DmC 5: Stairway To My Heaven

28 8ª Noite: Alma Tirana, Corpo Furioso.


Notas iniciais
"Eu era pura... Mas tive vontade de me sujar. Essa sujeira impregnou, encardiu, me corrompeu, me destruiu... Somente para dar lugar à pureza absoluta."

O dia passou lentamente. Realmente foi um dia estranho.

Dante dormiu do meu lado num sono pesado, o corpo dele estava relaxado e sua respiração estava compassada. Olhei para o lado e a janela parecia entreaberta, deixando entrar um vento frio e inquietante. “Demônios tipo o seu pai.”... Aquilo não saía da minha cabeça. Dante não diria uma coisa dessas como um exemplo aleatório; ele deve ter visto algo mais nefasto em meu pai que pode ter escapado de meu raciocínio.

Me sentei na cama, espreguicei o corpo e resolvi me levantar. Saí cuidadosamente pra não acordar Dante, e fui sem vontade fechar a janela. Como que por encanto, uma voz familiar ecoou suavemente pelo quarto. Era Muriel. Eu esbocei um riso resignado.

“Como se sente jovem Maria?”

– Me sinto dolorida; não somente fisicamente como também mentalmente. – respondi, olhando pelo vidro da janela o movimento usual na rua. Crianças brincavam no jardim ao lado. – Nunca me imaginei em nada tão intenso ou perigoso, mas cá estou... Passando por tudo e mais um pouco.

“Algo te perturba?” – Muriel deixou esboçar um tom de preocupação na voz melodiosa.

– Não diria perturbação, na verdade seria no mínimo curiosidade. – Me virei para tentar fitar Muriel, porém ela não se deixou ser vista. Dei um suspiro de leve desanimo. – E sei que esta curiosidade vai me trazer problemas gigantes... Porém não me sinto mais inclinada a desviar os olhos do que está por vir daqui pra frente.

Um breve silêncio. Suspeitei que Muriel estivesse positivamente pensativa. Aguardei alguma resposta.

“Sua determinação me alegra, mas também me preocupa jovem Maria... Você tem certeza de que a verdade é aquilo que realmente procura?”

– Não vamos bancar os cautelosos, Muriel... Se já houvesse alguma constatação de que eu acabaria sucumbindo à fraqueza por ver a coisa toda como ela realmente é, já era para eu ter ido às favas há muito tempo. O que não é o caso aqui. Apanhei quase pra morrer, sofri um aborto e vivo às turras com um homem que qualquer um questionaria o que diabos eu vi nele pra amá-lo. Sinceramente, já não ligo para mais nada; minha cota de tolerância zerou num piscar de olhos.

“Então você está mesmo disposta a passar pelos infortúnios que virão futuramente?”

– Meio tarde demais pra me arrepender disso, não é?

Mediante ao silêncio que precedeu o breve riso de concordância de Muriel, olhei ao meu redor. O quarto estava bagunçado, as manchas de sangue no chão e os restos de cacos de porcelana e vidro ainda povoavam o tapete peludo. Me limitei a dar um suspiro e olhei para Dante. O que eu estava pensando quando resolvi aceitar continuar com ele eu nunca soube explicar. Eu o amava demais para sequer questionar ou cogitar deixa-lo. Minha mente e nem mesmo meu coração conseguiam conceber tal possibilidade... Eu era a mulher dele, a pessoa só dele, a pessoa que o aceitou como ele era, e nada mais. Independente se ele tinha boca suja, era agressivo, tinha uma forma grosseira de ver as coisas... Ele me amava. Isso já me bastava.

Caminhei sem pressa até a cama, e sentei no lado onde Dante dormia. Um rosto tão marcante, de traços fortes, de olhar expressivo... Mas naquele momento estava sereno, indefeso, alheio de qualquer ofensa. Um corpo forte, talhado na eterna luta pela sobrevivência, cheio de cicatrizes – tanto externas quanto internas. Seu peito subia e descia devagar, acompanhando sua respiração lenta e compassada. Me atrevi a toca-lo, com a sublime curiosidade de senti-lo, mas não da forma com a qual eu já estava habituada... Eu queria perceber Dante, queria ler seu corpo, seu cheiro; eu queria traduzi-lo. E com as pontas dos dedos, quase que de forma imperceptível, fui trilhando seu peito.

