Diário de uma garota quase perfeita. - O Retorno.
19 Se eu for para o inferno... Vous allez avec moi ensemble.
Notas iniciais

Anteriormente em diário de uma garota quase perfeita...
Carina, olha aquilo ali. — Falei, apontando para o avião com a mensagem.
As pessoas que caminhavam por ali pararam tudo o que faziam e começaram a observar o céu deslumbradas com aquela mensagem. Com toda certeza, Londres inteira viu aquilo. O trânsito se encontrava congestionadíssimo, e certos motoristas desceram de seus carros para presenciar a cena.
– Pista de pouso, PISTA DE POUSO! – Carina gritou, puxando-me em direção a limousine estacionada do outro lado da praça.
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''É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.''
Pista de pouso para aviões de pequeno porte. 5h00min da tarde...
Existe um campo perto com palavras escritas em pedras. Esse lugar está morto, infelizmente. O eco atravessa a cidade. Não há nenhuma voz, eu não ouvi nenhum som. Os aviões voam, suas bombas voam também. A cidade ficou vazia, as chamas nós criamos. Quando a fumaça vir, vai colorir essa cidade. Mas eu ainda terei você, então eu vou dizer alto: Eu serei sua distração!
A amizade que criamos, é uma perda de nosso tempo; ninguém vai ficar aqui, para mostrar um futuro bonito. É um mundo de ódio, inacreditavelmente errado. Nós nos preocupamos muito tarde, nós apenas seguimos e a voz abaixou com a arma em suas mãos. Suas armas de escolha, seus joelhos na areia, se aquele campo perto ainda está lá para ser usado, você iria saber que aquelas palavras eram pra você...
– Anna! — Gritei. – Você não precisa fazer isso. — Implorei, tentando me soltar das mãos de uma sombra com um manto preto que cobria todo seu corpo, me impossibilitando de reconhecer sua face monstruosa.
Ela me olhava com água nos olhos, seu desespero era evidente, tão evidente que fez meu coração tremer. Anna parecia tão fraca. Fraca de mais para tentar fugir, fraca de mais para suportar me ver indo em seu lugar. — Maldito seja o tempo que perdi tentando me enganar dizendo que não precisava dela! — Deuses imortais, rogo por ela e há ninguém mais. Suplico-lhe, não a deixe ir embora!
– Me deixe dar a ela meu último abraço Piérrie. Não seja tão frio e sem coração, não seja como eu. Por favor. — Anna virou-se indo na direção do loiro com olhar mistérioso que estava a poucos metros de nós, rindo da cena.
Ele apenas assentiu com a cabeça, fazendo sinal para que a sombra com o manto, me soltasse. Anna pulou nos meus braços e escondeu seu rosto no meu ombro, deixando suas lágrimas ficarem no meu sobretudo, que agora se encontrava fechado por conta do frio persistênte. Não nevava em exesso naquele ponto de Londres. Afinal, era uma pista de pouso afastada da cidade.
– Não se preocupe. — Sussurrou. – Ca, me escuta. Eu tenho um plano. – Começou. – Quando soltarem o Renny e o avião levantar voo, eu vou dar um jeito de assumir a direção. Apenas, confie em mim. Eu prometo que não vou te decepcionar desta vez.
Arregalei os olhos com espanto. Desde quando ela sabe pilotar?Não tive tempo de responder, Piérrie veio até nós duas e nos separou, puxando Anna para o avião.
– Está na hora da troca. Ou melhor, Il est temps pour un changement.– Sorriu para mim, sarcástico.
Assim que Anna adentrou as estrêmidades do pássaro metálico, Renny saiu de lá de dentro sendo escoltado por ninguém mais ninguém menos que... Cauanne, que gargalhou irônicamente ao me ver.
FlashBack On
– Oh, estranha! — Provoquei. – Me desculpe pela pergunta. Deveria eu me apresentar, ou você vai parar de fingir que não me conhece? Está estampado em seu rosto que você sabe muito bem que eu sou.
– Meu nome é Cauanne DiLewis, e você com toda certeza é Carina Monteiro. Prazer queridinha! — Exclamou.
Pessoas podem ser tão falsas às vezes, alguma coisa está em meu caminho e eu não posso ver .... minha visão está embaçando e isto me intimida. Ela planejou isso a todo o momento, ela sabia que eu estaria aqui e que viria para cá. Cauanne está abusando do poder que ganhou.
FlashBack Off.
Cauanne soltou as cordas que prendiam os pulsos de Renny, em seguida, ficamos frente a frente, mais uma vez.
A história começa quando estavamos em um verão qualquer. E, eu tinha tudo, bem onde eu queria. New York. Bem, eu devo a ela os devidos aplausos, foi mais rápido do que aquilo que você poderia chamar de sabotagem. Eu nem percebi, não teria suspeitado. Eu a subestimei.
– Oh, quem é que está por cima agora? — Falou desafiadora, cruzando os braços tentando encontrar meus olhos.
– Tem certeza? — Questionei. – Não se esqueça que na vida, ao contrário do xadrez, o jogo continua após o xeque-mate.
Não obtive resposta, ela balançou a cabeça em sentido de negação, virou-se e caminhou na direção do avião, mas antes que ela pudesse fazer tal ato, o mesmo levantou voo e começou a ziguezaguear no ar. Cauanne se encontrava incrédula. Renny e eu nos entreolhamos, aquilo dizia que ele havia acabado de ter o mesmo pensamento que eu. Entrelaçamos nossos braços torcendo para que o pior não acontecesse. Um pressentimento horrivél rondou pelo meu corpo.
– O quê foi que você aprontou agora sua vadia? — Pergunto Cauanne, esbravejando e berrando.
