Do Inicio ao Fim
3 Capitulo 2
Notas iniciais
Antes de entrarmos no carro e seguir até o local onde foi encontrado o corpo, eu e Jhonatan decidimos comprar alguma coisa para comer, nós dois havíamos esquecido completamente de tomar café da manhã. Jhon perguntou ao policial que havia nos recebido onde ele podia comprar algo e disse pra eu esperar no carro... agradeço. Não demorou muito até ele voltar com dois copos grandes, um rosa e outro bege, e dois sanduiches.
—- Esse é o seu... – Disse ele me entregando o copo cor de rosa e em seguida um dos sanduiches. – Peguei milkshake de morango pra você e o bom e velho café pra mim – O olhar dele para o copo de café era como o de um cãozinho olhando para aquelas maquinas de assar frango, a famosa televisão pra cachorro. Eu fiz uma careta.
—- Ah... tudo bem, valeu. – Peguei meu copo da mão dele e ataquei meu sanduiche sem nenhuma cerimônia, ele riu de mim e eu lhe mostrei o dedo do meio.
Terminamos o sanduiche e Jhon seguiu para o local. A viatura já tinha ido embora, porem nós havíamos pego o endereço, que de acordo com o gps não era muito longe. Ao entrarmos na rua ficou fácil saber onde era exatamente, pois havia um cerco policial em um beco e uma quantidade considerável de curiosos e suas energias que me deixavam desconfortável. Estacionamos perto das viaturas e descemos do carro, ainda cada um com seu copinho, e quando nos aproximamos um dos policiais tentou nos barrar.
—- Desculpe senhores, mas só policiais podem entrar. – O rapaz era negro, careca e bem forte, e seu tom de voz era autoritário. Sua áurea estava neutra.
—- Somos a equipe especial – Jhonathan respondeu rapidamente e apontou para as insígnias nos nossos coletes. O rapaz pareceu se lembrar e acenou positivamente.
—- Ah! Tudo bem! Podem entrar! – Ele saiu da nossa frente e passamos por ele. – Ah! A chefe da investigação é a Maggie, a loira ali. – O policial apontou para uma moça loira que estava de costas mais pra dentro do beco e nós assentimos.
Ao passarmos pelo Sr. Fortão logo todos os olhos policiais começaram a nos observar, as áureas de curiosidade deles se tornaram uma energia intensa que me deixava tímida e apenas segui ao lado de Jhon olhando para o chão. Caminhamos até a entrada do beco e meu parceiro parou de repente, me fazendo olhar para frente e... Mas que porra é essa?
Apesar de ainda distante e eu não conseguir olhar todos os detalhes, o local onde o corpo foi encontrado não era nada demais. Um beco sujo, algumas caçambas de lixo, papelões esticados onde provavelmente dormiam alguns moradores de rua e um corpo sem vida no chão coberto sem muito cuidado por um pano branco, que estranhamente estava limpo, mas esse não era o ponto. A grande questão era a energia presa a aquele corpo... Espectros.
E eu não estava falando de um espectro pequeno e muito menos positivo – o que era bem raro. Aquela quantidade de energia era consideravelmente grande, e considerando que sua forma ainda não estava completamente polida, ainda era muito borrada e esfumaçada, não era tão maduro. Uma combinação estranha. Espectros jovens não tem seu formato completamente definido, levando cerca de 6 meses para isso, e considerando que espectros surgem com um metro de altura e após esse período de definição de forma, em condições normais, eles estão no máximo com 1,10/1,15, ver um espectro não maduro com cerca de 1,70 de altura é algo impressionante.
Enquanto eu examinada aquela figura a distância, acabei ficando parada e fixada com os olhos no beco, ignorando o mundo ao meu redor completamente, até ser acordada por uma limpada de garganta um tanto quando familiar...
