Diário de uma garota quase perfeita. - O Retorno.
25 Seja meu espelho, minha espada e escudo.
Notas iniciais
Anteriormente em diário de uma garota quase perfeita...
– Anna, me escute. — Falou.
– Não me venha com Anna escute, Carina Monteiro! — Esbravejei.
– Nossa, ta mordida? — Ela ironizou.
– Você que gosta disso vaca. — Devolvi com o mesmo tom. – Qual é? Pensa que eu não escutei? Me deixa em paz, volte a transar que você ganha mais. Ou vai conversar com a Priscila já que você acaba de perder sua melhor amiga. Não olha mais na minha cara sua vagabunda. — Conclui me soltando.
Estou com a cabeça nas nuvens! Há peso nos meus ombros, eu deveria ser mais sábia e perceber que eu tenho que resolver os problemas comigo mesma, está na hora de parar de jogar e escolher.
Com quem eu quero ficar?
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Estou tão envergonhada, pelo que eu fiz para você. Mas não me arrependo! Eu tive que deixar você sentir o que eu estava sentindo. Vou levar tudo o que eu puder, sempre que eu puder vou levar. Eu odeio quando você vai embora e eu odeio quando você volta. Eu odeio a maneira que eu preciso de você quando eu não sei onde você está. Eu sei que você acha que me odeia, mas eu sempre vou te odiar mais. Você não entende, que nunca mudarei quem eu sou por mais que eu tente?
– Anna King’s.
***
Agora.
Quarto dia,
Entrada Malibu Place Hotel
Existem tantas questões, mas eu estou falando sozinha. Eu sei que depois de tudo, fica difícil fazer as pessoas me ouvirem. Tenho tanta coisa para dizer, coisas até que não sei explicar e que só o meu coração pode dizer. É uma bagunça dentro da minha cabeça, há nela palavras que eu deveria ter dito, como eu me afogar em meus arrependimentos. Eu não tenho sido tudo o que poderiam ter esperado de mim, então, não tenho motivos para me orgulhar em dizer que não a impedi de ir embora, estragando de vez nossas férias, estragando de vez as minhas chances de provar que mudei. Para ser sincera, quem estragou tudo isso fui eu.
Peguei o elevador rumo ao segundo andar do prédio, apertando assim, o botão que me levaria até meu destino. A porta estava prestes a se fechar, quando uma mão masculina segura-as com força e adentra o ambiente em que eu estava. Para a minha surpresa, era a pessoa que eu menos esperava encontrar no hotel em que Carina está hospedada.
– Willian Bakery! Está me seguindo por acaso? — Exclamei e questionei, estranhando a possível coincidência de estarmos no mesmo lugar e na mesma hora.
– Nós precisamos conversar. — Disse ele, chegando um pouco mais perto de mim. — Você e o panaca do Clark estão juntos?
– Não é da sua conta. E não o chame de panaca, o único panaca aqui é você. — Respondi séria e incrédula ao mesmo tempo.
– Por quê você fez aquilo comigo no baile Anna? Eu.. eu amo você. Você deveria parar de se importar com seu passado e importar-se só com seu presente, e o presente somos nós dois. — Falou, me puxando pela cintura, tentei em vão me soltar, pois Willy é mais forte que eu.
– Você está enganado Willian. Nós somos o passado e não o presente, se é que existiu nós. O meu presente já está destinado a ser bem longe de você. É uma pena que eu não acredite mais em tudo o quê você diz. Bakery, você mexeu com a rainha errada! Não sou como todas as outras das quais você transou. Eu sou única e especial e você já mais me deu valor.
O amor é um jogo, cabe a nos decidirmos se brincaremos ou não. O mundo da voltas, e hoje quem usava agora é o brinquedo. Tenho uma longa lista de ex-namorados. Eles te dirão que sou maluca. Eu adoro os jogadores! Sou jovem e imprudente. Levei isso longe demais. Deixo sem fôlego, ou com uma cicatriz horrível. Tenho lábios de cereja, céus de cristal. Posso mostrar coisas incríveis. Beijos roubados, mentirinhas... descobri do que garotos gostam cedo de mais. O pior ainda está por vir, gritando, chorando, sou a tempestade perfeita! Eu posso fazer os jogos virarem, estilo uma rosa cheia de espinhos. Voltarei sempre que fugir. Eu sou um pesadelo vestido de sonho, Oh.
