Foi o estralo de um beijo que me despertou. Abri meus olhos e percebi que o Nate tinha beijado minha cabeça e estava saindo com o terno na mão.

Ontem dormi durante o filme. Depois daquela parte que a mulher não consegue mais sair de casa, fiquei aterrorizada e não conseguia abrir os olhos. Acabei cochilando.

Eu ainda sentia o cheiro do perfume dele no travesseiro, que eu reconhecia ser aquele francês. Sem perceber eu estava sorrindo feito uma boba. Chequei as horas no celular e decidi me levantar. Tomei banho e coloquei um vestido estampado soltinho com um elástico na cintura que realçava meu quadril, salto e algumas joias pra incrementar no look. Gostava de me vestir de acordo com o lugar e esse hotel era tudo ... menos simples.

Fui ao restaurante e encontrei as meninas da torcida. Me juntei a elas.

_Améllia Kuerten, que história é essa de ser pega com um gato dentro do quarto? – Ophlia falou tentando parecer séria, só tentando.

Eu sabia que se soubessem iam ficar no meu pé, só não pensava que a Mari iria contar.

_Ainda bem que foi a Mari que entrou! Imagina se fosse o treinador. – falei imaginando que meu constrangimento seria três vezes pior.

As meninas riram e concordaram.

_Mas você sabia que ta geral comentando né. E a essas horas o Augustus deve ter contado até para o treinador.

Fiquei mais chateada por saber que foi o Gus que espalhou do que se fosse a Mari. Porque menina é normal uma fofoca. Mas ele não é assim. Na boa. Fiquei decepcionada, mas não deixei transparecer.

_Trocando de assunto, você não morava aqui? – Bianca perguntou se referindo a cidade.

_Sim. Se a gente ganhar podemos até fazer uma after lá em casa.

Elas ficaram todas animadas e começaram a fazer planos. Não fiquei interessada em assistir nenhuma partida hoje. Apenas nossa final a tarde. Mas parece que nossa escola ganhou no tênis e ping pong também.

Por volta das três horas eu comecei a me arrumar, coloquei o uniforme das cheerleaders com as cores e o símbolo da escola. O tênis branco e parti pra maquiagem e cabelo. Passei apenas base, pó, blush e rímel. Puxei o cabelo pra trás deixando só a franja pra frente e prendi num rabo de cabelo, colocando o lacinho vermelho.

_Eu queria te pedir desculpas por ontem. Eu sei que me avisasse justamente pra gente não vir pra cá, mas não consegui segurar o Gus. Principalmente depois que ele soube que aquele gato que veio contigo era teu ex.–Mari falou enquanto amarrava o tênis.

_Eu fiquei um pouco chateada sim, mas tem coisas que não podemos evitar. –Desabafei.

_Exatamente. Ainda bem que você entende. –ele falou aliviada- O Augustus realmente estava estranho, sabe. Até parecia quando ele me via falar com algum garoto e começava com as crises de ciúmes.

_Pior foi ele espalhar que nos viu aqui.

_Eu também não acreditei que tinha sido ele.

_ Trocando de assunto, posso te pedir um conselho de amiga?

Eu queria conversar com alguém sobre o Nate, sobre nós, sobre namoro, sobre o que a Mari — ou qualquer outra pessoa- achava que eu devia fazer.

Nós duas fomos andando até o estádio onde aconteceria a final do futebol. Eu decidi que iria voltar o namoro com o Nate. Mariah me ajudou com isso. Me perguntou o que eu mais gostava nele e se a causa da gente terminar nós já tínhamos superados.

_E ainda vai ganhar presente no dia dos namorados! – ela falou brincando.

_É nessa sexta né? Nem lembrava.

_Améllia. –Bianca me chamou- arruma meu laço, por favor? – ela abaixou a cabeça para eu ver o laço torto e continuou a falar– Mari, estão procurando você. Parece que quase deu briga com a Ophlia e uma menina do outro colégio.

A Mari saiu apressada. Eu ajeitei o laço no cabelo da Bia, depois seguimos para o nosso lugar na frente das arquibancadas da direita. Não vi nenhum garoto do time antes do jogo, mas quando entraram deixaram claro que estavam ali para ganhar. Todos tinham dois riscos de tinta preta nas bochechas e uniforme com as cores do colégio. Nós animávamos gritando a musiquinha e fazendo os passinhos.

Como estava concentrada em não errar a dança foi no meio do jogo que percebi o Augustus e o Nataniel que estavam “brigando” pela bola. Nate fez um gol, alguns estranharam quando ele acenou para mim, outros ficaram bem irritados pelo fato de eu ser do time contrário. Faltavam poucos minutos para acabar, estávamos empatados em 2 x 2. Mas nos últimos segundos quando o Isaque fez o último gol — nos dando a vitória e encerrando o jogo — todos correram para o gramado. Abracei alguns meninos e parabenizei-os.

_Festa na casa da Améllia! –Ophlia gritou.

Logo eu recebi uma mensagem de um garoto com meu endereço. Opa! Acho que ele enviou para todos os contatos. Sai daquele tumulto pra dar uma ligação.

_Mãe? – falei assim que ela atendeu o telefone.

_Oi, filha.

_Tais onde? Só pra avisar, é melhor você ficar fora de casa pelas próximas horas.

_Como assim Améllia Catarina Kuertten?

_Lembra daquele nosso acordo sobre eu dar festas quando quiser? Então estão indo pra ai.

_Tudo bem- ela bufou irritada – acho que vou aproveitar pra conhecer seu falso padrasto.

_Beijo mãe, te amo.

Estava difícil achar um taxi, fiquei meia hora na beira da estrada fazendo sinal. Até que o Nate apareceu e parou, embarquei sem pensar e pedi que me levasse pra casa.

_Você jogou bem. Não foi sua culpa vocês perderem.

_Isso era importante pra mim. – eu tinha percebido que ele ficou abalado por ter perdido o jogo final, mas com isso tive certeza.

_Nate? –falei me virando para ele assim que ele estacionou na frente da minha casa.

_O que foi? – perguntou colocando a mão na minha perna e me olhando.

_Naquela noite, você falou sério sobre a gente voltar?

_Você não sabe como me deixa louco. Por mim eu nunca teria terminado. – ele disse e eu o beijei depois sai do carro e vi os meninos do futebol e as cheers me encarando.

_Esse é o capitão do outro time, não é? –Isaque perguntou.