Diário de uma adolescente
15 Dança
Notas iniciais
Eu fui atrás de alguém pudesse me explicar isso. Mas não achei nem o responsável, nem a tal lista. A cada vinte minutos nos afastávamos e deixávamos um círculo no meio do salão como espaço para as pessoas que se apresentariam e então tocava a música escolhida por eles. Logo após as apresentações a festa continuava normalmente, apenas no final da noite os participantes votariam em quem achavam melhor.
Tinham garçons passando com petiscos e assados. E outros com bebidas. O pessoal era a maior parte adolescente e estavam praticamente todos bem arrumados.
Quanto as garotas: um vestido era melhor que outro. Os cabelos com os mais variados penteados e a maquiagem apesar de ser em cores e tons diferentes todas eram esfumaçadas. O batom vinho se destacava e inclusive eu estava com um daqueles.
Os garotos vestiam quase todos iguais: ternos. Alguns colocavam um cravo ou lenço no bolso pra diferenciar, mas a maioria era preto. Claro de diferentes marcas e cortes, mas nessa parte eu já não entendo muito.
Eu curtia a festa intercalando entre o grupo dos meus amigos do Patruni e da antiga escola, mas ainda não tinha visto o Nate. Até começar a tocar aquela música do ed sheeran –thinking out loud quando eu entendi que essa seria a hora da nossa apresentação.
Eu e Nate éramos companheiros de dança também. Ganhamos várias medalhas pra escola. Ele desistiu há pouco tempo devido ao preconceito que sofria. Mas com toda certeza eu posso afirmar que Nate não é gay.
Assim que as primeiras notas começaram a tocar abriram espaço para mim e eu o vi na outra ponta. Com um terno preto sob medida, um lenço de cetim azul marino no bolço do paletó combinando com a gravata e realçava seus olhos. De tão nervosa eu roubei uma dose do garçom de passava do meu lado. Virei o líquido e passou rasgando pela minha garganta.
Nos encontramos no meio do salão e lembrando da coreografia dei graças por ter colocado um short por baixo do vestido. Comecei a dançar e ele me acompanhava a cada passo. Era como se fossemos feitos um pro outros. No mesmo ritmo. Na mesma sintonia. Tudo era perfeito. E uma das técnicas era focar em alguma coisa pra não cair, escolhi seus olhos. E a cada girada que eu dava e o olhava era como se eu estivesse em casa novamente. E num movimento em que tínhamos que ficar praticamente colados eu senti seu coração. E eu juro: estava no mesmo ritmo que o meu. Quando terminamos nos viramos e agradecemos então quando eu estava saindo ele me puxou pela cintura. E me agarrou na frente de todos. Surpreendendo não apenas a mim que deixei levar pela saudade e doçura dos seus beijos, mas a todos que estavam vendo.
Quando me separei dele e olhei por cima de seu ombro meu olhar foi diretamente para o grupo do Patruni, todos olhavam admirados sendo que apenas o Gus estava com a cabeça abaixada.
Fale com o autor