Do I Wanna Know?
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Foi em uma semana em abril.
Izaya e eu começáramos algum tipo de relacionamento há pouco mais de um mês, depois de muitos encontros de sexo casual e complicações. Porém, naquela semana, em especial, eu não ouvira uma palavra dele.
Então, sexta-feira resolvi dar uma passada em seu apartamento depois do trabalho.
— Izaya, cheguei. — anunciei da porta enquanto descalçava os sapatos e girava as chaves de volta na fechadura.
Em um primeiro momento, estranhei a ausência do anfitrião atrás da escrivaninha, digitando em seu computador, como sempre o encontrava ao chegar. Na hora, imaginei que estivesse no banho, então simplesmente me atirei no sofá com um suspiro, esparramando-me pelos assentos até deitar a cabeça no encosto do braço, e fechei os olhos.
Clac.
Clac?
Clac, clac, clac, clac.
Mas que diabos?
Antes que chegasse a olhar, ouvi uma voz aveludada cortar o semissilêncio a certa distância:
— Olá, Shizu-chan.
Inclinando a cabeça para trás, abri minimamente um olho para logo arregalar ambos à visão que me foi apresentada.
— Mas o que caralhos, Izaya?!
O desgraçado riu baixinho em um tom excessivamente feminino, cobrindo a boca. O mesmo desgraçado que trajava meia-calça e salto alto debaixo de uma saia preta justa; o mesmo desgraçado que requebrava a cintura coberta por uma camiseta decotada que expunha um volumoso sutiã de rendas vermelhas; o mesmo desgraçado cujos lábios e cílios destacavam-se com tinta; e o mesmo desgraçado que possuía longos cabelos pretos e lisos, cuja franja cobria parcialmente seus olhos de cor única e inconfundível. Foi esse último detalhe, somado ao tradicional casaco decorado com pelos, que entregou a identidade do homem parado a poucos metros de mim.
— Você é tão escandaloso, Shizu-chan... — suspirou em desaprovação, deixando os ombros relaxarem.
— Perdeu a cabeça, pulga?! — ignorei-o, sentando direito no sofá com incredulidade provavelmente estampada no rosto.
— Como sempre, que reação exagerada... — repreendeu calmamente, descendo as escadas com uma elegância incrível para alguém usando um salto alto.
— Por que você está vestido de mulher?!
— Estou fazendo um experimento. — Izaya deu de ombros, caminhando—não, rebolando até a parede oposta a mim e nela recostando-se — Para o trabalho.
— Como diabos se travestir vai ajudar no seu trabalho?! — rosnei, involuntariamente fixando os olhos naquelas pernas tentadoramente delineadas pela meia-calça.
— Nunca reparou como as mulheres conseguem as coisas mais facilmente, Shizu-chan? — cruzou os braços, inclinando a cabeça com um sorriso de lado e uma sobrancelha arqueada — É o que chamam de "charme feminino".
— Não acho você lá muito convincente, pulga. — ri pelo nariz com deboche, mas minha expressão logo murchou ao erguer o olhar para as íris castanho-avermelhadas estreitadas.
— Você não viu nada para afirmar isso.
— Acho que vi o bastante. — rebati, erguendo as sobrancelhas.
Talvez eu não devesse ter provocado Izaya. Pena que percebi isso somente quando o informante caminhou lentamente até a porta e desligou as luzes principais com um clique, deixando restar apenas um conjunto de luzes de teto mais fracas acesas.
— Shizu-chan trabalhou o dia todo... — me surpreendi com a voz manhosa e rouca que Izaya conseguiu reproduzir — Deve estar exausto, pobrezinho.
— Izaya, o qu—
— Ah-ah, Shizu-chan. — me interrompeu, travando nossos olhares em uma silenciosa amálgama de ferrugem e âmbar — Um trabalhador tão empenhado merece uma recompensa...
Pelo sorriso que se espalhou maliciosamente pelos lábios dele, coisa boa não aconteceria. Mesmo assim, tomado pela curiosidade, me mantive quieto, apenas acompanhando-o com o olhar enquanto serpenteava pela sala até o aparelho de som.
Izaya apertou uma tecla e uma batida marcada passou a tocar, ao ritmo da qual ele desfilou até mim com as marteladas do salto combinadas à música. Parou na minha frente, do outro lado da mesinha de café.
Quando uma melodia sensual foi introduzida à batida, Izaya embalou os quadris ao novo ritmo. À meia-luz, seus olhos de um vermelho escuro reluziam perigosamente como ele fosse a própria encarnação da luxúria.
Já não estava acreditando no que estava acontecendo quando o moreno deixou um ombro pender para um lado, fazendo com que seu casaco deslizasse e revelasse um ombro desnudo e virgem de marcas. Foi só quando o vocal juntou-se à combinação lânguida de instrumentos e batidas que Izaya permitiu que a peça de roupa inteira caísse de seus ombros ao chão em um único movimento impossivelmente lento e sexy.
