DmC 5: Stairway To My Heaven

5 2ª Noite: Eu Assumo que Sou Louca.


Notas iniciais
Senti o perigo me esganar. Sufoquei, azulei, pedi por socorro.
Fiz tudo mais uma vez, na desesperada busca por preservação.
E consegui bem mais...

Eu queria chorar.

Chorar até explodir, me afogar, ter um derrame e cair desfalecida. Eu olhava para os lados desesperada, em um pânico tão intenso que poderia matar. O celular iria partir ao meio, tamanha força que eu o segurava, senti meu corpo deslizar chão abaixo, sendo apenas amparada pela porta de meu quarto. Como diabos ele descobriu meu número?!? Será que ele mexeu nas minhas coisas enquanto eu me distraí? Será que dei meu número sem ao menos perceber? Eu estava mergulhada em angústia, Deus sabia o que passava na minha cabeça naquela hora. Num súbito me levantei de forma desajeitada e olhei pelas janelas, peguei uma mochila e estufei de coisas que talvez eu fosse precisar – se bem que na verdade eu não fazia a menor idéia do que coloquei, apenas fui colocando aquilo que via randomicamente como útil. Olhei pro relógio e batiam vinte pra oito. Não conseguia pensar em nada melhor do que ir até o píer e tentar convencer Dante de que ir até minha casa era uma péssima idéia. Desci as escadas toda trêmula; com o coração voando goela acima. Eu estava esganando as alças da mochila, tentava aplacar meu nervosismo. Meus pais e o meu suposto noivo ficaram surpresos com minha súbita saída, ainda mais naquela hora da noite. Meu pai tentou me censurar, mas eu disse que a situação estava muito tensa, e precisavam de mim pra evitar um suicídio. Foi o bastante pra que todos calassem a boca e ficassem mais uma vez maravilhados com meu “altruísmo”. Minha irmã desta vez se revoltou, reclamando do por que eu podia sair frivolamente à noite e ela não... Coisa ridícula a se reclamar, se formos considerar que ela já está em idade de resolver a própria vida e que ela ainda mora conosco, uma família de valores severos e deturpados...

Saí em disparada pelo bairro e peguei o primeiro ônibus que vi chegando no ponto mais próximo. Para minha sorte, era um que passava bem em frente à entrada do píer. Em todo trajeto, eu estava num misto de emoções confusas, eu sabia que estava passando do ponto com minhas mentiras e sabia que estava indo longe demais com tudo aquilo. Mas de alguma forma me sentia vitoriosa por ter sido capaz de despistar tão facilmente pessoas que teoricamente eu nem sonhava em enganar. Minhas unhas estavam destruídas; eu as tinha roído até onde conseguia aguentar. Desci do ônibus muito aflita, olhando pros lados randomicamente pra me certificar se não estaria indo pro lado errado. Corri o máximo que pude e andei da forma mais apressada que fui capaz. Assim que avistei o trailer, me bateu um extremo alívio; agora restava saber se ele estava lá.

Bati na porta várias vezes; ninguém atendeu. Tentei ser mais agressiva e passei a chamar por ele, quase esmurrando a porta. Tomei um susto qdo a porta do trailer se abriu abruptamente, e me deparei com uma garota de índole duvidosa apenas trajando uma calcinha. Senti o chão sumir debaixo dos meus pés.

-... O que diabos você quer?

- E-eu queria falar... C-com Dante... – eu me esforçava para não surtar.

- E quem é você? A irmãzinha dele? – ela me olhou com um desdém enojante.

Eu não conseguia me mexer. O trauma de ver outra pessoa com Dante era demais pra mim. Seria ciúme? Talvez, mas aquilo me tirou do sério tão prontamente quanto me deixou abalada. Por instinto, empurrei a garota pro lado com uma força insana e adentrei o trailer sem a menor cerimônia. O que vi foi um Dante meio bêbado, pelado e devorando um pedaço de pizza da forma mais grotesca que um homem seria capaz de fazer. Perdi completamente a compostura e, debaixo dos protestos da dita-cuja que empurrei, avancei em Dante com uma expressão furiosa estampando meu rosto.

