Notas iniciais
Olá pessoas lindas! Gratidão a todos vocês gastaram um pouco do tempo de vocês para lerem e comentarem o Capítulo anterior. Eu dedico este QUINTO Capítulo a você meu leitor ou leitora, que continua aqui, firme forte comigo! Tenho um Blog e outras Fanfics, deem uma passadinha por lá: A Garota Da Capa Vermelha - Continuação. (Henlerie - Henry e Valerie) http://fanfiction.com.br/historia/165233/A_Garota_Da_Capa_Vermelha_-_Continuacao O Triunfo da Esperança Por Peeta Mellark. (Jogos Vorazes - Peetniss) http://fanfiction.com.br/historia/333216/O_Triunfo_Da_Esperanca_-_Por_Peeta_Mellark Meu BLOG http://dicasdamarth.blogspot.com.br Sem mais demoras, vamos ao capítulo 5! Vejo vocês nas Notas Finais!

POV HENRY LAZAR

Sim, agora era ela!

Eu nem preciso mencionar que o meu coração disparou freneticamente dentro do meu peito...

Ela estava belíssima: vestia um vestido verde musgo justo, que evidenciou, ainda mais, os seus olhos e suas graciosas curvas. Ela calçava um salto clássico. Estava muito bem maquiada, apesar de singela.

Mas, o mais surpreendente, é que o sorriso que estava em seus lábios ao entrar, não esmoreceu como seria normal, ao ver-me.

Eu admito que essa constatação, derreteu o meu coração. Também sorri, é óbvio, porém, muito mais contido, devido à presença de Peter, que estava bem ali, e pelo olhar que nos lançou, viu que o clima de total hostilidade, já havia mudado um pouco. Detalhe, Peter observa demais, a sorte, é que ele é muito discreto. Mas, nem isto impediu Valerie de ficar corada com sua percepção do fato.

Seguimos ao nosso destino. Como ela desce antes, ao se aproximar da porta, ela diz...

— Bom dia, Peter e a você também Sr. Lazar!

E devo dizer que quase tive uma ereção ali mesmo, com aquela voz pronunciando meu nome, e aquele olhar desprovido de qualquer ódio voltado para mim no momento do cumprimento. Porém, apenas respondo...

— Bom dia, Sta. Valerie.

E Peter...

— Bom dia, Valerie!

Quase que fuzilo Peter com os olhos, pela intimidade do cumprimento. Mas, é claro que eu me contenho ao invés de me expor.

Toda aquela semana foi mantida naquela linha, nos raros momentos em que nós nos encontrávamos o clima de hostilidade, era bem mais ameno. Porém, havia algo ainda, que não nos permitia uma aproximação.

Como sou um sujeito muito desconfiado, e também, por causa do evento do “Café Salgado” ter me marcado muito, as horas das refeições nunca são totalmente confortáveis para mim.

É impossível me alimentar, sem antes cheirar e analisar. E quando a desconfiança é muita, até provar uma leve porção antes. Isto já havia virado uma obsessão. Até que um dia, o muito sem graça do Peter, disse:

— Senhor Lazar, tenho observado que isto realmente marcou você, não é? Acho que nunca mais, você irá esquecer. Creio que virou *TOC agora.

Aquilo me chateou um tanto! Deus me livra! Aquela gente já insiste dizer que sou “Maníaco por Controle” e eu nem me importo mais, porque eu já me acostumei, mas, um “Maníaco por Controle com *TOC” já é demais pra mim.

Assim, passei a me policiar mais. Então, não é que não conferia a comida mais. Eu conferia sim, porém, antes, observava se alguém estava notando eu conferir! Bem, você entendeu... Isto é constrangedor.

Na sala de bate-papo, eu continuava com minhas investidas de fazê-la desconfiar do seu relacionamento virtual. Eu percebi que, se houvesse um pouco mais de incentivo, logo, logo, ela faria as perguntas constrangedoras onde realmente eu poderia tirar proveito...

Com a certeza clara, agora, dos meus sentimentos por Valerie, eu comecei a traçar algumas metas e estratégias para poder me aproximar dela, como eu mesmo, Henry Lazar, colega de trabalho.