– Você é só uma garota mais quente que uma fantasia que todos tem, solitária como uma rodovia. Você vive em um mundinho limitado onde você e sua amiguinha ditam as regras, mesmo sentindo a catástrofe, você sabe que pode voar para longe. Anna você é uma garota, mas é uma chama tão brilhante que pode queimar os olhos de qualquer um. Posso tentar, mas nunca esquecerei seu nome, está no topo do mundo. — Seus olhos estavam marejados, e ele insistia em olhar para cada detalhe em meu rosto.
O alarme do elevador soou, me salvando daquilo. Willy me soltou e eu me recompuz, ageitando minha saia e pegando minha bolsa que havia caído no chão. Respirei fundo.
– Me esqueça. Eu não sou mais sua.
Com tal frase, Willy continuou parado dentro do elevador enquanto me via desfilar feito uma rainha do gelo, até que que virei o segundo corredor onde ficava o quarto de Carina.
Assim que cheguei na frente do mesmo, senti lágrimas começarem a escorrer. Abaixei meus olhos respirei fundo e dei três batidas na porta, logo sendo atendida por ela.
– O quê está fazendo aqui? Pensei que eu tinha sido clara que não queria mais te ver, nunca mais. — Disse cruzando os braços.
Fiz sinal negativo com a cabeça e sorri de forma sínica.
– Cala boca senhorita realeza! Você sabe que não iria durar muito tempo mesmo. — Carina assentiu com a cabeça e retribuiu meu gesto. – Meus namorados esperam pela minha cabeça em um prato de prata, por que são apenas marionetes em uma solitária corda. Preciso da sua ajuda para resolver isso.
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7h50min
Terceiro dia.
Ontem.
Casa da praia, manhã após acontecidos bizaros.
POV'S Carina
Revirei para o lado esquerdo de minha cama, onde o sol já adentrava a janela enorme com vista para o mar, hoje, mais azul do quê já mais esteve nos dois últimos dias em que estive aqui, me trazedo de certa forma segurança. Espreguissei-me e peguei meu travesseiro reserva, abraçando-o, criando assim, coragem para levantar da cama. Ao fazer tal ato, um cheiro de coco e perfume masculino passou, lembrando vagamente do meu sonho na noite passada com Pedro. Instantaniamente sorri, calçando em seguida minhas pantufas e me preparando para ir tomar meu café da manhã.
Quando passei pelo corredor que dava acesso a escada, notei que o quarto de Anna parecia vazio, o quê indicava que ela já havia se levantando, provando assim, que eu não era a única acordada. Suspirei pesadamente ao me lembrar que ainda estávamos brigadas. Além de tudo, meu sonho me fez refletir sobre nossa briga que, mais uma vez foi sem motivos concretos, além de ciúme. — Sim, ter Pedro e ela no mesmo sonho parece loucura e ao mesmo tempo não é difícil de se acreditar, afinal, os dois são pessoas importantes para mim, e como comprovado pela ciência, sonhamos com coisas e pessoas do nosso cotidiano. —.
Peguei o rumo da escada de madeira, descendo devagar, degrau por degrau. Por volta do meio, eu já podia claramente escutar as vozes de Marrie e Anna, ecoando da cozinha.
– Eu estou falando sério Marrie, eles realmente transaram! — Falava Anna, quase em um grito, presumi que fofocavam sobre Cauanne, ou até mesmo Ágata.
– E qual é o problema? Não se esqueça que você fez isso e coisas piores com Willy. — Marrie questionava e gargalhava em suas últimas palavras.
Nesse momento, vi os olhos de Anna correrem de um lado para o outro buscando respostas. — Ela vai mentir! Eu preciso impedir —. Novamente, as mentiras estão virando rotina e eu pareço já não conhece-lá mais, dupla personalidade.
– Atrapalho algo garotas? — Irônizei e adentrei o ambiente.
No mesmo segundo, as duas pararam de conversar sobre o quê quer que fosse. Marrie fez sinal negativo com a cabeça, enquanto Anna continuou sem dizer nada. Eu geralmente me pergunto sobre o quê ela está pensando, ou o quê diria quando fica sem se pronunciar. Com toda certeza, sua mente me xingava de todos os nomes possíveis. Isso em partes é engraçado, até por que, Anna é a rainha dos dramas. Se chamassem-na para fazer um filme, seu papel seria o principal, creio que ela tem o perfíl de uma bela atriz de Hollywood. As vezes, eu só queria que minha própria ‘’ melhor amiga’’ me deixasse saber como se sente ao invez de esconder tudo a sí mesma, ou arrumar outras maneiras de dizer se está bem ou não, tornando as coisas mais difíceis e complicadas para mim. Se ao menos ela finalmente se desse conta de que não precisa se fazer de forte ou de vítima o tempo todo, pouparia boa parte do meu trabalho.
