Diário de uma Balzaquiana 02

1 Diário de uma Balzaquiana 02


Senhor Diário

Hoje aconteceu um episódio digamos…,“diferente”, não..., acho que estranho é a palavra que se encaixa melhor. Há cerca de duas ou três semanas, um novo funcionário passou a trabalhar no escritório de contabilidade onde trabalho, como auditora fiscal. Até aí tudo bem, nada de anormal, ele trabalha como auxiliar administrativo, em uma sala no outro lado do corredor.

Ainda bem! Pois, o pouco contato que tive, o achei muito esquisito, sei que não se deve julgar o livro pela capa, mas, ele tem uma cara de homem sem-vergonha, um sorriso sardônico, um olhar de michê. Tá, Não sei se para ser michê é necessário ter uma cara específica, mas, o rosto dele, passa a impressão de safadeza.

Fora os trejeitos doidos. Do nada ele começava a cantar, no corredor quando passa de uma sala para outra, já o ouvi cantando no refeitório, ao menos se cantasse decentemente, canta mal pra caramba! Isso quando não resolve assassinar o inglês, vergonha alheia total.

Estava sozinha na sala, devido o prazo apertado, acabei trabalhando no horário do almoço para variar, quando ele entra sem bater na porta me dando um susto danado.

Entrou como se fosse um velho conhecido, nem sequer pediu licença, e me faz uma pergunta que honestamente me pegou de surpresa. Ele disse: — Alice se importa se eu fizer uma pergunta?

Achei superestranho, até aquele momento, nunca havia conversado com ele, no máximo, um cumprimento de bom dia. Contudo, como sou educada respondi que sim.

Então foi aí que ele soltou a bomba. — Você é casada? Tomada pelo susto da pergunta acabei respondendo que não, até porque não é nenhum segredo, realmente não sou casada, mas o que me surpreendeu foi justamente ele, um cara que mal conhecia vir a minha sala e fazer uma pergunta daquela? Aff..., fiquei passada.

Após respondê-lo, questionei o porquê da pergunta, ele desconversou disse que depois continuávamos com a conversa e saiu da sala, tão rápido quanto entrou.

Fiquei sem entender nada, não sei se ria ou chorava da situação, não são todos os dias que um estranho com jeito de louco, entra na minha sala, faz uma pergunta sobre minha vida pessoal e vai embora à mesma velocidade que entrou.

Pelo resto do dia não o encontrei mais, o que foi um alívio. Gostaria mesmo é de nunca mais topar com ele. Por algum motivo que eu desconhecia ele me dava calafrios, no mal sentido.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.