Através do bate-papo, eu consegui colher mais algumas informações sobre os lugares que ela gostava de passear, os horários. Em uma destas conversas, contei-lhe sobre o meu cachorro, Spike. Eu disse que ele era minha grande companhia, e que ela havia adorado minha mudança de rotina nos passeios de fim de semana.

***

Na quinta, eu soube que sairíamos cedo na sexta e uma ideia me ocorreu.
Deixei tudo organizado para que, na sexta, eu pudesse sair da empresa e simplesmente ir em casa, buscar o Spike para que fizéssemos uma caminhada.

Entretanto, era uma caminhada com propósito, o de ver Valerie e passar um tempo com ela. Primeiro, de alguma maneira, no bate-papo hoje, eu buscaria sondar com ela, o que ela faria amanhã, mas, de uma maneira bem sutil que não lhe desse, a entender que eu queria outro encontro.

Assim, quando estávamos conversando, perguntei:

— Baby, geralmente, quais são suas programações de sexta-feira?

— Normalmente, quando eu não estou doente e acamada como estive, no fim do expediente, eu saio para uma caminhada aqui perto mesmo, na praça, e, termino passando na feirinha e no mercado abastecendo a dispensa, para um início de fim de semana. Muito embora, no sábado eu retorne, porque é o dia em que as frutas e verduras estão mais bonitas de se ver, e dão água na boca para comer. Só que esta sexta será atípica. Pois, sairei mais cedo do trabalho e certamente vou caminhar no Central Park! Já disse que eu amo caminhar por lá, não é?

— Sim, por causa do canteiro de margaridas, devo dizer que é lindo mesmo, eu fui observá-lo com mais afinco, depois que você me deu a dica.

— Que bom, fico feliz! Mas, por que você me perguntou, lindo?

Hum, e agora? Não posso dar a entender que eu quero um encontro. Ainda não!

— Bem... Eu estava tentando ver, o quanto as nossas rotinas, são próximas ou distantes, apenas isto.

— Ah sim... – Ela disse simplesmente, deu-me a impressão que ela estava triste do outro lado.

Então, um pensamento me ocorreu, dando-me um direcionamento de como leva-la a começar a desconfiar de mim virtualmente, porém, era algo um pouco constrangedor, mas, necessário. Então, eu teclei...

— Sabe, não me sai da cabeça o dia de suas trocas de palavras... Está lembrada?

Ela fica muda e eu prossigo...

— Será que aquilo quer dizer algo mais? Você anda pensando muito nestas coisas?

Instantaneamente, ela troca de assunto e percebo que busca sair mais cedo da sala.

Resolvi fazer isto, pois, eu fico me perguntando, se o cara supostamente, falha com ela, e supostamente a está enrolando agora, por que ela ainda quer manter contato com ele?

Então compreendi, e as minhas estratégias se redefiniram em minha mente: primeiro havia a questão da solidão. Ela é tão só quanto eu. E segundo, ela confia “nele”, ao passo que ela não confia em mim. Assim, meu ponto de partida será, minar a confiança dela “nele”. E fazê-la confiar em mim.

É lógico que isso requer convivência, e por mais estranho que pareça, por mais que ela não conheça o seu relacionamento virtual pessoalmente, eles já “convivem” há cerca de seis meses. Porém, e eu?

Ela não me conhece, ela conhece a “imagem” que ela criou de mim. Então, primeiro passo, ela precisa me conhecer, e segundo, ela precisa aprender a confiar em mim.

Então, na sexta-feira, assim que eu saio do trabalho, as 15:00 horas, passo correndo em casa, tomo um banho, troco de roupa colocando um confortável conjunto para caminhada, levando um moletom, para caso esfriasse mais tarde.

Saio levando o Spike juntamente comigo, rumo ao Central Park. Spike quase não se contém de tanta alegria. Ele está, muito feliz.

Andamos por cerca de meia hora, quando de repente, meus olhos alcançam a melhor visão do mundo: Valerie sentada em um banco lendo um livro!

