Diário de uma princesa - Interativa

24 Alice no país da Seleção.


Notas iniciais
:3 Boa leitura, um capítulo para descontrair. Mentira, é pro rins sair pela boca.

Alice.

Sentei-me em uma mureta que contornava um belo jardim e fiquei observando os pássaros em revoada por algum tempo. Sentindo o vento balançar os cabelos contra o rosto, fechei os olhos e deixei a canção melodiosa dos pássaros penetrar em minha mente.

— Esse lugar é realmente incrível — Escuto alguém comentar. Me sobressalto. Olho para trás e me deparo com Kian me observando atentamente.

— Você me assustou — suspirei pesadamente, apertei a borda do vestido com a mão e cravei o olhar nos meus próprios pés, timidamente.

— Desculpe, essa não era a minha verdadeira intensão — ele me disse, calmamente. Como se vesse através de uma nevoa invisível e minhas palavras chegassem aos seus ouvidos vagarosamente.

— Tudo bem — semifechei os olhos. Uma borboleta de asas azuis pousou no topo da minha cabeça morena.

Kian sorriu, admirado. — Essas são realmente raras. Acho que é a primeira borboleta azul que vejo nesse jardim.

Pensei um pouco antes de concluir;

— Gosto de ver os casulos de borboletas. Lagartas feias que adormeceram, esperando a mágica metamorfose. — disse suavemente.

— Alice, você tem algo, um brilho nos olhos, é uma coisa inédita. Nunca vi brilho maior que o seu. — Ele sorriu com sinceridade.

Mordi o lábio inferior. — Kian, eu não sei se vou conseguir ser apenas sua amiga.

Ele me fitou, eu evitei que nossos olhos se encontrassem. Definitivamente não queria contato visual com aqueles olhos...

— A Seleção é como um buraco fundo e eu me sinto cair. Ninguém consegue me entender. Sinto-me afago, imaginando que uma dessas garotas vai se tornar minha futura rainha. — Kian arremessou uma pedrinha branca bem longe.

— Bom, eu vou entender. Eu pelo menos tentar. Juro que nunca vou abandona-lo e quando chegar a hora... — estreitei os olhos. — Conte comigo no momento de concluir sua decisão.

Ele riu de breve. — Se eu sou o Chapeleiro e você a Alice, quem seria a Rainha Branca ou a Vermelha?

— A Branca seria a Annelise — disse, depois de algum tempo perdida em pensamentos, um sorriso sonhador e tranquino se formou ambos nos dois lábios. — Ela tem um jeito heroico e intimidador. Acho que vai contra qualquer voto dela machucar alguma criatura viva. E bem... possuí uma aura delicada naturalmente, Annelise parece um anjinho.

Ficamos em silencio ao decorrer de alguns vagos minutos, pensando nessa possibilidade de existência distante. — Bianca é a Rainha de Copas. Acho que seria bem engraçado imagina-la gritando; "Cortem as Cabeças!"

Rimos juntos. Eu suspirei lentamente, pensando no que iria dizer seguidamente — Sofia seria os gêmeos Tweedledee. Tem duas fases distintas e ao mesmo tempo parecidas. — eu disse.

Kian concordou com um gesto na cabeça. — E o coelho?

— A Nickole. Diziam que Alice, vivia procurando o coelho mágico para sumir em uma dimensão imaginária. Não sei se ela é tão rígida com o tempo e as horas.

— Bom e a Lagarta? — ele me perguntou.

— Parece com a Alaska. Imagino ela ser do tipo de garota aberta, livre — umedeci os lábios — Poética. Uma das minhas prediletas, se minha opinião for valida.

— Quem você acha que eu deva escolhe para o próximo encontro? — perguntou-me.

Franzi o cenho, pega de surpresa com a pergunta. — Talvez deva começar com os baralhos mais difíceis. As peças mais desafiadoras. Tentar encontrar algo em comum com pessoas opostas. — Ele assentiu de leve. — Não deve ser tão difícil assim. Você tem doze escolhas. Doze garotas disponíveis.

— Teoricamente onze — ele me corrigiu. — Johhana foi embora.

Sim, tinha me esquecido completamente que a boa e generosa Johhana avia deixado o palácio.

— Espero que fique bem — desejei.

Kian suspirou profundamente. — Johhana tem uma ótima cabeça. Eu tenho absoluta certeza que achara uma boa resposta.

Ficamos em silencio por algum momento.

— Se você pudesse fugir com uma das candidatas, quem seria? — perguntei aleatoriamente.

Ele se aproximou do meu ouvido e disse baixinho.

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— ALICE! — Escutei alguém gritar pelo meu nome. Viro-me bruscamente e me deparo com Sean. Sorri automaticamente.

— Ainda lembra do meu nome? — franzi as sobrancelhas, ironicamente.

— Como poderia me esquecer, um cavaleiro nunca se esquece do nome de uma bela dama — ele sorriu, cafajeste.

— Vai me lançar outra cantada? — indaguei.

— Bom, isso ou talvez dar um passeio pelo castelo. Um tour. — ele se ofereceu.

— Você sabia que tem outras garotas mais bonitas e interessantes? — apontei com a cabeça em direção ao salão das mulheres, onde as garotas se produziam.

— Possivelmente — ele fez uma reverencia. Sean exibiu seu sorriso mais cafajeste e sedutor. — Mas foi no brilho dos seu olhos que me perdi.

Eu estendi minha mão, vencida. Ela a agarrou.