DmC 5: Stairway To My Heaven

12 2º DiaNoite, por Dante: Algo Diferente...


Notas iniciais
Ela tem tomado um espaço na minha cabeça que tá foda de não reparar...
Ela tá se tornando algo sério... Minha Mada.

Deixei Mada no ponto de ônibus, mesmo eu tendo insistido em pagar um táxi. Ela era mais teimosa que um animal de carga, cacete... Depois de vê-la ir embora, me bateu um vazio esquisito; um pedaço oco em mim que doía pelo excesso de espaço; uma sensação medonha que me deixou preocupado. Pra um cara que não acredita em amor, o que diabos era sentir aquilo? Só me sentia miserável daquele jeito quando lembrava da minha mãe, a única pessoa que tinha certeza de que amei, mas que não lembrava de nenhum rastro de seu rosto... Isso me incomodava dum jeito que me deprimia por qualquer bosta.

Voltei pro píer a pé mesmo; e olha que o Jeff até ofereceu carona, mas recusei. Queria encaixar os miolos, colocar os pensamentos no lugar. Fiquei pensando no lance que tava rolando entre eu e Mada, se realmente valeria a pena continuar com uma garota “chave-de-cadeia” como ela. De fato; ela é linda, educada, inteligente pacas, atenciosa, gostosíssima no sexo, mas e aí? Isso não a definia por completo, e os fatores que

a faziam um perigo iam além das aparências e do que ela é.

Eu havia enxergado alguma coisa invisível nela, algo que só quem a visse de perto conseguiria enxergar, e por que não se sentir encantado... E a química que existia entre a gente ia além de tudo; era questão de cheiro, gosto, pele, alma... Mas o problema ainda persistia na vida dela, e por mais que eu quisesse só ver o lado bom dessa história, meu maldito cérebro fazia questão de foder minha alegria esfregando a realidade na minha cara, como sempre.

Com o saco cheio, acabei rosnando e socando uma parede pra liberar toda a frustração. Claro, a parede ficou toda fodida; melhor nem me importar demais. Resolvi ir pra alguma boate afogar a fossa, e calhou de eu acabar indo pra “The Heaven”. Puta merda, né? Sou um babaca mesmo...

As garotas da boate logo assim que me viram já vieram cacarejar pra cima de mim. Óbvio que enchi a cara; chapei loucamente, misturei tudo que podia pra não ter que ficar pensando em Mada. Eu já tava num estado em que ser carregado seria o mínimo, mas não dei chance pro azar: fui pro banheiro e vomitei metade do que bebi, assim não iria envolver ninguém na minha bebedeira. Mesmo só meio consciente, voltei pra casa acompanhado; meu pau era um predador dos infernos, puta que pariu... E naquela hora eu tava odiando isso.

Cheguei no trailer e caí logo pra cama; nem esperei a guria entrar nem nada. Ela atacou e já arrancou toda minha roupa, e eu passando mal pra caralho; achei que fosse vomitar a alma de novo. Só senti aquele arrepio bom me subindo o corpo; olhei pra frente e tava recebendo um boquete furioso. De repente imaginei que poderia ser a Mada no lugar daquela vadia, e o tesão foi aumentando a ponto de eu acabar gemendo alto.

Gozei fácil, mas fiquei num cansaço danado, pois tava tão bebaço que nada fazia sentido: eu não sentia meu corpo direito, tudo girava e se distorcia, a realidade e os meus delírios pareciam a mesma merda. Em minutos, capotei num sono de bêbado, e lógico que a vadia abusou de mim o quanto quis mesmo eu estando inativo da cintura pra cima... Tô bebaço; só não tô morto!

Quando acordei, foi de um súbito tão grande que fiquei sem ar. Bateu uma tontura foda, logo subiu aquela vontade de vomitar goela acima que me obrigou a pular da cama e correr pro banheiro. Acabei vomitando mais suco gástrico que qualquer outra coisa. Tava todo zuado do estômago... Argh!