Ela estava linda, como sempre, de tênis, calça legging, camiseta, e um moletom amarrado à cintura. O cabelo preso num rabo de cavalo. Meu coração dispara completamente, e procuro me acalmar respirando fundo...

Então, aproximo-me para abordá-la...

— Oi Valerie, como vai? – Ela olha-me surpresa, mas, não há reprovação em seu olhar, em momento algum.

— Ei... Tudo bem e você?

— Caminhando...

— É estou vendo...

E rimos juntos de minha piada. Solto Spike um pouco. Ele sai em disparada para brincar, mas, no meio do caminho volta e chega perto de Valerie.

Ela faz um carinho nele, e vou dizer..., que vontade de ser o Spike neste momento... Assim que ela termina, ele aproveita e sem que ela espere, lambe o seu rosto com vontade! Levando-a gritar:

— AI MEU DEUS! ELE ME LAMBEU!

Segurei uma vontade imensa de rir enquanto pegava um lenço em meu bolso e passava para ela. Porém, ao olhar em meu rosto, ela percebeu que eu prendia o riso... Eu fiquei sem graça, mas, não estava quase suportando mais prendê-lo e eu disse...

— Desculpe, é mais forte que eu... – E comecei a rir, e para minha surpresa ela me seguiu, e riu muito. E parecendo compreender, bem naquele momento, Spike ficou agitado como que quisesse fazer parte daquilo. E eu disse...

— Podemos dizer que, ele te beijou, e ele só fez isto porque gostou de você!

Ela sorriu e disse...

— Você é um fofo sabia, lindo?

Aquilo me assusta, olho repentinamente para ela, mas, consigo disfarçar. Na verdade, ela estava chamando Spike de lindo.

O bom do episódio com Spike, foi que ela relaxou a partir dali, e foi possível conversarmos por um longo tempo. E por sinal, ela era ótima para isto, com apenas um detalhe: falava muito. Porém, o mais incrível, é que isto não me incomodava.

No meio da conversa, aproveitando uma oportunidade eu disse...

— E como vai o seu relacionamento? Já fez as perguntas que eu te sugeri?

Primeiro ela ficou um pouco constrangida, depois disse...

— Ainda não...

— Hum... Sabe estive pensando – E neste momento, resolvo atacar justamente o ponto que deixei em aberto da última vez: a troca de palavras.

— Será que... Ele não é um pervertido? Há tantos casos disto por aí? Ele nunca te disse algo pra que você desconfiasse não?

Ela me olha estranhamente e diz...

— Bem, nunca havia me dito, mas...Ontem...

Assim ela me conta o episódio das trocas de palavras e devo dizer que ela estava roxa de vergonha. Ela também diz o que ele disse ontem. Então, aproveito a deixa para lançar mais uma dúvida a ela...

— Bem, pode ser um sinal. Mais uma vez eu digo, fica de olho...

Percebo que desta vez, ela ficou bem mexida. Assim, conversamos mais um pouco até que ela diz...

— Está tarde. Eu preciso ir.

— Eu posso te acompanhar? É caminho para mim. – E chamo Spike.

— Amigão, vamos? – Ele prontamente obedece, mas, primeiro vem ao lado dela receber mais um carinho... Cachorrinho sortudo o meu!

— Sim, pode, claro.

Ela responde minha pergunta. E bem neste momento, alguém na praça grita...

— “Baby”.

E ela olha procurando, e quando percebe que eu a olho interrogativamente, ela fica vermelha, então aproveitando...

— Ele chama você de Baby?

Ela me olha tímida e responde que sim com a cabeça. E pergunto-lhe...

— Você gosta?

Ela também afirma com a cabeça. Porém, fica de pé, evidenciando que precisamos ir e que quer encerrar o assunto.

***

Os dias vão passando e as semanas correm. Eu sempre procuro estar por dentro dos seus roteiros de alguma forma. Nós passamos o mês de janeiro todo nos encontrando desta maneira, “casualmente”. E devo dizer, que eram as melhores horas do meu dia.

Como ela é agradável, cheia de vida.