— Cacete... — deixei escapar, sem perceber, em um suspiro, sentindo uma onda de calor esgueirar-se até minhas partes inferiores sem minha permissão.
O sorriso do informante se alargou, encorajando-o a continuar a dança. Movia o corpo como uma serpente, fazendo curvas suaves com o quadril e com os ombros até engatar um dedo fino na alça da camiseta e puxá-la vagarosamente para o lado juntamente com a alça do sutiã, revelando a clavícula destacada em relevo em seu peito.
Distraído pelo osso protuberante, mal percebi sua aproximação até que Izaya sentou-se na mesa de centro em minha frente e cruzou as pernas, apoiando as mãos na superfície da mobília atrás de si.
— Shizu-chan parece meio tenso... — descruzou a perna de cima, deixando o salto cair de seu calcanhar, e vagarosamente dirigiu-a a meu colo — Por que será…?
Não sei se esperava uma resposta, mas, a partir do momento em que encaixou a sola do pé em minha coxa e deslizou-o em direção a minha virilha, não consegui mais formular uma frase coerente.
— Hmmm... Isso parece meio incômodo, Shizu-chan... — murmurou roucamente, massageando o crescente volume em meu baixo ventre com o peito do pé — Deixe-me cuidar disso...
Fluiu da mesa para o chão em segundos, ajoelhando-se entre minhas pernas. Enquanto desafivelava meu cinto e abria minhas calças, fitava-me diretamente com aqueles olhos cativantes e enlouquecedoramente maliciosos. Quando voltei a mim, minhas calças jaziam a meus pés e Izaya puxava o elástico de minhas cuecas para baixo para libertar a óbvia ereção nelas confinadas.
— Shizu-chan está mesmo animado! — riu baixo, fazendo meu rosto esquentar imediatamente — Não posso decepcioná-lo agora, nee~? — sustentando meu olhar, beijou delicadamente o falo.
— Izaya, já entendi, pode parAH, MERDA, IZ—
Enquanto eu tentava impedir que minha sanidade se esvaísse por completo, o moreno enfiara todo o comprimento do membro dentro da boca, envolvendo toda pele sensível com um calor úmido ensandecedor, e então começou a lubrificá-la com a língua habilidosa.
Se antes estava tendo dificuldades em raciocinar, a partir daquele momento me tornei completamente incapacitado de fazê-lo. Só conseguia me concentrar na umidade deliciosa da boca de Izaya; no jeito como seus lábios artificialmente coloridos fechavam-se ao redor da carne pulsante; nos gemidos que retumbavam por meu corpo, me fazendo crer que ele realmente deliciava-se com o que estava fazendo…
Quando as porções de ar já se atropelavam em minha garganta e meus olhos já fechavam-se com uma força inviolável, Izaya retirou-me de si e assumiu um ritmo leve, me masturbando com suas mãos vagamente gélidas.
— Está gostando, Shizu-chan? — o maldito demônio perguntou-me com um olhar que brilhava como a tentação em si, colando os lábios à lateral do pênis, onde eu sentia cada palavra vibrar sobre meus nervos sensíveis — Diga o que quer que eu faça, Shizu-chan.
A única coisa que eu tinha certeza de que NÃO queria era que ele PARASSE.
— Continua... — apoiei uma mão na cabeça coberta por mechas negras como a noite sem luar — Não para...
Senti os lábios sobre mim esticarem-se em um sorriso satisfeito antes de serem removidos e selados ao redor de meu membro novamente, dessa vez indo mais fundo que antes, me fazendo jogar a cabeça para trás violentamente sobre o encosto do sofá.
Em meio a uma mistura de movimentos com a língua e lábios molhados, Izaya ia mais longe com cada investida. Não tenho bem certeza de quando meus gemidos roucos juntaram-se aos dele, mas imagino que tenha sido quando ele resolveu invadir minha uretra com a ponta da língua e massagear a base com ambas mãos.
Não avisei-o que chegara ao meu limite porque veio como uma surpresa até mesmo para mim; só percebi que o fizera quando meus sentidos se fundiram em um só e Izaya engoliu com o membro ainda dentro de sua boca. Foi também quando percebi que minha pegada em sua cabeça tinha mais força aplicada do que o pretendido.
— F-Foi mal... — arfei, trazendo minha cabeça de volta à frente.
— Mm, não se desculpe. — passou um dedo pelos lábios, e só então percebi que até suas unhas estavam feitas — Shizu-chan é delicioso... — arrastando as sílabas da última palavra, o informante lambeu os dedos lambuzados impudicamente.
— Agora pode parar, admito que você pode ser convincente. — já sentia uma nova onda de calor descer pelo meu abdômen quando o maldito se levantou e subiu em meu colo, uma perna de cada lado de meu quadril.