– Carina, é verdade que ontem a noite... — Marrie começou. – Você e Pedro fizeram... você sabe.
Arregalei os olhos com surpresa. De fato, esse dia está ficando cada vez mais estranho.
– Não que eu sabia! — Exclamei. – Quer dizer... tive um sonho meio estranho noite passada relacionado a isso. Porém sonhos são sonhos, não é mesmo?
Anna e Marrie se entreolharam e começaram a rir. Minha memória embaralhou, me trazendo uma forte dor de cabeça, como se fosse um tipo de ressaca, mesmo que o mais curioso nisso tudo, tenha sido que não coloquei nem siquer uma gota de álcool na boca no dia de ontem. Anna sussurrou algo no ouvido de Marrie ao ver meu estado, pois obiviamente estava se divertindo com tudo aquilo. Marrie por sua vez apenas assentiu, se despedindo de mim e indo em direção a área da piscina, deixando só eu e Anna ali.
– Hum, hum... você é mesmo fraca. Huum, vádia louca — Debochou, finalmente se pronunciando.
É! Os meus sonhos nunca são tão calmos quanto parecem, e realmente acabo de perceber que aquilo foi realidade. Sei que já senti isso antes, mas agora sinto mais ainda, porque fiz aquilo com a pessoa que eu amo. Eu me abro e vejo, que a sou a última a cair em sã consciência, me lembrando de tudo o quê eu aprontei noite passada.
– Então somos duas não é ? — Provoquei. – O quê deu em você para me chamar de tudo aquilo ontem? Perdeu a noção do perigo?
– Oh, palavras.. elas sempre passeiam pela nossa mente não é? Diga pro seu namorado a verdade ou eu direi. Por quê querida, eu não tenho medo de você! — Respondeu, pegando uma maça da fruteira e saindo de cena.
Bravo Anna, muitíssimo bravo! Preciso de um autografo, pois esse show foi espetacular. Só que baby tenho uma péssima noticia! Você já fez melhor...muito melhor, a estória está se repetindo e desta vez, eu não irei ceder.
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POV'S Anna
Um pouco mais tarde,
Por volta do meio dia.
Quarto da Anna.
Ah Carina! Você deveria parar um pouco às vezes. Parar e me contar o quê vem acontecendo com nossa amizade. É tão ruim só estar aqui parada, observando sua vida sem poder dar minha opinião sobre as coisas que você faz. Não é que eu não acredite em você, mas você gasta todo o seu tempo dando atenção a pessoas fúteis. Será que você tem um pouco de tempo, para mim? Tudo o quê eu quero é que não aja como se não me escutasse. Não agüento mais essas brigas e as palhaçadas. Não tenho tempo pra dormir, espero que isso acabe, e logo. Por quê será que as pessoas não entendem e não percebem quando eu me importo? Eu sinto algo tão certo, mesmo que eu esteja fazendo a coisa errada e ao mesmo tempo, eu sinto algo tão errado,fazendo a coisa certa. Eu não posso mais mentir. Eu prometi, mas tudo que me mata faz sentir-me viva.
Culpada! Oh Sim, tão culpada ! Cá estou eu com o notbook em mãos. Com isso, acho que voltei a ser a vilã. Definitivamente eu estava sentindo falta disso e agora, não parece ser mais tão ruim depois de tudo o quê vem acontecendo comigo. Carina pelo menos merece sentir um terço do que eu estou sentindo.
– Ela simplesmente surtou de novo Priscila! — Carina berrava com ódio em sua voz,
– Mas, Anna sempre não foi temperamental? Por quê você está preocupada? -Priscila questionou.
– Por quê desta vez parece que é diferente... tem algo que está encomodando-a e eu preciso descobrir o quê é. — Respondeu.
Você já tentou descobrir onde o seu coração está? Você já tentou poder encontra-ló? Você o trocou por alguma coisa? Você já sentiu uma coisa tão forte, mas nada ficou do jeito que você queria? Você sabe qual é o seu destino? Infelizmente, eu sei o meu. Você tenta dar o seu melhor, porém parece impossível superar ou controlar aquilo que você sente.