Suas desconfianças voltadas a mim, parecem que cederam um pouco. Mas, passo a ter a certeza disto, após quase um mês de contato e encontros casuais. Porque, ela começa a realmente desconfiar do seu relacionamento virtual.

Ela me evidencia isto, perguntando a ele, as coisas que lhe sugeri. E foi algo muito engraçado de se ver. Pois, em meio a uma conversa nossa no bate-papo, do nada ela diz:

— Olha, eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas delicadas... Talvez, você estranhe o fato de eu nunca ter perguntado, mas, a questão é que somente agora, estas coisas têm me incomodado.

Aquilo me deu vontade de rir. Porém, me contive, mas, fiquei feliz por perceber que ela enfim, estava dando ouvido às orientações que eu lhe dava. Então eu teclei...

— Tudo bem, pode perguntar.

Ela faz um tempo de silêncio, e tenho certeza, que ela está vermelha e constrangida. Assim, tecla...

— Desculpa, mas... Você é casado?

Aquilo me faz rir comigo. Mas, respondo...

— NÃO!

— Hum... É gay? – Começo a rir comigo de novo, porém, mais de satisfação com aquilo do que tudo...

— NÃO!

— Quantos quilos você, tem e quanto você mede?

E morrendo de rir, internamente, eu digo...

— Olha, eu posso te garantir que eu não sou obeso. Aliás, eu não tenho nada de obeso.

Ela automaticamente diz...

— Desculpe...

— Tudo bem, eu sei o que você está fazendo... Você está tentando entender por que nós ainda não nos encontramos. E eu tenho uma ideia, para acabarmos de vez com isto.

— Sim...

— Bem... Como o Valentine's Day está chegando eu proponho o nosso encontro para este dia o que você acha? No final da tarde no Central Park?

Ela é bem sincera em responder...

— Desde que não haja desencontros, nem muito menos eu fique só esperando...

— Sem "bolo" desta vez. De verdade!

— Tudo bem.

Eu sabia que estava colocando tudo em um ponto de decisão, mas, eu entendi que agora, era necessário.

Não dava mais para esperar, e de qualquer forma, eu ainda tenho alguns poucos dias para vê-la pessoalmente e continuar na minha tentativa de conquistá-la.

Como ela passou a seguir o que eu a orientava, comecei a compreender que na verdade, agora, ela estava não só me ouvindo, mas, também, dando crédito ao que eu falava com ela. E este fato, me encheu de esperança...

Nossos encontros continuavam, ainda que, para ela, eles fossem casuais, eu percebia que aquilo não a incomodava, muito pelo contrário. Eu já a sentia muito confortável.

Na empresa, a coisa era um pouco diferente. Embora o clima entre nós, não fosse mais de hostilidade, ainda era tenso.

Eu percebia que a questão do manuscrito, era o ponto nevrálgico da situação. E ali eu sabia que de alguma forma, algum dia, eu precisava reparar aquilo. Eu não sabia como, mas, eu precisava.

Por fim, houve um encontro casual nosso, que foi muito interessante, e neste já estávamos adentrando em meados de fevereiro... E nas vésperas do Valentine's Day.

Este, foi na feirinha, e por sinal, ali acontecia sempre os nossos melhores encontros...

Bem no meio de nossas conversas, e, neste dia, ela estava totalmente relaxada, assim ela pergunta...

— Cadê o seu amigão?

Ela se referia a Spike e eu percebi que ela não sabia o seu nome, e aquilo me deu uma ideia.

— Ficou em casa hoje, pois eu voltaria com as mãos cheias das compras, e fica difícil guiá-lo.

Então, ela disse...

— Eu poderia guiá-lo pra você...

— Obrigado! Você faria isto? Até onde moro?

— Sim... – Ela responde constrangida, e conclui... – Estaria retribuindo, pelo menos um pouco, um grande favor, lembra-se que você cuidou de mim quando eu estava doente, e como você me ajudou no elevador?

— Sim... Porém, eu não sabia que iria ter ver hoje, tem isto também. – Eu disse para disfarçar.

Naquele momento eu percebi a possibilidade de algo está mudando. E isto foi fortalecido quando de repente, ela disse...