— Por que parar? — sorriu maliciosamente, tomando minhas mãos e dirigindo-as a seu peito, onde o bojo do sutiã atribuía uma certa protuberância à pele — Shizu-chan fica mesmo mais excitado ao me ver assim...
Embora estivesse ainda meio delirante, detectei a anormalidade daquela frase. Aquela era a pista para o comportamento de Izaya, então me agarrei a ela com o que restava de minha sanidade.
— Achei que isto fosse para o trabalho. — estreitei os olhos a ele, pegando-o na mosca quando hesitou e desviou o olhar, fazendo menção de sair de cima de mim.
— É, sim, para trabalho, mas achei que poderia me divertir um pouco com Shizu-chan no processo, já que ele gosta tanto disto. — disse a última parte com uma amargura quase indetectável.
— Ei, espera. — agarrei seu antebraço, mantendo-o no lugar, o que lhe pareceu gerar inquietação.
— Shizu-chan, estou atrasado. Quer dizer, atrasada para meu compromisso. — suspirou muito profundamente para apenas exasperação — Se me dá licença, preciso ir. — novamente tentou se levantar, porém, coloquei as mãos em seus quadris, eficientemente impedindo-o.
— Eu nunca disse que gostava disso. — argumentei, franzindo o cenho na defensiva. As rugas só se aprofundaram ao ouvir o breve riso de Izaya se dissolver no ar.
— Vejo que Shizu-chan não vai demorar a ter Alzheimer... — riu-se, mais uma vez tentando se desfazer de minha mão.
— Do que tá falando, pulga?
— Nada. Quer dizer, — vi suas feições revelarem um indício de melancolia, embora seus lábios tivessem se esguiado em um sorriso — nada importante, pelo visto. Agora, me largue. Não tenho tempo para brincar.
— Por que diabos você acharia que eu...
...ah.
Abandonei a tensão do meu rosto e simplesmente encarei o homem em meu colo, ponderando sobre a possibilidade do que lembrei ser a causa do comportamento da criatura.
Ele não pode ter ficado sentido por causa daquilo que eu disse...pode? Mas é a única explicação...
— Sinceramente, Shizu-chan, se vai ficar quieto me encarando, espere até eu voltar do trabalho... — suspirou, surrupiando um olhar à porta.
— Izaya, você não levou a sério aquilo que eu disse umas semanas atrás, né? — por fim, resolvi perguntar, já que tinha quase certeza de que telepatia não estava na lista de habilidades do informante.
As desculpas que se seguiriam até poderiam me convencer, se não fosse pelo pequeno gesto seguinte de morder a bochecha, que já há tempos eu registrara como traço de nervosismo em Izaya.
— A que está se referindo? Estou dizendo que é só trabalho, me ouça de vez em—
— Se é trabalho, por que ficou aqui até agora?
Testemunhei então um fenômeno considerado por muitos um milagre: Orihara Izaya calou-se.
Impossível...
***
— Shizu-chan, qual é seu tipo?
Enquanto recuperávamos o fôlego, Izaya me perguntara isso, perturbando o silêncio no ar sendo preenchido pela fumaça de um cigarro entre meus lábios.
— Hah? — franzira o cenho com um ruído não muito inteligente, virando a cabeça para a figura deitada de bruços ao meu lado na cama.
— O que você procura em alguém, o que te atrai, essas coisas. — ele rira baixo, entretido com minha confusão exagerada. — Não consigo imaginar...
Me lembro de ter encarado aquele homem tão insuportável por uns bons momentos, refletindo eu mesmo sobre o assunto.
— Não sei se existe um "tipo" pra isso, mas... — apagara o cigarro e me recostara à cabeceira da cama, sentado — Se estiver falando de preferências, acho que uma garota honesta e gentil...
O maldito rira, aquele mesmo som e tom de deboche presente em seu riso baixo.
— Então Shizu-chan deve estar bem desesperado… — aquele sorriso caracteristicamente irritante acendera sua face corada com malícia novamente — ...para dormir com alguém tão diferente assim, que por sinal é seu inimigo.
— Tch. — franzira o cenho, fuzilando Izaya com o olhar — Você acha que eu não preferiria ter uma garota bonita ao meu lado ao invés de uma pulga?
Na hora, não dera muita atenção à sequência de eventos que prosseguira, mas definitivamente deveria ter. Izaya fitara-me por longos segundos com uma expressão indecifrável antes de sorrir descontraidamente e se afastar de mim na cama.
— Já vai? — perguntara eu, apagando o cigarro na maior genuína inocência.
— Tenho algumas coisas a resolver. — ele dera de ombros, e eu acreditara na indiferença do gesto — Não vai sentir minha falta e destruir o apartamento, ne?
