Diário de Isabela......parte 2
25 tentando recomeçar...
Notas iniciais
A conversa que eu tive com a Manu, me tranquilizou, aliviou meu coração, que estava angustiado, finalmente nos tornamos irmãs de verdade, cumplices uma da outra.
A tarde, fui ver o Téo, quando entrei a dona Fiorina, me deu um abraço, e isso me aliviou, porque eu achava que ela me expulsaria de lá, o Téo estava no quarto, sorriu quando me viu.
Fui até ele, dei um beijo e me deitei ao seu lado.
— Como você está Isa.
— bem e você.
— bem, e feliz, porque você está aqui........ e alguma novidade.
— sim, hoje bem cedo, a policia, prendeu todos naquela casa, ele vão passar um bom tempo na prisão......a Camila, como é menor, vai para um abrigo para menores infratores, eu acho.... e a Regina ficou louca de vez.
— eu pude ouvir aqui do meu quarto, a confusão que estava no vilarejo.
— espero que eu nunca mais a veja.
— eu também........nunca pensei que teria que agradecer, ao Omar, justo ao Omar.......por ter invadido a casa e tenho que admitir que levar o manteiguinha, foi muito inteligente.
— é.....e não esquece da doida da Sabrina, nunca pensei que teria que agradecer a Sabrina.
— bem.....eles salvaram a gente.......a Sabrina, o Omar, a Manu, o Joaquim e o Mateus.
— depois que você melhorar, nós podíamos fazer uma festa pra eles, o que você acha.
— ótima ideia.
Ele ficou um tempo em silencio, me olhando.
— que foi.
— seu padrinho, esteve aqui, pra me ver, a alguns minutos.
— é.
— ele me contou Isa, o que a Renata contou a policia.
— ah....é isso.
— você não ia me dizer.
— eu não.....
— a Regina, queria se vingar de você, ela mentiu pra eles que era pelo dinheiro, mas não, ela ia te......bem.....você sabe.
— eu sei.....
Ele me abraçou bem forte.
Ficamos em silencio, um bom tempo, eu continuava deitada ao lado dele, abraçada, com minha cabeça no peito dele, podia sentir a respiração dele, eu acho que sei o que ele estava pensando. Ele segurava minha mão com uma delicadeza, fazendo carinho, e com esse gesto tão simples, eu podia sentir, o quanto a gente se gostava.
Fiquei observando a chuva pela janela, as gotas batiam contra o vidro, me fazendo lembrar, da primeira vez, que meu coração bateu mais forte ao lado do Téo, não sei se ele sentia a mesma coisa, sempre que chovia, mas eu comecei a gostar dos dias chuvosos.
Ele passou a mão no meu cabelo, me fazendo acordar dos meus pensamentos, eu o abracei mais forte, e adormecemos assim.
Acordamos com o Manteiguinha pulando na cama, antes isso teria me irritado muito, mas depois de tudo, bem foi ele que mostrou o caminho para o porão, então eu não me importei, até fiz um carinho no cachorro, ele deitou na cama com a gente, e pra ser sincera, eu tenho que comprar um presente pra esse cachorro, porque minutos depois a dona Fiorina entrou no quarto, surpreendendo a gente. Antes ela teria visto nos dois dormindo abraçados, de uma forma um tanto, digamos provocante, mas agora, estava uma cena bem inocente, nos dois com o manteiguinha no meio, e acordados.
É serio.....esse cachorro, já me ajudou tanto, que eu estou pensando em comprar um pra mim.
A dona Fiorina me convidou pra jantar, e não podia recusar, ainda mais pela forma que ela estava me tratando, com carinho, e olha que isso era difícil, porque ela me tratava como se eu estivesse roubando o filhinho ingênuo dela, e agora estava sendo gentil comigo........então eu é que não ia fazer nada que a deixasse chateada.
E adivinhem o que a dona Fiorina fez pra janta......em.......humm........LASANHA.......eu estou começando a achar que a minha vó tem razão, que a dona Fiorina não sabe fazer outra coisa, além de lasanha e sorvete, mas até que era muito saborosa, mas era muitooooo calórica, é serio , desse jeito eu vou engordar.
Depois de jantar, eu fiquei um pouco mais com o Téo na sala, ele não podia ficar andando muito, por causa da perna, e quando começou a anoitecer, eu me despedi dele, e fui pra casa, ainda chovia, mas não me importei de me molhar, na verdade eu queria que aquelas gotas de chuva, que escorriam pelo meu corpo, levassem em bora, tudo o que eu estava sentindo.
Cheguei em casa, molhada pela chuva, minha mãe ainda estava acordada, e quando eu passei pela porta ela me trouxe uma toalha, ela me enrolou na toalha, e me abraçou, não falou nada, ela me olhou de um jeito, aquele olhar me dizia tudo, o que ela não conseguia me falar.
Tomei um banho, deixei a agua quente escorrer pelo meu corpo, me tranquilizando, eu estava me sentindo tão mau, por tudo que havia acontecido, eu sei que a culpa não era minha, a conversa que eu tive com a Manu, me fez entender muitas coisas, quem diria que a caipira da minha irmã gêmea, me daria conselhos, e eu a ouviria.
Depois que eu me sequei, e troquei de roupa, me preparando pra dormir, é que eu percebi que a Manu, havia juntado as camas, pra que a gente dormisse juntas......aff....aquilo me irritou no começo, me irritou mesmo, e olha que eu não sou de me estressar tão fácil, cheguei a pensar em gritar, QUE IDÉIA É ESSA MANUELA......mas depois fui me acalmando, e pensei, porque não.
Me deitei ao lado da Manu, ela já dormia, tampada até o pescoço, parecendo um anjo, me aproximei dela e dormi.
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