Tomei um banho e olhei na geladeira; tinha duas caixas de pizza de quando a Mada veio pela primeira vez.

Ela deixou a geladeira limpinha e organizada, fiquei impressionado... E me bateu algo que nunca acreditei sentir por ninguém além de sentir só pela minha mãe: senti saudades dela.

Queria ela comigo, não conseguiria mais ficar longe dela mesmo ela sendo um problema filha da puta de tão sério... Acho que me sentia disposto a aguentar um balde de merda pra poder ficar com ela de vez, vê-la feliz tava sendo uma prioridade a ser assumida. A imagem daquele rostinho de boneca das bochechas rosadas aparecia direto na minha mente, e já não tinha mais saco pra ficar ignorando; Mada era a mulher que me prendeu. Ficar bancando o babaca e fingir que ela não significava nada não iria me acalmar, e acho que faria inúmeras cagadas por causa disso. Então pra quê fugir se podia assumir?

Peguei meu celular. Olhei pra tela com a maior cara de safado; eu iria aprontar alguma. Selecionei o número da Mada. Nem tinha reparado, mas tinha registrado ela como “minha mina favorita”! Puta merda, eu comecei a rir de mim mesmo! Como eu era um bosta emotivo grudento e não fazia idéia...

Digitei uma mensagem besta e enviei:


“Oie, bonitinha!

Gravei seu número no meu celular, assim a gente não se perde.

É o seguinte: to com saudades. Quero te ver ainda hoje.

Me diz seu endereço e chego aí de boa. :D

Beijos do seu Dante.”


Não acreditei que ela fosse me levar a sério, afinal a vida que ela tem não dava muita chance pra certas coisas. Assim que confirmou o envio, larguei o celular na mesinha e comecei a devorar a caixa de pizza de marguerita. Eu tava numa fome violenta, e morrendo de sede. Mas a larica tava mais dominante, então nem dei espaço pra bebida. A vadia acordou do seu “soninho” e tentou vir me agradar, insistiu, mas a dispensei e continuei comendo, eu parecia um ogro. De repente, batidas na porta, mas até então eu nem tava dando atenção. A guria abriu a porta, e ouvi vozes femininas que não consegui distinguir. Ouvi barulho de tombo e passos duros, mas nem me abalei.

Continuei comendo e assim que olho pra trás me deparo com Mada: toda suada, com cara de raiva e gritando comigo. Caralho... Ela veio!!!

Ela era linda. De qualquer jeito, não importava se brava, triste ou alegre, ela era linda pra mim. E vê-la no meu trailer depois de receber minha mensagem me bateu uma sensação de felicidade sem tamanho! Enfim eu tava tendo certeza do que eu sentia por aquela garota doida dos infernos... Eu tava afinzaço dela.

– Seu babaca! Quem te deu o maldito direito de conseguir meu número de celular, me mandar uma mensagem terrorista daquela e achar que tá tudo certo?!?

– Oh, oi bonitinha! –só me dei conta depois que falei com a boca cheia... – Mals aí pelas grosserias!

– Exijo explicações, Dante! Ande logo! – Ela bufava de ódio. Os olhos estavam num verde vivo impressionante!

– Explicações? Me facilita a vida aí e me diz.

– Você tem de me explicar ISSO! – Ela quase esfregou o celular na minha cara, com a mensagem que mandei pra ela aberta na tela.

– Ah! Eu que mandei essa mensagem sim...

– Você quer acabar comigo?!? Já tá sendo complicado lidar com tudo que fiz sem surtar, e você ainda me bombardeia com essa loucura?!? E se meus pais te pegam no meu quarto?!? – ela berrava jogando os braços pro ar e andando em círculos... Quanta histeria...

– Ah, que relaxo, bonitinha... Tá me subestimando demais... Você acha que eu daria chances pra eles flagrarem a gente no maior “love”?

