Diário de uma adolescente
9 Em briga de homem e mulher não se mete a colher
Notas iniciais
Tudo começou quando eu fui flagrada com um falso boletim, e depois dai uma coisa ruim atrás da outra. Fui expulsa da escola e matriculada num internato, um garoto se jogou do muro caindo em mim, passei mal, não consegui fazer amigos e fiquei conhecida como retardada. Mas depois de tudo isso minha vida estava melhorando.
Mamãe concordou em me liberar para o fim de semana e até já ligou pra escola autorizando. Também deixou eu fazer festinha em casa (só porque ela sabe que eu não irei pra casa tão cedo). Já era quinta de noite e eu aprendi todos os passinhos das líderes de torcida, mas posso dizer que trabalhei duro pra isso. Acordei todos os dias as cinco da manhã pra treinar e em qualquer tempinho livre eu já estava me alongando e decorando a musiquinha.
Assim que me aceitaram no grupo eu já comecei a fazer amizades. Elas meio que esqueceram que eu fui “a louca que chegou na escola de camisola branca”. Agora eu andava com o pessoal da Mariah que me tratavam bem melhor, mas eu ainda confiava mais nos meninos.
Tanto eu e o Gus como eu e a Mariah estávamos bem amigos. Augustus era o tipo de garoto educado, mas que contava as melhores piadas e puxava no pé de qualquer um. Também era o garoto fofo que ouviu muitos desabafos meus nessa semana, que queria entender sobre a diabetes e estava sempre disposto para ajudar.
Com a Mari era o mesmo, só que ela tinha muitas aulas extracurriculares e estava sempre em função das suas amigas ai não ficava muito no quarto. Ela ainda continuava a mesma menina que se dava como minha melhor amiga na infância, só que agora mais madura, mais popular e bem mais bonita. Só não reconheci ela por isso, agora ela tinha um corpão cheio de curvas e uma pele de dar inveja, tão lisa quanto pêssego e tão branca que parecia a branca de neve com seus cabelos escuros e ondulados que desciam até quase a cintura.
Sai dos meus devaneios quando ela entra e bate à porta com força, estava com a cabeça baixa e foi correndo para o banheiro.
_Mari? – sai correndo atrás dela e comecei a bater na porta pra ela abrir.
_Me deixa sozinha. – gritou e sua voz soava abafada como se tivesse chorando.
_O que aconteceu? – perguntei encostada na porta.
Ela não me respondeu, e eu ouvia através da porta seus choros e soluços.
_Eu vou chamar o Gus.
_NÃO. Por favor, não – gritou desesperada e desabafou sussurrando o restante — Eu briguei com ele.
_Então abra a porta. – falei e em seguida ouvi um estouro, como se alguma coisa tivesse caído.
Gritei preocupada e desesperada várias vezes seu nome e ela não respondia, devido a isso o pessoal curioso começou a se acumular no corredor. Ela me mataria se isso virasse fofoca. Por um momento de impulso chutei a porta com força lembrando das técnicas que me ensinaram na época de muay thai, e no terceiro chute a porta caiu.
Encontrei-a jogada no chão ao lado de um lamina de barbear manchada de sangue, seu pulso todo cortado em linhas horizontais e mesmo assim ela estampava um sorriso satisfatório no rosto. Os olhos estavam fechados, mas estava acordada só que exausta.
_Não deixa ninguém me ver, kitkat.
Droga! Como ela era calculista. Catarina era meu -secreto- nome do meio e Kitkat era meu apelido quando éramos crianças e isso me abalou, de certa forma. Mas eu conseguia entende-la, também pensava assim. Ela queria sofrer, mas que ninguém visse sua fraqueza. Para não ser julgada e nem servir como assunto de fofoca.
Fale com o autor