Diário do apocalipse
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu me chamo Hugo, ou detento 00213 se preferir.
Há algumas semanas eu era só isso, mas hoje sou um dos poucos sobreviventes do mundo que conhecíamos. Lembro do início do fim, e de como as pessoas caminharam lado a lado para a escuridão.
Tudo teve início numa chuvosa quarta-feira de abril, eu vestia meu moletom surrado pelo tempo e estava sentado na minha cama beliche que dividia com outro detento. Um sujeito magro, pele clara e cabelos ralos. Numa cela de três por quatro metros. Acho que pelo porte físico inferior dele, isso o deixava apreensivo. O que nos fazia ter poucas conversas durante o dia, fazendo o tempo andar mais devagar. E na prisão o tempo, ás vezes, tem o dom de te enlouquecer.
Naquele dia nada parecia diferente, ou anormal o bastante para causar o fim do mundo. Foi então que eles deram o primeiro passo para o abismo. As paredes geladas naquela tarde e aquele tempo chuvoso trouxeram-me a estranheza de ver as portas se abrindo. Num dia como aquele não iríamos para o pátio, ainda mais quando não havia nenhum guarda por ali. Mas mesmo assim as portas se abriram e extintivamente alguns detentos se levantaram e caminharam para a rampa que descia até uma grande porta de ferro com trancas eletrônicas, que estava trancada. Estranhei tudo aquilo e não levantei da cama, apenas observei. Enquanto Vitor, meu colega de cela esmirrado caminhou juntos aos outros. Quanto havia uns quarenta presos em frente a porta de ferro, ela começou a ranger causando um barulho irritante quebrando aquele silêncio característicos de dias frios. Quando o último barulho estridente cessou e a porta estava totalmente aberta, foi que vi, um pelotão de dez a quinze homens todos armados mirando nos presos inertes a frente deles. Após uns instantes a tensão era tão forte ali, que podia quase ser tocada, e com uma palavra aquelas quinze pessoas empurraram abismo abaixo quase quarenta presos.
- “Atirem!”.
O pelotão abriu fogo. Todos corriam desesperados, os que não haviam saídos de suas celas entravam correndo, tentando se esconder debaixo das camas. Então vi, no meio daqueles corpos, Vitor caído, acertaram uma bala bem na testa dele. Ouvi então um segundo comando:
- “Desse aqui é só o 213”.
Depois vi entrar no pavilhão um segundo pelotão, também com homens armados. Tentei correr para minha cela e me esconder senti uma forte dor na cabeça, mas nenhum disparo e então apaguei.
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