– Rápido! A gente precisa fazer isso ainda hoje! – gritei.

Por que elas gostavam tanto de se atrasar? Até no meio de um apocalipse zumbi ela demorava para sair de casa.

– Já estou indo! — gritou Giovanna dentro de casa.

Eu estava na calçada da casa agora enquanto o sol forte queimava meu rosto e minhas pernas. Estávamos a caminho da pequena floresta na beira da rodovia Oeste, precisávamos de alguns mantimentos e itens que haviam no pequeno mercado da rodovia. Estávamos quase sem nada para comer e Giovanna ia caçar algum esquilo ou coelho para comermos lá em baixo, e eu tinha que dar um jeito de manter os infectados à distância.

– Aqui estou! — Giovanna disse ao alcançar o gramado.

– Vamos, está tudo pronto? — perguntei enquanto passava pelo ônibus.

– Acho que sim... Bolsa, ok; arco e flechas, ok; comida, ok; água... É, está tudo aqui. — ela colocou a bolsa na transversal.

– Ótimo, vamos. — entramos no carro e dei a partida.

Alcançamos a estrada de saída da cidade, uma névoa forte caía na estrada e na cidade.

– Sabe, — começou a contar Giovanna. — minha mãe costumava falar que sempre que havia uma névoa em algum lugar, era porquê coisas boas estavam acontecendo naquele lugar.

– Será mesmo? Espero que isso seja um sinal de que não iremos morrer. — respondi.

Ela me fitou por alguns segundos.

– O que foi? — a observei por uns instantes e então voltei o olhar à estrada.

– Nada.

Continuei dirigindo pela estrada até adentrarmos na floresta enevoada. A estrada era composta por duas faixas de sentidos opostos e a placa indicava que a rodovia 116 estava perto.

– Esse lugar me dar arrepios. — Giovanna observou pela janela da caminhonete.

– É, a mim também. Não há muitos infectados aqui pelo o que parece.

– Isso é bom, fica melhor para caçar. E o melhor, não há vento.

– Isso é bom.

Giovanna me observou confusa por alguns segundos.

– ISSO É ÓBVIO! — ela socou meu braço. — Vai dizer que não sabia que o vento leva o seu cheiro até a caça?

– Ah, é verdade... Mas escuta, onde tu aprendeu tanto sobre caça?

– Meu avô tinha uma fazenda em New State, não é muito longe de São Paulo, no litoral. Tinha uma vista para o mar, cavalos, vastos campos abertos e um penhasco à beira mar. Eu amava aquele lugar.

– Parecia ser legal.

– Teve uma vez — Giovanna começou a rir — que o meu ex caiu de cavalo, e o cavalo o pisoteou.

– Bem feito. Eu sou bem mais bonito que ele. — sorri.

– Ah, talvez.

Soltei um olhar confuso a ela.

– Estou brincando, idiota. — ela riu. — Claro que sim.

– Sei. — sorri.

***

Chegamos até o mercadinho que havia na beira da estrada.

– Eu vou pegar as coisas, você desce e observa o perímetro, certo?

– Ok. — Giovanna desceu do carro.

Entrei no mercadinho que corri até o caixa. Estava vazio, apenas com algumas moedas pequenas. Um infectado me avistou aos fundos do mercado e correu em minha direção. Avistei uma pequena machadinha azul em baixo do balcão, tipo aquelas de filme de terror.

Peguei a machadinha e pulei o balcão indo em direção ao corredor três. O infectado correu em minha direção, me abaixei e ele passou direto, virei rapidamente e cravei a machadinha na cabeça dele, no lobo frontal. A puxei e o acertei mais uma vez até que ele ficou impossibilitado. Peguei uma sesta de mercado verde e sai jogando os alimentos dentro, corri até uma balcão menor aos fundos. Uma placa neon indicava que ali era a sessão de ferramentas, o que era ótimo. Peguei um alicate de corte médio, alguns pregos e parafusos.

– Acho que é só. — sussurrei.

Peguei os itens e sai do mercado, fui em direção ao carro.

– Achou tudo? Está bem calmo aqui mesmo. Só matei dois até agora. — Giovanna se aproximou com o arco.

– Sim. — coloquei os itens no pequeno espaço que havia dentro da cabine. — Precisamos ir à caça agora.

– O que foi isso? — Giovanna parecoa assustada.

– Isso o qu...

– Shiu, esse barulho foi o que? Há algo de errado aqui. — Giovanna olhava ao redor.

Ela mantinha os olhos na ponte que passava ao lado do mercado e cruzava a estrada.

Naquele momento, dois carros pararam em cima da ponte e um cara negro com piercings e alto desceu junto a uma mulher, e um cara alto e branco que usava uma jaqueta de couro.

– Devemos matá-los? Nós Podemos. — a mulher perguntou enquanto se apoiava na beirada na ponte.

– Acho que sim. — o cara da jaqueta de couro se aproximou da beirada e nos fitou com ódio no olhar.

– Quem são vocês? — perguntei.

– Quem você quiser que nós sejamos. — o da jaqueta riu.

– O que está havendo? — o cara alto dos piercings se aproximou.

Foi estranho. Eu conhecia aquele cara. A expressão dele ficou séria e ele ficou branco na hora em que me viu.

– Puta merda. — ele falou.

– Canni... Porra, caralho Canni. — me aproximei da ponte.

– Você o conhece? — o da jaqueta perguntou.

A garota mirou a arma no meu peito.

– Não atire... Eu conheço ele.