- Seu babaca! Quem te deu o maldito direito de conseguir meu número de celular, me mandar uma mensagem terrorista daquela e achar que tá tudo certo?!?

- Oh, oi bonitinha! –ele me cumprimentou com a boca cheia de pizza. – Mals aí pelas grosserias!

- Exijo explicações, Dante! Ande logo!

- Explicações? – ele terminou de comer e chupou os dedos lambuzados de molho. – Me facilita a vida aí e me diz.

- Você tem de me explicar ISSO! – quase esfreguei o celular na cara dele, com a mensagem aberta.

- Ah! Eu que mandei essa mensagem sim...

- Você quer acabar comigo?!? Já tá sendo complicado lidar com tudo que fiz sem surtar, e você ainda me bombardeia com essa loucura?!? E se meus pais te pegam no meu quarto?!?

- Ah, que relaxo, bonitinha... – ele já me agarrou, mais uma vez eu não fui páreo pra força dele. – Tá me subestimando demais... Você acha que eu daria chances pra eles flagrarem a gente no maior “love”?

Aquela última sentença me desarmou. Na minha cabeça, conclui que ele não enxergava nossa aventura como outra qualquer. Meus olhos brilharam, me denunciei. E acredito que ele deve ter percebido.

- Entenda uma coisa, bonitinha: você é a primeira garota que quero comer mais de uma vez. E no meu conceito, isso é além do meu normal. Se isso significa “estar a fim”, então pode crer que to na sua.

Depois dessa declaração deturpada, não tive dúvidas: Dante me queria como sua ficante. Não tive reação mais coerente do que agarrar seu pescoço num abraço apertado e apaixonado, e com os olhos marejados em lágrimas, lhe dei um beijo urgente, e com a voz embargada, sibilei:

- Você é um chato, sabia? Precisei ficar louca pra você falar alguma coisa!

- Hahahahahaha! Falar o que, bonitinha? Que to afim de você?

- Você não tem noção do quanto isso significa pra mim, né? – disse entredentes, com a cara escondida no torso forte dele.

- Você é muito frágil, fala sério... – ele bufou resignado. – Deve ser por essa fragilidade e tosquisse toda que me fez ficar na sua... Hahahahahaha!

Mesmo estando feliz com o que ele me disse, esmurrei o peito dele em resposta. Claro q deve ter doído um pouco, pois ele gemeu de leve. Já certa de tudo em minha mente, enxuguei minhas lágrima e voltei a olhá-lo, desta vez fui capaz de olhar nos olhos:

- Ok, agora que fiz todo esse escândalo, não pretendo voltar pra casa hoje...

- Tá, tá... Já entendi... – Ele olhou pra garota e apenas rosnou. – Ei, você! Junta tuas tralhas que minha garota vai dormir aqui comigo hoje!

- Ei, Dante! Não vem com essa! Não vou passar a noite na rua!

- Mas também não vai passar a noite aqui! – Ele se soltou dos meus braços, foi juntando as coisas da garota e empurrou-as contra ela; que quase caiu. – Um táxi te busca e te leva onde você precisar. Só cai fora.

A garota saiu xingando absurdamente; gastou todo seu vocabulário de ofensas sem o menor pudor. Assim que fechou a porta atrás de si, Dante exibiu seu sorriso malicioso, e como já estava nu, me bastou olhar pra baixo pra saber que ele já estava “armado”.

- Bom, já que a vadia saiu, e eu já to pelado... Falta você tirar a roupa.

- Vem tirar pra mim...? – eu disse, com um olhar sonso e um sorriso maldoso.

Não preciso dizer que ele avançou com toda voracidade do universo, e que a noite foi nossa testemunha, e só quem passou pelo píer foi capaz de ouvir nossos urros e gemidos...

Notas finais
Ah, consegui!
Mais um capítulo feito, mais uma missão cumprida! :'D
Agora é hora de pensar no próximo, e arrumar tempo pra escrever!
Acabei de jogar DmC, e to beeem inspirada! *o*
Agradeço de coração pelos feedbacks e pela leitura! ♥
Até o próximo capítulo! Abraços! ♥