Percebi inúmeras cicatrizes; muitas delas eram incontáveis cortes e rasgos que foram curados de forma inadequada. O que era típico dele não tomar conta de si de forma correta. Fui descendo, e uma cicatriz me chamou a atenção. Ela era longa, possuía uma notável quelóide formada por toda sua extensão... Estava localizada perto das costelas. Pela lógica, era uma área próxima do coração. Meu coração titubeou por alguns instantes e fiquei gelada. Era uma cicatriz feia, do tipo que teria sido causada por alguém bastante rancoroso... O atacou com a pura intenção de mata-lo. Respirei fundo e continuei minha trilha sensorial.

Eu tinha alcançado seu abdômen. Realmente, eu não tinha do que reclamar; Dante era sensual. Mesmo todo marcado, tinha um abdômen trabalhado, musculoso, um desenho dos Deuses feito à mão. Senti um calor me subir o corpo e meu coração acelerou, pois eu conhecia aquele caminho, e onde iria acabar... Fui traída pelos meus mais recentes instintos e continuei, deixando minha mão descer desenfreadamente. E de repente, o susto: ele se mexeu e resmungou um pouco. Meu Deus, o que eu iria explicar se ele me pegasse fazendo isso?!? Recuei e comecei a tremer pela adrenalina da situação. Mas ele ainda dormia; menos mal...

Segura de que não fui descoberta, me abaixei e dei um leve beijo em seus lábios. Ele tinha os lábios macios, carnudos, que dava mais vontade de beijá-lo. Acendia uma vontade tirana de me jogar, de me render às vontades dele... Uma vontade inquestionável e impressionante.

No terceiro beijo, senti que os lábios dele corresponderam. Instintivamente, fui acompanhando o ritmo cadenciado e lento daquele beijo tão viciante, mas tomei outro susto: Senti suas mãos enormes agarrando minha bunda e me puxando contra ele. Era como se quisesse me erguer pra que eu montasse sobre os quadris dele... Que loucura! Uma força sobre humana era tudo que vinha dele...

Não preciso dizer que senti aquele volume absurdo de grande me cutucando entre as pernas, enquanto os carinhos e amassos foram ficando mais quentes. Eu também já não estava mais em condições de recusa, a excitação que eu estava sentindo naquela hora me fazia arrepiar com muito pouco.

E em meio a beijos delirantes no meu pescoço, Dante sussurrou no meu ouvido:

– ...Pensei que você fosse bater uma pra mim, lindinha... Eu acordaria mais feliz...

– Mais tarado que você, só dois de você, Dante...

– Nem brinca com isso... – ele deixou um sorriso mal intencionado escapar. – Se existisse dois de mim, você não sairia desse quarto... Agora vem cá, me faz pirar com essa boca gostosa...

Mesmo assustada, eu sabia o que ele queria. E pelo leve puxão descendente no meu cabelo o destino era certo; ele queria que eu lhe fizesse sexo oral...

Mas para meu desespero, eu não sabia como proceder. Pra variar... Lá estava eu me metendo em confusão. Puxei o lençol e me deparei com aquele monstrinho esfomeado que ele carrega no meio das pernas, já duro e pulsando, pronto pra entrar em ação. Realmente, aquilo de perto, era grande... Como um troço daquele tamanho cabia em mim?!? Temerosa de fazer alguma besteira, eu respirei fundo e timidamente dei um beijo na cabeça. Ele se arrepiou todo, mordeu o lábio e gemeu de um jeito que me impressionou. Fiquei vermelha de repente.

– Nossa...! Eu devo tá com muito tesão... Não para agora não...