— Percebeu o quanto a gente vem se encontrando ultimamente?

— Sim, embora casualmente... – Eu disse reforçando. – Por quê? Isto incomoda você?

Ela respira fundo e diz, expressando sinceridade...

— Já incomodou. Hoje em dia não!

Aproveitando a oportunidade, digo-lhe...

— Bem, que tal nos encontrarmos então, no Valentine's Day? Podemos passear pela cidade, almoçarmos juntos ou fazer um piquenique?

Ela fica me olhando e eu sei que ela está ponderando, porque é o dia do seu encontro com o pretendente virtual.

— Bem, eu até poderia sim, mas, eu devo dizer que eu tenho de estar livre antes das quatro. Pois, eu já tenho um encontro.

Ela diz, e, está vermelha.

— Com ele? – Eu pergunto...

— Sim... – Ela cora mais.

— Sério? E você daria preferência a ele que você nunca viu, e já furou com você, a mim? Que você conhece pessoalmente, e tem aos poucos me conhecido no dia a dia?

Bem neste momento, eu quase me arrependo de pressioná-la. Porém, ela diz algo que me surpreende.

— Bem, na verdade, eu preciso vê-lo para compreender algo...

Aquilo me deixa curioso, mas, entendo que não devo prosseguir naquele momento...

Caminhamos juntos e mais uma vez, acompanho-lhe até em casa.

Ao chegar à porta do seu prédio, tento algo, mesmo com receio, aproximo-me e inclino-me para beijar o seu rosto.

Toco o seu rosto com os meus lábios, e, a sensação é maravilhosa, por que uma corrente elétrica passa a percorrer o meu corpo por inteiro a partir daquele pequeno ponto em que nos tocamos.

É impressionante o quanto ela não hesita, e ao afastar-me, vejo-a vermelha. E ela apenas acena se despedindo e sobe para o seu edifício.

Retorno para casa muito satisfeito com meu dia.

Naquela noite, eu percebo que ela também está diferente durante o bate-papo. Mais, distraída...

A percepção que eu tenho, é que, a minha pergunta de hoje, fez com que ela ponderasse, sobre alguma possibilidade de escolher entre eu, Henry Lazar, e eu, relacionamento virtual, e de certa forma, aquilo me deixa desconfortável, não quero pensar na possibilidade dela fazer outra escolha, essa possibilidade, dói em mim.

Embora eu saiba que isto agora, a esta altura, próximo ao encontro, é inevitável.

***

Sabe aquele dia que você acorda com uma sensação maravilhosa de oportunidade? Pois é, eu acordei assim.

Arrumo-me com roupas leves, porém, capricho no cheiro. Preparo uma cesta de lanches para o dia. Como acabo saindo mais tarde, Spike acaba vendo Rose e não quer ir. Estava com saudades dela. Achei bom aquilo, porque, assim, ele estaria descansado para ir comigo á tarde para o tão esperado encontro.

Eu e Valerie passamos um dia maravilhoso. Fomos a algumas praças e pontos bonitos da cidade, almoçamos em um lugar bem alegre. E por fim, caminhamos juntos no Central Park, olhamos os canteiros de margaridas. E ali mesmo paramos para fazer nosso piquenique.

Eu levo chá, achocolatado, café, pão, biscoitos... Ela leva bolo, suco e frutas.

Paramos em um gramado e preparamos um local para comermos. Ela está linda, veste roupas leves, branca. Seu sorriso hoje é contagiante. Começamos a comer. E em um determinado momento ela diz...

— Não vai comer bolo? Eu fiz o mesmo sabor que você levou aquele dia, deduzindo que você gostava, é de cenoura.

Eu fiquei constrangido, pois, como eu diria a ela que eu ainda possuia receio de comer as coisas que ela preparava?

— Olha, eu gosto, mas é que... – Resolvi ser sincero. – E se você tiver colocado algo? – Digo com receio de magoá-la, mas, com sinceridade.

— Eu não faria isto... – E antes de terminar, creio que ela se lembra do episódio com o café, então diz... – Me desculpa por aquilo, prometo que eu não farei mais. E no mais, eu posso fazer algo...

