Bom, se tudo aquilo que eu estava vendo era verdade então nós estávamos realmente fudidos, quer dizer o governo ia conseguir controlar aquilo certo? Meu deus o que eu poderia fazer? Minha familia toda estava na rua, minha namorada, meus amigos, todos os que eu conhecia poderiam estar em grave perigo. O que eu faria? Era apenas um adolescente que não fazia nada além de dormir e jogar, certo, não podia me preocupar com isso agora, tinha que estabelecer prioridades primeiro me certificar que estava seguro, e depois me preocupar com os outros. Tentei ligar no número do Renan e só dava ocupado, será que tudo isso era uma pegadinha dele? Se fosse... Ele ia se ver comigo, tentei ligar pro meu irmão e ele atendeu. — Caio?! — eu disse desesperado.

– Cara qual seu problema de me ligar no meio da aula? — Ele respondeu nervoso

– Então... Está tudo bem? — Perguntei mais aliviado.

–Você me ligou pra iss... -De repente sua voz foi interrompida pelo sinal de incêndio da escola. — Depois a gente se fala, parece que está acontecendo um incêndio.

– Mas mas... — E ele desligou na minha cara, seria pura coincidência? Aquela muvuca na praça, depois o jornal e logo em seguida o sinal da escola do meu irmão, deveriam estar ligados de alguma forma. Será que tudo isso era realmente verdade? Eu precisava tomar alguma providência, não poderia ficar esperando um milagre cair do céu, não é a coisa mais lógica a se fazer a um ataque de vampiros ou canibais seja lá o que as pessoas estivessem se tornando. Sai na rua à procura de alguém, mas eu decididamente não poderia ficar sentado esperando alguma coisa acontecer, eu era muito hiperativo, idiota e sem noção pra isso. Coloquei minha camisa e meu tênis, peguei a chave de casa e sai, apenas com a roupa do corpo e uma lembrança de muitos anos atrás.

Quando fechei a porta de casa, me deparei com um carro tombado pegando fogo, dois postes de luz caídos e um grupo de pessoas correndo para o final da rua e logo atrás delas, umas outras 2 pessoas andando meio cambaleando cheias de sangue e emitindo um gemido como se fosse de dor, pareciam mais... zumbis? Me escondi atrás de um arbusto que havia ali perto e fiquei observando as pessoas passarem, quando os "Zumbis" estavam quase passando um cara saiu de dentro de uma casa da frente. — Amor! Sou eu, vem aqui eu posso cuidar de você. — Ele gritou pra uma das coisas que passavam, que eu deduzi, que fosse sua mulher até pouco tempo atrás, agora era uma... Coisa indefinida. A "mulher" se virou pra ele e foi em sua direção, o pobre homem com os braços abertos e com lagrimas nos olhos repetindo baixinho. — Eu te amo, vamos ficar juntos pra sempre, na vida e na morte! — Até que a coisa chegou nele e se jogou pra cima do coitado e começou a mordê-lo ferozmente. O pobre homem começou a gritar muito alto e chorar enquanto sua amada o devorava e me parecia que ela não iria sair dali até deixar apenas os ossos (se não os usasse para palitar os dentes.) Pela minha experiência em jogos, o perfil que aquelas criaturas mais se encaixavam seriam zumbis e pelo que conheço de zumbis eles são burros e lentos mas extremamente fortes, ferozes e tem a audição e olfato muito aguçados. Então eu poderia fugir facilmente se não fizesse nenhum barulho e se eu encontrasse mais dessas coisas... Bom, era melhor torcer pra que isso não acontecesse. Comecei a me mover em direção a parte de trás da minha casa pra tentar sair pela rua de trás, continuei abaixado e me movia agachado e felizmente consegui sair sem que as coisas me vissem ou ouvissem. Agora teria que pensar o que eu estava fazendo ali fora, atrás de quem eu iria, quem eu teria mais chances de encontrar primeiro e que se eu não morresse pra isso. Comecei a lembrar de pessoas que no dia a dia, eu nem lembrava que existiam, mas minha cabeça tentava manter o foco em quem realmente me importava, minha família, minha namorada e alguns amigos. Certo, as pessoas mais perto da minha casa eram meus primos, talvez eu conseguisse chegar até lá vivo, a casa deles era bem grande, se ainda houvessem sobreviventes poderíamos fortificar e sobreviver lá até conseguirmos ajuda. Então estava decidido, eu ia atrás deles.