—- Oi? Ah... Perdão. – Corei ao notar que estava parada em frente da tal Maggie, a chefe de investigação. Jhon me reprovou com o olhar por um momento e então me socorreu.
—- Como eu disse... essa é a... – Eu interrompi, nervosa com a situação.
—- Sou a Saphyra. – Disse e estiquei a mão para cumprimentá-la, e prontamente foi correspondida firmemente.
—- Prazer – A moça manteve um olhar curioso, sorrindo de forma simpática. Ela tinha olhos numa mistura de castanho e verde, de forma que a segunda cor formava um girassol em sua íris, tinha o rosto duro apesar das expressões amigáveis e sua áurea estava neutra. – Bom... vocês querem olhar o corpo primeiro ou saber o que já coletamos?
—- Pode adiantar o que já sabem – Respondeu meu parceiro, em tom profissional.
—- Tudo bem. – Disse ela tirando um bloco de notas do bolso, o abrindo e começando a falar, intercalando entre a leitura e seus próprios comentários. – A moça está morta a cerca de um dia apenas e claramente o crime não aconteceu aqui, o beco está limpo de qualquer vestígio de sangue ou luta. Provavelmente foi mais uma vitima de uma gangue de trafico de órgãos, seu corpo foi operado cirurgicamente na região do tórax e apesar do raio X ainda não ter sido feito, é um corte típico para retirada de órgãos doáveis – Ela terminou falando isso como se fosse algo de pouca importância, o que havia me incomodado um pouco.
—- Sabem quem é ela? – Perguntei, já focada no que a moça dizia.
—- Ainda não, mas a digital e o DNA já foi coletado para comparar com o bando de dados do departamento. Já falamos com os moradores de rua que vivem nesse beco e algumas pessoas da vizinhança, ninguém a conhece.
—- Pertences? – Dessa vez Jhon perguntou.
—- Nada. Nem um tipo de bolsa, documentos e nem roupas. Apenas um corpo morto e nú no chão frio. – Ela nos olhos em silencio por alguns segundos. – Mais alguma dúvida?
—- Não. Qualquer coisa pedimos o relatório completo ao departamento. – Jhonathan respondeu e Maggie assentiu.
—- Podemos ver o corpo agora? – Já estava um tanto quanto impaciente. Queria ver de perto que tipo de energia era aquela.
—- Claro!
A loira nos acompanhou para dentro do beco até chegar ao lado do corpo. O local ainda estava movimentado, alguns homens da equipe de criminalistas pareciam ainda analisar alguns cantos específicos enquanto outros já arrumavam seu equipamento para sair, alguns com áurea concentrada, alguns neutros e havia um que parecia bem irritado. De pé ao lado da vítima eu observei os dois grandes espectros esfumaçados, os vendo claramente e confirmando tudo o que eu já havia concluído antes. O que quer que seja que esta moça passou nos últimos meses, foi extremamente intenso.
—- Pode pedir para seus homens saírem do beco? – Pedi da forma mais delicada que podia. Era um procedimento que havíamos adotado depois do primeiro mês em campo que tornava mais fácil a observação das energias sem interferência de áureas e fumaças alheias.
—- Ah... eles não vão atrapalhar, estão apenas terminando os cantos e... – Maggie estranhou o pedido, parecendo desgostosa da situação, mas eu logo rebati.
—- Por favor, o lugar precisa ter o mínimo de gente possível. Deixa as coisas mais... claras. – Isso era tudo que eu podia explicar sobre o porquê. A loira concordou, relutante.
Enquanto ela gritava a ordem para o seu pessoal eu me aproximei e Jhon iniciei uma conversa baixa.
—- Tem algo estranho aqui. – Anunciei e os olhos dele pareceram brilhar.
—- O que exatamente? – Seu interesse era genuíno.
—- Espectros um tanto quanto... exóticos.
—- Pronto, todos estão lá na frente, vai precisar que eu saia também? – fomos interrompidos pela aproximação da Maggie, que tinha áurea curiosa, provavelmente sobre nossa baixa conversa.
