Pov Thalia

Depois de um dia turbulento, a melhor coisa para se fazer é tomar um banho de água gelada, pena que não está fazendo calor para tomar banho de água fria. Pego minhas roupas, e entro no banheiro. Ainda bem que não tenho mania de cantar no chuveiro como o Percy, além dele ser desafinado ainda canta as músicas tudo errado.

– Você não vai sair da ai não?- ele pergunta girando a maçaneta, ainda bem que tranquei a porta.

– Garotas normais costumam demorar o dobro do tempo!- grito para ele, escuto uns palavrões do outro lado da porta, mas não ligo, onde estava mesmo. Lembrei, pego um canivete, eu sempre estou com um canivete, sabe ele é multi-uso, e tal. Chego a colocar a faca no pulso, mas Percy bate de novo na porta- O que é agora?!.

– Você já está ai dentro por mais de uma hora, não se matou ainda não né?

– Se eu estivesse morta como estaria respondendo a sua pergunta!- grito de volta, colocando o canivete nas costas, e destrancando a porta. Faço o possível para Percy não perceber a canivete, mas ele nota que estou escondendo algo.

– Thalia o que você tem na mão?- ele vai em minha direção e segura meu braço esquerdo- Fala serio Thalia, tentou se matar de novo- ele arranca o canivete de minhas mãos.

– Mas eu nem cheguei a me cortar- digo mostrando-lhe os pulsos.

– Thalia- ele diz com um tom suave, e me senta em minha cama, enquanto guarda o canivete numa caixa e a tranca- Para uma pessoa tentar se matar, tem que estar acontecendo algo, você esta com depressão ou algo do tipo? O que está havendo?

Uma lágrima ameça escorrer pelo meu rosto, mas não permito, pisco para que ela suma.

– Não é nada...

– Fala logo, desabafa.

– Desabafar é para fracos- digo piscando de novo, droga de lágrima que não vai embora.

– Anda, fala- ele se senta em sua cama e fica de frente para mim.

– Minha vida é uma droga- não aguento mais segurar isso para mim- você não entende, meu pai me separou do meu irmão, porque achou que eu seria má influencia, minha mãe desapareceu do mapa, nunca me visitou, nem uma ligação no dia do meu aniversário fez. Meu pai trabalha o dia todo e quando chega em casa, vai fazer projetos para o trabalho. Meus amigos são traidores, sempre quando dizia para eles não contarem algo para ninguém, a escola inteira ficava sabendo. O jeito que arrumei de chamar atenção do meu pai, foi indo parar na delegacia- tento engolir o choro, mas não dava, lágrimas escorriam do meu roto, e Percy me olhava com olhar de pena, coisa que não gosto, odeio quando sentem pena de mim- Na escola meus amigos me chamavam de "cria do diabo", esquisita, demônio, reencarnação do satanás.

– Então foi por isso que no aeroporto, quando te chamei de esquisita seus olhos se encheram de lágrimas.

– Agora você entendeu? Por isso tenho cicatrizes no pulso, já me cortei muitas vezes, mas nunca fui para no hospital- digo estendendo os pulsos novamente, ele pega na minha mão e começa a olhar as cicatrizes.

– Quando estou numa situação dessas um abraço me ajuda- ele se levanta a abre os braços.

– Você fala como se já esteve numa dessas situações- digo me levantando e abraçando-o, começo a chorar ainda mais, ele começa acariciar meus cabelos.

– Esquece tudo, finja que foi só uma sonho ruim.

– Falar é fácil, não é apenas esquecer, isso virou feridas, não dá para esquecer.

– Então vamos tentar cicatrizar essas feridas.

– Você é um bom amigo Percy- me solto de seus braços, e me deito na cama.

– Não vai jantar não?- ele me pergunta, colocando os tênis.

– Não estou com fome- respondo, colocando os cobertores e me virando na cama.

– Você quem sabe, quer que eu traga alguma comida?

– Não, valeu.

Ele sai do quarto, tento dormir, ainda é 20:30, mas para um preguiçoso toda hora é hora de dormir.

POV Percy

Vou para o refeitório, legal, macarrão, será que é semana italiana? Pego um punhado de espaguete, me sento na mesma mesa que Annabeth e Nico estavam.

– Cadê a Thalia?- pergunta Annabeth mordendo uma maçã.

– Ela não quis jantar, está no quarto- respondo desanimado.

– Como vocês se conheceram?- pergunta Nico, curioso.

– Sabe Nico, o verdade ou desafio já acabou- respondo colocando um punhado de macarrão na boca.

– Só estou curioso, anda fala.

– Numa briga, no aeroporto- respondo, Nico e Annabeth se olham com pontos de interrogação na cabeça- ela pegou uma mala igual a minha, eu achei que fosse minha mala, então começamos a discutir até que chegou um cara e pegou a mala, no final, não era de nenhum de nós dois.

Eles só respondem um "hum". Volto a comer. Terminando, são umas 21:30, volto ao quarto, Thalia já estava dormindo. Me sento em sua cama e coloco mão em seu rosto. Como pode, uma pessoa parecer tão segura por fora e por dentro, ser deprimida. Coloco um pijama e me deito para dormir também, além do mais, se for ficar ligando a televisão ou o computador vai acorda-la.