Então jogara-me um olhar de leve e saudável provocação por cima do ombro, enquanto juntava suas roupas do chão do quarto e vestia-as graciosamente. Eu, com minha boa franqueza, não disfarçara o olhar intenso a devorar cada centímetro de pele alva do corpo dele, mas calara-me, sem achar que o que dissera tivesse afetado de maneira alguma o informante.
***
— Não acredito que ficou ofendido com aquilo. — lancei ao moreno um olhar incrédulo, mantendo-o em seu lugar com minhas mãos em suas coxas.
— Não estou ofendido, Shizu-chan. — revirou os olhos, mas eu já tinha certeza de que atingira um nervo — Você nunca me escuta. Isso é para o traba—
— Conta outra. — franzi o cenho e trinquei os dentes, apertando inconscientemente a carne debaixo de minhas mãos. Todo aquele orgulho sempre me irritara. Aquele desgraçado não poderia ser honesto nem quando estava ferido?
Foi só quando Izaya esboçou uma expressão de desconforto que percebi que já deixava a marca dos meus dedos nas coxas debaixo da meia-calça. Imediatamente as removi, mas, felizmente, ele não se mexeu.
— Merda…desculpa. — deixei a cabeça pender, internamente me autorepreendendo por ter perdido o controle por um momento.
— Não foi nada. — era mentira, mesmo que eu soubesse que ele balançava a cabeça lentamente enquanto corria uma mão por minhas mechas loiras.
Ao invés de responder à vaga tentativa de conforto, me limitei a levantar o olhar e encontrar as íris castanho-avermelhadas a me fitar com uma nuance de insegurança.
Insegurança, descobriria eu mais tarde, apesar de parecer uma palavra totalmente inapropriada para se descrever o informante, encaixava-se em nossa relação. Assim como eu, Izaya nunca firmara qualquer tipo de relacionamento amoroso na vida. Se tivesse pensado melhor, eu teria percebido que seria natural ele ter algum tipo de receio a ver com a fragilidade da nossa relação.
Se eu tivesse, talvez teria evitado machucá-lo.
— Escuta, Izaya—
— Shizu-chan, por favor, eu já disse que não estou ofendido, então deixe isso para lá. — me interrompeu com um suspiro que, embora parecesse exasperado, não me convencia de que o moreno não estava ferido de alguma maneira. A expressão que se apoderou de sua face, entretanto, ao ter o corpo envolvido por meus braços era de genuína surpresa.
— Cala essa sua boca e só me ouve uma vez na vida, sua pulga.
Para balancear a indelicadeza da frase e atribuir a intenção planejada a ela, escondi o rosto na curva esguia de seu pescoço, inspirando aquele aroma inebriante; único daquele verme que me infernizava desde que nos conhecemos. No fim, é engraçado pensar no quão parecidos somos, e como bastou apenas um acerto em nossa comunicação para que nos déssemos bem.
Muito bem, na verdade.
— Claro que eu preferiria ter uma mulher linda ao meu lado. Seria bem mais fácil de explicar, de apresentar aos meus amigos e até de sermos aceitos pela sociedade. — Izaya já começava a inquietar-se novamente, a julgar pelo tensionamento de seus músculos — Seria mais simples, realmente, mas…
Descobrira outra coisa no desenrolar de nosso relacionamento: Izaya era fraco a contato visual direto e próximo. Pelo menos comigo nunca falhava. Se eu conseguisse travar nossos olhares um no outro, ele não escaparia mais.
Por isso, afastei-me da pele aconchegante e subi uma mão à face do informante, calçando sua bochecha em minha palma e segurando-o no lugar. Tive os poucos segundos de silêncio para escolher minhas palavras, mas parece que foram elas que me escolheram.
— Eu não quero nada simples. Eu quero você, do jeito que você é.
Nem a floresta mais rica do mundo apresentaria a mesma diversidade de emoções e cores que rajou pelo rosto de Izaya depois de eu ter proferido aquelas palavras, tão forasteiras até a minha própria língua. Arregalou os olhos de cor tão exótica quanto de uma ave tropical; corou como um fruto venenoso; emitiu alguns ruídos de surpresa misturados a resmungos que lembravam o ronronar de algum felino. Sinceramente, ao diabo com florestas: eu tinha o mundo inteiro no meu colo.
Diante daquela adorável bagunça, não pude evitar de sorrir suavemente, o que provavelmente o embaralhou ainda mais.
— Não diga esse tipo de coisa vergonhosa… Você tem 25 anos, não é mais um adolescente… — repreendeu-me, balbuciando timidamente.
Perdi o sorriso assim que bolei uma resposta — admito, um pouco sádica — para o embaraço do moreno.
— Tem razão. — dei de ombros o mais naturalmente que consegui — Agora que sou adulto, preciso agir e falar mais seriamente, né?
