Diário de Sobrevivência
13 Diário 2 - Jimmy
Notas iniciais
Pessoal, os capítulos do Pedro não estão saindo por motivos de que: ele está estudando muito, porém, logo mais eles sairão. Desculpas!
DUAS SEMANAS DEPOIS
Havíamos deixando São Paulo. Estávamos caminhando na rodovia 136 em direção à Oeste, era um dia quente e nós tínhamos apenas umas garrafas d'água conosco. Eu ainda estava tentando superar tudo aquilo que vimos no shopping naquele dia, as imagens não saíam da minha cabeça: Willian no chão, o helicóptero, zumbis, explosão... Eu, como todos, mudei. Eu fiquei mais frio e sem senso de humor, estava mais triste e não estava como duas semanas atrás. Parei de chorar, isso era um começo, porquê no fundo, eu sabia que chorar nunca trouxe ninguém de volta. Comecei a enxergar esse "novo mundo" com outros olhos e finalmente, percebi que não poderia desistir, não agora. Giovanna estava mais quieta agora, sorria raramente e o seu cabelo havia perdido um pouco do seu brilho, porém ela continuava linda, ainda mais com aquele Jeans e camiseta do Red Hot. Everthon, por sua vez, também estava um pouco diferente: ele agora não falava muito conosco e eu até entendia o porquê, ele estava nos dando tempo para pensar. Sabia que era uma ferida recente o que havia acontecido há duas semanas, e sabia que iria levar mais algum tempo para que superássemos tudo isso. Ele agora usava shorts pretos e camiseta de Assassin's Creed IV, e estava mais moreno. Incrível como as pessoas podem mudar em menos de um mês, tanto fisicamente como psicologicamente.– Precisamos andar mais um pouco até a cidade de Altaria, estamos quase lá. Quando chegarmos, iremos procurar por uma farmácia e um mercado para nos suprir. — disse Giovanna decididamente.– Tudo bem. — disse Everthon.Assenti com a cabeça. Preferi deixá-la nos guiar por um tempo, enquanto eu organizava as ideias na cabeça. Alcançamos a placa de boas-vindas da cidade de Altaria, a placa retangular dizia: "Bem vindos à Altaria. População..." O número de habitantes da cidade havia sido pichado com tinta preta, e era recente. Chegamos à avenida principal da cidade, avenida Lancey, fomos em direção a um prédio laranja e branco no final da avenida, deduzo que seja a prefeitura. Antes de alcançarmos a prefeitura, Giovanna parou a nossa frente.– Certo, pessoal, ali é a farmácia local. — Giovanna apontou para um prédio feito de tijolos vermelhos na calçada a nossa esquerda. Na placa da farmácia estava escrito: "Farma Harrison", alguém havia pichado no canto superior direito da placa a palavra: "saqueie". — vamos entrar logo. Entramos na farmácia, era uma farmácia média e escura com poucos remédios nas prateleiras. Havia um balcão com uma caixa registradora em cima e estava tudo revirado, isso era bem recente e parecia que havia ocorrido há minutos. Abri minha mochila de caveira cinza que peguei no shopping, e joguei alguns antibióticos, e produtos pessoais dentro.– Pessoal, tomem cuidado. Não sabemos se a área está limpa, ok? — perguntei.– Claro. — disse Everthon.Dei alguns passos até a caixa registradora que estava aberta e vazia. Apesar que dinheiro, era o que nós menos precisávamos naquele momento. Ou não.– Achei munições. — disse Giovanna enquanto vinha em minha direção. — Pega, servem para você. — ela me ofereceu. Aceitei e sorri para ela, ela sorriu de volta. Uma das poucas vezes nas últimas semanas que ela fez isso.– Não há mais nada aqui, vamos sair pelos fundos. — eu disse.