Diário sem sentido nenhum

4 Sorriso ao Sono - Phill Veras


Notas iniciais
Cara, eu ficaria muito felizinha se alguém comentasse alguma coisa...

Fotos de onde eu moro:

***

"A Arte de sonhar"

Quando o doce olhar do sono

Desce sobre um sonhador

De si ele exerce abandono

E se rende ao estupor

Queria eu sonhar contigo

Mas em meus olhos só veem estrelas

Esse foi teu mais severo castigo

Meu amor, o dia vai nascer

Quero tanto continuar dormindo

E ignorar o nosso velho florescer

***

"Quarto"

Meu canto escuro, meu clarão. Vinte e sete tons de vermelho em cada parede.

Nos fins de tarde, o sol bate na janela de frente pra escrivaninha e ilumina a gaveta de memórias.

Incertezas jogadas por toda parte. As vezes, tudo fica de ponta cabeça, ou sou só eu plantando bananeira.

Pessoas entram e saem a cada minuto. A música está sempre tocando

Dentro das gavetas, os desejos são organizados e passados um a um.

Coloquei um refil de amor para deixar tudo cheirosinho, mas abri a janela e foi mais forte o cheiro de churrasco do vizinho.

***

Qual é a de ficar sonhando acordado? Quer dizer, nós ficamos idealizando um futuro, uma pessoa, um objeto, uma comida...

Uma confissão:

Eu penso em comida pra me acalmar, e as vezes antes de dormir.

Quando eu digo "idealizar", você já deve pensar que isso é ruim, que é um verbo que não deveria ser muito usado. Certo, não até certo ponto. Mas é tão legalzinho ficar pensando em coisas melhores. As vezes eu penso em como eu trabalharia em profissões estranhas tipo uma noiva de aluguel ou modelo de fantasias. Isso não é ruim, porque sei que ninguém vai satisfazer meus caprichos, eu mesma não o farei, contudo, minha mente se distrai das loucuras do dia a dia.

Definição de loucuras do dia a dia: aula de física.

***

"As Portas da Cravela"

Em um porto vazio do lado de um farol, dentro de uma grande e abandonada caravela, vivia um garotinho de olhos esbugalhados. Ele era como um andarilho ali dentro, viajava por cada quarto e dormia em um diferente todos os dias. Inventava brincadeiras e escondia seus bens mais preciosos nas tábuas do assoalho. Passava a maior parte de seu tempo no castelo da proa conversando com os peixes.

A noite já havia caído, quando ele uma certa vez encontrou um canto que nunca tinha bisbilhotado. No porão interior do casco, havia um quarto escondido por panos e caixas, todo tipo de treco. As portas tinham maçanetas de madeira e estavam verdes porque havia muito tempo, esta madeira se cansava de ser úmida e cedera sua cor natural. Mas para os olhos dele, tratava-se apenas de uma pintura diferente, da qual o tempo se encarregou de fazer. Naquele momento, as portas estavam trancadas.

Na noite seguinte, ele voltou com a chave em mãos, sabe-se lá onde a encontrou. No entanto, era madrugada e ele não ousou entrar. Na verdade, não era apenas a madrugada que o assustava e sim aquele lado obscuro do navio. Então, ele parou de ir até lá e cobriu o lugar com os panos e as caixas novamente.

Dizem que aquele quarto continua ali e que as vezes ele levanta de fininho, abre as portas em uma fina fresta e espia o que há lá dentro.

*Pequenas observações:

Caravela = consciência

Quarto misterioso = subconsciente

a² = b² + c²*

***

Só pra você saber, eu esqueci você

E se o meu olhar cruzar com o seu é só porque você ta no caminho.