Sou uma conjuntura de problemas

De traumas, cicatrizes

Não me sinto merecedora do carinho, da compreensão que tenho

Por esse motivo interpreto um personagem de mim mesma,

Ah, eu interpreto-o a tanto tempo...!

A tanto que ele já se confundiu comigo mesma,

Ao nível de eu não saber mais onde eu termino e ele começa

Um personagem corajoso, bem estourado,

Que gosta de bater de frente com os outros

E não tem muita noção de nada

Um personagem simplesmente preguiçoso,

Que nunca está infeliz,

Nunca chora se não for de raiva

Este personagem sou eu

Eu sou este personagem

Dissociar-me dele tornou-se uma tarefa digna dos 12 trabalhos,

Então nunca dei-me o trabalho,

Afinal, não há um porquê disto...!

Pelo menos não até você chegar,

Invadindo meu mundo, sem pedir licença

Exige-me a verdade,

Como eu realmente me sinto e diz-me para não manter-me calada,

Para não fechar-me a você...!

Não consegue conceber tamanho trabalho para fazê-lo?

O único local onde pode-se ver minha alma,

Meu verdadeiro ser de forma imaculada são nestas paginas em branco,

Que chamam meu ser, tem sede de mim.

Meu verdadeiro eu machuca-lhe,

Pois este é melancólico

Meu verdadeiro eu é desconfiado de ti,

Pois este não consegue conceber a ideia de alguém ajudando-lhe

Meu verdadeiro eu não acredita em tuas palavras,

Pois este está machucado de mais para conseguir aproveitar a alegria que tu proporciona-lhe

Meu verdadeiro ser é alguém altamente frágil

E cabe a ti a tarefa de não machuca-lhe ainda mais

Cabe a ti a árdua tarefa de mostrar-lhe que tu realmente não irá fazer nada a ele,

Talvez neste dia ele revele-se totalmente a ti

Desejo-lhe toda sorte nesta tarefa que está a sua frente

Em troca de realiza-la eu irei tentar fazer com que o personagem suma,

Irei tentar livrar-me desta coisa que crie para manter o mundo longe de mim.