– Certo. — disse Everthon.Saímos pelos fundos e nos vimos diante de um pequeno estacionamento cercado por paredes de tijolos de 1 metro de altura. Havia alguns carros estacionados e uma caçamba de lixo próximo a saída. – Carros... Será que...? Seria uma boa. — perguntou Giovanna curiosa.– Veremos agora. — respondi confiante. Caminhamos até um fox prata que ali estava parado, estava destrancado então, entrei e sentei.– Sem chaves. — eu disse.– Ligação direta? — perguntou Everthon.– Talvez. — respondi enquanto saia do carro.Caminhei até o outro lado do estacionamento, próximo a saída quando senti que havia pisado em algo: olhei para o chão, e percebi que era uma chave de carro. Me abaixei, a peguei e mostrei a eles.– Que tal? — perguntei quando me aproximei do carro.– Será que é dele? — perguntou Giovanna.– Veremos. — respondi sinceramente.Entrei no veículo e encaixei a chave na ignição. Demorou alguns segundos para o carro pegar de fato, mas com algum esforço funcionou, ele ligou.– Bazinga! — sorri.– Que ótimo! E a gasolina, como está? — perguntou Giovanna.– Bem na metade, aguentará por algum tempo. Conheço está cidade, não há posto de gasolina nos arredores. Talvez na cidade de Hampton, há uns 36KM daqui, tenha um posto mas nada certo. — informei. – Ótimo! Deveríamos partir agora? — perguntou Everthon.– Acho uma boa, daqui a pouco nossos amiguinhos nem um pouquinho receptivos chegarão. — eu disse.– Certo, certo. — Everthon riu.Giovanna entrou no lado do passageiro, a minha esquerda, enquanto Everthon ia atrás. Joguei minha mochila nos pés dele, e Giovanna colocou seu arco nos pés. Acelerei o carro, e seguimos pela avenida principal em direção à cidade.– Se importam, se eu dormir um pouco? Sabe, fiquei de vigia lá atrás e tudo mais... — perguntou Everthon no momento em que saíamos da cidade. – Cara, claro que não. Dorme ai, de boa. Descanse bastante porquê será difícil quando chegarmos em Hampton. — eu disse.– Tudo bem. — ele ria enquanto deitava no banco de trás. ***Estávamos no quilômetro 13 da rodovia 134 em direção à Oeste ainda, Giovanna estava de olho no mapa que ela havia encontrado no carro. – Estamos indo pelo caminho certo, capitã? — perguntei sorrindo.Ela me empurrou de leve.– Estamos Sr. Motorista. — ela respondeu sorrindo de volta.
– Menos mal, não quero nos perder por aqui, área perigosa. – Entendo. — ela disse enquanto observava pela janela.– É... Posso fazer uma pergunta? — perguntei.– Além dessa? Claro. — ela respondeu.– Como você chegou até a Zona de Quarentena?Ela continuou observando a paisagem por alguns segundos. – Bem, eu estava discutindo com meu ex namorado pelo telefone no momento em que comecei a ouvir gritos vindos lá de fora. Olhei pela janela do apartamento e vi que algumas pessoas estavam correndo de zumbis... Mas na hora, não notei que eram zumbis, só após ver um deles mordendo um cara vivo na esquina lá embaixo. Então quando fui perguntar para ele o que estava acontecendo, o telefone ficou mudo do nada. Então peguei meu celular e desci pelas escadas até o térreo, corri para a rua e vi alguns zumbis vindo em minha direção. Minha sorte, se assim posso dizer, foi que uma moça tropeçou e serviu de isca para os zumbis e eu ganhei mais tempo para correr. Corri até a casa do meu primo, mas ele não estava lá, então, tive que correr mesmo sem saber para onde ir. Quando parei em frente a uma loja de televisões e vi na transmissão da TV da vitrine que haviam zonas seguras de refugiados, chequei qual era mais próxima e fui até lá. Encontrei Dana, e ela checou se eu não tinha mordidas e então, me deixou entrar e lá reencontrei vocês.