Notas iniciais
"Quero destruir os monstros que criaram esse monstro dentro de mim.
Eles tentaram primeiro, mas não fizeram direito.
Não quero mais... O fim é só o que me resta..."

Eu já demonstrava grandes melhoras, mas sinceramente não queria receber alta.

Só de imaginar que eu teria de olhar pra cara de todos depois de tudo que houve já me dava náuseas, dor de cabeça e um ataque histérico dos mais baratos. Sempre que minha mãe e minha irmã vinham me ver, era certeza de confusão. Fazia questão de praticamente avançar feito um animal insano em cima de minha irmã, e não tinha o menor pudor em tentar esganá-la com todas as minhas forças. Foram incontáveis as vezes em que minha mãe tentou nos apartar e acabou sendo estapeada ou empurrada; havia horas em que eu sentia pena e me considerava a pior filha do universo. Mas sabia que depois de um tempo eu ignorava aquele sentimento de culpa e acaba me abstraindo com a sensação de alívio que era ver aquele povo todo sentindo medo por mim e de mim... Isso sem mencionar o remorso!

Meu pai nunca ousou entrar pra me visitar. Sempre soube que era ele quem trazia minha mãe e irmã para me verem, mas ele mesmo jamais deu as caras no meu quarto. Fiquei intrigada com isso por alguns dias, e logo suspeitei que, ou ele estaria realmente desapontado comigo, ou estaria envergonhado por ter me espancado quase até a morte. Preferi manter a incógnita, afinal, ele não representava mais nada na minha vida depois daquela surra absurda. Um homem que teve a coragem de erguer aquela mão gorda contra a própria filha era inconcebível, eu jamais perdoei.

Mas o que incomodava não era bem a ausência óbvia de meu pai. Eu ainda não conseguia tirar a declaração do Dante da cabeça. Eu queria vê-lo, queria abraça-lo, queria dormir de conchinha e acordar olhando pra ele... Mas desde aquela noite ele não veio mais, talvez tivesse sido barrado, tivesse sido descoberto, ou sei lá. De todas as opções eu só não queria acreditar que ele tivesse me esquecido. Me ardia a alma sequer pensar que ele tivesse priorizado outras coisas, que tivesse ido para cama com outra qualquer enquanto eu estivesse internada. Sim, eu estava sofrendo de ansiedade, ciúmes e pura sensação de apego excessivo!

Passei dias sem pregar os olhos; somente os sedativos sossegavam minha inquietação. A enfermeira que cuidou de mim desde o primeiro dia sempre perdia uns minutos conversando comigo, eu me sentia confortável e segura quando ela estava por perto. Coisa que, sinceramente, eu não sentia perto de minha mãe...

- Você anda meio nervosa, Maria... – ela nunca me chamava pelo segundo nome, como todo mundo fazia. – O que tem acontecido, além dos ataques de raiva que você despeja na sua família?

- Sinto falta de uma pessoa em particular... – respondi em um tom quase sussurrante, enrolando os dedos uns nos outros e olhando pra baixo.

- Aposto que é algum namoradinho, não é?

- Não sei se é bem isso... Não temos nem setenta e duas horas de convivência...

- E já não é algo? – ela me questionou com um sorriso perspicaz. – Ultimamente, pra você conseguir ficar com alguém por pelo menos quarenta e oito horas já é um milagre... Pense nisso.

- Pensar no que? Ele soube do que me aconteceu, mas só veio uma única vez... E já estou aqui mofando há mais de duas semanas!

- A vida sempre parece injusta, Maria... Mas o que a gente não espera é que possa aparecer algo fantástico que nos põe pra cima!

A forma como ela expôs a idéia me fez ter um momento de catatonia, pra logo em seguida desabar na gargalhada. Se a intenção era me fazer rir, ela tinha conseguido com louvor. E realmente estava aliviando minhas angústias e tristezas, mesmo que por alguns momentos. Acredito que tinha feito a melhor amiga que uma garota poderia ter na vida, mesmo que em circunstâncias tão inóspitas. Mas ainda assim minha cabeça estava voltada para o Dante...

Onde ele poderia estar? Como ele deve estar? Será que ele estava bem? Por que ele não me “persegue” mais? Era uma autotortura digna de filme... Eu me desgastava fácil.

Mas meus pensamentos quase obsessivos foram interrompidos pelo toque do meu celular. Era uma mensagem da minha mãe, completamente mal digitada com os dizeres que me gelaram a espinha:

“Seu pai foi agredido!!!

Não poderemos ir visita-la por um tempo!

Assim que receber alta, nos avise e pagaremos um táxi!

Atenciosamente, Mamãe.”

Notas finais
Ok, os capítulos focando só a MM foram maçantes, mas desta vez esse foi o ÚLTIMO.
Agora aguardem: Os próximos cap. muita gente vai ter Tilt... xD
Assisti o DLC do "Vergil's Downfall", e metralhei o teclado do meu notebook!
A inspiração veio que nem um raio!
Já que não fui trabalhar por causa das chuvas sem fim, aproveitei pra tomar um copo glorioso de cappuccino e e escrevi até os dedos entorpecerem!!!
Agradeço de ♥ os feedbacks!
Abraços! ♥ :'3