Assim, ela toma um pedaço de bolo e morde, e depois o leva a minha boca, e ainda que desconfiado, como com satisfação, por tê-la fazendo aquilo por mim. O mesmo ela faz com o suco. E, sem que percebêssemos, em pouco tempo, estávamos dividindo tudo. Até que eu digo:

— Você nem parece aquela Valerie que eu conheci.

Ela sorri tímida.

— Por quê? Eu era tão assustadora assim?

— O quê? Demais, você não acreditaria, se eu dissesse do que eu chamava você. Eu tenho receio de dizer e você ficar chateada.

— Hum... Mas, eu gostaria de saber. Faremos assim, por pior que seja, eu prometo que eu não ficarei chateada. Afinal, creio que eu não tenho muito este direito, pois, eu também já disse coisas horríveis a você e você perdoou.

Ela disse aquilo constrangida, mas, com muita sinceridade no olhar.

Assim, eu me encolhi escondendo o rosto, com as mãos, e disse num sussurro...

— Hum... “Diaba”...

Surpreendentemente ela começou a rir, o que me fez olhar com uma interrogação enorme no rosto, para ela. E no meio dos risos, ela disse:

— Eu não, posso ficar chateada com você por isto, Henry. – Adoro quando ela pronuncia o meu nome. – Pois, realmente eu fiz de sua vida um “Inferno”. – E agora ela estava séria. – Arranhei o seu carro, salguei o seu café, disse coisas horríveis a você... E você só me retribuiu... Com gentilezas. Perdoe-me por tudo isto.

— É, mas, você teve o seu motivo. Por causa de mim, um sonho seu foi frustrado. E aí eu é quem te peço, mais uma vez agora, me perdoe.

Sinto que ainda não é confortável para ela falar sobre isto, porém, sinto que ela está se esforçando para ponderar. Então resolvo algo...

Afasto a comida, que está entre nós, um pouco, para sentar-me ao seu lado. Mas, antes, eu pergunto.

— Posso? – Ela assente que sim com a cabeça, olho para o relógio e está próximo das três horas, assim, meu tempo está acabando...

— Eu quero que saiba duas coisas Valerie. – Eu disse olhando com intensidade em seus olhos.

— Primeiro é que não te classifico mais como uma “Diaba”. – E é óbvio que eu disse aquilo sorrindo. – E segundo se houvesse alguma forma de publicar o seu manuscrito para você, nas mesmas condições que ele seria publicado caso ele fosse o ganhador do concurso, agora mesmo, neste exato momento, eu o faria.

Ela me olha surpreendida, e creio que, vê tanta verdade no que digo em meus olhos, que os seus enchem-se de lágrimas. Então, eu prossigo...

— Eu não tenho mais como te chamar de “Diaba”, nem que eu quisesse. Pois, você se revelou como um “Anjo” para mim. Você é doce, gentil, alegre, esforçada, determinada... – E suas lágrimas agora corriam livremente. Eu continuo:

— Porém, eu preciso saber. E eu, como você me vê hoje? Lembra-se do que eu te disse? Você não me conhecia, você conhecia a imagem que havia feito de mim. E às vezes, isto acontece mesmo. Não vê as flores? Geralmente, todos amam as rosas, mas, tem dificuldades de manuseá-la por causa dos espinhos, mas, geralmente ela é a primeira opção para um arranjo. Porém, a partir do dia que você me disse, que margaridas eram as suas flores preferidas, eu fiquei pensando, o que ela vê nelas, e passei a observá-las melhor. Elas podem não ter a mesma beleza chamativa das rosas, mas, ainda sim, são belas, têm um perfume incomparável, e são muito delicadas. Assim, somos nós, às vezes, a primeira impressão podemos não atrair, porque, de alguma maneira podemos passar uma imagem negativa do que somos. Mas, as coisas mudam e as pessoas também. E mais, às vezes quando nos deixamos conhecer ou permitimo-nos conhecer melhor o outro, revelamos e aprendemos de nós mesmos e do outro, coisas surpreendentes, ao passo que, se não arriscarmos, isto não é possível.

