Notas iniciais
de volta ao vilarejo....

Depois de umas duas semanas, eu resolvi voltar pro vilarejo, não estava bem ainda, mas não queria mais ficar me escondendo, eu teria que voltar, não adiantava ficar mais tempo na cidade, reuni toda a coragem que ainda me restava, e arrumei minhas coisas pra voltar pra casa, pelo menos teria minha família por perto.

Voltamos, o Omar também estava sentindo falta do vilarejo, dá pra acreditar.

Quando cheguei em casa, me despedi do Omar, e ele foi pro haras, eu entrei em casa, assustando todos.

— Isabela, filha.

— irmãzinha, você voltou.

A Manu veio correndo e me abraçou, depois a mamãe.

— você não avisou que estava voltando.

— eu resolvi voltar.

— e agora vai me contar o que aconteceu filha.

— me desculpa, mãe, mas não.

Ela não insistiu, fui pro quarto junto com a Manu, e eu contei como foi na cidade.

— então o Omar foi uma boa companhia.

— sim.....

— e aconteceu alguma coisa entre vocês.

— não.....ele foi comigo na gravadora.... e ficou muito interessado na Chloé.

— serio.

— sim.... ele é só meu amigo.

— hum.....Isa.....você quer saber o que esta acontecendo por aqui.

— não.......tá fala.

— bem......eu voltei a ser amiga do Téo.......ele sempre foi meu melhor amigo, Isa, eu cresci com ele, ele sempre esteve do meu lado.

— eu entendo.....mas não me peça...

— Isa, ele me contou o que aconteceu, bem, a versão dele.

— e você....

— eu acredito nele, o Téo é um ótimo rapaz Isa, se ele diz que foi a Camila que agarrou ele , eu acredito.

— ele disse isso.

— sim.... ele me contou muita coisa.....e sabe....desde que você foi embora, a Camila, não se aproximou dele, nem de ninguém.

— tá Manu..... chega.

— mas.

— não.

A tarde fui dar uma volta, pela praça, o Mateus e a Dóris vieram falar comigo, mas eles iam na sorveteria, bem, eu não sei se estava preparada para vê-lo. Fiquei na praça, a Camila passou por mim, deu um sorrisinho, só que dessa vez não me importei, porque Isabela Junqueira estava de volta, até acenei pra ela, ela me olhou de um jeito estranho, confusa, deve ter achado que eu iria chorar, não, aquela Isabela, não existia mais, voltei a ser a de antes.

Ela entrou na sorveteria, e quer saber de uma coisa, eu vou lá também.

Quando eu entrei, o Mateus e a Dóris estavam sentados numa mesa com o Téo, ele ficou pálido, quando me viu. Olhei em volta, o Joaquim, estava sentado numa mesa sozinho.

— Joaquim.

— Isa... como você está.

— ótima.....está esperando a Manu.

— sim.....senta ai.

Eu me sentei sob os olhares do Téo, do Mateus e da Camila. Ela estava em uma mesa próxima, ao lado, deu pra perceber que ela estava escutando.

— eu comprei um presente pra Manu, quer ver.

— claro.

Ele me mostrou a caixinha, eu abri, era uma pulseira simples, mas bonita, com a letra J e a letra M e um coração.

— é linda.

— então você acha que ela vai gostar....

— sim.....

— é que o aniversário da Manu tá chegando, e eu quero dar vários presentes pra ela até o dia....e......... e espera........o seu também.

— sim...

— eu não comprei nada pra você Isa.

— não precisa......eu tenho dinheiro suficiente, pra comprar o que eu quiser.

Vi no rosto da Camila, que ela estava com inveja; mas ela logo foi embora, ainda bem, na sorveteria ficou somente o Téo, o Mateus e a Dóris, em uma mesa, e o Joaquim e eu em outra, e a Marina que estava servindo os sorvetes.

O Joaquim guardou o presente, ficamos conversando, até que a Manu chegou, eu sai da mesa e me sentei em outra, não ia ficar no meio dos dois. Mas não fiquei sozinha por muito tempo, logo o Omar chegou, e sentou comigo.

Ficamos conversando, olhei pro lado e vi a Manu feliz com o presente, ela deu um beijo no Joaquim, eu sorri, vendo os dois juntos.

— eu sei que o seu aniversário tá próximo. — disse o Omar.

— e daí.

— e daí..... que eu tenho uma surpresa pra você.

— como assim.....Omar.

— calma.....você vai gostar..

— sabe.....meu pai sempre fazia uma surpresa pra mim, mas a Regina sempre estragava tudo.

Não percebi que a Manu, o Téo, o Joaquim, na verdade eu acho que a sorveteria inteira estava escutando.

— meu pai.......ele tentava fazer uma festa, mas como eu nunca tive amigos, a festa era só pro meu pai e pra mim, mas mesmo assim, ele fazia algo especial, comprava um bolo, e vinha de noite escondido da Regina, pra comemorar comigo, porque ela sempre dizia que pra que fazer festa, se ninguém viria, ela ria de mim, e sempre estragava tudo, mas daí meu pai começou a vir a noite, quando todos estavam dormindo, e comemorava comigo, só nos dois.....me trazia um presente enorme, mas era a companhia dele que eu mais queria.

— mas.....você deixa eu organizar uma festa pra você.

— acho melhor não.

— mas não é todo dia que se faz quinze anos.

A Manu estava chorando na outra mesa, veio e me abraçou.

— passamos o nosso aniversário o ano passado, presa no porão, se lembra Isa.

— como eu ia esquecer.

— é aquele porão é sinistro.. – disse o Omar

A Manu, olhou pra ele.

— a Isa me mostrou...... eu sinto muito.....

— o importante é que agora estamos com nossa família.....né Isa.

— é.

— ai minha menina, me desculpa, eu tentei ajudar, mas a ...... eu interrompi a Marina.

— eu sei Marina.

— você é tão nova e já passou por tanta coisa.........merece ser feliz.

— acho que nem todos, nascemos pra ser feliz. — meu olhar se encontrou com o do Téo

— não fala assim, maninha.

— e Isa, porque se depender de mim, você será feliz. — disse o Omar.

O Téo se levantou e saiu da sorveteria.

Notas finais
comentem....