A casa dos meus primos era apenas algumas ruas acima da minha eu chegaria lá com facilidade se não houvessem muitos bichos na rua. Ter que ir pela rua de trás realmente me atrapalhou um pouco, mas não tive muita dificuldade, tenho que admitir que aquelas fugas da escola me ajudaram muito, me deram um pouco de experiência com parkour, então consegui ir pulando por alguns muros,alguns becos e etc. E os poucos bichos que eu encontrava conseguia fugir facilmente. Quem disse que fugir da escola não ajuda em nada? eu sabia que algum dia isso me seria útil. Minha escola parecia uma prisão, então, se você conseguia fugir de lá, conseguia fugir de qualquer lugar e por sorte eu era perito em fugir daquela merda. No caminho, tentei contatar minha família, qualquer um; avó, avô, pai, madrasta, irmão (de novo), tios, primos e nada. Ninguém atendia. Todos os números estavam dando ocupado, comecei a pensar e percebi o quanto era idiota por tentar aquilo, em um desastre desse porte era óbvio que as linhas telefônicas iam se sobrecarregar. Por sorte, antes de sair de casa peguei um Walkie-Talkie que eu e meu primo tínhamos ganhado do pai dele quando eramos pequenos, tínhamos prometido um ao outro que independente da idade e independente da circunstância usaríamos aquilo sempre que um estivesse com problemas. Fiquei muitas noites ouvindo problemas dele com garotas, mas afinal, havíamos prometido, certo? Agora ele não poderia me deixar na mão, o Walkie-Talkie tinha um raio de 10 km e nossas casas eram mais perto que isso, então tentei chamá-lo. -Bruce? Bruce? Me responde pelo amor de deus! — eu disse desesperado, mas em tom baixo para que 'as coisas' não me ouvissem.

– Ei cara você tá sabendo do que está acontecendo? Meus pais e minhas irmãs saíram, só estamos eu e o Kevin aqui em casa, nós trancamos as portas e fechamos as janelas, estamos tentando ligar pra um monte de gente já faz tempo, mas nenhuma resposta, nenhum sinal de que as coisas vão se acertar. — Ele respondeu.

– Sim as coisas estão realmente feias, as linhas telefônicas parecem estar sobrecarregadas, não acho que iremos conseguir falar com alguém por telefone tão cedo, pedidos de ajuda pra lá e pra cá, por isso pensei nos Walkie-Talkies, eles provavelmente dariam certo. Agora sai de casa, estou indo para ai, temos mais chances de sobrevivência com um grupo maior, como está a situação por ai? — Perguntei, enquanto desviava de alguns destroços de carros e de alguns bichos que tentavam inutilmente me agarrar.

– Hã... Não sei se você vai conseguir chegar no portão de casa tão fácil, a não ser que você tenha um tanque de guerra, o que eu acho meio improvável. Cara, a rua de casa está lotada dessas coisas, eu e o Kevin estamos trancados aqui em casa sem fazer barulho pra não atrair esses bichos aqui pro portão. — Ele respondeu em um tom baixo. Comecei a bolar um plano na minha cabeça, lembrei de quando eramos pequenos e brincávamos no terreno do lado, cheio de matos muito maiores que nós, fui a algum tempo atrás na casa dos meus primos e reparei que o mato ainda estava alto. Contando que não tivessem aparado o mato nesse meio tempo, eu poderia entrar pelo lado do terreno, passar pelo meio do mato, e se Bruce conseguisse colocar uma escada do terreno pra casa dele talvez, conseguisse entrar sem que me percebessem.

–Cara, seu pai ainda tem aquela escada gigantesca? — Perguntei animado.

–Sim... Qual é sua ideia? -Ele me perguntou nervoso.

–Pegue a escada e acenda a churrasqueira, estou chegando priminho. — Eu disse entusiasmado.