—- Não, não, tudo bem. – Respondeu Jhon, sorrindo para a loira.
—- Só... não tente entender tudo ou fazer perguntas... é confuso. – Sorri pra ela da melhor forma que eu conseguia, que assentiu, aumentando sua clara curiosidade.
Apesar de não completamente limpo de energias alheias o lugar agora estava mais claro, pois as fumaças da equipe de criminalística deixavam rastros em direção a saída. Os exóticos espectros eram de medo, tristeza e desespero, além de muita fumaça de raiva e ódio em torno deles em uma quantidade que eu sabia que não faltava muito para a formação de mais um espectro, e ainda havia uma estranha fumaça de... alivio? Era bem leve, mas claramente não era um alivio genuíno... era quase sombrio. As energias não são diferenciam por cores, digo, não é como se uma energia feliz fosse verde e a triste fosse preta, é algo mais sensitivo, mas para explicar melhor digamos que uma fumaça de “energia de alivio” fosse azul céu, a diferença para aquela especifica que essa garota havia produzido é que apesar de ainda ser azul, o tom estava turvo, sem vida, escurecido. Aquilo definitivamente não era normal.
Eu tenho espectros dos mesmos tipos que o dela. Os meus são maiores, com um pouco mais de 2 metros de altura e sua forma tinha uma silhueta humana perfeita denunciando o quanto eles eram antigos, formados a anos atrás na minha infância. Sim, os meus são gigantes, os maiores que eu já vi, e considerando a quantidade era assustador alguém possuir toda essa energia negativa nas costas... Mas eu sei o que eu passei, tenho noção do nível de coisas que já enfrentei e que me forçaram a coisas horríveis. E eu acompanhei a evolução dos meus, desde quando se formaram até hoje... Eles não se formaram e cresceram do nada. Mas esses... tão jovens e tão grandes... a quantidade de fumaça que provavelmente criaria outro espectro que cresceria da mesma forma bizarra e a fraca energia de um alivio sombrio...
—- Essa garota passou por muita coisa... – comecei a tentar explicar as coisas para Jhon. – E quando eu digo muita coisa, é muita coisa mesmo! – Disse dando ênfase a palavra “muita”.
—- Me diga o que vê. – Seu tom de voz havia se tornado profissional.
—- Espectros. Três. Medo, desespero e tristeza. Jovens, apenas um aglomerado de fumaça sem muita forma.
—- Tamanho?
—- O negocio já começa ai -- Apenas para ter certeza do tamanho exato, caminhei e me aproximei de um deles, que me olhou com uma expressão não muito clara, e coloquei a mão no seu topo, ficando de ponta de pé. – Exatamente aqui, isso é mais menos...
—- 1,70... – Jhon declarou mais para ele do que pra mim. Ele agora olhava pra baixo, parecendo refletir sobre. – Isso é muito, Saphy! Considerando o fato deles não possuírem muita forma!
—- Eu diria que eles têm, no máximo, 2 meses. – Respondi ainda olhando o espectro. Jhon assentiu.
—- O que mais?
—- Fumaça de raiva e ódio. Muita fumaça, quase o suficiente para um novo espectro.
—- Compreensível. – Meu parceiro assentiu de novo.
—- Mas ainda há uma fumaça leve de alivio... mas não um alivio genuíno... – olhei para baixo por um momento, tentando encontrar a palavra correta para explicar. – Eu diria que um alivio amargurado...
—- Como se estivesse ficado aliviada ao saber que iria morrer? – Jhon completou, me encarando serio. – Corrigindo, ao saber que finalmente iria morrer. – Ele deu ênfase ao “finalmente” e a ideia se encaixou perfeitamente com a energia que eu via.
—- Exato.
—- Resumindo... Essa moça estava passando um grande sofrimento a no mínimo 5 meses, considerando a provável idade dos espectros e o tempo normal de acumulo de fumaça para formação de um...