Fiquei por um breve momento sem reação de vê-lo tão entregue. Mas não sei por que me veio a imagem de um picolé na mente! Pela santa ordem, por quê?!? Eu estava incrédula com o meu cérebro... Mas enfim, não recusei a idéia e improvisei, comecei a “saboreá-lo” como se fosse o meu sorvete favorito. Dante gemia, queria se contorcer, agarrava os lençóis e os distorcia entre os dedos, como se buscasse um meio de se segurar pra não sair voando. Era uma visão maravilhosa; meu Dante estava adorando o que eu estava fazendo. Minha boca, meus lábios e minha língua estavam sendo a escadaria pro Paraíso naquele momento...

– ... Huuum, ah...!!! Caralho, que delícia!

– ...Hm? – olhei pra frente, ainda com a boca ocupada. Dante estava tremendo, em puro delírio.

– Vai... Mais rápido... To perto de... Gozar... – ele dizia entredentes, aparentando estar sem fôlego e descontrolado.

Não iria desobedece-lo. Acelerei o ritmo, pressionei a língua. Os gemidos estavam ficando altos, e sua respiração ficando entrecortada. E de repente, a tremedeira parou; Dante agarrou minha nuca e quase me afogou, empurrando minha cabeça me fazendo engolir o membro todo! O susto foi grande; senti crescer o dobro dentro da minha boca e senti chegar fundo. Um jato quente, espesso e sufocante invadiu minha garganta, um toque meio amargo; lacrimejei. Queria tossir, mas não tinha como. Ai, vontade de vomitar... Não posso!!! Olha o vexame, Magdalena!!! Aguenta aí, menina!!!

Puxei o ar pelo nariz e consegui retomar o controle. Eca! Dante gozou dentro da minha goela! Meu Deus, que devassidão foi aquela?!? Eu estava incrédula demais pra sequer pensar ou protestar a respeito; apenas observei curiosamente um Dante todo largado na cama, aproveitando cada segundo de puro êxtase que sentia. Um sorriso largo e satisfeito emoldurava seu rosto suado. Ele estava mesmo precisado daquilo...

– Eu fui bem...? – perguntei com um tom de voz tímido.

– Puta que pariu; você tem uma boca muito gostosa, Mada... – ele ainda estava ofegante. – Você tem minha eterna aprovação, lindinha...

– O-obrigada... Eu acho... – esbocei um riso tímido, eu estava realmente constrangida com meu desempenho sexual recém decoberto.

Ele parou pra me olhar, e levantou de súbito da cama. Ele me puxou novamente pela nuca, desta vez pra me dar um beijo ardente, esfomeado, com uma urgência que jamais vi. Arrepiei com tamanha empolgação.

– Me promete uma coisa, Mada?

– ...? – eu ainda estava perdida, mas meneei a cabeça em afirmação.

– Me prometa que nunca, jamais em tempo algum, vai ficar longe de mim.

– Prometo...

– Eu te amo, Mada. Te amo pra caralho.

Era típico de Dante usar palavrão até nas horas mais impróprias... Mas eu sabia que era uma declaração sincera, única, e que eu não ouviria de mais ninguém. Um sorriso largo e apaixonado se abriu em meu rosto. Em meio a um dos beijos maravilhosos que Dante me dava, eu não conseguia parar de sorrir. Eu estava estupidamente feliz. Impressionantemente feliz. Eu amava Dante. Amava demais. Ao ponto de ter medo de perde-lo por qualquer motivo que fosse.

Dante me olhava de forma fascinada, e fiquei confusa. Senti um estranho peso nas minhas costas, e um brilho que vinha de trás de mim. Ele ergueu uma das mãos, tentando tocar o que quer que fosse que estivesse lá. Eu estava entendendo menos ainda.

– O que tá acontecendo, Dante?

– Cacete... Isso são... São...!

– São o quê?!? – eu tentava olhar pra trás, mas não conseguia.

Dante apenas levantou-se da cama e me puxou pelo braço. Quase tropecei, tentei me recompor, mas ele foi me puxando de forma urgente, até que paramos na frente de um espelho. Eu gaguejava, estava estupefata. Eram grandes, perfumadas, vistosas, de plumas alvas e luminosas.

Eu era um anjo.

Notas finais
Opa, bora continuar, né! Mais um capítulo pronto! :'D Devo essa pra vocês, queridos leitores!