DmC 5: Stairway To My Heaven
20 6º Dia: Dies Irae, Diras Necessitas.
Notas iniciais
Sangue do meu sangue, sedento por sangue."
Recebi alta depois de várias semanas impossibilitada de sair da cama, e nunca havia me sentido mais livre na vida. Dante veio me buscar, com um sorriso acanhado e carinhoso estampado no rosto, e estava tão carinhoso que nem parecia ele mesmo. Na realidade, eu até estava estranhando. Ele tava bonzinho demais... Ok, eu confesso; tava começando a me irritar. Era um tipo de Dante que eu não estava acostumada. Pelo menos não no momento...
Chegamos a minha casa e ele foi um exemplo de cavalheirismo; meio desajeitado, mas estava sendo bonitinho de ver. Minha irmã estava em casa, e estava exilada dentro do próprio quarto. Não entendi a princípio, mas segundo o que Dante havia me dito, ela também recebeu a devida “punição”. Fiquei imaginando o que ele poderia ter feito... Achei melhor não insistir no assunto.
Estava tomando um chá calmamente no quarto, e resolvi passar o tempo mexendo no computador e ouvir música (já que meu pai monitorava nossa vida de forma absurda, então mexer em um computador além de meia hora era convite pra briga). Na caixa de entrada do meu e-mail tinham mais de dez mensagens do meu pseudo-noivo. Estava tão mergulhada nos meus problemas que nem sequer me lembrei da existência daquele infeliz.
Fui lendo cada e-mail com cuidado, e senti uma pontada de culpa, algumas de tristeza e outras de raiva; uma oscilação de sentimentos acerca daquele cara. Ele não fazia a menor idéia do quanto eu o detestava só pelo fato de existir na minha vida, de ele ter aceitado aquela insanidade sem saber se eu queria ou não. Assim que terminei de ler todos os e-mails, resolvi mandar um e-mail definitivo. Sei que a família dele iria nos detestar por gerações, mas não estava nem aí. Eu tinha que resolver isso de uma forma ou de outra; não iria deixar se arrastar. Comecei a digitar rapidamente, eu mal percebia a ordem dos teclados. Eu tava realmente decidida do que eu queria escrever.
“...Sei que nossas famílias se conhecem há anos, e sei o quanto a união entre elas poderiam trazer grandes benefícios, mas não sou simplória mentalmente a ponto de aceitar um casamento arranjado. Nem mesmo sei como foi que você aceitou essa insanidade em primeiro lugar! Você só deve ter aceitado isso por que não deve ter achado alguém ou porque sua família lhe censurou. Sei que estou sendo rude em minhas palavras, mas é que por meio desta mensagem quero dizer o quanto sinto muito por ser inapta a me tornar sua noiva; pois já tenho um homem que amo e de quem não pretendo me separar. E já estamos num nível de relacionamento aonde nossa ligação vai além de sentimento, e não quero me desfazer disso tão facilmente só por causa de um benefício de amizade familiar. Quero ser feliz, e acredito que você também mereça. Já deve ter saído nos jornais o escândalo que se deu por aqui, e acho que isso também há de abrir as portas pra sua liberdade; pois eu tive de arrombar as portas da minha vida pra poder ser livre.
Não sou nenhuma expert em termos de vida, mas estou me sentindo muito bem com o que fiz. E o homem que me escolheu também não se arrepende de nada do que fez até hoje por mim, e fez questão de deixar claro de que nada iria nos separar a não ser a morte. Espero que este seja nossa última troca de mensagens, e que sejamos, ao menos, bons amigos.
Atenciosamente,
Maria Magdalena Joshua.”
Assim que apertei o botão de envio, dei um suspiro de alívio. Foi como se tivesse tirado uma sombra pesada das costas, um problema a menos. Tive até a sensação de estar sentido cheiro de flores ao meu redor, tamanho relaxamento que me deu. E meio perdida em meus devaneios, resolvi deitar um pouco e dormir. Estava merecendo, mesmo tendo ficado acamada, deitar na própria cama é incomparável!
Olhei para o teto e fiquei repensando em tudo que já passei até aquele momento. Era tanta coisa, tanta mudança, que fiquei espantada de ter me adaptado com tamanha facilidade. Será que, mesmo tomada pela confusão e pelo momento, eu realmente já desejava viver daquela forma? Eu não estava entendendo tão bem, mas ao menos conseguia rir...