– Nossa, entendi. Isso explica o bolo daquele dia. — eu ri.– Ei, eu não podia ir ver você no meio de um apocalipse! — ela riu alto.– Eu sei boba. Continuei dirigindo por aquela estrada sinuosa quando de repente, começou a chover. – E o seu ex?... Você foi atrás dele? — perguntei.– Não, ele é um babaca. — ela riu. Everthon agora roncava no banco de trás do carro. Após 1 hora e alguns minutos de estrada, finalmente chegamos até a cidade Hampton. Era cerca de seis da tarde quando chegamos até a praça principal da cidade que estava vazia. Parei o carro e Giovanna desceu com arco em mãos.– Everthon, acorda. — chamei-o.Ele despertou e ficou confuso por alguns segundos. – Chegamos? – Sim, desce. Vamos ver o que há de novo por aqui. Descemos e caminhamos até Giovanna que observava uma estátua de Hades no centro da praça.– Hades. Submundo. — sussurrou ela.– Gosto dele, simpatizo. — disse Everthon enquanto bocejava.– Venham, vamos procurar por um local para passar a noite. — os chamei enquanto ia em direção a uma rua à leste. Enquanto caminhávamos por essa rua, escutamos algumas vozes à diante de nós. Saquei o revólver e o escondi atrás de mim enquanto observava quem se aproximava na escuridão. Um garoto e uma garota ruiva vinham em nossa direção enquanto conversavam sobre hóquei– Oi? — perguntei. Eles pararam subitamente quando nos viram. – Posso ajudar? Quem são vocês? — perguntou a garota ruiva.– Meu nome é Jimmy, e estes são Everthon e Giovanna. Estamos apenas de passagem e estamos em busca de abrigo. — eu disse certamente. — Vocês moram aqui? — segurei o revólver mais firme.– Sim, ali naquela casa no final da rua. — apontou o garoto para uma casa branca de dois andares.– Bom, temos que ir então. Prazer em conhecê-los....- hesitei.– Luana, Luana e Gustavo. Somos amigos e moramos aqui há 15 anos. — ela disse. — esperem... sei que, sei que não nos conhemos mas caso precisem... Temos abrigo seguro, comida e água de sobra lá. Caso queiram... Não precisam ficar por muito tempo caso queiram, poderão ir amanhã. É só um convite, percebi que vocês não tem muita coisa, não?– Hum... Por que deveriamos confiar em vocês? — perguntou Giovanna.– Acreditem se quiser, oras. Não precisam aceitar, só um convite. — disse Gustavo.– Bem Gustavo, parece que o Guilherme não vem hoje. Deve estar preso enquanto trabalha na lavanderia lá em São Paulo. — Luana riu. – Ei, você pare. Ele disse antes do surto que deveria chegar aqui hoje. — Gustavo olhava ao seu redor preocupado. — mas que... Argh!– Espera um pouco. — eu disse. — Vocês tem mais alguém no grupo?– Não, apenas nós dois. O irmão dele, Guilherme, deveria chegar de São Paulo hoje. Porém... Nem rolou. — Luana disse enquanto se aquecia com os braços. — Aqui está ficando frio. Vamos voltar? – Argh.. Ok, vamos sim. — Gustavo respondeu decepcionado. — Então, vocês vem ou não? Eles deram as costas e voltaram em direção à casa branca.– Vamos ou não? — perguntou Giovanna.– Aqui não é seguro. E eles têm mantimentos, podem nos ajudar. Mas não deveríamos confiar em ninguém, afinal, regra número um de sobrevivência: nunca confie em ninguém. — eu disse desconfiado. – Olha, não deveríamos mesmo. Mas estou morrendo de frio e de fome. Acho que deveríamos ir, porém ficar de olhos bem abertos. — disse Everthon enquanto dava pulinhos para se esquentar. – É, pode ser. Mas vamos ficar de olhos bem abertos, por favor. — pediu Giovanna.– Tudo bem, tudo bem. Mas olha lá em. — eu disse. Então, seguimos rumo a casa Branca.
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