O franzir de sobrancelhas de Izaya mostrava que ele não confiava 100% na sinceridade de minha conclusão, mas nem por isso eu iria desistir do plano. Sorri novamente; um sorriso mais amplo e com ares de afetuosa provocação, aproximando meu lábios esticados do pé de seu ouvido:
— Eu te amo, Izaya.
Descobri serem essas palavras o gatilho para fazer com que o informante lançasse seus braços ao redor de meu pescoço, gemendo baixo meu nome, e eliminasse sua face de meu campo de visão em um abraço.
— Ei, o que foi, Izaya-kun? Ou devo te chamar de Izaya–san? — ri baixinho, deslizando a ponta do nariz pela extensão macia de seu pescoço. Com o sorriso evidente na voz, entregava minha diversão — Izaya, olha pra mim.
— …Não. — veio a resposta abafada e aparentemente emburrada, o que me arrancou mais um breve riso e gerou uma bufada irritada em resposta vinda do menor.
— Por que está se escondendo, pulguinha? — com o moreno daquele jeito, me sentia cada vez mais tentado a envergonhá-lo; era quase inevitável.
— Porque Shizu-chan está dizendo coisas ridículas. — resmungou, ainda firmemente agarrado a meu pescoço.
— “Coisas ridículas”? — corri meus lábios pela pele da nuca alheia até atingir seu ouvido novamente, colando meu sorriso a sua orelha: — Você acha que te amar é ridículo? — sussurrei em um tom divertido — Não sou eu quem se travestiu aqui, Izaya.
— E de quem você acha que é a culpa? — rosnou, irritado, em um tom perigosamente baixo.
— De você e sua falta de confiança em mim. — suspirei, enroscando meus dedos no aplique antes de gentilmente removê-lo, retornando os cabelos negros ao comprimento original — Ou em si mesmo. Se eu estivesse com você só por causa do seu corpo… Bem… — sorri de canto, divertido com o pensamento — Eu não estaria.
Não sabia se queria que ele dissesse algo, mas imagino que seu orgulho o impedia de retrucar, de qualquer forma. Entretanto, logo senti-o mover-se, afastando-se para fitar-me com uma expressão tímida que até fazia-o parecer dócil.
Embora sentisse como se pudesse me afogar nos oceanos dos olhos de Izaya, de tanta profundidade e emoções turbulentas, cerrei as pálpebras ao inclinar-me para frente e selar meus lábios aos dele. Afinal, nunca fui bom com palavras e, apesar de parecer obviamente o contrário, nem o informante.
À medida que nossos lábios faziam os ajustes necessários para encaixarem nossas bocas, notei a tensão deixar os ombros do moreno. Suspirei aliviado em meio a seu calor, puxando-o para mais perto pela cintura em resposta ao sentir seus braços relaxarem ao redor de meu pescoço e seus dedos se enlaçarem atrás de minha nuca.
Ainda que quisesse manter aquele ritmo glacial e suave de nossas carícias, logo se tornaram mais calorosas. Línguas passaram a lutar por dominância, enroscando-se uma à outra, tateando o interior da boca alheia, deslizando por lábios úmidos. Izaya ainda trajava vestes femininas e, embora pouco me importasse o que o informante usava ou não, resolvi tirar proveito da acessibilidade oferecida pela saia. Delineei as deliciosas curvas do corpo do moreno com uma mão, descendo-a até a lateral de sua coxa, onde senti a bainha da peça de roupa e subi meus dedos pela superfície macia debaixo dela.
Fui recompensado com um arrepio quando o moreno estremeceu, arqueando sua coluna esguia para aproximar nossos corpos ainda mais. Quando minha mão atingiu sua nádega, levantou os quadris com um suspiro entrecortado, o qual bebi avidamente em meio ao beijo. Passei a massagear a carne macia sob minha palma, apertando e apalpando com firmeza, trilhando o caminho de carícias de volta pela coxa definida daquele maldito irresistível.
Foi o gemido que finalmente rompeu os lábios de Izaya que me fez mudar nossas posições, transpondo-o a deitar de costas no sofá enquanto eu me ajustava em cima dele, no meio de suas pernas.
Abandonei seus lábios com certo pesar para saborear aquele pescoço aveludado, banhando-o com saliva de beijos chupados pela área que se estendia da base de sua orelha às clavículas protuberantes de seu peito. Me deliciava tanto com a pele alva — que apanhava entredentes ora gentilmente, ora vorazmente e largava — quanto com os gemidos e suspiros reprimidos de meu amante.
Logo as roupas de Izaya passaram a me incomodar; estavam no caminho. Foi aí que lembrei que ele ainda trajava uma camiseta decotada e um sutiã, e não consegui segurar um breve riso de descrença enquanto facilmente rasgava ambas as peças de roupas e descartava-as no chão. O desgraçado dizia que não se importava com minha opinião, que não tinha que dar satisfações a ninguém e o caralho a quatro, mas foi até aquele ponto só para me agradar.
Como eu poderia não amar um idiota assim?