Tirei um cochilo reconfortante, e quando olhei pela janela, já estava entardecendo. Tomei um bom banho e dei a mim mesma um ritual de hidratação, passando creme pelo corpo todo em forma de massagem. Me sentia mais viva e mais cheirosa, pelo menos... E por falar em cheiro, onde estava Dante?
Coloquei um vestido leve e me aprontei pra sair; foi quando me olhei no espelho. Não parecia visível, mas sentia que havia uma barriga saliente sob o tecido. Eu me olhava de cima a baixo compenetrada, curiosa de como eu poderia estar ficando. Até me arrisquei a esticar o vestido e ver se havia possibilidade da barriga aparecer. Mas eu nem estava com um mês direito, que barriga apareceria? Acho que uma mentalidade materna havia me apossado tão fortemente que estava imaginando demais. Ignorei e abri a porta.
Uma estranha movimentação no corredor dos aposentos chamou minha atenção. Se meus pais estavam hospitalizados, restava apenas minha irmã, as empregadas e Dante. Fiquei intrigada e fui sorrateiramente até onde se originava o burburinho. Era Dante e Dália.
Mas que diabos...?!? O que estava acontecendo? Os dois estavam discutindo, e não era uma discussão leve. Eles pareciam bastante alterados, e a coisa toda indicava que iria entornar pra tragédia; então resolvi escutar pela fresta da porta do quarto, que estava entreaberta:
–... Você tem noção do quanto me machucou? Não consigo mais me sentar, e me sinto incomodada!
– Problema seu! – Dante estava uma fera, apontava o dedo na cara de Dália com vontade. – Você mereceu cada enfiada que meti em você!
– Você fala como se tivesse gostado de ter se deitado comigo... – Dália se aproximava de um jeito leviano pra perto dele. – Posso estar sofrendo, mas posso ignorar meu incômodo...
– Mas você é muito mais vagabunda do que imaginei... Tenho nojo de garota assim.
– Então você deveria ter nojo da minha irmã, pois ela foi tão vagabunda quanto eu...
– Vagabunda, ela? Ah vá Dália, se liga! Mada tem muito mais dignidade que você... Ela é bem mais gente que você em muita coisa!
– O que ela tem que eu não tenho?!? – Dália tinha perdido o controle. – Ela é sem sal, é submissa, não tem nada de cativante... Ao invés de perder tempo com ela, por que não fica comigo?!?
– Você não pode tá falando sério...
– Eu gosto de você, Dante... Comecei a gostar... Por que você não entende isso?
– Eu não entendo, não quero entender, e prefiro vomitar lama a pensar em você como mulher. Você não vale nada, é nojenta, é traíra. Eu amo a Mada, e ela me ama. Se pá a gente até se casa. Fica só olhando!
– Não mesmo! – ela se jogou pra cima do Dante, e ele deu um jeito de empurrá-la pra cair na cama. – E se eu disser que to grávida?!?
Eu gelei.
Então era essa a tal “punição” que ele deu nela? Ele transou com a Dália...? Justo Dante...?!?
Minha cabeça ficou leve e minha visão ficou turva. Eu estava atordoada, enraivecida, perdida num transtorno sem nome. Eu queria entrar naquele quarto com tudo e sentar a mão na cara dos dois até sair sangue. Por que ele teve essa idéia idiota?!? O que ele ganharia fazendo aquilo? Eu não conseguia raciocinar. Eu só conseguia tremer em silêncio.
–... Você, grávida?
– Sim, e aí? Você largaria Magdalena?
– Além de vagabunda você é muito filha da puta...
– Então vá lá e diga a ela que acabou, e vamos ser uma família feliz...
– VÁ TOMAR NO SEU CÚ!!! VÁ SE FODER! MENTIROSA!!!
Dante repentinamente explodiu em ódio. Uma espada estranha surgiu do nada nas costas dele, e emergia uma aura avermelhada muito macabra. Dália tomou um susto tão grande quanto eu, e vi um Dante violento, medonho, tão perigoso quanto podia ser... Foi então que me dei conta de que não o conhecia plenamente; só sabia da existência do Dante garanhão e namorador e do Dante bonzinho e carinhoso também. Mas o Dante que eu estava testemunhando era uma tenebrosa novidade.
– M-mentirosa, eu? – Dália tremia. – A gente fez amor, não fez? Então é certeza de que estou grávida!
– CALA BOCA, CARALHO!!! – ele berrava, rosnava feito um animal colérico. – Você tá me tomando por idiota, Dália?!? Por que você realmente deve me achar um idiota!!!
