Diário do Monte Castelo
2 Dançando conforme a corte
Notas iniciais
Se houvesse uma palavra que a descreve-se em um todo, esta seria "romântica" com certeza. Seu olhos não era tão bem delineados quanto ao de moças de sua idade, tinha um certo ar infantil em tudo neles e inclusive ao mel em seu iris. O traço fino e infantil impressionou a todos que lhe direcionavam a atenção.
* Anunciando a garota como a futura rainha de Epistefania! *
Quando cedeu finalmente ao semblante da mejestade séria e autoritária. Todos viam passar aos corredores, impressionados sim, mas não do jeito certo. Assim como um príncipe de quatorze anos não passaria a segurança para um país, nossa garota não tinha as proezas de sua irmã mais velha (que por acaso, o que faltava em uma a outra tinha), embora com 16... Algo estava errado.
Parecendo um fantasma de vestido sujo da foligem da madeira, as folhas que anhinavam-se em alguns cachos transpassavam uma garota sem rédias, mesmo que não fosse plena realidade. (Arabelle ficava a mando de seus pais, sempre no lugar onde eles queriam)
Rúbia endireitou-se e guiou-a a escadaria. Logo Arabelle desceu sublime seguida de holofotes, os holofotes daquela época medieval demais para descrer da magia.
-Finalmente... Minha filha! — o rei estufou o peito e esbarrou a multidão quase tão bêbado e cheio de si quanto qualquer um questionaria sua magnetude real. -Vamos dançar!
Logo abriu-se a imensa roda.
-Não papai, odeio dançar! — puxada pelo braço, pouco se ouviu depois do primeiro toque da música animada.
-Não nega a raça. Filha de nobre, dança até sem querer que o faça! — O rei a conduziu num modo marionete, enquanto mal ela via seus pés tombando debaixo do vestido rendando.
*Juntar-se ao rei!* Foi o que os cavaleiros fizeram conduzindo o resto da festa a fecharem o círculo e abrirem num movimento gozado visto de cima.
-Não me sinto bem...- resmungou a princesa.
-O que? — Seu pai gritou surdo.
-Quer outro alguém? — Repetiu o rei.
-Não estou boa em dançar! — a garota aproximou-se a gritar novamente.
-Ela quer outro par! — antes que percebe-se, enjoada, estava nos braços de todos ricocheteando de cavaleiro em cavalheiros de todas as despresíveis aparências. (Claro que eram belos, arrogantes, vaidosos, mas de que valiam? Por dinheiro eles te chamariam das coisas mais doces do mundo!)
-Oi.
Finalmente Arabelle parou de rodar e para longe puxada numa valsa mai lenta, um rapaz loiro a conduziu. Quem era? Foi como se aquele não fosse tão frio e emitisse certo calor pelas luvas, luvas que estavam um pouco surradas, um alfaiate ruim talvez?
- Você não é um cavaleiro, é? — Voz tímida de Arabelle.
- Você não estava esperando cair nos braços de um plebeu, não é? -O rapaz tirou de leve a mão da silhueta da garota.
-Não... Espere! — Pegou a mão dele novamente. -Não me deixe a merce destes homens... Você me parece confiável.
Confiável? --
Do outro lado do salão...
-O que acha de fazer uma surpresinha a princesa? — Perguntou um de três belos jovens e adagas cuja reluziam um brilho cegante.
-Devo pegar a chave do quarto?- perguntou outro mais cheinho.
-É seguro fazer isso? — perguntou o do meio, este cujo devemos cravar nossas atenções em seu semblante pálido e roupas que salientassem seu corpo bem definido. (Coisa que se via muito naquela época...) O típico jeito vaidoso orgulhoso de si e do qual enchia os olhos com seu irís negro como a noite e brilhante como o luar preenchendo o céu.
- Você é o comandante cara! Você quem manda! — foi o que o gordinho quiz dizer.
Antes que reparassem, estavam cercados de bebida, luxo, mulheres a abanarem plumas e bebericar bebidas caras com sorrisos maliciosos.
Voltando a Arabelle...--
-Então... Ficou com medo de que seus pais lhe comprassem mais do que jóias? — A voz era tão musical aos ouvidos dela, a primeira vez em que falava com alguém que fosse "verdadeiro" (igualzinho a msn hoje em dia)
-Você vive no vilarejo? — Arabelle olhava fixamente os olhos cristalinos do rapaz que emanava sua humildade por detrás de vestias simples, mangas folgadas e mascara de tecido (que faziam que mechas loiras caíssem e outras adentrassem no pano azul escuro) Ele por outro lado, ficava um pouco corado.
-Sim. Eu toco lá. — respondeu.
-Toca que instrumento?- continuou a jovem curiosa, e mesmo sabendo que não poderia ve-lo tocar, que tudo podia ser uma mentira e que por mais que aquela valsa durasse... Ela estaria pronta! Para quando a noite acabasse.
- Violino.- pigarreou sem graça.
-Acho lindo! — sorriu de volta a garota.
Enquanto todos já se dispersavam, ficavam aqueles múrmurios em leques:
*Ei, quem é ele?*
*A princesa está dançando com esse garoto... Eu escolheria um homem de aparência madura!*
*Quer dizer, ele é alto e forte. Mas não é o tipo de cara interessante.*
*Parece um anjo de maltrapilhos!*
-Acho melhor pararmos aqui. — Arabelle sentiu-se horrível ao ouvir tais palavras, como se tivesse envergonhado o rapaz.
-Chamo muita atenção?- Ele analisou ela prender os dedos nos ombros dele, como se os dois já tivessem se visto antes. Como se sua música tivesse personificada a sua frente, uma donzela tímida se apegando a um desconhecido por puro enlace do destino.
- Você me lembra uma música. — se despediu ele.
Agora, por traços e traços seviam mais longe... Tomada por um nó inexplicável, a garota sentiu vontade de subir para seu quarto.
continua na próxima
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