— Você é mesmo…tão… — balançava a cabeça, tentando encontrar as palavras certas. Dessa vez, me falharam. Me afastei para encontrar os olhos castanho-rubros que jaziam semicerrados em uma face corada por prazer e talvez ainda resquícios de timidez. Mas, se achava que isso me ajudaria a formular palavras, estava tremendamente enganado: o efeito foi exatamente o contrário.
Nunca poderia desejar outra coisa, tampouco outra pessoa. Izaya, ironicamente, era a pessoa que me completava e que era completada por mim. Não me importava que fosse homem, era a única pessoa capaz de fazer eu me sentir daquele jeito, tão humano e amado. Me frustrava que o informante ainda cogitasse ser um estorvo para mim. Claro, não o achava perfeito; longe disso. Sua personalidade ainda me irritava e o achava insuportável às vezes, mas conhecera seu outro lado, tão parecido comigo. A vontade que tinha era de tomá-lo para sempre, mas, conhecendo a covardia do moreno, isso era um sonho distante (ou objetivo de longo prazo, como quiserem).
Voltando de meus devaneios, pela expressão irritada do homem abaixo de mim, eu portava um sorriso estúpido no rosto. Estúpido, segundo ele, por saber estar recheado de ternura.
— Você é lindo. — mergulhei novamente naquele corpo irresistível, pousando meus lábios no pé de seu ouvido: — Simplesmente perfeito.
Se estivéssemos em outras circunstâncias, tenho certeza de que, para disfarçar o embaraço, Izaya diria que “simplicidade” e “perfeição” são dimensões que implicam ideias opostas, ou algo do gênero. Naquela hora, porém, vi sua face assumir um tom mais escuro de vermelho, e, em uma voz manhosa, resmungou:
— Se você me disser coisas assim, vou acabar…
— Acabar o quê…? — sorri, mordiscando o lóbulo de sua orelha antes de voltar a fitar os envolventes olhos castanho-avermelhados.
Seguiu-se um silêncio preenchido apenas por nossas respirações sincronizadas, logo cortado por um murmúrio de meu amante, quando desviou o olhar:
— Vou acabar me apaixonando demais por você…
Sabe aquela felicidade, aquele sentimento de autossatisfação quando você pacientemente trabalhou para um objetivo e finalmente o atinge? Agora misture esse sentimento ao fervor do amor e terá uma aproximação do que senti naquele momento. Estava indiscritivelmente feliz, mas não sabia lidar com tamanho calor e acabei por enviá-lo todo para meu rosto, igualando o tom de minhas bochechas às de Izaya.
— Que droga, Izaya… — deixei minha cabeça pender ao lado da do moreno, sem coragem de encontrar seu olhar — Não me pega desprevinido assim, sua pulga…
— Shizu-chan também me pegou desprevinido, isso é puramente justiça. — ouvi o conhecido tom brincalhão marcar presença em sua voz, e acabei por rir pelo nariz.
Não sei por quanto tempo ficamos naquela posição, nem quando Izaya passou a correr os dedos finos por meus cabelos. Tampouco tenho recordação de ter fechado meus olhos, mas tinha certeza de que não teria arrependimento algum se, por algum acaso, viesse a morrer naquele exato momento.
— Shizu-chan, estou com um pouco de frio. — soou a voz do informante ao lado de meu ouvido, o que me fez apoiar o tronco nos cotovelos e perceber que seu tórax estava desnudo, estendido em frente a mim em um convite confirmado pela constatação de seu dono.
— Hm… — sorri maliciosamente, pairando os lábios sobre os do moreno — Permita-me cuidar disso.
Izaya espelhou meu sorriso, lentamente inclinando a cabeça para trás na medida em que eu retomava minhas tarefas em seu corpo, explorando seu peito e suas curvas minuciosas com a língua e dentes, apalpando-os com meus lábios.
Novamente agradeci à praticidade de se usar uma saia quando tracei o contorno das coxas e quadris do informante e acabei por removê-la do caminho. Deixando-a enrugada na altura da baixa cintura dele, me encarreguei de baixar as meias-calças lentamente, como se puxasse a cortina de um palco para um espetáculo. A comparação era apropriada; as pernas de Izaya eram de fato espetaculares.
Não sei de quem foi o gemido rouco de antecipação que vibrou no ar, mas sei que diante daquela pele pálida como porcelana, esculpida como mármore e macia como veludo, não consegui mais me conter. Tatuei vorazmente em cada panturrilha e em cada coxa diversas mordidas, chupões e beijos molhados, alisando meticulosamente a perna oposta à ocupada no momento. Em parte, meu frenesi era pela tentação intensa daquela pele imaculada. Por outro lado, um instinto animalístico do qual não me orgulho nem um pouco me fazia ansiar por marcá-lo como meu. Apenas meu.