– N-não, não é isso eu...! – Dália foi brutalmente interrompida pelo agarrão que Dante deu em seu pescoço, começando a esganá-la.
– Você não tá grávida porra nenhuma, garota!!! – ele parecia possuído de tanta raiva. – E posso dizer isso com certeza pelo cheiro asqueroso de sangue que tá saindo daqui!
Dante pôs a mão debaixo da saia de Dália e arrebentou a calcinha que ela vestia com uma só mão. Tinha um absorvente forrando a calcinha, e lentamente escorreu um fio de sangue por entre as pernas dela. Realmente, Dália estava menstruada. Me bateu um estranho alívio, mas ainda me sentia mal com a traição de Dante. O que eu iria fazer daquele momento pra frente seria uma incógnita...
– Você realmente não presta... Eu sinto vergonha pela dona Teodora ter você como filha! Sua miserável! Canalha! Sua desgraçada do cacete!
– Você acha que tá provando muito dizendo isso, mas e quanto à Magdalena? O que ela vai pensar quando souber que você se deitou comigo?
–... Ela tem razão, Dante.
Resolvi me revelar por detrás da porta. Dante ficou paralisado, perdido, completamente letárgico. Aquela agressividade de antes havia sumido num suspiro, e o olhar de menino desamparado e indefeso que ele tinha reapareceu. Me doía ver aquele olhar azul-acinzentado tão triste e sofrido, mas desta vez estava complicado relevar. De certa forma, ele havia me traído, e isso estava sendo demais pra um relacionamento tão relâmpago quanto o nosso. Mas não soava como isso...
– Mada, eu...
– Não fala nada Dante, por favor. – minha voz já estava embargada num choro iminente. – Só me diga o porquê você fez isso... E seja conciso, por favor.
– Sei que fiz merda, Mada... E to pedindo perdão desde já.
– E você acha que merece perdão?
– Não sei... Aliás, nem sei se te mereço... – ele olhou pra baixo, com um ar derrotado. – Você botou seu pescoço na guilhotina por mim, e eu tentei te vingar do jeito mais babaca. Não tenho como dizer o contrário...
– Ele praticamente me pegou pra fazer o que bem quis, Magdalena! – rosnou Dália, sentindo-se na vantagem. – E teve coragem de me chutar pra fora do quarto, toda ensanguentada e sem forças! Um cafajeste!
–... Isso é verdade?
–... ... ... – ele apenas manteve o silêncio e afirmou balançando a cabeça.
– Okay. Já entendi tudo.
– Ele não presta maninha! Mande-o embora! Traição é o cúmulo! – vociferou Dália, toda animada de uma maneira ensandecida. – Se ele fez isso comigo, imagina o que...!
Não deixei ela sequer terminar. Me bastou três passos pro quarto adentro.
Foi um som agudo, um tapão ardido e frio. Dei um tapa cheio de força e com a mão aberta; certamente ficaram as marcas dos cinco dedos na cara de Dália. Ela deu um grito de susto e caiu, assustada e perdida, sem saber o que a atingiu. Ela me olhava assombrada, segurando o rosto marcado. Não olhei, mas sabia que Dante estava surpreso com minha atitude. Pra ser mais honesta, até eu mesma estava surpresa...
– Magdalena...?!?
– Sua própria existência me ofende, Dália. –eu estava seca, fria e irredutível. – Se o Dante “transou” com você, obviamente não foi pra te satisfazer nem por que te achou mais atraente do que eu... É certeza de que ele te ESTUPROU.
– N-não, não foi isso!!! – ela insistia em me afrontar. – Ele me procurou!!!
– Não minta Dália. Isso me irrita ainda mais. Eu escutei a discussão de vocês; o bastante pra saber o quanto ele te detesta. Não seja tola em tentar me enredar nas suas mentiras, que não são poucas.
Dália estava afogada na derrota, mas parecia não querer admitir. Ela me olhava com ódio, misturado com um desprezo sem precedentes. Era como se quisesse me matar. Eu tentei manter a postura, mas estava complicado. Dante se pôs diante de mim, preocupado em me defender:
– Já deu, né Dália? Agora volta pro seu quarto e pensa nas suas cagadas enquanto eu ainda não perdi as estribeiras de sentar a mão na sua cara.
– Vai embora, Dália. Você perdeu, como sempre.