—- Talvez um pouco menos de tempo. – O interrompi. – Considerando o rápido crescimento desses espectros, provavelmente o acumulo de fumaça também foi mais rápido. – Jhon assentiu, como se dissesse “um bom ponto” em silencio.
—- O sofrimento foi tanto que se sentiu aliviada ao perceber que iria morrer e após sua morte o responsável por tudo isso retirou os órgãos para um provável... – Jhonathan olhou para Maggie por um momento como se estivesse lembrando de sua existência. A moça parecia completamente perdida a alguns metros de nós e muito curiosa. – tráfico de órgãos.
—- É o que parece. – Completei, satisfeita, apesar de estranhar o fato de que Maggie não havia mencionado nenhum tipo de marca de violência na vítima, que era a ideia mais óbvia considerando a nossa conclusão, porém não comentei nada. Parecia que finalmente nós tínhamos chegado a algum lugar.
—- Um momento. – A loira nos olhava como se fossemos loucos, sua áurea era uma mistura de curiosidade e nervosismo. Aquele olhar provavelmente teria me incomodado muito, mas naquele momento de triunfo era divertido. – Que porra foi essa? Tiraram essas conclusões de onde? Vocês nem sequer olharam o corpo!
—-Eu avisei pra você não tentar entender... – Um sorriso de superioridade estava se formando no meu rosto.
—- Mas você tem um ponto, Maggie! – Jhon descruzou os braços e se abaixou ao lado do corpo. – Ainda não olhamos o corpo!
Jhonathan descobriu a moça. O primeiro choque foi com a perfeição da jovem. Sua pele era clara, bochechas cheinhas, rosto angelical, cabelos loiros e longos que formavam cachos grandes nas pontas, o corpo era perfeito, sem gordurinhas indesejadas, quadris médios, cintura fina e barriga sequinha. Sua aparência era angelical mesmo após a morte. O segundo choque foi com o estado em que ela estava. Cheia de hematomas e ferimentos, seu corpo estava coberto de manchas escuras e vermelhas, os pulsos estavam cortados, além dos pontos em um corte central no seu abdômen que vinha de entre os seios até o umbigo, onde provavelmente foi a operação para a suposta operação de retirada dos órgãos.
—- Mas que porra é essa? – Jhonathan parecia incrivelmente furioso de repente, algo que eu sinceramente nunca tinha visto acontecer. – O corpo está nesse estado e você simplesmente não anotou no seu bloquinho? Você realmente ignorou isso?
—- Claro que não! Mas não mude de assunto... – Maggie protestou inutilmente contra Jhon.
—- Não mude de assunto você! Por que esconder tudo isso? – O rapaz se colocou de pé em frente a loira, apontando para o corpo e eu me aproximei só por precaução, apesar de não acreditar que ele partiria para algo mais sério.
-- Esconder? Se eu quisesse esconder isso não teria deixado vocês virem até o corpo com tanta facilidade! – O argumento dela fazia sentido, mas não era suficiente.
—- Mas mesmo assim, você não falou nada. – Respondi, cruzando os braços.
—- Ah, por favor! – Ela revirou os olhos. – Todos esses detalhes não importam! Esse caso é mais um sobre uma gangue de tráfico de órgãos! Assim que entrar o registro no sistema vai entrar no domínio do FBI ou qualquer outra coisa federal e simplesmente... Puff! – ela gesticulou como se algo desaparecesse do nada. – Nunca mais saberemos nada sobre o caso e nem se foi solucionado! E eu não duvido que fique completamente esquecido no enorme arquivo deles.
—- E o que isso tem haver com o fato de você está planejando ocultar informações? Porque você parece só está se sujando mais deixando claro que está escondendo isso de órgãos federais... – respondi, sem entender o que estava rolando.
—- É ordem do chefe...
