. Devagar, me levantei, apoiando na parede, avaliando o quanto meu corpo estava exausto. Logo Jhon notou e veio me ajudar. Ele me pegou nos braços e me carregou até a cama, me colocando com cuidado sobre os lençóis.

—- Está bem? – Ele parecia preocupado, mas ainda tranquilo, e eu me mantinha concentrada nele.

—- Sim... Podemos acabar logo com isso? – Perguntei, observando a distancia o potinho com os comprimidos. Eu queria aquilo mais do que tudo.

—- Pensei exatamente a mesma coisa. – Jhonathan levantou da cama e caminhou até o balcão, pegando sua pasta e voltando ao meu lado, abrindo-a e tirando as malditas fotos. – Das sete, eu já eliminei algumas, preciso que veja apenas essas cinco. – Ele as colocou na minha frente, uma ao lado da outra.

Na primeira foto havia uma moça de pele negra e cabelos bem crespos caída no chão. Completamente nua seu corpo era uma obra de arte, quadris largos e cochas grossas, sua cintura era fininha e a barriga tinha apenas um pouco de gordurinha, nada que tirasse sua majestade, seus seios fartos e empinados me davam uma certa inveja, e essa energia negativa me deu um pouco de tontura. Infelizmente a pele da moça estava cheia de marcas, mas não tanto quanto o corpo da jovem dessa manhã, enquanto a fumaça ao redor dela era apenas de medo e desespero, sem nenhum tipo de espectro. Sinalizei para Jhon que aquela não era o que procurávamos.

A segunda foto tinha também uma moça, mas essa logo que cara parecia se encaixar mais. Sua pele era branquinha, cabelo loiro e liso um tanto mais escuro do que o caso do dia e um pouco mais curto, chegando a altura do ombro. O corpo dela era mais magro, seios pequenos e sem muito quadril, com a cintura bem fina. Por toda sua pele havia dezenas de ferimentos, iguais ou até mesmo piores do que os que estávamos procurando, e as energias? Exatamente iguais. Espectros, fumaça de ódio... Apontei para meu parceiro que aquela era mais uma das que precisávamos.

A terceira trazia uma moça de pele clara, mas cabelos negros e cacheados que chegavam até a altura dos seios, corpo de modelo, bem magrinha, sem muito seio e nem muita curva, além de algumas poucas estrias na altura do quadril. As energias eram apenas da ocasião, simples fumaça de medo e desespero como da primeira, e claramente não era o que procurávamos. Indiquei a Jhon minha conclusão.

As duas ultimas fotos eram bem parecidas com a segunda. Moças loiras, pele clara, corpo perfeito, uma com um pouco mais de curva que a outra, mas sem nenhum defeito. As marcas em seus corpos e as energias que eu podia ver eram as mesmas, espectros e fumaças idênticas.

Jhon havia separado as que eu havia apontado como relacionadas, levantando e levando as cinco imagens até o balcão. Eu o acompanhei com o olhar, observei ele largar as fotos e trazer nas mãos o pote com os comprimidos, me causando um alivio ao mesmo tempo que notava agitação dos vários espectros ao meu redor, agora cada vez mais perto.

—- Você não sabe como estou feliz por finalmente te dar isso. – Disse ele se sentando na cama e pegando um dos comprimidos, colocando na minha mão.

No mesmo momento de repente os espectros me cercaram na cama e eu não conseguia ver nem mesmo Jhon, como se eu tivesse ido a outra dimensão. Eu gritei pelo susto da escuridão repentina, fechando a mão e segurando o remédio com toda a força. Os sussurros voltaram com toda força. “Puta... vadia... inútil... porque não morre logo?... Você realmente acha que consegue alguma coisa? ... Você só causou desgraça”. Eu me arrastei para trás na cama, até me encostar na cabeceira, as lagrimas desciam sem parar dos meus olhos.

—- ME DEIXA EM PAZ... POR FAVOR! – Eu repetia isso sem parar.

—- Saphy! Respira fundo! – A voz de Jhonathan veio do nada, mesmo que eu não o visse.

Então eu fui abraçada. A escuridão horrível dos espectros havia sido substituída por uma escuridão segura enquanto eu mantinha meu rosto no peito dele, que em seguida nos afastou apenas o suficiente para levar minha mão que ainda apertava o comprimido até a boca. Engoli o pequeno remédio e me escondi novamente, o comprimido não era efeito imediato, mas não demorava mais de 10 minutos para fazer efeito completamente. Jhon continuou abraçado comigo, sem dizer nada, durante todo o tempo.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.