– Miserável... – ela parecia estar enlouquecendo; recuei dois passos pra trás. – É sempre você... Tudo é você... Nunca vou aceitar isso!!!
Num surto medonho e raivoso, Dália avançou com tudo na minha direção. Dante tentou apartar, mas estava cada vez mais difícil controla-la. Ela o atacou com unhadas e tapas, tudo na intenção de atravessá-lo e me atacar. Tentei correr, mas tropecei. Me bateu um medo nunca antes sentido; eu temia pelo meu bebê...
Me levantei de um jeito desajeitado e corri o quanto pude pra fora daquele quarto, rezando pra que Dante conseguisse conter a fúria insana de Dália a tempo de eu conseguir estar a salvo.
Ouvi vidros quebrando e um grito súbito; era Dante. Senti o coração subir garganta acima, o que eu poderia fazer?!? Uma das empregadas questionou o que estava acontecendo, mas tudo que fiz foi aparecer no mezanino e pedir por socorro.
A coitada da serviçal não estava entendendo direito e apenas correu pra cozinha, pra depois voltar portando uma frigideira... Tentei explicar o que estava acontecendo, mas o mezanino era muito alto, e ninguém se entendeu. Perdi minha chance de sobrevivência... Ouvi um rosnado insano de Dália, e ao olhar para o lado, ela estava andando na minha direção, toda suja de sangue e armada com um pedaço de caco de vidro. Eu precisava correr... Ou iria morrer!!!
– Magdalena... Você nasceu bem depois de mim, mas sempre conseguiu TUDO antes de mim... Isso não é justo... Por que, Magdalena, POR QUE TUDO SÓ DÁ CERTO PRA VOCÊ???
– Você sempre foi uma incapaz, Dália... – eu recuava aos poucos, temendo um ataque. – E papai sempre soube disso. Não é de se imaginar que ninguém se importe se você está viva ou morta; você não vale o esforço de ninguém...
– Pois então me farei valer, Magdalena... E pra ser notada, preciso apagar o que me ofusca!!!
Ela avançou enlouquecida pra cima de mim. Consegui desviar do ataque, ela tombou de quatro no carpete do corredor; mas eu sabia que não teria a mesma sorte. Eu tinha que agir, e pior; eu estava preocupada com Dante... O que diabos se deu naquele quarto?!? Será que...!!!
Ela se recompôs e tentou um novo ataque. Eu estava estafada pelo excesso de susto e pela correria desgastante; precisei me rastejar o mais rápido que podia. Eu estava assustada, com medo da minha própria irmã... Ela estava ensandecida, raivosa, colérica o bastante pra cometer qualquer besteira sem a menor noção das consequências. Como pude ter convivido com uma monstra dessas sob o mesmo teto? Por Deus, ela compartilhava o mesmo sangue que eu!
Ela tinha uma inveja doentia, e tudo que aconteceu simplesmente fez sua verdadeira face aparecer. Sua loucura em tentar me matar a fazia desferir golpes ao ar dos mais randômicos, imprevisíveis o bastante pra matar até o mais experiente lutador. Num ato instintivo e sem planejamento, desferi um chute certeiro na cara de Dália, que caiu pra trás e consegui minha chance de escapar. Mas por pouco tempo.
Ela puxou minha perna; acabei batendo a barriga no chão. Dor...! Fui arrastada, virada de forma agressiva (senti a coluna torcer um pouco) e ela tentou me cortar por inúmeras vezes, algumas tentativas até que chegaram perto! Fiquei ralada nos braços e ganhei um corte no rosto. Eu não podia mais continuar daquele jeito, tinha que pensar em algo e rápido! Fui aguentando até onde podia; desviava, segurava seus punhos, mas estava complicado. Eu estava às beiras da morte diante da expressão sádica de Dália.
De repente, ela mudou de sádica pra desfalecida. Uma das empregadas deferiu-lhe um vaso no meio da cabeça, tirando-a de combate. Senti um tremendo alívio, que anestesiou meu corpo castigado.
– A senhorita está bem?
– Não sei, Janna... – minha voz estava trêmula. – Acabei de ser salva de um pesadelo...
– Que Deus me perdoe mil vezes pelo que fiz, mas foi o necessário!
– Deus anda ignorando esta família faz tempo, Janna... E falando em Deus... Onde está Dante?!?
– Está se recuperando, senhora! – a empregada marejou os olhos.
– Como assim?!?
– Ele foi ferido no abdômen, senhorita! Estava inconsciente...