Me silênciei e revirei os olhos com desprezo. Tudo o que meus aparelhos auditivos captavam era o barulho do motor do avião. — Anna, você é completamente maluca! —. Renny correu até Cauanne, virando seus braços bruscamente de surpresa, amarrando assim, as cordas que antes o prendiam, nos braços do inimigo.
Pov's Anna
Naquele momento, minha vida estava por um fio. Quanto mais eu lutava com Piérrie para conseguir tira-ló do comando do avião, mais ele me machucava, me jogando contra a parede constantemente, ganhando tempo para levar o avião para longe. — Eu não posso desistir, não agora! Não depois de ter ganhado mais uma chance de vencer —. Uma dica, nunca vá para uma luta sem um plano B. A sombra já está presa em uma cadeira e assistia a luta sem poder mecher um dedo.
Resta agora, apenas um. O mais forte de todos; o meu ex namorado vulgo vagabundo.
Com esse pensamento, chutei a perna de Piérrie que tentava me enforcar, virando seus braços, dando um golpe de karaté, o único que Willy conseguiu me ensinar com perfeição nas nossas aulas particulares em casal, antes de brigarmos e darmos fim a nosso ''relacionamento'', ainda em New York. Piérrie soltou um grito ardido de dor e se manteve deitado no chão.
– Você... você quebrou o meu braço. — Disse gaguejando, sem forças para poder se levantar.
– Eu disse que não ficaria por isso mesmo Joseph, ou melhor, Piérrie. — Gargalhei descaradamente e de uma forma falsa. – Onde está o piloto automático?
– Você acha mesmo que eu vou falar Anna? — Respondeu.
Após suas palavras, dei um chute forte em seu estomago com a ponta do meu salto, fazendo-o estremecer ainda mais.
– E agora, vai me dizer? — Perguntei, mais uma vez, pronta para repetir o chute com mais intensidade.
Piérrie apontou para o botão azul no canto esquerdo do painel, sem pensar duas vezes, apertei-o, sentindo as estruturas do avião se mecherem
– O que foi que você fez seu desgraçado? — Gritei, fazendo minha voz ecoar.
– Mon cher, si je vais à l'enfer, vous allez le long. — Riu.
Pov's Carina.
Inesperavélmente, o avião começou a descer em disparada para o chão, feito uma bala que acabará de sair do revolve. Meu coração gelou.
A resposta está no ar mas eu realmente não me preocupo, pois eu nao pude me manter respirando fumaça. Toda vez quando eu estou pintando meu quarto, — como uma boba eu escondi meus sentimentos —. Toda vez quando eu estou pintando meu quarto, penso em você partindo. Você rola como uma pedra garota! . Acho que deveriamos parar, pois eu não quero pisar nos meus pés. Você faz o que faz para ficar por cima. Fazemos o que fazemos para ficar por cima! E por isso, completamos uma a outra.
O que será de mim, sem a Anna? Sem a parte que só ela pode completar nas pessoas ao nosso redor, incluindo-me? Eu a assistirei morrendo? Morrendo, para sempre! Alias, eu assistirei-me morrendo. Era para mim estar naquele avião, era a mim quem Cauanne queria ver morta. Foi por minha causa que isso tudo aconteceu. — É! De fato, eu assistirei-me morrendo, não há mais duvídas sobre isso! —.
Cada vez mais e mais perto do chão. Cada vez mais e mais perto do último suspiro de vida da minha melhor amiga. Será que existe uma luz? Ou será uma lágrima que cai dos meus olhos? Será...apego?
O milagre não é dar vida ao corpo extinto, ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo, nem mudar água pura em vinho tinto, milagre é acreditarem nisso tudo! Pode ser que um dia deixemos de nos falar... Mas, enquanto houver amizade, faremos as pazes de novo. Pode ser que um dia o tempo passe... Mas, se a amizade permanecer, uma da outra se há de lembrar.Pode ser que um dia nos afastemos... Mas, se formos amigas de verdade, a amizade nos reaproximará. Pode ser que um dia não mais existamos... Mas, se ainda sobrar amizade, nasceremos de novo, uma para a outra. Eu confio em você Anna! Eu confio em você! Você sempre dá o seu jeito. Não vai ser agora que isso vai mudar.
– Renny, Carina, dá uma olhada. — Cauanne fala, apontando para o céu de onde surgiam dois paraquedas sendo abertos, proxímos ao avião. Em um claramente, se podia ver Anna.
''Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Seguir a direção
De uma estrela qualquer,
Eu já estou na sua estrada
Sozinha não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Me solta!
E deixa a sorte me buscar.''
Soltei um suspiro de alivío misturado a lágrimas de felicidade.
– Cauanne, quem é a sombra? Quem é a sombra que está no avião junto com a Anna e o Piérrie? — Renny falou, após nos abraçarmos.
– Láis. — Disse sem rodeios.
Incrivélmente não estou chocada. Na verdade, o que mais me choca é Anna ter prefêrido salvar Láis do que salvar Piérrie. Pelo menos Piérrie tem seus motivos para ter feito o que fez, já Láis, acredito eu, que não!
Não demorou-se muito até Anna chegar em terra firme, ela e a pessoa que Cauanne dizia ser Láis estavam de mãos dadas e ficaram assim, até Anna se soltar e me abraçar por um bom tempo.
– Eu disse a você que não seria desta vez que nos separariamos. — Ela fala rindo, como se não tivesse acabado de passar por uma quase morte.
– Meu Deus, quanta melação! — Exclama Cauanne com a mãos na cintura, aparentemente com ciúmes.
– E eu, não mereço um abraço por ter trazido a Anna de volta? — A sombra responde, tirando o capuz me fazendo reconhecer aquela voz e aquela face.
– Marrie?
Continua...
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