Cobri a trilha de carícias fielmente, finalmente chegando na virilha do moreno, onde tirei alguns segundos para observar os detalhes em renda da calcinha preta que usava.
— Caprichou mesmo, hein? — elevei os olhos cor de âmbar aos cor de ferrugem provocativamente. Confesso que fiquei levemente desapontado quando, ao invés de se encabular, Izaya deu de ombros casualmente.
— Sou perfeccionista, afinal.
Ri em resposta, baixando o olhar para encontrar uma pequena mancha de umidade na parte frontal da peça íntima. Bem, já que o informante se dera ao trabalho de vestir aquilo para satisfazer meus desejos, seria um desperdício não aproveitá-lo, certo?
Moldei os lábios ao volume sobre o tecido fino, lambendo tentadoramente o falo coberto enquanto escalava o corpo do menor com uma mão, tateando o caminho até seus lábios. Felizmente, entendendo o recado urgente, permitiu a entrada de meus dedos e passou a diligentemente envolvê-los com saliva.
O empenho de Izaya em lubrificar meus dedos apenas me lembrava de suas absurdas habilidades com a língua, como demonstrara alguns minutos antes. A mera memória do fellatio já me fazia enrijecer novamente, mas não ficaria aliviado enquanto não o levasse à loucura. Continuava aplicando leves beijos chupados à glande coberta quando tomei de volta minha mão agora indecentemente coberta de saliva e empurrei para o lado cuidadosamente a parte posterior da calcinha, sem removê-la, antes de esgueirar o dedo médio para dentro do moreno.
Que visão impudica era aquela. Aquele corpo escultural exalava concupiscência; as coxas de porcelana marcadas por uma teia de saliva e machas roxas, o tórax pálido definido na medida certa, o interior quente e implorando por mais; suplicando por mim… Era demais.
Se meus sentidos já se perdiam com seu corpo, seus olhos arrebatavam-me a sanidade. Os tons castanhos entalhados em suas íris de uma vaga nuance de escarlate eram únicos no mundo. Inconfundíveis, assim como aquele cheiro que me estragava o humor cada vez que atingia minhas narinas.
No fim, Izaya sempre me fizera perder a cabeça. O que é pior: duvido que algum dia isso vá mudar.
E, proporcionalmente ao volume de seus gemidos e arquejos, seu odor intensificava-se à medida que meus dedos atingiam mais fundo dentro de si. O músculo relaxara ao redor dos nós, permitindo uma entrada mais suave dos outros dois intrusos e facilitando a busca sedenta de meus dígitos por sua próstata. Guiados pelo registro em minha mente, alguns minutos depois de ter os três dedos em sua entrada, empurrei-os em curva e senti-o fechar-se ao redor de mim ao som de um gemido estrangulado.
Removendo minha mão da cavidade do informante com um som nada pudico, tornei a endireitar a coluna, de joelhos, me afastando do corpo alheio para admirar a cena. Sorri de canto quando o olhar que meu amante me lançou transparecia sua impaciência e lascívia.
Embora estivesse a ponto de perder o controle, segurei as rédeas de minha libido para escapar do sofá brevemente e surrupiar um pequeno frasco de lubrificante junto com um pacote de preservativos que, embora negasse, Izaya mantinha ali justamente para a eventualidade de nosso civilidade não durar até o segundo andar. De certa forma, agradecia-o por ser tão prevenido, mas ainda revirava os olhos internamente ao lembrar que, segundo ele, só eu que era “descontrolado” em nossa relação. Certo.
Fui surpreendido por mãos esguias na volta quando sentei-me à beira do assento de couro, poupando-me o trabalho de encapar meu membro e espalhar o fluido – o que aceitei de bom grado, especialmente quando o contraste do lubrificante e das mãos gélidas do menor em relação a minha ereção apenas fazia meu corpo queimar em brasa ainda mais viva.
Bem que achara estranho a comodidade dele com minha liderança naquela noite, mas logo minhas expectativas foram alcançadas quando Izaya escalou meu colo novamente e me prensou às costas do sofá. Travou o olhar no meu, derretendo-me com a cor do pecado diluída em suas íris.
— Estou achando isto um pouco injusto, sabe, Shizu-chan? — entortou os lábios em um sorriso maquiavélico, mostrando um pouco dos dentes perfeitamente alinhados.
— Quem é você pra falar de justiça, pulga? — retruquei, devolvendo um sorriso desafiador.
— Eu? Hahaha… — deu de ombros, já trabalhando nos botões de meu colete e camisa habilidosamente — Sou só um informante de Shinjuku. De 21 anos.
Nem me deu tempo suficiente para rir de sua mentira lavada; arrancou-me a gravata borboleta e escancarou a gola, colando os lábios à pele de meu pescoço. Bufei em desaprovação pela violência do gesto, mas, novamente, não apresentei objeção alguma.