Meu corpo gelou. Meu coração parou de bater por alguns segundos. Eu estava tão aterrorizada que ignorei toda a dor no corpo e me arrastei até o quarto pra ver Dante.
Ele não podia morrer. Não podia morrer. Ele é o homem da minha vida. Não podia morrer. Ele é o pai do meu bebê. Não podia morrer. Eu não conseguiria viver. Não queria que ele morresse. Não vai morrer!!!
O carpete do quarto estava ensopado de sangue e água dos vasos. Muitos móveis tinham marcas de mãos manchadas, cacos de vasos quebrados por todo lugar e poltronas rasgadas com enchimento espalhado. Seja lá como se deu a briga, Dante deve ter evitado ao máximo pra não bater em Dália. Era uma cena aterradora de ver...
Procurei por Dante mesmo com tanta dificuldade pra me locomover. Minha barriga doía... E a cada passo dado doía cada vez mais. Dor insuportável. Meu bebê... Mas onde ele estava?
Ouvi uma torneira sendo girada; barulho de água. Tomei um susto enorme, e fui até o banheiro. Dor... Mais dor... Me apoiei na maçaneta da porta e quase caí; e finalmente encontrei Dante, nocauteado pelo cansaço e desgaste, sentado dentro da banheira com o chuveiro ligado sobre sua cabeça.
Ele parecia destruído, derrotado, exausto demais pra sequer raciocinar. Chorei de alívio por vê-lo bem, mas ele tinha um corte muito sério na região das costelas, e a cada movimento, por menor que fosse, fazia jorrar sangue como se derramasse um jarro de suco numa pia. Ele estava fraco demais... Precisava de um médico, e rápido!!! Cadê um celular...? Dor...! Busquei pelo interfone do banheiro, mas eu estava sem forças. Era uma cólica insuportável, me dobrava ao meio.
Por que chegou a esse ponto? Que pecado cometi nessa vida? Meu único intento era amar, ser amada, viver plenamente! Seria esse um pecado tão grande a ponto de nos castigar tanto?!? Porque, Deus, por quê?!?
–... Deus não seria tão infame a este ponto, Maria.
– Quem?!? – procurei com os olhos quem tinha dito aquilo. E era uma voz familiar.
Diante da porta do banheiro, lá estava Muriel, a enfermeira. Não estava entendendo; como foi que ela tinha chegado até minha casa? Mais que isso; como foi que ela tinha ENTRADO lá?!?
– Sua vida é tão cheia de significado, Maria... Principalmente pra vida dele. – Muriel olhou em direção a Dante, que ainda estava delirante pela hemorragia.
– Muriel...? Mas o que está acontecendo...?
– Eu explicarei o que quiser saber depois de salvarmos vocês. – ela estava com um sorriso aconchegante, porém triste. – Tenha calma e confie em nós.
Ela estava se referindo a si mesma no plural? Achei estranho, mas parei pra perceber melhor. Era como se houvesse mais gente naquele lugar. Senti presenças; várias delas. E quando me dei conta, Muriel estava envolta numa aura de luz fosca. Muriel tinha asas.
Ela era um ANJO.
– Sei que deve estar assustada, mas tenha fé. Vamos ajuda-los no que precisar.
– Sei que devia estar chocada, mas... Não estou... – sibilei, meio perdida e sem palavras eloquentes.
– Que bom... – Muriel me esboçou um sorriso mais carinhoso. – Sua mãe lhe protegeu até o fim.
Naquela hora, senti o coração subir até a garganta, e o sangue gelou. Como assim até o fim?
– O que quer dizer...? Minha mãe; ela...?!
– Não, muito pelo contrário. – Muriel acariciou a fronte de Dante, e amparou sua cabeça com um dos braços. – Ela está novamente viva.
Fiquei ainda mais confusa. Mas agora não tinha como ficar pensando muito; as coisas estavam num nível complexo demais pra me preocupar. Minha barriga que não parava de doer, o Dante quase morto, um bando de anjos nos ajudando. O que estava acontecendo? Onde foi que me meti todo esse tempo?
Mas meus pensamentos foram cortados: senti um fio grosso de sangue escorrer de mim.
Eu tava perdendo meu filho...
Notas finais
(╯°□°)╯︵ ┻━┻
Mas não deixei de escrever um segundo sequer, msm atolada... xD
As coisas vão ficar malucas, e meio sobrenaturais. Aguardem!
Abraços! E obrigada de coração pelos feedbacks, sempre leio todos! ♥
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