—- Então falaremos com o chefe. – Jhonathan deu as costas a Maggie, voltando a examinar o corpo e ignorando sua presença. Eu apenas acompanhei sua atitude.
Não havia mais nada além do que nós já havíamos visto no corpo. Eu tive uma ligeira impressão de que haviam dois cortes no peitoral dela, um corte de cerca de dez centímetros entre os seios e o grande corte por cima, não que isso importasse muito, já que a vitima tinha dezenas de marcas por toda a pele. Após examinarmos tudo esperamos toda a equipe da policia se organizar e o cadáver ser retirado para retornar com eles até o departamento de polícia. Jhonathan estava claramente irritado e estranhamente silencioso, o que era extremamente raro e eu não tinha nenhum plano argumentar com ele daquela forma.
Não demorou muito para chegarmos ao prédio do departamento e meu parceiro simplesmente ignorou qualquer bloqueio ou comentário indo diretamente para a sala do tenente fazendo questão de carregar Maggie pelo braço de uma forma incrivelmente gentil, contrastando com seu comportamento. Eu o segui em silencio olhando para baixo e evitando olhares e energias enquanto passávamos pelo saguão levantando a cabeça apenas para fechar a porta da sala.
—- Me explique o porque de esconder informações dos arquivos. – Jhon não se preocupou em cumprimentá-lo.
—- Ah... Olá senhor Jhonathan... – O tenente olhou confuso para nós três, dando uma olhada mais longa para a moça loira, que mantinha uma áurea nervosa. – Pode especificar ao que você está se referindo?
—- Esconder informações dos arquivos de casos de tráfico de órgãos. – Jhonathan respondeu impaciente. Maggie balançava a perna como uma criança nervosa, e o tenente olhou para ela mais uma vez, parecendo entender a situação, e abrindo um sorriso fraco.
—- Se acalme Jhonathan, isso é só mais um casinho de ciúmes de departamento policial com as agencias federais... – Respondeu ele, tranquilamente, como se esconder informações fosse algo banal.
—- Seguindo ordens suas? – Meu parceiro retrucou num tom de voz incrédulo. Sua áurea era de irritação.
—- Jhonathan, essas agencias tem condições de saber as informações que ocultamos, apenas quero que eles façam algo! – Frederick começou a argumentar. – Esses filhos da mãe pegam os relatórios prontinhos e mastigados e apenas ligam os pontos pra resolver os casos! Coisas que nós poderíamos fazer se tivéssemos acesso ao enorme banco de dados federal. – Seu tom agora era como se estivesse com o orgulho ferido. – Só faço com que esses imbecis precisem fazer alguma coisa. – Jhonathan riu de nervoso, completamente incrédulo.
—- Oh, meu deus, estou lidando com uma criança de 8 anos com inveja do irmão mais velho... – Ele deu alguns passos na sala enquanto esfregava a mão no rosto, voltando de repente e se apoiando com as mãos sobre a mesa. – Eu quero o relatório desse caso completo no sistema.
—- Senhor...—A áurea do tenente começava a alternar para nervosismo.
—- Escute aqui tenente... Acho bom fazer o que estou mandando. – O tom de voz de Jhon agora soava como um chefe autoritário. – Você basicamente tem duas opções... ou me atende ou simplesmente espere a notificação de expulsão da corregedoria sobre seus atos e você não vai poder fazer nada a respeito, pois você sabe muito bem que na hierarquia eu sou mais alto do que você ou do que qualquer superior estadual que você possa recorrer chorando como um bebe de merda que você é – O tenente Frederick encarava o homem a sua frente assustado, parecendo considerar as opções e hesitar a responder. Sua áurea era de puro nervosismo, e com um suspiro ele se rendeu.
—- Mais alguma coisa?
—- Só isso, por hora – Jonathan ergueu o corpo, cruzando os braços claramente satisfeito.
—- Maggie, faça o que ele diz.
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