– Shh! Tem alguém nos escutando. Há alguém que entrou no seu quarto além de mim? — Priscila avisou, me fazendo estremecer por dentro.
– Só o Pedro e a Anna. — Carina respondeu.
– Sinto te informar, mas sua melhor amiga é uma vadia completa. Olhe isso aqui. — Neste momento, perdi a conexão e o áudio silenciou.
A janela está aberta e eu vejo aonde ela está me levando. Toda essa energia, ficou presa por muito tempo, é poderosa até de mais. Você entende aonde estou querendo chegar? Eu estou pronta pra tudo isso. Se eu não sou uma estrela, — você está cega por quê acredite, ela não é melhor que eu! —. Tenho anéis em meus dedos e glitter no meu cabelo. Eu tenho duas passagens, mas a recém chegada não! Então, vou percorrer essa cidade. Eu estou usando salto alto e estou chutando portas. Eu estou subindo alto mas, ainda não há redes. Você gosta de me ver pulando um pouco, não é? Bem todo dia é como uma roleta russa, eu vou jogar, jogar, jogar sem arrependimentos, porque eu estou cansada de ser a segunda melhor, estou esmagando-a com o meu punho. Que fique claro, meu batom não é para beijar os pés de uma vagabunda!
Ouvi um grito de raiva vindo do quarto de Carina e em seguida batidas violentas em minha porta, parecia até que ela derrubaria se eu não abrisse. O desespero tomou conta de mim. Optei por atende-lá e fingir não me importar para suas acusações, mesmo que fossem verdade. Como eu imaginava, Carina estava ao lado de sua mais nova amiga. Sua postura foi de se manter com as mãos na cintura o tempo todo. Realmente, eu a deixei irritada, da mesma maneira que eu estava e ainda estou.
– Sabe Anna? — Começou, sua voz parecia estar no tom normal e não esbanjava mais nada além de superioridade. – Você era só uma menina rica se divertindo. Seu vestido curtinho atraia os olhares de todos, você foi pra New York quando tinha trêze anos, teve que deixar sua vida legal em Londres, para viver só de mentiras. Na festa do escritório do seu papai, todos os filmes eram tristes, causou em todos presentes ali muita dor no coração, porque a estrela era você. — Agora, ela passou a me fitar nos olhos. – Ei menininha rica, onde você errou? Quando eu te conheci você não passava de uma garotinha fraca com medo do mundo. — Ao contrário do esperado, seu timbre não modificou, continuou o mesmo do inicío. – Eu te fiz mais forte! Deveria me agradecer ao invez de ficar me espionando. Fique ciente que, as pessoas dizem que você é só uma versão minha um pouco mais malvada. Apartir de hoje, eu serei obrigada a concordar, não que eu goste da idéia, até por que, você própria deixou claro que não somos iguais e sim opostas.
POV'S Carina.
''Porque eu acho que ela nunca vai crescer?
Te surpreenderia se descobrisse que eu estou rindo?
Você pensou que você iria me encontrar em lágrimas
Você pensou que eu estaria engatinhando as paredes como um minúsculo mosquito tremendo de medo
Bem, você pode ser o rainha do momento
Mas eu sou quem te ensinou tudo, entende?
E eu tenho seus peões, seus bispos e castelos
Tudo dentro da palma da minha mão
Enquanto você estava rasgando um buraco em todos
Eu estava tomando o controle
Entenda, você já mais vai me superar.''
Minhas ações seguintes foram impensadas, assim como minhas palavras anteriores. Simplesmente, deixei a raiva tomar conta de mim e acredito que não é a primeira vez que isso acontece. Arrumei minhas malas, colocando nelas o necessário, já que mais tarde voltaria para pegar o restante. Tomei um banho e me arrumei. O taxi me esperava na entrada da casa, juntamente aos meus amigos, incluindo Anna. Desci escada abaixo com as malas em mãos, arrancando questionamentos de todos, questionamentos dos quais foram respondidos com o meu mais puro silêncio. Não estava no clima de explicar meus motivos para dar fim a essa viagem.
– Estarei no hotel se alguém de vocês quiser falar comigo, me liguem. Caso contrário, encontro vocês daqui a uma semana. Beijinhos. — Falei entrando no carro, sem dar chances para alguém responder.
Tenho os pés no chão e não irei voltar atrás.
Continua...
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