Ela me olha muito comovida e respira fundo. No entanto, ainda faz silêncio. Então, tomo a sua mão com delicadeza, ainda olhando em seus olhos, e antes de tocá-la, eu peço permissão com o olhar, e ela permite com um aceno de cabeça. Assim, concluo...

— Então, eu preciso muito te fazer uma pergunta, aliás, duas. – Respiro criando coragem. – Primeira, você ainda me odeia? Eu, Henry Lazar, esta pessoa que você tem obtido oportunidade de conhecer pouco a pouco. Eu ainda mereço o seu ódio? Seja sincera, por favor...

Percebo que ela tem uma batalha interna travada e aquilo me angustia... E se ela disser que sim?... Porém, ela toma fôlego, e responde num fio de voz, creio que, com o máximo de forças que conseguiu reunir...

— Não. Eu não poderia..., mais, odiar você. Aquele que eu odiava, não é você. Você... – Ela hesitou um pouco, com vergonha eu creio, pois, estava vermelha. – É uma pessoa incrível, Henry, de verdade.

Suspirei com um alívio tão grande no peito, e senti meus olhos também se encherem de lágrimas, creio que, nem eu imaginava, o quanto aquelas palavras mexeriam comigo, pois, elas arrancaram um peso enorme do meu coração.

— Obrigado, não sabe o quanto significa para mim, ouvir isto de você. – Eu disse ainda comovido. – Porém, agora eu quero lhe fazer a outra pergunta. Mas, antes, eu quero dizer que você também, é uma pessoa maravilhosa. E para mim, isto é bem mais, do que deveria ser. Você é especial para mim Valerie, muito. Não sabe o quanto. – Primeiro ela se assusta, evidenciando isto em seu olhar espantado. Depois de um tempo, ela sorri em meio às lágrimas... Eu prossigo:

— E se... Eu não houvesse ganhado aquele concurso, e nada disso houvesse acontecido, para que você alimentasse tanto ódio de mim, eu teria alguma chance de conquistar você? Haveria alguma chance para nós?

Neste momento, o seu relógio, apita marcando três horas. E ela olha para mim angustiada e diz...

— Eu preciso ir...

E ansioso por sua resposta, eu digo...

— Me responda... Por favor...

— Eu preciso ir... Eu preciso saber algo antes... Porém, eu quero que você saiba, este dia foi maravilhoso! Assim como... VOCÊ é maravilhoso, Henry! Desculpe, realmente eu preciso ir...

Ela diz, e levanta-se recolhendo as coisas rapidamente e sai, olhando-me nos olhos, ainda comovida...

Recolho minhas coisas rapidamente. Pois, sei que o meu tempo também, será curto.

Terminando tudo, eu saio em disparada para meu apartamento.

Entrego as coisas a Rose para ela guardar. Corro para o banho e me arrumo em tempo recorde, calça Jeans, camisa social e sapa tênis. Pego Spike, e saímos de carro rumo ao Central Park. No caminho, eu paro e compro um lindo buquê de margaridas.

No fundo do meu coração, eu sabia que eu havia mexido com ela. Mas, como será que ela vai reagir, quando ela ver que sou eu? E o que será que ela quer saber antes?

Chegando ao Central Park, meu coração já está aceleradíssimo com a expectativa de tudo aquilo.

Após caminhar cinco minutos rumo ao local em que marcamos, ao longe já a vejo... Ela está de costas para mim recostada a uma grade do canteiro de margaridas.

Está linda como sempre, e veste uma calça skinny preta e uma blusa linda, na cor branca, e, calça sapatilhas. Os cabelos estão soltos.

Estou maravilhado e ansioso com aquela visão. Finalmente, hoje eu saberia se teria aquela linda mulher para mim ou não.

Aquela que se revelou tão especial para mim, pois, ela tem a doçura da minha Baby que venho ansiando por meses, mas, também tem a beleza, e graça do “Anjo” que eu vi surgir aos poucos, neste pouco tempo de convivência, com Valerie. E uma coisa eu posso dizer, se ela realmente me aceitar ao seu lado, ela literalmente vai ter conseguido ascender a minha vida do “Inferno” que ela fazia antes ao “Paraíso” que será tê-la para mim neste momento.

