Diário de Um Nelliw - Crônicas da Luz
12 Meu amor, minha vida!
Quando amamos alguém, essa pessoa se torna parte de nossas vidas. Torna-se um pedaço de nós, uma parte inseparável e necessária para vivermos. O ato de extirpar esse forte sentimento, ou de separar essas pessoas que se amam tanto, pode ser o começo de uma destruição, ou talvez da mera loucura. Mas de uma coisa temos certeza.
Sem a pessoa que amamos nossa vida não vale mais a pena, não tem mais o mesmo significado!Eu estava prestes a levar um golpe direto no rosto, pois o mestre-ferreiro fora mais rápido e seu machado estava vindo na minha direção. Porém, senti algo estranho, como se uma parede de concreto estivesse em minha volta, então percebi que a barreira era de verdade, mas era invisível. Mizumi conjurou a magia Kyrie Ellison em mim. O machado chocou-se contra a muralha divina e rebateu me dando chance para contra-atacar usando minha espada.Girando a minha arma, o golpe acertaria o pescoço do mestre-ferreiro, mas meu ataque foi bloqueado pelo braço do mestre. Ele se moveu de forma impressionante, usando o antebraço protegido por uma manopla para segurar a lâmina. Usei a paliçada como base e me impulsionei para trás. Corri para perto de Mizumi e nos preparamos para a luta.- Muito perspicaz. Sua mulher é uma sacerdotisa, e isso lhe da certa vantagem. – O mestre falava educadamente, ainda que com um tom sombrio. Enquanto ele falava, o ferreiro dava uma pequena risada maníaca e jogou seu machado para trás da paliçada, onde estavam as duas monstruosas sombras que pendiam ali, no meio das árvores. Ele começou a puxar as duas barras de ferro que saiam das sombras, e então fiquei preocupado. O ferreiro trouxera duas carroças atulhadas de armas e as carregou por cima da paliçada, até jogar por cima deles e deixá-las cair na nossa frente.- Essas serão as minhas armas, maluco. – O mestre-ferreiro gargalhava como um psicopata. Pensei que ele usaria todas as armas que havia dentro das carroças, mas me enganei. Percebi que seria bem pior quando ele saltou e segurou as duas barras de ferro de uma das carroças e começou a manejar ela como o carrinho que eles usam normalmente. O mestre pulou na minha frente e invocou seus cinco espíritos. Nós quatro lutaríamos.Eu comecei. Corri na direção do mestre, com espada e escudo preparados. Cada golpe que eu desferia era esquivado ou defendido por ele, enquanto Mizumi me abençoava e aumentava a velocidade dos meus movimentos. Senti um vento forte passar por cima de mim e vi uma sombra gigantesca no chão. Uma das carroças foi usada como arma e quase me atingiu, impedido pela barreira formada por Mizumi. Continuei meu ataque, até que o mestre parou a lâmina da minha espada com as mãos e senti meu corpo ficar paralisado. Ele me encarou profundamente e vi um breve movimento do seu punho. O Punho Supremo de Asura teria me matado, não fosse pela Luz Divina atirada por Mizumi para desconcentrar o mestre.Imediatamente, cravei a espada no chão e fiz a Crux Magnum atingir com toda a força no mestre. O corpo dele estava começando a sentir os efeitos da luz, porém, levei um golpe muito forte nas costas, dado pelo mestre-ferreiro. Ele usou uma enorme quantidade de zeny em seu punho para me atingir. Mas a vantagem era ainda minha, pois Mizumi me curava e eu não estava disposto a perder.- Querido, cuidado! – Ouvi minha mulher gritar pra mim, enquanto vi o mestre correr na minha direção a uma velocidade incrível, e o mestre-ferreiro erguia uma das carroças ao alto para me esmagar. Levantei-me rapidamente e me atirei para o lado, evitando o golpe da carruagem de madeira, e quando o mestre chegou perto, soltei a espada e meu escudo, esperando o movimento dele.- Funsai-Ki! – O soco que o mestre me acertaria, eu esquivei para o lado e usei meu braço esquerdo para agarrar o dele. Mas quando iria dobrar o seu pulso para quebrá-lo, o lutador conseguiu se desvencilhar e saltar para trás, ao lado do ferreiro.- Com a sacerdotisa do lado dele, fica um pouco complicado. – O ouvi conversando com o companheiro.- Pode deixar para mim! – O ferreiro falou olhando para Mizumi, com um sorriso maléfico estampado. Ele saiu correndo, puxando a carroça com um braço e no outro tinha um machado. Eu não tive outra escolha se não correr atrás dele, mas eu não o alcançaria. Ouvi o mestre gritando para ele parar, mas seria tarde. Mizumi estava ocupada me curando, e quando foi se proteger, não conseguiu reagir em tempo. Foi um único golpe de machado em seu troco, e o sangue espirrava para todos os lados.Meu peito ardeu, como se o fogo me corroesse por dentro. Gritei o máximo que pude e corri como nunca contra o mestre-ferreiro. Ele olhou para mim e girou a carroça, mirando seu golpe. Saltei e juntei os braços, e senti a carroça me atingindo, mas tamanha era a força e velocidade que eu estava, e talvez um pouco da loucura tivesse me dado essa força, que eu atravessei aquela coisa de madeira e alcancei o ferreiro. Eu estava cheio de hematomas e com vários cortes, mas consegui destruir a carroça e cheguei perto o suficiente para dar meu golpe de fúria.- Luz da Criação! – Era tanto ódio, tanta fúria, o desespero era tão grande, que foi o que eu gritei. Não sabia o que falava, somente vi o mestre ferreiro tombar queimado pela intensa luz. Quando me encostei ao solo, tombei com tudo. Mas a dor maior não era física. Arrastei-me até onde Mizumi estava caída, me lamentando. Demorei a ficar de joelhos, mas consegui colocar ela no meu colo. Era tanto sangue, e eu estava tremendo, suando frio. Não sabia se o que escorria em meu rosto eram minhas lágrimas ou sangue.
Ela me encarou firme, com um leve sorriso no rosto. Não tinha mais forças para falar. Os olhos dela cheio de lágrimas que escorriam do rosto para o chão ensanguentado. Eu não sabia mais o que fazer. Queria gritar, acreditar que aquilo não era verdade. Mas algo me trouxe a tona a ira e a seriedade que precisava. Mizumi, em seu último suspiro disse-me “traga Aldora de volta!”, e morreu serena, segurando a minha mão, enquanto eu saia de mim e dava lugar ao meu maior sentimento.- Eu lamento muito. Nossa intenção é para com você e seu filho maldito. – O mestre dizia complacente. – Eu não tinha ideia...- Cale-se!Eu não entendo até hoje, de onde surgiu aquela força, aquela frieza, e principalmente, a ira. Levantei-me, como se as feridas e hematomas que eu tinha levado fossem meras agulhadas. Estava de costas para o mestre, olhando para o corpo frio e de face serena de minha esposa. Desejei-lhe um bom descanso e me virei. Sério, frio e aparentemente sem medo algum. Para mim, não havia mais motivo em viver, nem mesmo em salvar meu filho. A única razão para eu estar de pé naquele momento era uma. Se fomos uma família desde o início, morreríamos como tal.- Espero que esteja pronto. Pois agora lutarei para morrer...
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