Ela mudou a expressão num só instante depois do que eu falei. Pelo visto, consegui desarma-la mais uma vez. Me senti no domínio, e aproveitei pra ser o mais sincero que eu podia ser. Afinal, não era sempre que eu uma garota me deixava tão preso, tão bobão. Que merda, será que meus dias de vida loca estão no fim? Se bem que no momento to pouco me fodendo pra isso; meus pensamentos estão só na Mada. Não tenho mais enxergado outra coisa a não ser ela e nada mais... Essa porra tá ficando séria... E mesmo sabendo disso, não to na coragem de sair fora.

– Entenda uma coisa, bonitinha: você é a primeira garota que quero comer mais de uma vez. E no meu

conceito, isso é além do meu normal. Se isso significa “estar a fim”, então pode crer que to na sua.

Esperei ela esboçar alguma reação, já que ela entrou numa catatonia meio non-sense, só ficava olhando pra mim com os olhos estalados. A vadia que eu trouxe pra dentro tava uma pistola de raiva... Mas ignora-la tava sendo divertido. E num súbito, a Mada pulou no meu pescoço e me encheu de beijos, alguns deles já meio salgados pelas lágrimas dela. Acho que ela tinha finalmente entendido o que eu tava tentando dizer.

– Você é um chato, sabia? Precisei ficar louca pra você falar alguma coisa!

– Hahahahahaha! Falar o que, bonitinha? Que to afim de você?

– Você não tem noção do quanto isso significa pra mim, né? – Ela resmungou escondendo a carinha no meu peito... Que bonitinha...!

– Você é muito frágil, fala sério... Deve ser por essa fragilidade e tosquisse toda que me fez ficar na sua...

Hahahahahaha!

Em resposta à minha piadinha ela esmurrou meu peito dum jeito que doeu um bocado. Apertei ainda mais o abraço e dei-lhe um beijo na cabeça. Mesmo suada, ela continuava a exalar aquele cheirinho enlouquecedor de morango... Como podia ser tão gostosamente cheirosa, meu Deus?!?

– Ok, agora que fiz todo esse escândalo, não pretendo voltar pra casa hoje... – Ela murmurou com os olhos já meio inchados e o rosto vermelho.

– Tá, tá... Já entendi... –Olhei pra vadia com um ar raivoso; não queria interferência. – Ei, você! Junta tuas tralhas que minha garota vai dormir aqui comigo hoje!

– Ei, Dante! Não vem com essa! Não vou passar a noite na rua!

– Mas também não vai passar a noite aqui! –Me soltei dos braços de Mada e fui catando as coisas da vadia;

empurrei contra ela com tanta força que ela até tropeçou pra trás. – Um táxi te busca e te leva onde você

precisar. Só cai fora.

A vadia saiu xingando absurdamente; gastou tudo que sabia pra me ofender em alto e bom som. Mas que

se foda, não vou me abalar só por que alguém me chamou de bastardo filho da puta ou pior. Como se metade

do que ela havia dito não fosse verdade... Heh!

Fechei a porta e olhei pra minha Mada. Era impossível não ficar de pau duro só de olhar pra ela; era um

feitiço que eu não conseguia desfazer. Mesmo de ressaca, eu ia avançar nela...

– Bom, já que a vadia saiu, e eu já to pelado... Falta você tirar a roupa.

– Vem tirar pra mim...? – ela me perguntou, com um olhar sonso e um sorriso maldoso. Sem vergonha...

Eu não tinha mais dúvidas nessa vida; nem mesmo pretendia ficar me enganando. A noite toda de trepada foi o mínimo que tivemos pra matar uma saudade que nem mesmo sabia que tínhamos um do outro. E olha que não fomos nem um pouco discretos no barulho... Não escondemos de ninguém que nada ia nos segurar.

Notas finais
Mil perdões pela demora, queridos leitores e amigos! ;_;
Tive problemões pra resolver, e me ausentei mais do que gostaria... Um saco. ._.
Mas não deixei de escrever! :'D
Espero que gostem deste novo capítulo! ♥
Mil abraços! ♥