Aproximo-me em meio a estes pensamentos...

Quando eu já estou próximo, e pronto para soltar Spike para realizar o meu plano de surpreendê-la com ele. Ele se antecipa a mim, pois, a vê e fica agitadíssimo. Assim, ele parte para direção dela, fazendo-me gritar pelo susto...

— Spike, espere!

Bem naquele instante, ela se vira procurando. Porém, Spike já está ao seu lado e eu congelo onde estou, com medo. Ela abaixa-se, o abraça, beija sua cabeça e a cena é linda de se ver!

Porém, o mais impactante acontece, quando ela se levanta e olha para mim... Estamos a uns poucos metros de distância, mas, é possível ver que seus olhos e seu rosto estão banhados em lágrimas.

Então, nós dois damos alguns passos nos aproximando, sinto minhas mãos trêmulas, pois, se quer imagino o que vai acontecer. Quando estamos a dois passos de distância... Ela sorri para mim, e é um sorriso tão lindo, tão radiante... E diz:

— Agora eu posso responder a você. Pois, graças a Deus, eu descobri que o algo, que eu lá no fundo esperava e queria ansiosamente, era verdade. É você... Este tempo todo que eu te conheci, Henry, eu queria e torcia demais para que fosse você. Às vezes, eu cheguei a achar que eu estava louca. Mas, ainda sim, eu queria acreditar. E agora eu posso responder... Mesmo que tudo tenha acontecido, eu ainda quero você! Pois, você transformou a vontade, o desejo que eu tinha de fazer sua vida um “Inferno” no desejo desesperado de transformá-la num “Paraíso”. E você? Você me quer?

Eu estava chocado demais com suas palavras, porém sua pergunta despertou em mim tudo aquilo que venho guardando para ela, a paixão o desejo, o amor, sim, eu aprendi a amar aquela linda mulher... Então, sem esperar por mais um segundo, eu lhe digo...

— Você é um “Anjo”!

Assim, termino de fechar o espaço entre nós. E quando estou perto de abraçá-la e tomar os seus lábios, ela surpreendentemente, envolve o meu pescoço com os seus braços e lança-se em meu colo envolvendo meus quadris com suas pernas, levando-me a envolver sua cintura com um braço e sua nuca com uma mão. Assim, ela diz olhando em meus olhos quando estamos a milímetros de nos beijar...

— E então? Você quer que eu me torne o seu “Anjo” particular?

E eu respondo com um sorriso triunfante...

— Claro! Você já é o meu “Anjo” e tem toda a liberdade, para fazer de minha vida um “Paraíso”, eu vou adorar isto!

Digo-lhe maliciosamente e depois lhe dou um sorriso de júbilo.

E ela faceiramente sorri e diz...

— Posso ser uma “Diaba” também quando você quiser. Sua “Diaba” particular!

Em seguida, ela toma os meus lábios com a fúria e paixão que temos guardado nestes longos meses um para o outro.

Quando já estamos sem ar, afastamos nossos rostos rapidamente, então, lhe digo preso em suas lindas írises verdes:

— Feliz Valentine’s Day, Baby, meu “Anjo”!

E ela responde sorrindo pra mim...

— Feliz Valentine’s Day, Henry, meu lindo!

E sorrindo, voltamos a nos beijar como se nossas vidas dependessem daquele beijo. E devo dizer que, dependia mesmo!

***

Posso dizer que, aquele foi o primeiro melhor Valentine’s Day da minha vida, de muitos que eu certamente passarei ao seu lado. E que, realmente ela se tornou o “Anjo” perfeito para mim. E o mais impressionante é que eu também posso ter uma “Diaba” nos momentos oportunos. E esse fato é bom demais, para dizer a verdade! Bem, você entendeu...

Então, agora o que posso dizer é que tenho o meu, meu próprio “Paraíso Particular”!

*TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo.

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Notas finais
E aí pessoas lindas o que acharam? Mereço Reviews e Recomendações? Gratidão e até o Capítulo Bônus - Epílogo.