Deixando a cabeça pender para trás sobre o encosto do sofá, fechei os olhos e pousei ambas mãos nas coxas macias, acariciando-as distraidamente enquanto sentia minhas terminações nervosas arderem em prazer sob a língua infernal do informante. Como mencionei antes, em vários sentidos, aquela era a parte de si que Izaya melhor sabia usar. Tinha uma lábia e um fio na língua que lhe atribuíam as vantagens de nunca titubear e ser extremamente persuasivo. Engraçado pensar em como, dependendo de seu uso, essa ferramenta poderia incitar diferentes emoções em mim.
Uma de minhas favoritas era definitivamente o prazer. Se o estado quase doloroso de meu pênis não provasse esse argumento naquela hora, o gemido rouco de prazer que perpassou meus lábios quando o moreno mordeu minha jugular certamente o teria feito.
Divertido era quando ele se irritava por não conseguir me morder forte o bastante para arrancar sangue, visto que minha pele parece ser feita de aço. Em vezes, até pegara o canivete e me cortara, tendo como retaliação chupões crônicos no pescoço que permaneceram por semanas.
Quando parecia estar relativamente satisfeito, Izaya afastou-se, provavelmente admirando sua obra de arte por alguns momentos enquanto eu ainda saboreava o resto dos estímulos recebidos na pele sensível com as pálpebras cerradas. Só criei ânimo para abri-las ao sentir meu membro envolto pelas delicadas mãos do moreno, sendo guiado para a curva de suas nádegas.
Não demorou muito para voltar a desabilitar minha visão por conta do êxtase em finalmente penetrar aquela caverna cálida e úmida, delineando e agarrando meu próprio órgão tão deliciosamente. As mãos aéreas pousaram em meu peito desnudo, alisando e acariciando a extensão de meu torso até onde fosse possível alcançar.
Mal me recuperara da falta de ar por conta da sobrecarga sensorial quando o desgraçado resolveu mover seus quadris, primeiramente em movimentos circulares e dolorosamente provocantes antes de progredir para oscilações verticais. E, independentemente de qual modalidade, me levava à beira da insanidade.
— Izaya… — letras misturaram-se a um suspiro fugitivo de lábios que nem percebera estarem entreabertos.
— Então… — começou, demorando mais alguns ofegos para continuar a pergunta — Sou uma garota bonita?
Franzi o cenho. O idiota ainda tá remoendo isso? Expirei, perturbado, e trouxe minha cabeça de volta à frente, revelando a cor de topázio em meus olhos.
— Nem fodendo. — firmei o aperto que tinha em suas coxas, avançando meu tronco até que minha face ficasse a um fio de distância do rosto do informante — Você é uma pulga desgraçada, maldita e irresistível saída do inferno!
Imagino que a surpresa que se instaurou em sua face tenha sido pelo elogio em meio aos insultos, mas do que mais me recordo foi a rápida metamorfose de sua expressão para uma de pura luxúria quando estoquei com força contra seus quadris.
Se Izaya antes mantinha uma pompa toda de estar no controle da situação, agora deveria estar miserável. Seu corpo se moldava a minhas investidas, submetendo-se completamente ao ritmo imposto por mim – e era ainda inacreditável para meu ser que ele tivesse lentamente se entregue a mim desde que passáramos a nos ver com outros olhos. Inconcebível como aquele homem, que por anos me infernizara a vida e possuía uma obsessão por controle, rendera-se a mim; gradualmente, mas o fizera.
Apesar de que aquela não era uma disputa por poder; era um compartilhamento de confiança. Uma partilha de sentimentos e emoções, como o prazer que ambos sentíamos ao nos mover em desencontrada sincronia, a paixão que indiscutivelmente ardia em nossos peitos, a insegurança de perder alguém querido ou até o medo de cometer algum erro terminal.
Não importava que não fosse perfeito, desde que fosse verdadeiro e – confesso que não esperava por isso – que fosse com Izaya.
***
— Pensando bem, é melhor que eu seja homem mesmo. — Izaya irrompeu o silêncio com a voz embalada de sempre — Imagina se eu engravidasse!
O rumor da água corrente de uma ducha preenchia o espaço em que a voz do informante não ecoara. Eu estava no meio do processo de enxaguar a cabeça quando o ouvi, portanto custei a encaixar as palavras que captei completamente em algum sentido. Quando consegui, enfim, ri sarcasticamente.
Porém, por um momento, minha mente realmente foi capaz de formular a imagem de uma pulga com uma leve protuberância na barriga, descendo as escadas e reclamando por não ter sido acordada com café da manhã.
— Tem razão. — ri baixo, agradecendo à corrente de água por esconder meu sorriso bobo — Eu já mal suporto você normalmente, imagina com hormônios à flor da pele.
Sorria porque, apesar de ser uma imagem perturbadora e até cômica, a ideia não era de todo desagradável.
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